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domingo, 6 de maio de 2012

O CARMA PERSISTE













Enquanto planejava cancelar a minha conexão de internet, decidi me despedir da PSN, baixando uma demo de jogo ou coisa que o valha. E qual não foi a minha surpresa ao me deparar com a demo de Dragons Dogma, RPG de mundo aberto com dragões (é esse o gênero ao qual ele pertence mesmo) que será lançado pela Capcom no corrente mês de maio?
Pois bem. Depois de alguns minutos de download e instalação no HD, estava pronto para descobrir se Dragons Dogma vem para acrescentar algo de bom aos RPGs ou se, realmente, só deseja levar a sua fatia do bolo do gênero do momento.

A demonstração de Dragons Drogma conta com duas “fases”: a primeira serve de tutorial, ensinando comandos básicos de ataque e interação com objetos do cenário. A segunda nos dá um gostinho do que será enfrentar um grifo em campo aberto, junto com mais três personagens ajudando. E o que posso dizer a respeito da experiência com a demo? Simples: pouco mudou em minha opinião a respeito do jogo, ao longo desses meses.
A primeira impressão que o jogo passa é a de mal-acabado. Dragons Dogma é muito desinteressante visualmente. Dependendo da sua escala e do fator “coisas pra fazer”, isso pode não ser bem um defeito, tendo em vista que jogos como Fallout ou Elder Scrolls não são os mais belos de seu gênero, mas conseguem compensar essa falta com muitas horas de missões paralelas interessantes e muita “coisa pra fazer”. Mas, já que se trata de uma demo, a julgarei como tal: os efeitos não impressionam; os cenários não passam do “razoável”; a animação do personagem principal (chamado de Arisen) não é nem um pouco interessante, e demonstra pouco esmero no acabamento do jogo em geral. Mas tudo isso seria fácil relevar, não fosse por alguns detalhes que me irritam, particularmente, em um jogo.
Por exemplo: a tela de Dragons Dogma é meio que poluída por diálogos de NPCs que não calam a boca nem por um maldito segundo. Sério! Enquanto testava a demo, fiquei me imaginando jogar por horas com aqueles “atrapalhantes” tagarelas na minha cola, dando dicas sobre tudo, tapando a visão na “hora do pau” e me negando o simples prazer da descoberta (fator essencial para imersão em um RPG). Não prestei muita atenção se há um modo de desativar as legendas dos ajudantes, mas dentro do jogo essa opção parece ser inexistente. Esse tipo de coisa me faz questionar se as empresas de games jogam os próprios produtos, antes de vitimar os jogadores com esse tipo de falha.

Os combates desse game são um capítulo aparte, mas não preciso me prolongar muito no tema por um simples motivo: as batalhas de Dragons Dogma, alardeadas como um dos principais atrativos do jogo (lembra do trailer da jogabilidade com arco e flecha?), são bastante sem graça e bagunçadas. Aqui, reina um clima de “cada um por si”, principalmente nas lutas contra criaturas grandes, que podem ser montadas no (pior) estilo Shadow of the Colossus. Um caso sério isso. Será que essas desenvolvedoras não têm vergonha na cara de copiar um jogo de sete anos, da geração passada? Vamos colocar a cabeça pra funcionar, minha gente (heim, Mercury Steam?)! Criar mecânicas novas, de vez em quando, faz muito bem à saúde.

Além de não apresentar nada de novo nos combates, o jogo não nos dá nenhum motivo para querer continuar a explorar um suposto mundo gigantesco cheio de quests e coisas para ocupar o jogador. No mercado, atualmente, existem melhores e mais competentes exemplares do gênero, como é o caso do insuperável Skyrim ou do mediano Kingdoms of Amalur (que, mesmo sendo mediano e não chegando aos pés de Skyrim, ainda consegue ser mais competente e interessante que Dragons Dogma). Se a sua praia é “mundo vasto repleto de quests e batalhas com dragões”, até agora a Capcom não conseguiu apresentar nenhum motivo para a compra de Dragons Dogma. A não ser que você se enquadre no triste caso daqueles que comprarão o jogo em questão por causa da demo de Resident Evil 6, que será disponibilizada com a cópia do jogo. Se esse for o caso, só posso lamentar, e torcer para que os jogadores de videogame aprendam a dar um pouco mais de valor ao entretenimento de que tanto gostam (e ao seu dinheiro). E que aprendam também a não cair em truques óbvios e sujos como esses.

Lançar um jogo genérico, sem muita personalidade e visivelmente voltado aos olhares multiplayer, e ainda querer alavancar as vendas de seu rebento menos competente às custas de outras séries de maior sucesso é uma atitude desprezível por parte de uma desenvolvedora associada à criação de gêneros e que, de certa forma, sempre contribuiu imensamente para o entretenimento de games. Esperava mais da Capcom. Mas ela apenas consolida o seu tão conhecido “amor pelas cifras,”com tal atitude. Mais uma vez, a decisão de incentivar certas práticas insidiosas fica a critério daqueles que ditam os rumos que o entretenimento deve tomar: nós, jogadores. O resto é história...

E UM RECADO QUE NÃO POSSO DEIXAR DE DAR: CAPCOM, SE VOCÊ QUER VOLTAR AO CAMPO DOS RPGS, POR QUE NÃO VAI SE OCUPAR DE LANÇAR UM BELO EXEMPLAR DA SUA (ÓTIMA) SÉRIE BREATH OF FIRE, EM VEZ DE QUERER GANHAR DINHEIRO FÁCIL SEM ESFORÇO ALGUM?

RESPOSTA ÓBVIA: PORQUE GANHAR DINHEIRO FÁCIL, SEM TRABALHO, É MAIS GOSTOSO.

Au Revoir!

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