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domingo, 5 de novembro de 2017

A POSTURA DA BLIZZARD COM O COMPETITIVO DE OVERWATCH






















Se você não gosta de Overwatch, ou se você ainda não foi picado pelo mosquitinho que transmite seu vírus, provavelmente você deve estar me odiando neste exato momento: as últimas quatro postagens aqui no blog foram sobre o jogo; e eu poderia facilmente trocar o nome do canal do Youtube (de Mais Um Vlog de Games) pra Mais Um Vlog de Overwatch, dado o spam quase diário de lives e outros conteúdos relacionados ao game que eu venho publicando por lá.

Quanto à falta de variedade de temas nos veículos de divulgação do blog, eu peço desculpas parcialmente aos que me acompanham. Parcialmente sim, pois o fator que vem me fazendo perder o senso de conversação (digital), ao falar de Overwatch 24 horas por dia, é o mesmo que sempre é elogiado no tocante aos outros conteúdos aqui do blog: a espontaneidade de falar sobre o que meu coração manda.

Em uma dessas postagens eu me utilizei do bordão “a Blizzard nunca erra”. E, quanto à qualidade de seus jogos, eu reitero a minha afirmação após passar mais de 115 horas jogando o arrasa-quarteirões Multiplayer online da empresa criadora de Diablo, World of Warcraft e Rock and Roll Racing (aposto que você não viu essa chegando, não é mesmo?). Infelizmente, Overwatch é um fenômeno bem mais complexo de se avaliar do que um “reles” jogo off-line com uma experiência fechada, planejada pra ter um começo, meio e fim.

Não sei o que é mais tenso: quando não encontra partida ou quando ela finalmente começa...

Pra quem caiu de jetpack aqui no blog, Overwatch é um jogo cooperativo online no qual você deve realizar tarefas típicas de modos online vistos em centenas de outros jogos de tiro por aí: capturar a bandeira (escoltar a carga), conquista de território (capturar o ponto) e o clássico e sempre divertido mata-mata (em grupo ou você contra Deus e o mundo).

Nesse ponto estrutural, Overwatch seria mais um jogo da cena online sem muito de diferente a oferecer aos seus jogadores. Isso se não fosse pelo genial acréscimo do modo Competitivo, uma categoria de jogo em que você ganha níveis e vai ascendendo em ranks de acordo com a quantidade de vitórias conquistadas.

Pra participar dessa empolgante peneira que separa o joio do trigo na comunidade de jogadores, alguns requisitos serão exigidos de você: é preciso estar no nível 25, não ter sido banido do game e contar com uma quantidade de pontos de alguma coisa que eu, sinceramente, não me lembro agora do que se trata.

Uma boa escolha pros iniciantes no Competitivo. Aliás, uma boa escolha em qualquer ocasião.

Ainda me lembro da primeira partida de Competitivo que participei: eu estava tão tenso que mal conseguia raciocinar direito, sendo Reinhardt a escolha de personagem mais segura para um jogador que achava que seria atropelado por uma avalanche de jogadores super compenetrados, que levavam o modo muito a sério e realizavam Jogadas da Partida como quem troca de roupa. Ledo engano...

Jesus Cristo é maravilhoso. O problema são seus seguidores.” É incrível como o sentido dessa frase continua inalterado caso você substitua o nome “Jesus Cristo” por “Overwatch”. Se você alcançou o nível exigido pra começar a jogar no Competitivo, então você já sabe mais ou menos o que esperar daí pra frente: jogadores egoístas que teimam em jogar com o mesmo herói a partida inteira, ao custo da derrota do time; bufões suicidas que seguem correndo em linha reta pra cima do objetivo (ignorando que metade do time foi abatido); e aqueles caras que simplesmente não entendem o porquê de uma personagem que precisa fixar moradia num ponto, decorar o ambiente com webcams e esperar o inimigo vir ao seu encontro pra ter alguma chance de causar dano não ser uma boa escolha na hora de atacar o objetivo.

A surpresa do dia: descobrir que o diretor do game sabe que o fórum de Overwatch existe...

Mas calma que do pior eu ainda nem falei. Como todo jogo online que se preze, acredito eu, Overwatch conta com um sistema de Report, uma opção pra “denunciar” o comportamento pouco amigável daqueles jogadores que não levam o jogo a sério e fazem de tudo pra se comportar da forma mais agressiva e daninha possível, seja porque decidiram trolar com seu personagem (se recusando a não fazer o que sua função demanda), seja porque simplesmente decidiram sair do jogo e deixar o time na mão. Mesmo com uma visível carência de opções óbvias pra enquadrar precisamente o “crime” que o delinquente cometeu, o sistema de Report seria mais que bem-vindo a esse tipo de jogo. Isso se a Blizzard fizesse alguma coisa a respeito...

No Competitivo a coisa funciona assim: se você sair da partida ficará impossibilitado de jogar nesse modo por “absurdos” SETE MINUTOS (esse número é uma média. Eu sei disso porque também já saí de duas partidas, quando não entendia a seriedade desse modo no início). Mas espere um pouco: uma partida no Jogo Rápido dura mais ou menos uns 10 minutos, não é mesmo? O que impede o jogador mal-intencionado de trolar a partida no Competitivo, sair pra “praticar” seu escárnio contra a humanidade no Jogo Rápido e depois voltar pra estragar a partida de outros 5 jogadores no Competitivo? Eu respondo: NADA, muito menos a atitude da Blizzard em face do problema.

Fico imaginando que tipo de satanagem um troll deve cometer pra ser banido desse jogo...

Diante da falta de punições severas, não é surpresa encontrar no site oficial do jogo vários tópicos de pessoas que estão desistindo de jogar Overwatch por causa da inércia da Blizzard em punir com mais rigor os ditos jogadores tóxicos. E confesso que eu estou caminhando pra essa mesma triste conclusão no meu relacionamento estável de quase dois meses com o game.

Vem temporada, vai temporada, Copas Mundiais são travadas a suor e sangue e a Blizzard simplesmente ignora as queixas de uma comunidade inteira descontente com o resultado de seu produto. Mas o que ela perde com isso, uma vez que você já tenha comprado o jogo e o dinheiro tenha partido pra engordar os cofres da milionária casa dos MOBAS? Seriedade e comprometimento, é isso que a Blizzard vai perder a longo prazo. Isso sem falar em dinheiro vivo propriamente dito.

Como todo jogo online, Overwatch conta com um sistema de micro-transações para Caixas de Itens, roupas e outras quinquilharias mais. Entretanto, fica difícil investir (ainda mais do que eu já investi com o disco do jogo) em uma experiência que me traz frustração e sensação de impunidade, quando devia me proporcionar apenas diversão e entretenimento. Diante dessa atitude de indiferença da desenvolvedora, não exagero ao dizer que vou pensar duas vezes antes de mergulhar numa experiência semelhante no futuro.

Se o objetivo é atacar, vai todo mundo de DPS!!! Acredite: tem gente com essa mentalidade jogando no Competitivo...

O mais triste é constatar, enquanto reles mortal e jogador de videogames, que os problemas do modo Competitivo poderiam ser resolvidos com simples decisões in-game nas quais qualquer iniciante no jogo poderia pensar por conta própria. Pra começo de conversa: por que existe, afinal de contas, o comando de sair da partida no modo Competitivo? Sim, eu sempre defendo a ideia de que uma desenvolvedora jamais deve tolher o direito de escolha do jogador, e que a tendência sempre devia ser aumentar suas opções, não as limitar. Mas estamos falando de um jogo no qual a diversão alheia está fortemente atrelada à forma como as outras pessoas se comportarão ao jogar.

Mas aí você pode argumentar que o jogador estaria comprometido de uma forma quase matrimonial, uma vez que cometesse o “erro” de clicar na opção de Competitivo. É aí que eu mando um belo FODA-SE a quem entrar nesse modo sem saber do que se trata: nessas horas a Blizzard devia usar o seu poder de influência para mandar o recado, mesmo às centenas de crianças chatas que jogam Overwatch, de que TUDO NA VIDA POSSUI UMA CONSEQUÊNCIA. Quer brincar de spamar bombas ao léu com Junkrat? Tudo bem, seja feliz em sua falta de perícia e retardo mental, mas vá fazer isso no Jogo Rápido, um modo ideal pra jogadores egoístas que não trocam de herói por nada ou que desejam apenas treinar um pouco com o personagem que almejam aprender a jogar.

Mas também tem os leleques espertões que acham que dá pra vencer sem curandeiros no time.

Nós vivemos em uma época na qual um mero clique num banner desconhecido já abre portas pra empresas de marketing esmiuçarem a sua vida e passarem a te infernizar diariamente com e-mails sobre aumento peniano ou planos de saúde. Mas, aparentemente, os magos da Blizzard (os mesmo que manjam de algoritmos matemáticos de programação super avançados) não conseguem diferenciar um jogador que perdeu a conexão com a internet (seja pela queda da rede ou da energia) daquele que, deliberadamente, selecionou o comando “sair da partida” ou pressionou o botão de home do console,  decidindo desligar o aparelho sem dar a mínima pros outros 11 seres humanos que dependiam dele pra ter alguma diversão.

Enfim, meu descontentamento com o jogo, atualmente, é avassalador. Pra piorar a situação, eu nem posso oficializar meus queixumes de consumidor que pagou caro pelo jogo no site da Blizzard, visto que “contas de iniciante não podem comentar nesta postagem”. Não que eu ache que a Blizzard fosse dar a mínima pro que eu tenho a dizer. Claro que não. Ela sabe exatamente o que desagrada os jogadores na cena atual de Overwatch. Ela só não se importa.

Au Revoir...

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