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sábado, 19 de maio de 2012

ALIENS: COLONIAL MARINES
















A franquia Alien nunca foi do tipo arrasa-quarteirão, que lança vários títulos por ano e vende horrores a cada jogo nas prateleiras.
No post Nono Passageiro, fiz uma breve listagem dos jogos que joguei dessa série (e até cheguei a cometer o pecado de me esquecer de incluir o Alien Trilogy, de 1995, para PSone). Falei também um pouco sobre Aliens Infestation, um jogo da franquia para Nintendo DS que, até a presente data, não consegui jogar. Também de fora do post ficou o ilustre desconhecido, menos conhecido por Colonial Marines.

Aliens Colonial Marines está sendo desenvolvido pela Gearbox Software (aquela mesma, responsável por alguns trabalhos em Half-Life; Brothers in Arms e o mais recente, Borderlands). A primeira vez que ouvi falar sobre o jogo foi em uma seção de rumores e notícias de uma extinta revista de videogames, em 2009. Junto a esse anúncio, também estava o projeto de um suposto RPG de Aliens, que seria realizado pela Bioware. O projeto, sem mais nem menos, foi cancelado.

Eu, sinceramente, nunca soube se deveria ficar triste ou aliviado com a notícia. No fundo fiquei triste mesmo, pois, na condição de fã absoluto da série dos xenomorfos, sempre fico entusiasmado com qualquer tentativa de fazer um jogo da série que possa resultar em algo tão espetacular quanto o excelente (apesar daquela jogabilidade horrenda) Alien Ressurection, para PSone. Mas a minha imaginação fértil não consegue deixar de especular acerca dos resultados tragicômicos que tal empreitada poderia gerar, mesmo sob os cuidados de uma desenvolvedora “craque” no gênero como a Bioware. Mas o fato é que esse projeto foi cancelado, indo para o limbo dos games que gostaríamos de ver se tornando realidade, junto com o remake de Final Fantasy 7; Star Fox 2 e outros dos quais não me recordo no momento.

Aliens Colonial Marines chegou a ficar de molho por um tempo, mas teve seu projeto retomado, para a minha total e completa alegria. Eu ainda nem possuía um Playstation 3 quando comecei a acompanhar a saga desse título, que vem com a pretensiosa missão de ser uma continuação de Aliens: O Resgate. Isso mesmo que você ouviu, caro leitor: um game tentando fazer as vezes de filme. Onde foi que eu já vi isso mesmo? Ah, sim. Foi com dois jogos bem fracassados que não chegaram nem perto de cumprirem suas metas: Enter the Matrix e Ghostbusters. Claro, o primeiro exemplo não tinha pretensões de continuar nada. Ele vinha mais como uma adição simultânea aos filmes que seriam lançados. Mas não deixou de ser um fracasso assim mesmo.
Bem, o fato é que esse tipo de coisa NUNCA DÁ CERTO. Ouviu, pessoal da Gearbox (esse nome é bem legal, diga-se de passagem)? Nunca dá certo, mesmo.
Sem mais delongas, a minha opinião sobre o que eu espero de Aliens Colonial Marines.


LUZ! CÂMERA! AÇÃO!

Se errar, já sabe...











Aliens Versus Predator, de 2010 para PS3, Xbox 360 e PCs, foi um jogo razoavelmente bem feito. Um jogo à altura das expectativas do fãs de ambas as franquias, mesmo sendo meio que medíocre aos olhos de quem acha que facehugger é uma categoria diferente de abraço. Eu, particularmente, gostei bastante do jogo (mesmo sabendo que ele não é grande coisa comparado a outros shooters), e concluí as três campanhas das três raças umas duas vezes, no mínimo. Só pra constar: a campanha dos Predadores é divertidíssima. Representa muito bem a caçada na pele de um alienígena lagartão de proporções jeanclaudevandâmicas, com o perdão do trocadilho (compreensível apenas aos fãs da série). Pronto. Consegui evitar o nascimento de mais uma injustiça nerd de alto poder de destruição.

Resumindo: apesar de convincentes gráficos e enredo, esse jogo possui uma falha impossível de não perceber: total linearidade. Resumir Aliens VS Predator é ♪ fácil, extremamente fácil ♪: andar; coletar munição; matar xenomorfos/predadores/sintéticos/humanos; andar... Nada de missões paralelas ou escolha de caminhos alternativos ou qualquer tipo de escolha em geral. O máximo de interação que você vai ter no game é destruir/ativar botões que servirão apenas para dar acesso a áreas de exploração obrigatórias no jogo. E nada mais. Com exceção do desbloqueio de troféus/conquistas, não há nenhum motivo adicional para continuar a jogar Aliens VS Predator depois da conclusão das três campanhas. De fato, fora o criativo sistema Jô-ken-pô do melee combat (que eu não sei se já existia em outros jogos), o game não apresenta nada de novo, tampouco procura acrescentar algo de criativo à série. Triste.

O que eu espero de Colonial Marines é justamente o contrário do que foi visto no game há pouco citado: que ele não seja apenas um mata-mata desenfreado de aliens. Nada contra mata-mata de aliens. Apenas que haja um pouco de criatividade e objetivos menos amarrados por uma linearidade tirânica e previsível, que acaba derrubando um pouco do clima de terror, suspense e mundo-cão que permeia esse tipo de ficção.
Menos ação engessada e mais clima de suspense cairiam muito bem aqui.


THE SELF DESTRUCTION SEQUENCE HAS BEEN ACTIVATED. ALL PERSONAL…

Imagina o hálito desse camarada...













“quando comecei a acompanhar a saga desse título, que vem com a pretensiosa missão de ser uma continuação de Aliens: O Resgate. Isso mesmo que você ouviu...”

Acho que não me fiz entender de uma forma muito clara. Além dessa ideia ser bem idiota (obrigar um jogo de videogame a transcender a mídia de entretenimento para a qual ele foi criado, a fim de alcançar um objetivo que não pode ser alcançado com o veículo em questão), ela força a barra com uma linha de enredo que não parece fazer o menor sentido: pelo que eu me lembre das quase vinte vezes que assisti ao segundo filme da série, a instalação do planeta LV 426 foi completamente destruída pela explosão nuclear que vimos nos momentos finais do filme. Então, como diabos o Colonial Marines vai continuar de onde o filme parou? Eu prefiro acreditar que o game contará uma história paralela aos eventos do filme, ou eventos que se passaram antes da chegada de Ripley ao planeta. Esse tipo de linha de raciocínio ressalta um erro terrível no qual os roteiristas (seja de filmes ou de jogos) costumam cair, que é o apego exagerado a uma tradição ou linha de roteiro atrelado a uma série. Por que um filme de Alien tem de ter a Ripley como protagonista, por exemplo? Será que não há outras situações, ou personagens, a serem abordados no enredo? E por que as Smartguns ou radares de sensor de movimento nunca saem de moda, não importando se passaram cem ou duzentos anos desde o primeiro filme? É difícil dizer, principalmente quando o jogador é obrigado a controlar o fuzileiro Johnson pela enésima vez...


MUDANDO DE ARES

Adubando dá!













Os filmes e jogos que abordam o universo Alien sempre nos mostram as mesmas situações, com raras variantes entre eles. Depois de acompanhar a franquia por cerca de... deixe-me ver... quase toda a minha vida, fica difícil encontrar exemplos de originalidade na série. O pior: com exceção do trio Ridley Scott; Damon Lindelof e John Spaiths (responsáveis pela direção e roteiro do filme Prometheus, respectivamente), ninguém mais parece estar tentando criar algo de realmente novo para Alien. Ou Aliens.
Gostaria de ver situações mais criativas envolvendo as criaturas, com personagens que fujam aos clichês do “bundão game-over-man” ou da “machona que come xenomorfos no café da manhã”. Ah, uma nova espécie de parasita seria mais que bem-vinda. E antes que eu me esqueça: aquele Pred-Alien é bem sem graça. Bem sem graça mesmo. Nem conta como exemplo.


CHUVA ÁCIDA

Quem brinca com ácido...












Se pararmos para prestar atenção ao currículo da Gearbox Software, veremos uma extensa lista de jogos de guerra, voltados mais para a ação que para elementos como suspense ou claustrofobia, ingredientes essenciais à atmosfera dos produtos Alien. Eu, particularmente, sempre achei risíveis certos comentários de pessoas que afirmam que a “Squaresoft só sabe fazer RPGs”, ou que “Hideo Kojima só trabalhou em Metal durante toda a sua carreira”. Ora bolas! Faz algum sentido acusar uma águia de  não saber nadar?

Uma desenvolvedora de jogos deveria se concentrar no que sabe fazer de melhor e, dificilmente, a Gearbox entregará algo muito diferente do que temos visto em jogos como Brothers in Arms: ação de guerra focada em pelotões militares (assim espero). E não é o nome Alien no título que deveria mudar isso.

Não espere poder jogar com outras raças, ou campanhas super elaboradas de stealth. Não será esse o foco de Colonial Marines. E eu ficarei mais que satisfeito se a empresa conseguir entregar um produto com seu costumeiro padrão de qualidade. Apenas gostaria que a campanha do jogo fosse “pra valer”. Se vai nos limitar a jogar apenas com um marine humano bundão e fracote, que nos entregue algo significativo, que justifique o tolhimento das outras raças. Caso o jogo não cumpra com essas expectativas, pode acabar sendo bastante decepcionante aos fãs da série que esperam situações interessantes em uma campanha de peso no jogo.
Entrou na chuva ácida, é pra se molhar.


FALAR DE MIM É FÁCIL. DIFÍCIL É SER EU...

Nada a ver com o tópico. Ainda assim, bizarro!











Já abordei esse assunto várias e várias vezes nos posts.  Mas acho que nunca é demais externar esta opinião: certos universos como os de God of War; Alien; Dead Space; jogos com temática medieval em geral, não combinam com um passeio no parque.
É só levar em consideração o seguinte: o Alien é uma criatura de evoluída adaptação ao meio ambiente em que se encontra. Pode resistir ao frio; calor; radiação; vácuo e até a programação de domingo da rede Record. Ele é um equivalente ao tardígrado da vida real.

Mas eu ganho em bizarrice, primo.













Toda a série procura deixar bem claro, às vezes de uma forma bem sutil, às vezes não, que NÃO TEM COMO ENCARAR ESSA ESPÉCIE E SE DAR BEM NO PROCESSO. A tenente Ellen Ripley que o diga. Quando questionada sobre o que fez ao se deparar com tais criaturas, no Alien Ressurection, a personagem simplesmente responde: “eu morri”. Os aliens são rápidos, extremamente agressivos (em todos os sentidos. Uma raça de parasita que mata o próprio hospedeiro.) e, quando machucados, viram verdadeiras bombas de ácido prontas pra acabar com tudo que estiver num raio de cinco metros (quem nunca morreu pelo “próprio” tiro de shotgun ao mirar em um dos bichões, em um jogo da série, que atire a primeira pedra). Então, nada de mamão com açúcar para os jogadores no Colonial Marines, viu dona Gearbox?


Essas são algumas expectativas que nutro a respeito de Aliens: Colonial Marines, programado para o outono, nos EUA. Claro, além desses fatores, espero bons gráficos e, acima de tudo, um exemplar com verdadeiro “pedigree Alien” pelo qual os fãs tanto esperam.
2012 parece ser um ano com muito espaço para desenvolver e dar continuidade a uma das melhores franquias de filme já feitas. Espero que Alien esteja nas mãos certas, e que consiga nos proporcionar muitos momentos de terror e gritos de morte vindos de nossos fuzileiros Johnson. Pena que, nesse espaço, ninguém vai ouvir eles gritarem...


Au Revoir!

Um comentário:

  1. Pelo o que eu li no Kotaku (http://kotaku.com/5907653/the-authorized-story-of-the-next-aliens-video-game-will-change-the-way-we-see-aliens-and-alien-3), o jogo irá se passar entre Aliens e Alien 3 e tem a pretensão de explicar o que aconteceu para a Sulaco cair no planeta-prisão. Parece que um time de fuzileiros abordou a Sulaco enquanto Ripley e companhia estavam dormindo, retornou para LV-426, ainda encontrou xenomorfos lá (mesmo com a explosão atômica...), retornou para a Sulaco, enfrentou Aliens, saltou para próximo do planeta-prisão e caiu.

    Também considero a mitologia do Aliens meio que sagrada e já não curti o rumo que a série tomou em Resurrection. Meu relacionamento com a Gearbox não é dos melhores: não gostei de Brothers in Arms, não gostei de Borderlands e tenho medo de cair em tentação e jogar Duke Nukem Forever. A última coisa que eles fizeram e eu gostei foi Half-Life: Opposing Force, no milênio passado!

    Sobre jogos que são extensões de filmes, The Thing é um dos meus jogos favoritos e é continuação direta de Enigma do Outro Mundo. Mas, de fato, é uma exceção à regra...

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