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domingo, 20 de maio de 2012

MEU REVIEW SUPREMO DE ALIEN, O OITAVO PASSAGEIRO

























Talvez o meu apreço pelo terror fictício venha da possibilidade de sentir fortes emoções. O meu apreço pelas obras de ficção científica, com certeza, vêm da minha eterna curiosidade e gosto pelo incrível, de difícil explicação.

O filme Alien, O Oitavo Passageiro, é proveniente de uma época em que as dublagens dos filmes não só eram aceitáveis, como eram a única opção àqueles que não dominavam o inglês. Nessa época, não posso deixar de salientar, os subtítulos dos filmes também eram bastante aceitáveis, sem cair na redundância ou ridículo.
O filme de 1979, dirigido por Ridley Scott com base no roteiro de Dan O’Bannon e Ronald Shusett, estreou em total clima de Guerra nas Estrelas, onde alienígenas jamais eram representados como uma ameaça além das questões políticas interplanetárias. E é aí que começa o meu amor pela série.
Alien aborda vários assuntos. Dentre eles: sobrevivência; ganância humana; terror propriamente dito; e o que mais me agrada dentre esses: O TERROR BIOLÓGICO. Essa categoria não existe? Na minha cabeça, sim. E, sendo assim, posso explicar o que seria tal conceito.



ALIEN, O OITAVO PASSAGEIRO (1979. Direção de Ridley Scott e roteiro de Dan O’Bannon e Ronald Shusett)



Esse filme mostra um tipo de terror até então inédito nos filmes: o já citado terror biológico. Alien conta a história da nave mineradora Nostromo (nome super-ultra-hyper-mega legal. Se eu tivesse um filho, com certeza ele... não se chamaria Nostromo. De forma alguma).
Os tripulantes do cargueiro (sete, no total. Oito se você considerar que... esquece. Eu chego lá) têm seu sono criogênico interrompido por causa da interceptação de uma mensagem de socorro, vindo de um planetoide composto basicamente por gases e rochas magmáticas. Um dos pontos mais interessantes do enredo passa totalmente despercebido nesse trecho. Ao ouvir a mensagem de socorro, Lambert (Veronica Cartwright) ressalta que o sinal lembra uma voz, e não um código de S.O.S.

Como tudo nesse filme está bem encaixado e faz muito sentido, os personagens Parker (Yaphet Kotto. Cara, só porque ele é negro tem que ter um nome esquisito desses?) e Brett (Harry Dean Stanton) questionam a lógica de pousar em um planetoide alienígena (no filme, exploração a esses planetas alienígenas já não são mais novidade) para investigar uma mensagem desconhecida. É então que Ash (Ian Holm) ressalta que, pelo acordo intergalático de dois mil novecentos e bolinha, os tripulantes são obrigados a atender a qualquer chamado de socorro, sob pena de perderem todo e qualquer futuro pagamento na atual missão em que se encontram. Aqui fica registrado o primeiro “foda-se” que Ash merece levar, ao longo do filme. Dallas (Tom Skerritt), como bom pau-mandado da Companhia, apenas concorda com Ash.
Fica decidido, então, que Dallas, Kane (John Hurt), e Lambert partirão em terra firme para ver quem pede socorro no planeta.



Depois de alguns minutos, o trio chega a uma espécie de espaçonave alienígena. Dentro dela, um ser bizarro que se assemelha a um elefante (o space joker) é encontrado morto, em sua poltrona Moebius (desculpem, mas só consigo chamar essa poltrona por esse nome. Desculpas também a quem não entendeu a referência), com a caixa torácica explodida de dentro para fora. A trilha sonora, nesse trecho do filme, é genial e assustadora, assim como em todos os outros momentos do longa metragem. Aliás, esqueci de mencionar como adoro o começo desse filme: silencioso; tranquilo; enigmático. Não dá a menor pista do que está por vir para quem ainda não o assistiu. Também adoro a forma como a palavra ALIEN vai se formando na tela. Continuando...

Sem ter se tocado da encrenca na qual havia se metido, Kane vai mais a fundo na espaçonave e prova, da pior maneira possível, a veracidade do dito que afirma que “a curiosidade matou o gato”. Cara, sinceramente, quando Kane avista os ovos de alien, e comunica aos colegas que “há movimento” nos objetos que parecem “ovos feito de couro”, muito antes disso eu já estaria a trocentas milhas galáticas dali. Então, o idiota escorrega e cai no omelete de alien. O engraçado é que dá pra ver um dos ovos balançando quando Kane esbarra nele. Faltou um pouco mais de cola nessa parte. Mas tudo bem.



O cidadão Kane, não satisfeito em estar EM UM MALDITO PLANETA ALIENÍGENA; EM UMA PORRA DE UMA ESPAÇONAVE ALIENÍGENA; CERCADO POR UNS BAGULHOS ALIENÍEGENAS QUE SOLTAM UM GÁS TOTALMENTE ESQUISITO QUE BRILHA COMO SE FOSSE NEON; bota a cara em cima de um dos ovos. O facehugger faz aquilo que melhor sabe fazer (dando início à primeira campanha de “Abraço Grátis de que se tem conhecimento), e pula no capacete de Kane, derretendo o vidro e colando no idiota.

Vale ressaltar que o facehugger foi inspirado naqueles “Jack-in-the-box” americanos (aqueles palhaços que pulam de uma caixa pra te dar susto). E uma coisa bem nojenta, que me perturba até os dias de hoje, foi a descoberta que fiz ao assistir o disco de extras da versão em DVD: essa coisa de pular na cara é o jeito que o Alien tem de se reproduzir. Ainda não se deu conta do que eu estou querendo dizer? O facehugger faz amor gostoso com o hospedeiro quando introduz aquele tubo (pênis! Argggggghhhhhhh!) na boca da vítima. Então, essa imagem pode ser considerada material pornográfico no planeta dos facehuggers:



Quando retornam ao Nostromo, Ripley fica sabendo que Kane possui um tipo de “organismo estranho” atarraxado ao seu corpo, e não pensa duas vezes em mostrar ao mundo a primeira personagem feminina mais fodona dos filmes sci-fi: ela tenta colocar os três em quarentena, e não permite que eles entrem na nave. Lambert se utiliza do lógico argumento de que a única chance de sobrevivência de Kane esteja dentro do conforto das instalações médicas do Nostromo. Dallas, tentando fazer jus ao conteúdo de suas roupas de baixo, juntamente com sua autoridade de capitão da nave, ordena que Ripley abra a porta da nave. Ele pergunta se a segundo em comando, tentente Ellen Ripley, “copiou” a ordem. A segundo em comando e tentente Ellen Ripley responde com um belo “sim. Eu entendo e ignoro”, que numa linguagem menos técnica pode ser entendido como “fodam-se vocês. Eu avisei”. E, nessa hora, Ash se faz merecedor de mais um momento “foda-se”, quando abre a porta da nave sem a permissão de Ripley, que leva um belo esporro de Dallas e umas belas bofetadas de Lambert. Outro fato curioso, é que essa cena é meso-real, meso-fictícia: as duas atrizes não se davam muito bem, e rolava um atrito entre as duas. A quedinha desajeitada de Lambert é a prova da espontaneidade da cena.



Desculpem se escapar alguma parte, mas estou escrevendo a partir da minha memória dos acontecimentos do filme.
Ripley dá uma dura em Ash, que “parecia desconhecer” o fato de que, quando Dallas está ausente da espaçonave, ela é a chefe da matilha. Ash muda de assunto, explicando que o facehugger é um tipo de tardígrado son-of-a-bitch que quebra as suas próprias moléculas de polissacarídeos para poder viver eternamente, até que encontre um desavisado para poder fazer amor gostoso ao som de Barry White.
Estão vendo? Me esqueci completamente que essa cena é depois que o facehugger já se deu por saciado, e descola da cara de Kane. Essa cena não é muito pitoresca (tirando o fato de que é aqui que ficamos sabendo “do que um alien é feito”, literalmente, e do furdunço do casco da nave sendo quase perfurado pelo ácido do facehugger), então vamos seguir.

Durante as brigas e desavenças, Kane desperta de seu sono pós fish-ball-cat no facehugger, e relata que teve um sonho estranho no qual relata que algo o sufocava. Ele para por um segundo e fica meio aéreo. Claro, ninguém tem coragem de dizer o que realmente aconteceu: “você pagou um peixe-bola-gato em uma criatura alienígena parecida com um caranguejo”. Quem seria tão sem caráter a esse ponto? O jovem e talentoso Ridley corta para a melhor e mais impactante cena de terror que um filme de ficção científica já concebeu.


CHESTBURSTING, SANGUE FALSO E REAÇÕES VERDADEIRAS.



Alien é o meu filme preferido de todos os tempos. É um marco do cinema e do terror. Por esse motivo, abandono, neste tópico, quaisquer tentativas de fazer piada e trato o assunto da maneira pela qual ele merece ser tratado. SARCASMO, HUMOR ADOLESCENTE E IRONIAS < OFF >.

O corte de cena nos mostra os personagens interagindo de forma bastante agradável e natural, durante uma refeição (almoço? Jantar? Café da manhã? Como definir  isso no espaço?).
Depois de alguns gracejos de cunho sexual que, provavelmente não dariam em nada (droga! O filtro de sarcasmo precisa de uma limpeza), começa o espetáculo.
Kane, demonstrando uma voraz fome, começa a passar mal e ter algumas convulsões. Ash, o médico da equipe, acredita se tratar de um ataque epilético, e pede para que alguém mantenha presa a língua do indivíduo.
Sentindo uma dor incontrolável, Kane grita de forma assustadoramente real e agonizante. Uma mancha vermelha tinge sua camiseta convenientemente branca. O silêncio. Todos ficam estarrecidos, com aquela familiar cara de que porra é essa? estupefação. Mais gritos de dor. Mais um jorro de sangue, e a camisa de Kane é rasgada para nos revelar o Chestburster, uma criatura horrenda, sem braços ou pernas, com dentes metálicos e que se assemelha a uma cobra. Mais caras de “estupefação”, e o bicho sai correndo mesa abaixo para desaparecer completamente. Esse efeito foi alcançado com balões e ar comprimido. E ficou muito bom.
Outro detalhe importante é a reação da atriz Veroninca Cartwright. 




Ela, segundo o documentário em DVD, não sabia muito bem que tipo de cena seria gravada no dia da tomada do peito de Kane. Então, não seria exagero dizer que A REAÇÃO DE VERONICA FOI UMA REAÇÃO GENUÍNA DE UMA PESSOA QUE TESTEMUNHOU TAMANHO HORROR, EM TEMPO REAL E SEM LEVAR EM CONTA DE QUE SE TRATAVAM DE EFEITOS VISUAIS DE CINEMA. CARA, ISSO VALE MAIS QUE OURO. É sério. Perceba a forma como a atriz parece ficar completamente chocada. Repare nos dizeres dela (meu Deus), como soam totalmente naturais e espontâneos. “É o filho de Kane”, observa Ash, completamente abismado e hipnotizado pela fuga do pequeno notável.
Vale ressaltar que Ash impede que Parker cause um terrível dano à criatura com seu afiado garfo de prata (eu já avisei que o filtro precisa de uma limpeza). Se você é um louco que chegou até aqui no texto sem nunca ter visto esse filme, preste atenção a esse tipo de nota. No futuro, tudo fará sentido e você ficará sabendo o quão terrível pode ser a ganância humana.

Essa galera consegue enfiar Alien em tudo quanto é coisa...


Os personagens decidem que é melhor dar cabo do bicho, e preparam uns bastões elétricos que podem penetrar a pele da criatura, caso ela seja mais fina que a do ser humano. Nessa cena, também, tem origem um dos maiores ícones presentes na série: O DETECTOR DE MOVIMENTOS BASEADO EM MICROALTERAÇÕES NA DENSIDADE DO AR O MEU RABO! Não é fã? Não entendeu a referência? Such a Pitty...

Chegamos ao momento da segunda morte do filme (lembra que Kane já passou dessa pra melhor? Foi o primeiro de muitos...). Brett, depois de confundir um gato (Jonesy) com uma criatura espacial de dois metros de altura, vai novamente ao encalço do bicho. A cena a seguir nos apresenta a uma criatura preta, enorme, pendurada em correntes no teto. Mas é aí que está o problema: nem o próprio telespectador estava ciente que aquele bichinho que parecia uma cobra se transformaria em uma porra gigantesca de dois metros de altura, com uma boca dentro da boca que viraria sua principal marca registrada. Brett encontra algo semelhante a uma camisinha usada, que na verdade é a pele temporária do Alien. Jonesy, que não só não é burro como é mais esperto que Brett (pena que ele não entrou na conta de passageiros do subtítulo brasileiro), dá o fora quando avista a criatura. 

Logo em seguida, o mecânico espacial é morto da mesma forma que um peru de natal é destrinchado por uma família faminta que só deseja “comemorar o nascimento do Redentor”. Parker chega a tempo de presenciar a cena da criatura, que acabaria por gerar a fantástica frase “the son of a bitch is huge”! A voz de Parker, na dublagem brasileira, era a mesma do Brutus, do desenho animado Popeye. Hilário, tosco, mas ainda assim memorável.



Morte número três: depois de traçar um incrível plano de se enfiar em uma série de corredores escuros onde se encontra um huge son of a bitch, Dallas parte em sua empreitada para encontrar seu destino final. MUITA ATENÇÃO A ESSA CENA EM ESPECIAL: primeiro, porque eu levei um susto filho da mãe ao assisti-la, mesmo já conhecendo o filme. Isso porque eu era criança na primeira vez em que assisti, e fazia anos que eu não o via, me assustei novamente. A tensão e desespero transmitidos pelas coordenadas da desesperada Lambert causam uma aflição e terror no telespectador que não podem ser medidos com palavras.
Segundo porque, até o presente momento no filme, DALLAS ERA O LÍDER; O CHEFÃO (PAU MANDADO, MAS AINDA ASSIM, CHEFÃO); O MOCINHO DO FILME. Depois dessa cena, fica IMPOSSÍVEL adivinhar quem será o sobrevivente e protagonista da história. O semblante distante de Ripley, enquanto tenta pensar no que fazer, coincide completamente com a “falta de chão” em que se encontra o telespectador a essa altura. Sem tirar nem pôr.

Ripley decide levar o plano de Dallas adiante, por mais estúpido que pareça (eu não culparia a heroína de cabelos fartos por sua completa desorientação). O plano: escapar num módulo de fuga (todo filme de ficção científica da década de 70 e 80 tinha que ter um módulo de fuga, assim como “impostores”. Ah, os malditos impostores, que causavam tanto mal nas décadas acima citadas...) que só comportava dois ocupantes.
Mais uma vez, peço desculpas por não me recordar dos eventos na ordem correta. Mas lá vai.

Eu não falo, computo.


Ripley, agora como comandante do cargueiro, tem acesso irrestrito ao Pentium 133 conhecido pela alcunha de Mother. Essa ideia de dar um nome quase próprio a um computador, que coordena todo o sistema de uma espaçonave, merece um Oscar.
No mainframe da Mother, Ripley tem a terrível revelação de que, o que pareciam ser eventos aleatórios (o sinal de socorro; a infestação de um dos tripulantes), não eram nada aleatórios ou mero acaso. A ordem especial 937 deixa tudo muito claro: todos os tripulantes da nave eram “dispensáveis”. A companhia já sabia da existência da criatura, e pretendia atravessar o bicho pela “fronteira” usando o cargueiro como disfarce. Ash sabia de tudo. Mas o telespectador não sabia tudo que tinha para saber sobre Ash. Lembra daquela regra, de que o protagonista não deve saber mais que o espectador? Deve ter sido levada em conta, nesse filme.

“Morte” número quatro: Ripley, desesperada e transtornada pela ganância da Companhia em querer aproveitar a espécie para fins militares, quase dá uma sova em Ash (que, como oficial médico que era, jamais ganharia dela em uma luta. Humilhante.). Ao tentar entrar em contato com Lambert e Parker, Ripley se vê encurralada por Ash, que trava todos os acessos entre eles dois. Ash agarra Ripley pelos cabelos. Ripley, na tentativa de se desvencilhar do seu algoz, acaba perdendo um belo tufo de pelos da cabeça, tufo esse que não devia representar nem 10% do total de pufantes de sua careca, visto que a década de oitenta (lar dos cabelos estapafúrdios) acenava ao horizonte.
Machucado, Ash começa a sangrar... leite? WTF? Imagina você, assistindo a um filme totalmente desconhecido no cinema, em uma época em que não podíamos contar com o milagre da internet para dar spoilers e estragar todo e qualquer material inédito que uma obra possa ter, e se deparar com um cara que leva um soco na testa e começa a sangrar leite? WTF, você pensa. Nada mais natural.
Ash, demonstrando possuir uma tremenda força (estou tentando adequar o vocabulário à época, morou?), arremessa Ripley em uma cama e tenta matá-la empurrando uma revista dobrada em canudo goela abaixo da heroína. 

You always know a Working Joe


Cara, essa cena é muito bizarra. É uma daquelas cenas em um filme que custa a nossas cabecinhas inocentes entenderem. Quando revi o filme, depois de adulto (2005), eu não sabia que reação ter. Eu não me lembrava de quase nada do filme, e não sabia se achava a cena engraçada, bizarra (como é), ou simplesmente estranha. Comentarei um fato relevante daqui a pouco.
Parker e Lambert chegam de repente (não, não vou fazer nenhum comentário de duplo sentido questionando onde os dois estavam enquanto acontecia a cena do tufo de cabelo). Parker, munido de um extintor de incêndio (se bem me lembro) no melhor estilo Resident Evil Outbreak/Dead Rising, acerta a moleira de Ash com um belo critical. A partir daí, o LSD é jogado no suprimento de água de todo o cinema. Ash começa a ter um ataque xiliquento, e a rodopiar que nem um louco pela sala. Ele agarra o peitinho de Parker e quase causa uma visita forçada ao mastologista no rapaz de ébano. Parker se livra do “bata, peitinho” mais ignorante da história, e acerta outro golpe na aberração, quase arrancando sua cabeça do corpo. Ash começa a fazer uns barulhos esquisitos e a dançar como uma bailarina alcoolizada. Então, Parker profere uma das minhas frases de efeito favoritas do cinema: “It’s a robot. Ash is a goddamn robot”!
Ash se revela um sintético (robô) a serviço da Companhia.

My simpathies


Não sei se conseguirei passar todo o sentimento que essa cena me causou, mas tentarei. Assisti a esse filme na primeira vez, no final da década de oitenta (infelizmente, a pouca idade me negou a experiência única de assistir ao filme nos cinemas; minha curiosidade sobre o terror era tamanha que, enquanto as crianças da época iam correndo aos cinemas para assistir a Os Fantasmas Trapalhões, eu infernizava a minha mãe, que não me permitia assistir ao King Kong nas telonas. Claro, esse filme não é de terror, mas eu encarava a experiência de ver um macaco de 30 metros no telão como uma experiência de terror; vai entender...).

Eu tinha uns seis ou sete anos, se não me engano. Claro, como criança, não absorvi ou compreendi todos os elementos presentes na obra. Depois, passei alguns anos sem ter a oportunidade de rever o filme. Isso só veio a acontecer em 1998, quando 2001: Uma Odisseia no Espaço e Alien: O Oitavo Passageiro foram exibidos em uma tacada só, numa sessão quase de madrugada na rede Globo. Nem me lembro se cheguei a assistir o filme até o fim, pois os sacanas da emissora decidiram exibir a chatíssima obra de Kubrick antes de Alien, e eu estava morrendo de sono.
Depois dessa ocasião, pude conferir o filme novamente apenas em 2005, quando um de meus irmãos comprou a edição dupla do filme em DVD. Assisti sozinho, no quarto, usando um enorme fone de ouvido para não incomodar ninguém. Mais uma vez, não me lembrava de lhufas do enredo, e a minha reação ao (re)descobrir que Ash era um goddamn robot foi quase a mesma que a do personagem Parker.

Exame de toque?


A curiosidade que eu deixei pra falar sobre Ash é sobre a cena do revistocídio, com a Ripley.
Segundo os depoimentos contidos no DVD de documentário, essa foi uma forma (perturbada e distorcida) que o sintético encontra de se “relacionar”, de “interagir” com um ser humano. Os autores vão mais fundo que um Isaac Asimov, quando o assunto são robôs pervertidos e alterados: essa era uma forma de Ash, um robô, fazer sexo...
Nada mais a declarar.

Ripley decide reativar o robô para questioná-lo sobre uma possível forma de exterminar a criatura, e é quando Ash solta a proverbial frase: “Eu admiro a sua pureza”.
Ash admira o Alien por sua perfeição genética e evolutiva (até aí tudo bem. Eu também. O design do bicho é formidável). Ash enaltece a agressividade do animal, além de sua total falta de remorso ou quaisquer emoções artificiais forçadas através de inibidores de emoções. Tá bom. Já fui muito a fundo na psicologia de robôs pervertidos.
Parker, utilizando-se da sequência de comandos “menu iniciar, desligar computador, desativar”, dá um destino final ao sintético perturbado, deferindo o tão aguardado e merecido “foda-se” pelo qual Ash ansiou o filme inteiro, e o plano de fugir no shuttle continua.



Mortes número cinco e seis. Lambert e Parker vão cuidar dos preparativos para a fuga. Enquanto recolhe alguns cilindros de oxigênio (sabe como é: no espaço, cilindros de oxigênio nunca são demais), a criatura entra sorrateiramente na sala em que se encontram os dois. Inicia-se então a cena mais ridícula, irritante e mais “tenho vontade de entrar na tela pra dar um chega pra lá no Alien e matar Lambert eu mesmo” de todo o filme.

Lambert avista a criatura, que começa a “flertar” com a aterrorizada tripulante enroscando a sua calda na perna da moça. Parker tenta dar um jeito na situação e pede para que a donzela saia da frente, para que ele possa fazer churrasco de xenomorfo com seu potente lança-chamas improvisado. Lambert, como cagona assustada que é, não consegue se mexer do lugar e apenas fica dizendo “I can’t!”, com a maior cara de medo que um ser humano consegue produzir. Imagino o cheiro que estava nessa sala, por causa da moça. Se Lambert tivesse conseguido sobreviver, com certeza precisaria de um novo par de calças.
Como não consegue usar o lança-chamas sem atingir sua colega, Parker toma a decisão mais lógica que alguém poderia tomar diante de um mostro com o dobro do seu tamanho: JOGA A ARMA NO CHÃO E PARTE PRA CIMA DO BICHO NO BRAÇO! 
Alien criou vários paradigmas dos filmes de terror e do suspense, e esse personagem do Parker, com certeza, foi responsável pelo paradigma do “heroizinho irracional que toma uma atitude idiota só pra se ferrar e bancar o... heroizinho irracional.”

Esse cara já tinha ciúmes do lugar de sentar bem antes de Sheldon Cooper virar meme de internet


Logicamente, depois de tamanho planejamento estratégico; análise da situação; reconhecimentos de área e inimigo, Lambert e Parker são mortos pela criatura. A Ripley, só resta assistir a tudo por meio de videoconferência e a sensação de alívio por não precisar mais sair no tapa por uma vaga no shuttle.
Ripley, então, define mais um paradigma do gênero ao acionar a (rufar de tambores, por favor) SEQUÊNCIA DE AUTODESTRUIÇÃO DA ESPAÇONAVE. Esse é um dos conceitos mais estranhos e contraditórios nas obras de ficção: por que diabos um fabricante incluiria, em seus produtos, a opção de explodi-los e mandar tudo pelos ares? Sei que a maioria das pessoas (principalmente americanos) adora fogos de artifício e explosões de qualquer espécie, mas continua a fazer pouquíssimo sentido.
Para realizar tal feito, Ripley abre um painel e começa a desenroscar e encaixar uns cilindros de metal que lembram velas de motor de carro. Nessa cena, toda a tecnologia analógica presente no filme, até então, se faz mais do que justificada: se você vai incluir uma opção de autodestruição em um cargueiro de milhares de toneladas, é bom se certificar de que tal recurso não possa ser ativado por acidente, com uma simples escolha de opção errada. Em resumo: tecnologia analógica é sempre mais confiável, pois hardware é sempre mais confiável que software.



Depois de ter ativado a sequência de destruição; empacotado suas coisas e engaiolado o notável Jonesy, Ripley parte para sua Last Escape no módulo de fuga. Apenas para se deparar com o Alien “em pessoa” em um dos muitos corredores da nave. Sabendo que não daria tempo de se desvencilhar de seu perseguidor antes que a contagem (de cinco minutos) acabasse, Ripley decide dar pra trás e cancelar todo o procedimento. Ela volta (sem o gato) e começa a desenroscar os cilindros novamente. Eu adoro essas duas cenas das bobinas de metal. Simplesmente fico hipnotizado com ela. Não sei explicar o motivo, mas adoro o design das peças e o barulho que elas fazem quando são rosqueadas.
Não dá tempo de cancelar, via hardware, a autodestruição. Ripley, em momento de desespero, fala para Mother que cancelou o processo. Mother apenas informa friamente que o processo continua, o que a confere um sonoro “Bitch!” por parte de Ripley.

Simplesmente F-O-D-A essa personagem


Com pouco tempo para retornar ao shuttle, Ripley volta pelo gato Jonesy, o que gerou muitos momentos “sua doida varrida. Deixa esse gato pra lá e mete sebo nas canelas” das pessoas que tiveram o privilégio de assistir ao filme em sua estreia nos cinemas. Enquanto isso, eu era arrastado pela minha mãe para assistir Os Fantasmas Trapalhões. Maldita década de oitenta.
Sim, não posso deixar de citar que, na versão diretor, há uma cena extra durante o retorno de Ripley ao módulo de fuga. Nela, a moçoila encontra Dallas e Brett presos ao teto por uma substância negra que cobre toda a parede. Isso explica o que realmente aconteceu com os dois personagens e o “No blood. No sign of Dallas”salientado por Parker a certa altura do filme. Essa cena também dá uma pista do “modus operandi” do Alien, assim como uma possível forma de nutrição utilizada pelo monstro.
Na cena, também fica evidente o terror biológico e o destino cruel de todos que topam com esta espécie: Dallas suplica a Ripley que o mate, dada a sua deplorável condição e poucas chances de sair inteiro daquela. Muito abalada, Ripley usa seu lança-chamas para acabar com a agonia de seu antigo companheiro. Acho que o ódio que a personagem sente pela raça nasce neste momento.

Já no módulo de fuga, a heroína consegue se livrar do bicho, e só lhe resta fazer um habitual strip tease e assistir de camarote à destruição do Nostromo. Essa cena da Ripley se despindo deu o que falar, mas eu não me lembro porque ainda não era nascido. Mea Culpa.

Só um Alien mesmo pra ter coragem de agredir uma tchutchuca dessas


Enquanto cuida dos preparativos para seu hipersono em hibernação criogênica, Ripley é surpreendida pelo braço da criatura, que se encontrava totalmente camuflada ao maquinário “futurista” da nave. O huge son of a bitch não só havia escapado da explosão (demonstrando um conhecimento bastante conveniente a respeito da estrutura do Nostromo), como se infiltrou no módulo antes mesmo de Ripley alcançá-lo. Vai ter instinto de sobrevivência aguçado assim no raio que o parta.
Essa sequência deu origem a um dos maiores clichês dos filmes de terror e suspense. Clichê esse que é utilizado à exaustão até nos dias de hoje: o vilão que sempre retorna, como em Sexta-Feira 13. Isso é tão lugar comum que, ao assistir a um filme, você já fica esperando a deixa no final para que nos seja revelado que o vilão não morreu definitivamente, abrindo espaço para uma possível continuação (que dependerá totalmente do seu sucesso de bilheterias) e toda a sorte de subprodutos, como jogos e mais filmes.

Bem, o fato é que Alien utiliza esse recurso com maestria. Eu, mesmo já tendo visto o filme em algum momento da minha infância, fiquei totalmente estupefato e paralisado (mais do que a própria personagem até) ao me deparar com tal situação. Como sair vivo estando dentro de um cubículo no meio do espaço sideral, acompanhado de uma criatura que só pensa em aniquilar qualquer coisa que não faça parte da sua própria espécie? O que fazer?

Cena tensa...


Ripley, demonstrando um instinto de sobrevivência ainda mais aguçado que o do próprio Alien, rapidamente veste um traje espacial que se encontrava dentro do shuttle e toma uma decisão arriscada, que pode ser a sua única saída para escapar dessa com vida.
Pra resumir, ela senta na cadeira de comando da pequena nave e abre a comporta do veículo, não sem antes estar munida de uma espécie de arpão que seria usado contra a criatura. O que diabos um arpão estava fazendo ali eu, sinceramente, não sei.

Ripley abre a comporta; o Alien é sugado para fora, mas consegue se segurar na borda da porta; Ripley mete um balaço de arpão (que fura o bicho mas, convenientemente, não respinga ácido na nave) que voa pelos “ares” e explode no vácuo do espaço.
Ripley, então, grava um log afirmando ser a única sobrevivente do cargueiro Nostromo. O gato Jonesy já se encontra em seu oitavo sono, quando a tenente Ellen Ripley se deita em seu tubo criogênico, tendo como reflexo a bela paisagem do espaço sideral. Fin.

Esse sossego não vai durar muito tempo. Enquanto isso, Amanda se "diverte" na Sevastopol...


Esse é o roteiro de Alien, meu filme preferido de terror e suspense. É impossível analisar esse marco do terror de ficção científica sem abordar alguns aspectos que permeiam o filme. Então, mãos à obra.


O TERROR!



Alien introduz um novo tipo de horror aos filmes: o terror biológico, já citado por mim algumas vezes durante este e outros posts. Mas o que seria isso, afinal?
A criatura do Alien é grotesca e fascinante pela própria natureza, a começar pelo seu método de reprodução. O Alien é um parasita que mata o seu hospedeiro durante seu ciclo de desenvolvimento. Essa ideia pode parecer um pouco forçada, mas, prestando bastante atenção a alguns exemplos oriundos de nossa própria fauna terrestre, veremos exemplos ainda mais extremos e fantásticos que o do Alien (duvida? Leia esse artigo da revista Superinteressante e me diga o contrário: http://super.abril.com.br/ciencia/donos-mundo-441746.shtml). 

E nem precisava ir tão longe assim: muitas vezes uma mãe não resiste a um parto natural, gerando uma situação mais ou menos parecida, apesar de menos extrema. O que mais me chama atenção na criatura do filme é a sua total transformação: ele nasce como uma “aranha” dorminhoca que fica aguardando, em hibernação, pelo seu hospedeiro (não fica muito claro nos filmes, mas aquela névoa expelida pelos ovos serve como um despertador biológico da criatura, com a função de reanimar o facehugger em caso de proximidade de hospedeiro). Depois adentra o organismo da vítima, deixando-a em coma profundo no processo. Qualquer tentativa de remoção da criatura causa a morte instantânea do hospedeiro, uma vez que é seu parasita quem lhe fornece recursos essenciais como oxigênio. Depois, o bicho simplesmente rasga seu hospedeiro de dentro pra fora, foge em forma de cobra e, pouco tempo depois, se transforma em uma criatura de mais de dois metros de altura (e uns noventa quilos, mais ou menos).

Jonesy sabe todas as respostas. Ele só não é muito de falar...


Falando em tempo, nunca ficou muito claro, em nenhum filme da série, quanto tempo leva para que o hospedeiro “dê a luz” ao Alien, depois que o facehugger desgruda de sua vítima. No Alien 3, fica evidente que o processo de “amadurecimento” do Alien é bem mais demorado por se tratar de uma Alien rainha. Já em filmes mais voltados para a ação, como em Aliens VS Predator, esse ciclo foi um pouco acelerado, a fim de atender a demanda imposta pelo elemento ação no filme. Algo totalmente errado e fora de contexto. Não é a mitologia da série que deve se adequar à ação, e sim a ação estar inserida dentro de um contexto interessante e que respeita os elementos do filme original.
Já no jogo Aliens VS Predator: Extinction (PS2, Xbox, 2003), esse ciclo é ainda mais rápido, acontecendo dentro de poucos segundos (!!!) e bem diante de nossos olhos. Claro, uma adequação à mecânica de jogo do RTS e totalmente perdoável pela necessidade.

E a parte onde o terror biológico entra é essa, e o personagem Kane (John Hurt) pode se considerar um “felizardo” pelo fato de não fazer a mínima ideia de sua condição. Luxo esse que alguns personagens dos outros filmes (como a própria Ripley, no Alien 3) não tiveram. Imagina saber que está carregando uma criatura que vai abrir um buraco no seu peito em poucas horas? Eu não preciso de tal exercício de criatividade nerd, pois já tive pesadelos extremamente realistas com essa situação que me deixavam feliz pelo fato de poder acordar.
Voltando ao facehugger, por exemplo. A criatura é simplesmente asquerosa, representando um verdadeiro extremo de malícia; oportunismo; comportamento viciado e obsessivo. Sem contar no fator de impotência diante do pequeno repugnante.



A violência do chestburster já esbarra em algo mais psicológico. Já ouvi alguns boatos de que as mulheres, em geral, não gostam do filme Alien. Em parte por que mulheres, geralmente, não costumam gostar muito de filmes de terror. Claro que isso não é uma generalização, ou regra. Mas é fato. Por outro lado, pesquisas afirmam que esse suposto desgosto que as mulheres têm com relação ao filme se dá devido à relação de parto entre a criatura e seu hospedeiro. O personagem Ash, durante a cena da morte de Kane, descreve o chestburster como sendo “o filho de Kane”. Talvez essa relação “maternal com a criatura tenha surgida daí.



O CRIADOR DA CRIATURA



O Alien foi idealizado pela dupla Dan O’Bannon e Ronald Shusett. Do facehugger ao Alien adulto. É engraçado saber que, durante a pré-produção do filme, alguém sugeriu que o facehugger fosse representado por um pedaço de fígado bovino, que seria atirado no rosto do ator. Felizmente, tal sugestão foi sumariamente desconsiderada.
Mas, voltando ao assunto, apesar de toda a criatividade dos roteiristas em criar tal ser nunca antes visto pelo homem, eu duvido muito que o filme tivesse alcançado igual sucesso se não fosse pela contribuição de uma pessoal em especial: p designer suíço H.R. Giger.

Giger é um artista plástico suíço, como já mencionei, cujas obras são voltadas ao surrealismo e à arte fantástica. E que melhor palavra para definir o trabalho desse artista?
Seu estilo, cheio de referências ao horror e ao erotismo, caiu como uma luva à criatura lovecraftiana mais famosa do cinema.
Não pretendo me prolongar muito no tema, mas a contribuição de Giger para o filme é imensurável. Toda a personalidade e características góticas e de terror (biológico) que o Alien possui estão lá graças ao trabalho fantástico e mente criativa de Giger. As imagens da obra desse autor “falam” melhor que eu.





PERSONAGENS



Alien criou vários paradigmas que seriam copiados à exaustão e seguidos à risca nas décadas vindouras. O cinema principalmente, mas meios de entretenimento como videogames também beberam dessa fonte. A seguir, uma breve descrição do nicho ocupado pelos personagens do filme.

DALLAS- é o suposto líder do grupo. É o “mocinho do filme”, que não poderia  ser derrotado no final. Ao menos até a cena dos corredores escuros provar que, às vezes, o maior dos clichês pode cair por terra...

RIPLEY- tudo o que podia ser dito sobre Ripley eu já disse em outros momentos do post. Ela á forte; decidida; e tem um ar de sarcasmo e rudeza que a torna uma personagem única. Ela ser um dos dois únicos sobreviventes ao final do filme é algo mais do que merecido, dado o seu bom senso e comedimento.

LAMBERT- nem chega a ser uma concorrente de Ripley, me deixando surpreso por conseguir ficar viva por tanto tempo no filme. Ela é a eterna assustada dos filmes de terror. Claro, estar preso em uma nave labiríntica com um monstro assassino não é uma das situações mais agradáveis de se estar. Mas uma hora, qualquer pessoa se acostuma e consegue lidar com o medo. Ao menos o suficiente para não ficar na mira de um lança-chamas...

BRETT- sabe aqueles personagens que são acompanhados pela frase “não entre aí, seu idiota”, nos filmes de suspense? Brett é o exemplo vivo disso. Ele não tem um papel de muito destaque, sendo apenas um peão no cargueiro. De fato, até o próprio roteirista brinca um pouco com a sua função, quando um de seus colegas afirma que ele é um tipo de papagaio que só sabe repetir o que Parker diz.

KANE- a mãe do Alien. O “gato” que é morto pela curiosidade. Acho que ele é um dos pilotos da nave. E um curioso mórbido filho da mãe.

ASH- um dos pontos fortes do filme. Não só pelo fato de eu adorar robôs, sintéticos, androides e afins, mas pela profundidade da sua participação nos eventos e pela excelente atuação do ator Ian Holm.

PARKER- é um meio-termo entre Dallas e Brett. Não tem cacife para ser o líder da nave, mas não chega ser um inútil. Tem seus momentos áureos embalados por suas frases de efeito, mas a sua total estupidez em tentar sair no braço com o Alien, ao final do filme, anula quaisquer méritos anteriormente conquistados.

BOLAJI BADEJO- o que eu disse sobre o cara ser negro e ter um nome bizarro? Aqui há a justificativa de ele ser africano, ou algo do tipo. Bem, ele veste a roupa do monstro. É magro pra caramba e deve ter sofrido pra burro tentando entrar naquele traje e tendo que chegar quatro horas mais cedo que o resto do elenco para se maquiar. Quem diria que um Alien conseguiria superar as mulheres no quesito “demora pra se arrumar”?



HELEN HORTON- não é uma atriz. Pelo menos, não visualmente. Ela faz a voz da Mother, o computador teimoso que não perde uma oportunidade de explodir cargueiros espaciais de vários bilhões de dólares.

JONESY- um ilustre tripulante do cargueiro espacial Nostromo. De muito bom senso, corajoso e carismático. Ok, já deu pra perceber que eu sou apaixonado por felinos. Mas isso não diminui o carisma de Jonesy...

NOSTROMO- não é um personagem, mas nada disso teria acontecido se não fosse por ele. Como adoro naves mineradoras ao estilo Heavy Metal, me sinto na obrigação de incluí-lo nessa lista.




SIGA O CHEFE

Alien influenciou a indústria do cinema. Até aí, nenhuma novidade. Mas, indubitavelmente, esse filme deixou marcas profundas na forma como os filmes de terror seriam feitos dali pra frente. Não posso deixar de dizer que ele foi uma das obras cinematográficas mais plagiadas e satirizadas já feitas (no mesmo nível de Matrix e O Senhor dos Anéis). E tem gente que, nos dias de hoje, nem se quer sabe que o filme existe. Difícil de acreditar, mas é verdade.



-AMBIENTAÇÃO- é de perder a conta de quantos filmes se passaram em lugares fechados depois de Alien, como espaçonaves; navios; todo tipo de instalação e afins. Tudo isso na tentativa de copiar uma atmosfera que era impossível de copiar, sem cair no plágio ou cópia descarada propriamente ditos. O engraçado foi o efeito reverso que esse fenômeno causou: na tentativa de se diferenciar desse clássico, alguns filmes (como O Enigma do Outro Mundo; O Segredo do Abismo e etc.) acabavam tomando rumos de enredo e ambientação completamente inusitados, o que não deixava de ser uma influência. Indireta, mas ainda assim, uma forte influência.



-FINAL SURPRESA- não sei se Alien foi o primeiro filme a se utilizar deste recurso, mas foi o mais marcante (ao menos para mim). O vilão que “morre” mas continua vivo. Um final disfarçado de epílogo. A deixa para o retorno ou continuação de algo. Tudo isso virou padrão por causa dos eventos posteriores ao strip tease de Ripley.









-A CORPORAÇÃO MALIGNA- Alien tenta, de forma bem sutil, passar a mensagem de que o verdadeiro inimigo do filme não é quem achamos que seja. O ser humano e sua ganância constituem ameaça bem mais sólida do que a de uma criatura que foi tirada de seu habitat natural e que está preocupada apenas em garantir a própria sobrevivência. Essa ameaça invisível meio que virou padrão, depois desse filme.









-O SINTÉTICO IMPOSTOR- essa característica se estendeu mais aos filmes subsequentes da própria série que ao cinema como um todo. Traidores; impostores; Weskers; pilantras de toda espécie sempre existiram nos enredos de filmes, principalmente nos de suspense. Mas nos filmes da franquia Alien, isso já algo esperado e previsível. Só resta tentar adivinhar quem será o canalha da vez.




-SIGA O CHEFE?- quem é o protagonista do Alien? Dallas, que morre depois de mais ou menos uma hora e meia de filme? O próprio Alien, a indiscutível estrela principal do show? Ou Ellen Ripley, que teve a sorte de estar nos lugares certos nas horas certas? Meio difícil e sem sentido dizer, mas essa é uma das principais características do filme (ao menos pra quem ainda não assistiu até o fim), a de não ter um protagonista muito bem definido.















OUTROS FILMES DA SÉRIE

Na qualidade de Review Supremo, este texto tem a obrigação moral de abordar de forma abrangente a série de filmes em sua totalidade. Claro, isso é apenas uma bela desculpa que eu estou dando para descer o pau nos outros filmes que levaram o nome Alien no título, tendo em vista que nenhum deles conseguiu chegar nem perto da qualidade e supremacia do primeiro. Here we go.



ALIENS, O RESGATE (1986. Direção de um tal de James “Terminator” Cameron. Roteiro do próprio Cameron e dois outros loosers chamados David Giler e Walter Hill)



Lançado sete anos depois do primeiro filme, Aliens é baseado nos personagens criados por Dan O’Bannon e Ron Shusett. Pronto. Qualquer outra semelhança com o filme original acaba aqui.
Aliens, O Resgate é um dos piores filmes da série, em minha opinião. DESCARADAMENTE VOLTADO À AÇÃO, jogando ralo abaixo todo o clima de horror e suspense construídos no filme original.
Esse filme conta com cenas irritantes, mostrando personagens ainda mais irritantes (tenente Gorman; Carter Burke; Apone; a lista abrange quase todos os personagens do filme, pode acreditar) em situações meio que deslocadas, como a cena em que o detestável e desprezível personagem de Bill Paxton (é incrível como tudo que sai da boca desse personagem ou é uma frase feita ou é um clichê) fica enchendo o saco de Ripley acerca da competência dos seus companheiros de batalhão.
A ação desse filme é totalmente descarada, e pode ser resumida pela cena em que a personagem interpretada por Jenette Goldstein interrompe as explanações de Ripley sobre os xenomorfos e afirma que só precisa fazer mira e saber em quê atirar. O mais triste é constatar que a maioria dos jogos que seriam feitos sobre essa franquia seguiriam essa filosofia ao pé da letra.



Aliens, O Resgate é, sem dúvida o segundo filme dessa franquia de que menos gosto. A mania desprezível do diretor James Cameron, de enfiar criancinhas em tudo que é filme quase atrapalha a experiência do filme em si (UMA CRIANÇA QUE CONSEGUE SOBREVIVER, SOZINHA, EM UM PLANETA INFESTADO DE ALIENS? Desculpe, mas essa eu nunca consegui engolir). Se não fosse pela excelente interpretação e pelo carisma da pequena Carrie Henn, atriz que interpretou a garota Newt, a ideia de uma criança “fazendo e acontecendo” em um filme da série Alien seria insuportável. O meu desgosto com esse filme beiraria o patológico, se não fosse por duas palavrinhas mágicas que sempre vêm à mente quando o assunto é Aliens, O Resgate: ALIEN RAINHA.

No primeiro filme, não fica nada claro o ciclo de vida da criatura, mesmo com a cena extra de Dallas e Brett aprisionados. O Alien sai de um ovo. Mas quem põe esses ovos?
Esse filme, apesar de todas as suas falhas lógicas (pesadelos e uma promessa capenga de extermínio da espécie -vinda de uma companhia que tentou capitalizar em cima dos aliens- não constituem motivo suficiente para que Ripley voltasse ao planeta. É como a própria diz: “não sou soldado. Vocês não precisam de mim lá”), trouxe a maior contribuição que qualquer outro filme conseguiu trazer: tornou possível (e rentável) a expansão da franquia e do mito do Alien, com a sua explicação da origem do Alien através da Alien Rainha. E nada mais.

PONTOS FRACOS: história voltada à ação; personagens clichês e irritantes; crianças; duração exagerada (devia ser mais curto); falhas lógicas de roteiro;

PONTOS FORTES: Bishop; Ricks; as Smartguns; a morte de todos os personagens citados no tópico principal; expansão da franquia; Alien Rainha; sequência final com a Alien Rainha; tudo que tiver a ver com a Alien Rainha.



ALIEN 3 (1992. Direção de David Fincher. Roteiro de Vincent Ward)



O roteiro desse filme deixa uma coisa bem clara, logo no início: nada de crianças; nada de armas de fogo; nada de casalzinho romântico que sobrevive ao final da história (morra e vá para o inferno de cabeça para baixo por querer transformar a Ripley em uma dona de casa, James Cameron).
Alien 3 se passa no planeta prisão Fiorina 161.
Esse filme pode ser considerado um retorno às origens da franquia, uma vez que temos a boa e velha Ripley sozinha (digo, sem criancinhas ou par romântico por perto) lutando contra um, e apenas um, Alien. Por sinal, esse foi o primeiro filme que se arriscou na árdua tarefa de criar novas raças de xenomorfos. 



No quesito personagens, Alien 3 consegue apresentar quase o mesmo nível de irritação que Aliens, exceto pelo fato de que o terceiro filme nos mostra personagens mais profundos e interessantes, na medida do possível. Um exemplo claro disso é o Sr. Clemens, médico da prisão que descobre do pior jeito o que acontece com quem tenta se engraçar com a Ripley.
Alien 3 é um ótimo filme, mais puxado para o suspense, assim como o primeiro. Ele, logo em seu começo, já resolve várias pataquadas trazidas pelo segundo filme, e deixa claro que não há como topar com um exemplar dessa espécie e se dar bem. Ripley que o diga.

PONTOS FRACOS: poucos. Dentre eles, os prisioneiros no cio e alguns exageros (como a cena do chumbo quente).

PONTOS FORTES: atmosfera; ordem na bagunça; Bishop e sua voz sintetizada; direção de arte magnífica; destino da Ripley; o jogo de SNES; Alien Rainha.



ALIEN, A RESSURREIÇÃO (1997. Direção do desconhecido Jean Pierre Jeunet. Roteiro de Joss “Buffy” Whedon)



Se você procurar no Google o termo “forçação de barra”, aparecerá uma foto do cartaz de Alien, A Ressurreição.
Atrelados à ideia imbecil de que só pode haver um filme dessa franquia se tiver a Sigourney Weaver no meio, Resurrection traz Ellen Ripley dos mortos. A explicação? Através dos restos biológicos encontrados no planeta Fiorina 161, cientistas conseguem clonar a Ripley e, com isso, trazer de volta a Alien Rainha que a tenente carregava em seu ventre.
Na verdade, essa não é bem a Ripley, como atesta o próprio filme. É um clone com as memórias da Ripley, o que dá no mesmo, de qualquer jeito.
Mas a bagunça não para por aí: a Ripley clone não é como a antiga Ripley que conhecemos. Ela possui DNA híbrido de humano e alien (????). Isso mesmo que você está pensando: o próximo passo na falta de criatividade evolução da série depois de enfrentar aliens e morrer nas mãos dos monstros é se tornar um deles. Sarcasmo OFF.



Esse filme nem fede nem cheira. A história é só um pretexto para mais matança xenomórfica e situações sem um pingo de sentido. Por que diabos um facehugger tenta grudar na cara da Ripley, já que agora ela faz “parte do time”? Bem, deixa pra lá.
O filme termina com os personagens chegando ao planeta Terra, sem saber direito o que vai acontecer dali pra frente. Mesmo sentimento dos fãs da franquia...

PONTOS FRACOS: desculpa esfarrapada pra trazer a Ripley de volta (não que eu esteja achando ruim. É melhor um filme de Alien com a Sigourney Weaver do que um sem. Mesmo que não faça sentido. Podiam fazer um bom filme com a Sigourney e que FIZESSE SENTIDO. Seria um perfeito meio-termo); personagens sem carisma; o ator que fez Hellboy terminar o filme vivo.

PONTOS FORTES: a esfarrapada Ripley; Carl; o Newborn Hybrid; a cena dos Aliens mancomunando para escapar do laboratório. Ela deixa a certeza de que não há como subjugar essa espécie; o computador Father; Alien Rainha (mesmo que ela esteja meio por baixo nesse filme).


CONCLUSÃO


Alien é a minha franquia predileta de filmes de ficção científica. Mesmo com algumas decisões errôneas que vêm sendo tomadas, fico bastante feliz que filmes como Prometheus tentem cumprir a difícil tarefa de acrescentar algo de bom a essa rica série (a possibilidade de ver um Space Joker vivo me causa convulsões e sensações fisiológicas de expectativa indescritíveis...).
Se você leu o texto até aqui, e ainda se pergunta o que os filmes têm a ver com games, tentarei explicar de uma forma bastante simples: Alien, O Oitavo Passageiro, não é um jogo. Mas deu origem a vários. E mais importante: o blog é meu e eu escrevo sobre o que eu quiser, capiche?
Tendo sido feitas todas as observações das quais me recordo sobre o primeiro filme da franquia, me despeço de mais um Review Supremo. Não abordei os dois filmes da subfranquia Aliens VS Predator pelo simples fato de que quero dar um pouco mais de atenção aos mesmos em um futuro post, que relacione os filmes com seus respectivos jogos.


Au Revoir!

sábado, 19 de maio de 2012

ALIENS: COLONIAL MARINES
















A franquia Alien nunca foi do tipo arrasa-quarteirão, que lança vários títulos por ano e vende horrores a cada jogo nas prateleiras.
No post Nono Passageiro, fiz uma breve listagem dos jogos que joguei dessa série (e até cheguei a cometer o pecado de me esquecer de incluir o Alien Trilogy, de 1995, para PSone). Falei também um pouco sobre Aliens Infestation, um jogo da franquia para Nintendo DS que, até a presente data, não consegui jogar. Também de fora do post ficou o ilustre desconhecido, menos conhecido por Colonial Marines.

Aliens Colonial Marines está sendo desenvolvido pela Gearbox Software (aquela mesma, responsável por alguns trabalhos em Half-Life; Brothers in Arms e o mais recente, Borderlands). A primeira vez que ouvi falar sobre o jogo foi em uma seção de rumores e notícias de uma extinta revista de videogames, em 2009. Junto a esse anúncio, também estava o projeto de um suposto RPG de Aliens, que seria realizado pela Bioware. O projeto, sem mais nem menos, foi cancelado.

Eu, sinceramente, nunca soube se deveria ficar triste ou aliviado com a notícia. No fundo fiquei triste mesmo, pois, na condição de fã absoluto da série dos xenomorfos, sempre fico entusiasmado com qualquer tentativa de fazer um jogo da série que possa resultar em algo tão espetacular quanto o excelente (apesar daquela jogabilidade horrenda) Alien Ressurection, para PSone. Mas a minha imaginação fértil não consegue deixar de especular acerca dos resultados tragicômicos que tal empreitada poderia gerar, mesmo sob os cuidados de uma desenvolvedora “craque” no gênero como a Bioware. Mas o fato é que esse projeto foi cancelado, indo para o limbo dos games que gostaríamos de ver se tornando realidade, junto com o remake de Final Fantasy 7; Star Fox 2 e outros dos quais não me recordo no momento.

Aliens Colonial Marines chegou a ficar de molho por um tempo, mas teve seu projeto retomado, para a minha total e completa alegria. Eu ainda nem possuía um Playstation 3 quando comecei a acompanhar a saga desse título, que vem com a pretensiosa missão de ser uma continuação de Aliens: O Resgate. Isso mesmo que você ouviu, caro leitor: um game tentando fazer as vezes de filme. Onde foi que eu já vi isso mesmo? Ah, sim. Foi com dois jogos bem fracassados que não chegaram nem perto de cumprirem suas metas: Enter the Matrix e Ghostbusters. Claro, o primeiro exemplo não tinha pretensões de continuar nada. Ele vinha mais como uma adição simultânea aos filmes que seriam lançados. Mas não deixou de ser um fracasso assim mesmo.
Bem, o fato é que esse tipo de coisa NUNCA DÁ CERTO. Ouviu, pessoal da Gearbox (esse nome é bem legal, diga-se de passagem)? Nunca dá certo, mesmo.
Sem mais delongas, a minha opinião sobre o que eu espero de Aliens Colonial Marines.


LUZ! CÂMERA! AÇÃO!

Se errar, já sabe...











Aliens Versus Predator, de 2010 para PS3, Xbox 360 e PCs, foi um jogo razoavelmente bem feito. Um jogo à altura das expectativas do fãs de ambas as franquias, mesmo sendo meio que medíocre aos olhos de quem acha que facehugger é uma categoria diferente de abraço. Eu, particularmente, gostei bastante do jogo (mesmo sabendo que ele não é grande coisa comparado a outros shooters), e concluí as três campanhas das três raças umas duas vezes, no mínimo. Só pra constar: a campanha dos Predadores é divertidíssima. Representa muito bem a caçada na pele de um alienígena lagartão de proporções jeanclaudevandâmicas, com o perdão do trocadilho (compreensível apenas aos fãs da série). Pronto. Consegui evitar o nascimento de mais uma injustiça nerd de alto poder de destruição.

Resumindo: apesar de convincentes gráficos e enredo, esse jogo possui uma falha impossível de não perceber: total linearidade. Resumir Aliens VS Predator é ♪ fácil, extremamente fácil ♪: andar; coletar munição; matar xenomorfos/predadores/sintéticos/humanos; andar... Nada de missões paralelas ou escolha de caminhos alternativos ou qualquer tipo de escolha em geral. O máximo de interação que você vai ter no game é destruir/ativar botões que servirão apenas para dar acesso a áreas de exploração obrigatórias no jogo. E nada mais. Com exceção do desbloqueio de troféus/conquistas, não há nenhum motivo adicional para continuar a jogar Aliens VS Predator depois da conclusão das três campanhas. De fato, fora o criativo sistema Jô-ken-pô do melee combat (que eu não sei se já existia em outros jogos), o game não apresenta nada de novo, tampouco procura acrescentar algo de criativo à série. Triste.

O que eu espero de Colonial Marines é justamente o contrário do que foi visto no game há pouco citado: que ele não seja apenas um mata-mata desenfreado de aliens. Nada contra mata-mata de aliens. Apenas que haja um pouco de criatividade e objetivos menos amarrados por uma linearidade tirânica e previsível, que acaba derrubando um pouco do clima de terror, suspense e mundo-cão que permeia esse tipo de ficção.
Menos ação engessada e mais clima de suspense cairiam muito bem aqui.


THE SELF DESTRUCTION SEQUENCE HAS BEEN ACTIVATED. ALL PERSONAL…

Imagina o hálito desse camarada...













“quando comecei a acompanhar a saga desse título, que vem com a pretensiosa missão de ser uma continuação de Aliens: O Resgate. Isso mesmo que você ouviu...”

Acho que não me fiz entender de uma forma muito clara. Além dessa ideia ser bem idiota (obrigar um jogo de videogame a transcender a mídia de entretenimento para a qual ele foi criado, a fim de alcançar um objetivo que não pode ser alcançado com o veículo em questão), ela força a barra com uma linha de enredo que não parece fazer o menor sentido: pelo que eu me lembre das quase vinte vezes que assisti ao segundo filme da série, a instalação do planeta LV 426 foi completamente destruída pela explosão nuclear que vimos nos momentos finais do filme. Então, como diabos o Colonial Marines vai continuar de onde o filme parou? Eu prefiro acreditar que o game contará uma história paralela aos eventos do filme, ou eventos que se passaram antes da chegada de Ripley ao planeta. Esse tipo de linha de raciocínio ressalta um erro terrível no qual os roteiristas (seja de filmes ou de jogos) costumam cair, que é o apego exagerado a uma tradição ou linha de roteiro atrelado a uma série. Por que um filme de Alien tem de ter a Ripley como protagonista, por exemplo? Será que não há outras situações, ou personagens, a serem abordados no enredo? E por que as Smartguns ou radares de sensor de movimento nunca saem de moda, não importando se passaram cem ou duzentos anos desde o primeiro filme? É difícil dizer, principalmente quando o jogador é obrigado a controlar o fuzileiro Johnson pela enésima vez...


MUDANDO DE ARES

Adubando dá!













Os filmes e jogos que abordam o universo Alien sempre nos mostram as mesmas situações, com raras variantes entre eles. Depois de acompanhar a franquia por cerca de... deixe-me ver... quase toda a minha vida, fica difícil encontrar exemplos de originalidade na série. O pior: com exceção do trio Ridley Scott; Damon Lindelof e John Spaiths (responsáveis pela direção e roteiro do filme Prometheus, respectivamente), ninguém mais parece estar tentando criar algo de realmente novo para Alien. Ou Aliens.
Gostaria de ver situações mais criativas envolvendo as criaturas, com personagens que fujam aos clichês do “bundão game-over-man” ou da “machona que come xenomorfos no café da manhã”. Ah, uma nova espécie de parasita seria mais que bem-vinda. E antes que eu me esqueça: aquele Pred-Alien é bem sem graça. Bem sem graça mesmo. Nem conta como exemplo.


CHUVA ÁCIDA

Quem brinca com ácido...












Se pararmos para prestar atenção ao currículo da Gearbox Software, veremos uma extensa lista de jogos de guerra, voltados mais para a ação que para elementos como suspense ou claustrofobia, ingredientes essenciais à atmosfera dos produtos Alien. Eu, particularmente, sempre achei risíveis certos comentários de pessoas que afirmam que a “Squaresoft só sabe fazer RPGs”, ou que “Hideo Kojima só trabalhou em Metal durante toda a sua carreira”. Ora bolas! Faz algum sentido acusar uma águia de  não saber nadar?

Uma desenvolvedora de jogos deveria se concentrar no que sabe fazer de melhor e, dificilmente, a Gearbox entregará algo muito diferente do que temos visto em jogos como Brothers in Arms: ação de guerra focada em pelotões militares (assim espero). E não é o nome Alien no título que deveria mudar isso.

Não espere poder jogar com outras raças, ou campanhas super elaboradas de stealth. Não será esse o foco de Colonial Marines. E eu ficarei mais que satisfeito se a empresa conseguir entregar um produto com seu costumeiro padrão de qualidade. Apenas gostaria que a campanha do jogo fosse “pra valer”. Se vai nos limitar a jogar apenas com um marine humano bundão e fracote, que nos entregue algo significativo, que justifique o tolhimento das outras raças. Caso o jogo não cumpra com essas expectativas, pode acabar sendo bastante decepcionante aos fãs da série que esperam situações interessantes em uma campanha de peso no jogo.
Entrou na chuva ácida, é pra se molhar.


FALAR DE MIM É FÁCIL. DIFÍCIL É SER EU...

Nada a ver com o tópico. Ainda assim, bizarro!











Já abordei esse assunto várias e várias vezes nos posts.  Mas acho que nunca é demais externar esta opinião: certos universos como os de God of War; Alien; Dead Space; jogos com temática medieval em geral, não combinam com um passeio no parque.
É só levar em consideração o seguinte: o Alien é uma criatura de evoluída adaptação ao meio ambiente em que se encontra. Pode resistir ao frio; calor; radiação; vácuo e até a programação de domingo da rede Record. Ele é um equivalente ao tardígrado da vida real.

Mas eu ganho em bizarrice, primo.













Toda a série procura deixar bem claro, às vezes de uma forma bem sutil, às vezes não, que NÃO TEM COMO ENCARAR ESSA ESPÉCIE E SE DAR BEM NO PROCESSO. A tenente Ellen Ripley que o diga. Quando questionada sobre o que fez ao se deparar com tais criaturas, no Alien Ressurection, a personagem simplesmente responde: “eu morri”. Os aliens são rápidos, extremamente agressivos (em todos os sentidos. Uma raça de parasita que mata o próprio hospedeiro.) e, quando machucados, viram verdadeiras bombas de ácido prontas pra acabar com tudo que estiver num raio de cinco metros (quem nunca morreu pelo “próprio” tiro de shotgun ao mirar em um dos bichões, em um jogo da série, que atire a primeira pedra). Então, nada de mamão com açúcar para os jogadores no Colonial Marines, viu dona Gearbox?


Essas são algumas expectativas que nutro a respeito de Aliens: Colonial Marines, programado para o outono, nos EUA. Claro, além desses fatores, espero bons gráficos e, acima de tudo, um exemplar com verdadeiro “pedigree Alien” pelo qual os fãs tanto esperam.
2012 parece ser um ano com muito espaço para desenvolver e dar continuidade a uma das melhores franquias de filme já feitas. Espero que Alien esteja nas mãos certas, e que consiga nos proporcionar muitos momentos de terror e gritos de morte vindos de nossos fuzileiros Johnson. Pena que, nesse espaço, ninguém vai ouvir eles gritarem...


Au Revoir!

TRÊS VEZES MALDITO
















Certa noite, eu tive um sonho.
Sonhei que alguma coisa me sufocava. Desmaiei, então. Acordei suado, com um gosto estranho na boca e sentindo muita náusea. Muito enjoo.
Ainda com a visão turva, deitei a cabeça no travesseiro e voltei a dormir, com uma sensação de mal-estar que seria um presságio do mal que estava para me acontecer.
Acordo, novamente, molhado de suor e com a mesma sensação e gosto ruins que precederam meu inesperado sono. Uma queimação terrível na garganta e estômago podem ter sido o motivo do meu despertar. Tento ficar de pé, mas já é tarde.
Uma dor excruciante se espalha pela minha barriga sem ter sido convidada. Mais uma vez, tento ficar de pé. Novamente, descubro que é impossível, e tarde demais. A certeza da morte domina todos os sentidos do meu corpo. Quase posso premeditar a sensação da carne sendo dilacerada, do sangue jorrando.
Eu sei o que está por vir. Sei que não tenho muito tempo. Em que estarei pensando quando a hora chegar?

Dessa vez, acordo de verdade. Não estou banhado pelo suor, mas me encontro totalmente dominado pela certeza de que já tive esse mesmo pesadelo, ao menos, outras duas vezes. E que essa, apesar de ter sido a mais realista e aterrorizante, não foi a última vez...
Talvez as próximas horas me deem alguma pista do que vai acontecer...

Au Revoir!

domingo, 6 de maio de 2012

O CARMA PERSISTE













Enquanto planejava cancelar a minha conexão de internet, decidi me despedir da PSN, baixando uma demo de jogo ou coisa que o valha. E qual não foi a minha surpresa ao me deparar com a demo de Dragons Dogma, RPG de mundo aberto com dragões (é esse o gênero ao qual ele pertence mesmo) que será lançado pela Capcom no corrente mês de maio?
Pois bem. Depois de alguns minutos de download e instalação no HD, estava pronto para descobrir se Dragons Dogma vem para acrescentar algo de bom aos RPGs ou se, realmente, só deseja levar a sua fatia do bolo do gênero do momento.

A demonstração de Dragons Drogma conta com duas “fases”: a primeira serve de tutorial, ensinando comandos básicos de ataque e interação com objetos do cenário. A segunda nos dá um gostinho do que será enfrentar um grifo em campo aberto, junto com mais três personagens ajudando. E o que posso dizer a respeito da experiência com a demo? Simples: pouco mudou em minha opinião a respeito do jogo, ao longo desses meses.
A primeira impressão que o jogo passa é a de mal-acabado. Dragons Dogma é muito desinteressante visualmente. Dependendo da sua escala e do fator “coisas pra fazer”, isso pode não ser bem um defeito, tendo em vista que jogos como Fallout ou Elder Scrolls não são os mais belos de seu gênero, mas conseguem compensar essa falta com muitas horas de missões paralelas interessantes e muita “coisa pra fazer”. Mas, já que se trata de uma demo, a julgarei como tal: os efeitos não impressionam; os cenários não passam do “razoável”; a animação do personagem principal (chamado de Arisen) não é nem um pouco interessante, e demonstra pouco esmero no acabamento do jogo em geral. Mas tudo isso seria fácil relevar, não fosse por alguns detalhes que me irritam, particularmente, em um jogo.
Por exemplo: a tela de Dragons Dogma é meio que poluída por diálogos de NPCs que não calam a boca nem por um maldito segundo. Sério! Enquanto testava a demo, fiquei me imaginando jogar por horas com aqueles “atrapalhantes” tagarelas na minha cola, dando dicas sobre tudo, tapando a visão na “hora do pau” e me negando o simples prazer da descoberta (fator essencial para imersão em um RPG). Não prestei muita atenção se há um modo de desativar as legendas dos ajudantes, mas dentro do jogo essa opção parece ser inexistente. Esse tipo de coisa me faz questionar se as empresas de games jogam os próprios produtos, antes de vitimar os jogadores com esse tipo de falha.

Os combates desse game são um capítulo aparte, mas não preciso me prolongar muito no tema por um simples motivo: as batalhas de Dragons Dogma, alardeadas como um dos principais atrativos do jogo (lembra do trailer da jogabilidade com arco e flecha?), são bastante sem graça e bagunçadas. Aqui, reina um clima de “cada um por si”, principalmente nas lutas contra criaturas grandes, que podem ser montadas no (pior) estilo Shadow of the Colossus. Um caso sério isso. Será que essas desenvolvedoras não têm vergonha na cara de copiar um jogo de sete anos, da geração passada? Vamos colocar a cabeça pra funcionar, minha gente (heim, Mercury Steam?)! Criar mecânicas novas, de vez em quando, faz muito bem à saúde.

Além de não apresentar nada de novo nos combates, o jogo não nos dá nenhum motivo para querer continuar a explorar um suposto mundo gigantesco cheio de quests e coisas para ocupar o jogador. No mercado, atualmente, existem melhores e mais competentes exemplares do gênero, como é o caso do insuperável Skyrim ou do mediano Kingdoms of Amalur (que, mesmo sendo mediano e não chegando aos pés de Skyrim, ainda consegue ser mais competente e interessante que Dragons Dogma). Se a sua praia é “mundo vasto repleto de quests e batalhas com dragões”, até agora a Capcom não conseguiu apresentar nenhum motivo para a compra de Dragons Dogma. A não ser que você se enquadre no triste caso daqueles que comprarão o jogo em questão por causa da demo de Resident Evil 6, que será disponibilizada com a cópia do jogo. Se esse for o caso, só posso lamentar, e torcer para que os jogadores de videogame aprendam a dar um pouco mais de valor ao entretenimento de que tanto gostam (e ao seu dinheiro). E que aprendam também a não cair em truques óbvios e sujos como esses.

Lançar um jogo genérico, sem muita personalidade e visivelmente voltado aos olhares multiplayer, e ainda querer alavancar as vendas de seu rebento menos competente às custas de outras séries de maior sucesso é uma atitude desprezível por parte de uma desenvolvedora associada à criação de gêneros e que, de certa forma, sempre contribuiu imensamente para o entretenimento de games. Esperava mais da Capcom. Mas ela apenas consolida o seu tão conhecido “amor pelas cifras,”com tal atitude. Mais uma vez, a decisão de incentivar certas práticas insidiosas fica a critério daqueles que ditam os rumos que o entretenimento deve tomar: nós, jogadores. O resto é história...

E UM RECADO QUE NÃO POSSO DEIXAR DE DAR: CAPCOM, SE VOCÊ QUER VOLTAR AO CAMPO DOS RPGS, POR QUE NÃO VAI SE OCUPAR DE LANÇAR UM BELO EXEMPLAR DA SUA (ÓTIMA) SÉRIE BREATH OF FIRE, EM VEZ DE QUERER GANHAR DINHEIRO FÁCIL SEM ESFORÇO ALGUM?

RESPOSTA ÓBVIA: PORQUE GANHAR DINHEIRO FÁCIL, SEM TRABALHO, É MAIS GOSTOSO.

Au Revoir!

A GRATIFICANTE TAREFA DE MANTER UM BLOG

Essa carinha safada nunca sai de moda...














A vida é dura...mas eu sou mais. E, como afirmei no “último” post do blog, desistir não é um termo que conste do meu léxico.

Manter um blog não é tarefa das mais fáceis. Aliás: qualquer coisa que dependa de criatividade, paciência, inspiração, dedicação e manutenção, dá um certo trabalho em levar adiante. Principalmente criatividade e inspiração, elementos que não têm hora ou lugar para dar as caras. Ao longo desses meses, alguns problemas surgiram. Alguns deles foram resolvidos. Outros, longe disso. E o resultado é que tive que reduzir bastante a quantidade de posts do Mais um Blog de Games. Não que isso seja algo de ruim, necessariamente. É mais um reflexo do ritmo de vida e atribulações que surgem naturalmente. Pra ser sincero, acho que isso nem chega a ser um problema, tendo em vista que os posts do blog que mais fizeram sucesso foram aqueles mais longos e detalhados e que, consequentemente, levaram mais tempo para serem escritos.

A ideia inicial do Mais um blog de Games era justamente essa: apresentar um ponto de vista e uma opinião mais completa e pessoal possível, sem estar atado a modelos tradicionais de escrita ou “estilo jornalístico”.
Como já mencionei em mais de uma ocasião, não tenho qualquer formação de escritor ou jornalista. Escrevo apenas tentando respeitar as regras básicas da gramática que permitem a leitura fácil e agradável de um texto; e escrevo, acima de tudo, com a intenção de me divertir e gerar divertimento àqueles que estejam acompanhando os meus escritos.
Escrever para um blog é se expor. É apresentar o seu ponto de vista de uma forma totalmente fora de contexto, para pessoas que nunca te viram e não têm a mínima noção de quem você é “de verdade”. Mas, nem por isso, deixa de ser uma tarefa gratificante.

Para resumir gostaria de, mais uma vez, prestar esclarecimentos àqueles que vêm acompanhando o blog há alguns meses, dizendo que aquele “até logo” do último post foi só (felizmente) um “até logo” mesmo.
Muitas coisas estavam me inquietando o espírito e me tirando o sossego nos últimos dias. E uma delas era o fato de ter que dizer adeus a uma coisa extremamente divertida, que faz parte da minha vida há pouco tempo, mas que não vejo mais como passar sem: escrever sobre Games.
Peço desculpas ao pessoal que acompanha o blog pelo “alarme falso”. Entre aspas mesmo, pois eu realmente pretendi cancelar a minha conexão com a internet e deixar o blog meio que estacionado por conta disso. Felizmente, consegui chegar a um meio termo entre questões financeiras; uso do tempo; responsabilidades e tempo gasto com lazer. E acho que isso já é o bastante para continuar e levar as coisas adiante.

Não posso (e não devo) prometer uma maior freqüência de postagens pois, com relação a minha rotina diária, nada mudou. Mas o que importa é que estarei aqui, preparando textos quilométricos sobre jogos que, possivelmente, ninguém mais joga ou dá a mínima; tentando mostrar um pouco do meu ponto de vista e opiniões próprias acerca de notícias e fatos que eu considere relevantes ao mundo dos jogos eletrônicos.
Como “prêmio de consolação”, dei uma mudada (de leve) no layout do blog, pra desenjoar daquele visual preto-com-cinza e tornar a leitura dos textos quilométricos mais agradável. Espero que esteja dando certo.
No mais, continuarei preparando o Review Supremo de Bioshock; ficarei mais que feliz quando chegar a hora das Primeiras Impressões de Bioshock Infinite e Resident Evil 6, assim como Diablo 3 e tantos outros jogos de primeira linha que sairão ainda este ano (e do filme Prometheus, de Ridley Scott. Por que não, oras?).
Obrigado a todos pelo carinho. Saber que algumas pessoas se divertem lendo os meus textos me dá ânimo para continuar e inspiração para escrever mais e melhor, sempre buscando mostrar uma opinião diferente daquelas amplamente propagadas de forma quase viral pelos meios de comunicação ditos “especializados”.
Já estamos em maio mas, para mim, o ano está apenas começando. E em vários e ótimos sentidos!



Au Revoir!