A geração atual de consoles conta com um artifício que não
existia na geração passada de games: os DLCs (sigla que significa Downloadable
Content, ou conteúdo “baixável”).
Muito se falou a respeito de como seria explorado este
recurso nos jogos. Houve, inclusive, especulações que afirmavam que finais de
jogo viriam através de DLC, e que para aproveitar um game ao máximo seria
necessário desembolsar uns trocados a mais além dos que já haviam sido gastos
com o jogo original.
Claro, salvo raríssimas exceções (como no Castlevania Lords
of Shadow, em que “o verdadeiro destino de Gabriel é revelado nesse estonteante
DLC”), poucos jogos se utilizaram dos dito cujos de forma tão gananciosa e
escrota.
Na verdade, a maioria do conteúdo baixável de um jogo se
resume a fraquíssimos mapas extras para modos multiplayer ou roupas e
acessórios novos para os protagonistas. Dificilmente vemos algum conteúdo extra
que realmente faça a diferença e acrescente algo de novo à experiência de um
jogo em si, seja no single ou no multiplayer.
Felizmente, Bioshock 2 é um jogo que não para de me
surpreender, e ele não fez feio nesse sentido também.
DOWNLOADEANDO... POR
FAVOR, AGUARDE.
Bioshock 2 foi o único jogo de PS3, até agora, que me
despertou interesse em acompanhar todas as suas nuanças. Claro que estou me
referindo ao conteúdo extra do jogo,visto que já suguei tudo que a campanha
offline desse game tinha a oferecer.
O primeiro conteúdo que baixei para a segunda aventura em
Rapture foi o DLC Sinclair Solutions.
Ele adiciona dez níveis de evolução ao seu personagem e
algumas “vantagens”. Usei aspas pela relatividade contida nestas adições ganhas
com o DLC. Pra deixar de embromar e passar logo para o próximo tópico, só posso
dizer que Sinclair Solutions não traz nada de útil para quem se arriscar a
pagar dez dólares em seu download. Alguns equipáveis de arma; a incrível
possibilidade de chegar ao nível 50 e muita frustração ao descobrir que foi
roubado em exatos U $10.
Nada mais a declarar, mas fica o aviso: se você já alcançou o nível 40 no
multiplayer não fique se coçando: não tem nenhuma vantagem em adquirir o
Sinclair solutions.
O segundo conteúdo que eu comprei para o Bioshock 2 foi o
Rapture Metro Pack. Esse caso já se configura como um assalto à mão armada por
parte da 2K, indo bem mais além da simples revolta e decepção nerd de
costume.
O Metro Pack dá acesso a seis novos mapas que não estão
inclusos no disco de jogo. O mais "estranho" disso é que todos os novos mapas são
baseados em áreas do Bioshock 2. Sem esse conteúdo, você só poderá jogar
multiplayer nos mapas baseados no Bioshock original, que nem modo multijogador
possui. Deu pra entender a confusão? Pois bem, onde fica o caso de polícia
citado no trecho acima? Explico no trecho abaixo.
Para jogar nos novos mapas é necessário que todos os
participantes tenham o conteúdo extra. Até aí, muito lógico e justo. O problema
é que a 2K não incluiu nenhuma opção de busca que permitisse aos jogadores
procurarem apenas por partidas de DLC. Resumo da ópera: fiz o download e só
pude conferir um mapa novo mais de quinze dias depois, graças à generosidade de
um ilustre desconhecido que me enviou um convite para uma sessão privada. A
sensação, até esse momento, era de total prejuízo e abandono por parte da
fabricante do game.
Antes que eu me esqueça, o Metro Pack também disponibiliza o
comando “Rebirth”, que zera COMPLETAMENTE o seu nível e conquistas alcançadas
por meio destes. Ao utilizá-lo, você ganhará um par de asas ao lado do ícone do seu
nível e um sonoro “Plim” que todos os Playstecheiros sabem muito bem o que
significa.
Vale ressaltar que eu estava bastante indeciso entre baixar
o Metro Pack e o próximo DLC da lista, quando me decidi pelo primeiro apenas
para me arrepender amargamente (para baixar conteúdo de download da PSN é
necessário ter uma conta americana/europeia/japonesa e comprar um daqueles
cartões de PSN em dólar que custam o dobro ou mais em reais).
O terceiro DLC se chama Minerva’s Den, e conta a história do
Subject Sigma, mais um aspirante a Big Daddy que é sabotado durante sua viagem
ao local.
No antro de Minerva existe um computador chamado The
Thinker, uma poderosíssima máquina de processamento que utiliza Adam para
realizar equações na velocidade do pensamento. Sentiu o drama? Você é fã de
Bioshock? Então já deve ter começado a se coçar de vontade de jogar no
Minerva’s Den, e não é pra menos.
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UM CONSELHO: NÃO PONHA O DEDO... |
A história dessa parte do jogo é muito interessante, com
personagens tão pitorescos e criativos quanto no restante da aventura
principal. Aliás, o enredo de Minerva’s Den é tão único que me deixa a
impressão de foi retirado de algum momento-chave que acabou tendo que ser
cortado da versão final do jogo.
Toda a localidade foi sitiada do restante da cidade de
Rapture, e agora é controlada pelo supercomputador The Thinker e seus asseclas.
Logo no início a musiquinha da tela de load do multiplayer
começa a tocar no rádio para nos apresentar a parte isolada da aventura. E é
muito bom poder jogar Bioshock 2 com “aquela” sensação de terreno
inexplorado... mais uma vez!
As novidades saltam aos olhos e vêm em grande quantidade:
uma arma inédita; security bots que atiram mísseis; security bots que lançam
descargas elétricas em suas vítimas; portas trancadas por elementos
misteriosos... Tudo muito novo e diferente. Ou quase.
Muitas das novidades presentes no conteúdo extra já poderiam
constar do Bioshock 2 e até do 1, se duvidar. Mas é impossível deixar de ser
hipnotizado pelos novos elementos, e a promessa de um Plasmid TOTALMENTE
INÉDITO me faz ter revertérios nerd indescritíveis. Infelizmente, alguns bad blocks parecem
querer corromper a nossa experiência com o cantinho da Minerva e seu Pentium
133 vitaminado.
O problema mais grosseiro que ocorre aqui é o mesmo que
acontecia no Bioshock e no próprio Bioshock 2, só que de uma forma menos esporádica e sutil: o sumiço e reaparecimento de texturas.
Uma falha que ocorreria apenas depois de certos
carregamentos de save, no Minerva’s Den ocorre a todo instante. Para comprovar
o erro, fiz um teste: parei em frente a uma daquelas máquinas que não param de
soltar munição da arma de hackear e fiquei a observá-la por alguns instantes.
Como em um globo terrestre inquieto, as texturas da superfície da máquina iam e
vinham no melhor estilo “somos preguiçosos pra caramba e temos um talento nato
pra piorar algo que não podia ficar pior”. Tomara que o Bioshock Infinite não
esteja sendo desenvolvido nesse mesmo estilo... De resto, o gráfico do jogo continua lindo, se não fossem pelas já citadas texturas aparecendo do nada bem debaixo do seu nariz. Quase chega a tirar a minha concentração enquanto jogo.
Um bug semelhante acontece com os efeitos sonoros de algumas
armas e eventos do game (digo, o do sumiço). Felizmente, são falhas que não estragam o
passeio de Sigma no lar de Minerva.
Minerva’s Den, logo de cara já conseguiu me conquistar por
apresentar a mesma atmosfera interessante e hipnótica da continuação de um dos
melhores games desta geração.
A inesquecível fala das máquinas de itens; o clima de
loucura e destruição; a agradável exploração estilo Metroid e Castlevania; tudo
está presente nessa expansão do Bioshock 2, e esses elementos já presentes no
outros jogos constituem um motivo mais do que sólido para a realização do
download deste conteúdo downloadeável.
A pergunta é de praxe, mas a resposta nem sempre é a mesma:
MINERVA’S DEN VALE A PENA SER COMPRADO? A resposta é SIM. Não só vale a pena
como deve vir na frente dos outros downloads, se você tiver a intenção de
completar a excelente obra chamada Bioshock 2.
RESUMO DE MINERVA’S
DEN
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Pra entrar nessa aqui já sabe: só no bisturi! |
-terrível acabamento no framerate;
-tão mamão-com-açúcar quanto o Bioshock 2, mesmo no nível
mais difícil (um Hard que faria o Normal do primeiro Bioshock dar risadas
vilanescas);
-boa quantidade de novos elementos logo nos primeiros trinta
minutos de jogo;
-mesma atmosfera de sempre;
-mesmo excesso de itens do segundo jogo;
-The
Thinker Knows. Mesmo que você não saiba, Ele sabe!
Au Revoir!