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quarta-feira, 11 de abril de 2012

DEMORA DOS DIABLOS



Dia 15 de maio de 2012 está se aproximando. É hora do mal retornar, mais uma vez. Acompanho a novela intitulada Diablo 3 desde o ano de 2009, com um misterioso vídeo que mostrava a classe Mage em ação. Desde então, quase três anos se passaram, e finalmente o jogo tem não só a sua data oficial confirmada (depois de cataratas de mimimi de jogadores que não aceitam o fato de que a Blizzard é a Blizzard; ela está enchendo seus bolsos virtuais de dinheiro -real- com franquias online como WOW; e ela pode se dar ao luxo de lançar a sua mais preciosa jóia apenas quando achar que ela já foi lapidada o suficiente). Eu sei, a notícia não é nova. Mas, não estou escrevendo para dar a notícia, e sim para contar um pouco da minha trajetória com a saga e dar as minhas impressões do que acho que será o fenômeno Diablo 3.



DIABLO (1996)
                           

       
Joguei o primeiro Diablo em 2001, em um PC K6-2 400 MHz e 98MB de memória sem placa de vídeo, claro. O jogo, da revista FullGames, veio em uma caixa de papelão, com direito a encarte e tudo, pela bagatela de R$10,00. Apesar das baixas configurações e das agruras de controlar um protagonista que não corria nos cenários, Diablo me introduziu ao RPGs de computador e a um pequeno mundo de sofrimento. Algo que me chamou muita atenção ao seu sistema foi o desgaste das armas, coisa que eu nunca havia experimentado em RPGs tradicionais de consoles. Esse fator de dificuldade era muito estressante para mim, eterno colecionador de bugigangas em RPGs. Nesse jogo, por mais que você gostasse de uma arma ou equipamento, cedo ou tarde teria que dar adeus ao estimado item. Quando um item se desgastava, era necessário repará-lo no ferreiro. O problema é que isso ia diminuindo a durabilidade do item. Por exemplo, você tinha uma bela espada que causava dano por fogo, com durabilidade de 20/20. Com o uso, ela cairia para 18/20 e assim por diante. Se você a reparasse, o máximo da durabilidade caía para 17/17, por exemplo. Ou seja: cedo ou tarde,, seria kiss goodbye para a sua querida Firebrand. Outro fator no jogo era a ausência de respawn dos inimigos. Ao subir de nível, você obtinha 5 pontos de característica para distribuir entre atributos como Força; Vitality e etc.; e 1 ponto de Skill (ou Perk, como achar melhor) para gastar em uma habilidade específica da sua classe (só eram três: mago, ladra e –adivinhem só- guerreiro bárbaro genérico). O problema, como eu falei, era a ausência de respawn: os inimigos eram contados e limitados. O que tornava a sua experiência e chances de escolha, também, limitados.
A dificuldade do jogo era bem balanceada, exceto um ou outro inimigo (sim, Butcher, me refiro a sua pessoa mesmo) que te obrigavam a evoluir um pouco para prosseguir.
No Diablo, tive que ir contra a minha natureza nerd de sempre jogar com magos e selecionar o guerreiro genérico bárbaro. Apenas para descobrir a grande cagada que o filho da mãe estaria prestes a fazer no final do jogo (se você não sabe do que estou falando, merece uma pedrada na testa por sua ignorância). No mais, o clima e trilha sonoras desse jogo eram muito bons, me fazendo lembrar a clássica cena das minas de Mória de, O Senhor dos Anéis (na época eu tinha assistido ao filme pela primeira de centenas de vezes então, perdoem a forte influência. E sim, o primeiro Senhor dos Anéis é um ótimo filme, apesar dos pesares).




DIABLO 2 (2000)



Mais uma vez, joguei o jogo bem depois de sua data de lançamento. Eu já tinha visto o Diablo 2 em lan houses, mas não havia gostado muito da escala reduzida e de algumas coisas, como a animação do personagem correndo. Peraí! Eu disse correndo? Acho que sim, e essa foi a principal mudança que pude perceber logo nos primeiros minutos de jogo. A barra de stamina servia para fazer o seu personagem correr, e nada mais. Mas já era um grande salto que pouparia a nossa paciência durante horas e horas de exploração. Outra diferença: o respawn infinito havia estreado nas terras desérticas de Diablo, proporcionando horas e mais horas de “Quit and Save” para matar hordas e mais hordas de monstros e ter o prazer de ver a barrinha de XP andar apenas um milímetro (ou menos) para a direita. Ah, se você morresse, a sua experiência e dinheiro eram cortados pela metade. Não sei bem se era pela metade, mas isso não importa, pois, só quem sabe o quão difícil era evoluir nesse game tem uma ideia de quão insuportável era o fato de perder qualquer quantidade de XP que fosse. Antes que eu me esqueça: poucas pessoas conseguem perceber o quão sacana e cruel era o tal comando “Quit and Save”. Se você não se deu conta, eu explico: no primeiro Diablo, era possível salvar em qualquer ponto do jogo, assim como em 99% dos jogos de computador. Mas, no Diablo 2, a única forma de salvar era pelo comando citado acima. Ou seja: esqueça aquela mamata de salvar antes de um chefe difícil (e todos os chefes desse jogo eram difíceis). Quando você morria, além da XP e dinheiro perdidos, também iam ralo abaixo todos os equipamentos usados por você na hora da morte. Para recuperá-los, era necessário voltar ao lugar do velório e clicar sobre o corpo, como em Demon’s/Dark Souls. O problema, é que os chefes eram tão apelões, que às vezes nem chegar perto do cadáver era mais possível. Várias vezes eu tive que comprar equipamentos inferiores para poder agüentar algumas pancadas do chefão e conseguir recuperar os itens perdidos. E o pior: a regra do respawn se aplicava também aos chefes. Após matar o chefe do ato 2, Duriel (um bicho metade lagarta-metade touro), fiquei receoso em prosseguir sem itens de cura e retornei à cidade para me abastecer. Quando voltei, lá estava ele, novinho em folha e pronto pra acabar com a raça do meu querido Necromancer Alastor (só o divino sabe come é difícil enfrentar certos chefes munido com estacas de ossos e algumas caveiras ajudantes). Consegui derrotá-lo uma segunda vez, apenas para descobrir que havia hesitado em prosseguir a apenas duas telas do final do capítulo. Deu pra perceber como Diablo 2 era facinho? E olha que nunca ousei joguar nos níveis Nightmare e Inferno, sendo estes autoexplicativos.
A quantidade de novas classes não era bem uma novidade, mas se configurava como elemento principal de fator Replay. De fato, Diablo, apesar de ostentar a alcunha de RPG, sempre foi um jogo bastante estático quando o assunto é customização, caminhos alternativos ou variantes de enredo e escolhas. Mas a variedade de classes era tão grande, que fazia o jogador jogar tudo de novo, apenas para experimentar os outros estilos de jogo. Eu, particularmente, terminei o game com cinco das sete classes: Mage (o “gamethrough” mais tranqüilo e fácil de todas, sem sombra de dúvida); Assassin (uma de minhas preferidas); Amazon (legalzinha. Me lembrava a mulher-maravilha); Druid (muitíssimo divertido, mas meio fraquinho. Era muito bom virar lobisomem e urso, além das ervas daninhas assassinas que ajudam o herói) e Necromancer (a minha preferida de todo o jogo. Alastor, meu necromancer de nível 35, me perdoe por apagar o seu arquivo de save durante uma das muitas formatações que assolaram meu PC). As outras duas (Barbarian –meio sem graça- e Paladin –não adianta mudar de nome. Eu sei que você é o guerreiro bárbaro genérico, mesmo não sendo bárbaro) simplesmente não despertavam meu interesse.
Abordando novamente o tópico fator replay, não posso deixar de falar sobre como esse jogo era viciante. Não sei o que acontecia, mas eu não conseguia parar de jogar Diablo 2 uma vez atrás da outra. Terminei com o Necromancer, iniciei minha campanha com Mage. Depois de Mage, Druid, que teve a sua trajetória meio que interrompida por um amigo meu que, por sinal, era o dono dos discos com os quais eu jogava. Passado o desespero e uma compra no Submarino depois, foi a vez de concluir com o druida e recomeçar com Assassin. Por último, e não menos importante, a Amazon veio para o que seria o início do fim das minhas aventuras pelo reino de...sei lá como se chama o reino de Diablo.
Nessa época, eu nem sonhava em ter internet em casa (nada de jogatina online) e, já de posse de um novo PC, pus pra dormir o mal que nunca dorme.
Pelo tamanho do texto, em comparação ao que falei sobre o primeiro jogo, deu pra ter uma ideia de quanto eu gosto do Diablo 2. Ele, juntamente com outros quatro afortunados, constituem a minha lista de melhores jogos de todos os tempos (minha opinião, claro). É um daqueles poucos casos em que daria uma nota que se aproxima bastante do 10 para um jogo. Quer dizer, acho que a lista é um pouco maior que quatro jogos, mas acho que me fiz entender.

Finalizando: apesar do título do post, nunca fiquei muito agoniado com a falta de data de lançamento de Diablo 3. Por três motivos: 1-aqui em casa nunca houve a tradição de PC super turbinados, capazes de rodar jogos top de linha com tudo no máximo. Então, não exagero quando afirmo que uso um PC (notebook, pra ser mais exato) “que mal roda paciência”. 2-até pouquíssimo tempo atrás, Diablo 3 era exclusivo para PC. Isso me desanimava muito,  ao ponto de nunca ter sentido interesse em escrever nada sobre o game (apesar de não deixar de acompanhar os trailers e novidades). Claro, sem muita expectativa de jogar o jogo, nada mais natural que eu me sentisse assim. Um pouco egoísta, eu sei, mas essa é a minha história... e 3-Diablo 3 será um game incrível. Disso eu não tenho dúvidas. Claro, com empresas pelas quais eu colocava a mão no fogo lançando jogos (que não poderiam dar errado) como Rage (ID Software) e Final Fantasy 13 (Square-Enix), fica um pouco de incerteza diante do incerto. Mas, desta vez, eu trago o meu membro superior de volta às chamas: Diablo 3 tem potencial para ser tão épico quanto o 1 e o 2. Talvez até mais. Vou além: se ele conseguir repetir metade da façanha que o segundo alcançou, estarei mais do que satisfeito.
Se bem me lembro, Diablo 3 terá duas datas de lançamento: 15 de maio para PC (apenas download, se não me engano) e outra data (da qual não me recordo) para o jogo em mídia física (seria essa mais uma experiência para medir o interesse dos gamers a respeito da distribuição exclusivamente digital de games? Figures...). Na verdade, seriam três datas, tendo em vista o lançamento do game para consoles (mesmo que o ano e as plataformas em questão não tenham sido reveladas, ainda...).
Só nos resta, literalmente, aguardar para descobrir se a Blizzard continua sendo a velha Blizzard que todos conhecemos, e se toda essa espera valeu a pena.


Quem não tem Necromancer, caça com Witchdoctor. Que bela sacanagem, heim Blizzard?


Au Revoir!

8 comentários:

  1. Lembrei da minha jornada com o primeiro Diablo... zerei com todos os personagens, sendo que duas vezes com o Guerreiro. Nunca mais fiz isso com jogo nenhum. Foi um vício em minha vida. Estranhamente, nunca me animei em sequer testar Diablo II e, vendo os trailers do tercerio jogo, continuo desanimado. Mas eu entendo e sei o que é "cair nas garras" de Diablo!

    P.S.: "Pedrada na testa" é boa! ahahahahah

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  2. diablo 2 é um jogo que ainda hoje eu me sinto tentado em voltar a jogar. Aquino, como você pode ser tão cruel de nem tentar jogar o 2? eu também não gostei dele de cara, mas é um ótimo jogo, principalmente depois que você instala os patches (as runas fazem toda a diferença no sistema de armas). aquela cena da pedra na testa me assombra até hoje. poder absoluto corrompe absolutamente...

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  3. Gosto dos Diablos anteriores, mas acho a série limitada demais. O foco do jogo é criar personagens, mas a única coisa que você pode fazer é determinar qual árvore vai se especializar, sendo que alguns poderes são muito fracos, limitando ainda mais o build. É como se o jogo dissesse pra você: "Crie seu personagem do jeito que quiser, desde que seja como eu planejei." Se você quiser, sei lá, criar um mago bom de porrada, colocando mais Strength, vai ESTRAGAR PERMANENTEMENTE seu build. O jogo se leva à sério demais, e eu estou de saco cheio desse tipo de jogo.

    Gostaria de ver nesta próxima versão uma customização mais profunda de personagens. De repente até tirar a ideia de classes e manter só as ávores para o jogador escolher, e quais armas vai se especializar. Do jeito que está, o jogo nada mais é de que um Gauntlet com XP, e não um RPG com criação de personagens.

    Estou mais ansioso por Torchlight 2.

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    1. Fernando, qual seria a ideia de interpretar papéis se você pudesse criar um mago bom de briga? acho que isso seria exatamente o contrário do que se espera de um jogo onde se pode seguir uma linha de jogo com um modelo de personagem. claro, Diablo apresenta poucas opções de customização e personalização, mas a série nunca foi promessa de simulador de vida medieval fictícia. ele sempre foi, assumidamente, um RPG de ação. eu, pessoalmente, me contento com o fato da Blizzard sempre conseguir criar jogos excelentes de se jogar, que ficam na nossa memória por décadas. ou seja: experiências únicas, coisa que anda meio em falta nos games de hoje.
      acho que, ultimamente, há um eterno mimimi a respeito das convenções sobre um jogo, e se ele se encaixa em x ou y gênero. o mercado mudou. os gamers mudaram. as coisas não são mais tão simples quanto na era dos 16bits, onde havia sega vs nintendo polarizando o entretenimento, junto a uma massa de jogadores que só visavam a um mesmo objetivo: se divertir com games. hoje em dia, com a facilidade de informação pela internet, parece que tudo ficou complexo e intelectual demais, e os jogadores meio que se esqueceram do principal objetivo...

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    2. Na verdade, nem estou interessado na interpretação de papéis. Só gostaria de ver mais possibilidades de customização, já que criar builds é um dos focos do jogo. Veja só, eu gosto de criar builds e achar tesouros. Não jogo Diablo por causa da história, e sim por causa da criação e melhorias de seus personagens. Se o jogo tivesse mais árvores por classe ou até um sistema "class-less" como sugeri, eu iria me divertir mais. No Diablo 2 era comum ouvir pessoas falando em criar um "Hammerdin" ou uma "Bowazon", pois estes eram os melhores builds para estas classes. No final, todo paladino era igual, tirando um pouco da graça de tentar criar algo único.

      Admito que a Blizzard está tentando quebrar um pouco isso com a nova implementação das runas, sem tentar irritar os fãs xiitas da série. Mas não custava permitir ao jogador mais coisas, como escolher a cor do cabelo, constituição física e arma mais eficiente para seu char.

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  4. Diablo, complicado falar deste jogo que para mim é o melhor que tem, passei dias, semanas, meses, anos, jogando diablo após seu lançamento, simplesmente adoro o jogo.
    Sobre o D3, já aguardo lançamento dia 15 (no caso de compras digitais) compras físicas garanto que só 20 dias depois desta data. O jogo se mantém ao melhor estilo hack and slash, ou seja, pilhar e matar, o diablo sempre teve esta função e o que me deixou mais apreensivo ao jogo é simplesmente ele ter uma variabilidade muito grande de Build, nosso colega acima alega que o D2 tem poucas build's que valem a pena, mas isso é enganação, no caso de PvM qualquer build de qualidade se virava no hell tranquilamente, desde do Zeal/frost quando o famoso hammerdin, e em PvP obviamente as builds são bem restritas, tinha aquele problema de atributos, pois realmente colocar pontos em outro atributo sem ser vitalidade era desperdício. D3 me impressiona em principalmente 3 coisas; 1- o cuidado da Blizzard com o jogo é fenomenal, jogo todo em pt-br e dublado, com dublagem de qualidade, página sempre atualizada com contos, novidades, calculadora, descrição de poderes, aprenderam muito com o sucesso do World of Warcraft. 2- atributos rrealmente serão necessários, nada de todos os pontos em Vit e ir derrubar todo mundo. 3- Habilidades, as builds ficaram mais "fechadas" escolhe a habilidade conforme o tipo dela e limitação por nível, porém o que me deixou de boca aberta é que cada habilidade em vez de exercer 1 poder, exerce 5 poderes, um exemplo é a Barreira de Zumbis, como diz o nome ela emerge do chão e os zumbis causam lentidão, fecham caminho e causam dano, porém com as várias runas pode mudar seus efeitos, como ao invés da barreira convocar 3 zumbis para lutar, convocar uma pilha de zumbis (4) que sobrem um encima do outro e caem na área escolhida causando um dano em maça, zumbis saírem de um centro escolhido correndo para os lados e explodindo em quem encontrar no caminho. Enfim, unico desapontamento, gráficos e efeitos especiais dos poderes, estamos em uma era que este tipo de qualidade é indispensável, computadores com potência de processamento e gráfica absurda e me deixam um meteoro parecer um coquetel molotov? Uma nevasca parecendo uma garoa de verão? Quero ver o resultado final do jogo.

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  5. com certeza Diablo 3 será tão inesquecível quanto os outros dois. eu não achei o gráfico feio não. essa do meteoro eu ainda não vi, mas não acho que é isso que vai derrubar um grande game que ficou uns 6 anos em desenvolvimento. se ele for grande e tiver mais opções de customização e caminhos alternativos, o visual será algo perdoável. mas eu insisto em dizer que não achei ele nem um pouco feio. vc viu os trailers de bárbaro e monge? a animação é muito fluente e bonita. e eu gosto do fato dele insistir em ser 2D. é como os FMVs de Command and Conquer: é tosco mas, pra essa série, funciona muito bem. se outro for tentar fazer igual...

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  6. Os vídeos ficaram muito.bons , aliás, desde o D2 sempre.foram sensacionais, o problema que vejo sao efeitos de poderes no jogo, alguns como os que citei ficaram muito feios! Sem graça mesmo. Uma boa esperança para todos é lançamento da expansão pois a blizzard adora lançar elas e muito provável ter novas classes........espero um druida.

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