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domingo, 5 de novembro de 2017

A POSTURA DA BLIZZARD COM O COMPETITIVO DE OVERWATCH






















Se você não gosta de Overwatch, ou se você ainda não foi picado pelo mosquitinho que transmite seu vírus, provavelmente você deve estar me odiando neste exato momento: as últimas quatro postagens aqui no blog foram sobre o jogo; e eu poderia facilmente trocar o nome do canal do Youtube (de Mais Um Vlog de Games) pra Mais Um Vlog de Overwatch, dado o spam quase diário de lives e outros conteúdos relacionados ao game que eu venho publicando por lá.

Quanto à falta de variedade de temas nos veículos de divulgação do blog, eu peço desculpas parcialmente aos que me acompanham. Parcialmente sim, pois o fator que vem me fazendo perder o senso de conversação (digital), ao falar de Overwatch 24 horas por dia, é o mesmo que sempre é elogiado no tocante aos outros conteúdos aqui do blog: a espontaneidade de falar sobre o que meu coração manda.

Em uma dessas postagens eu me utilizei do bordão “a Blizzard nunca erra”. E, quanto à qualidade de seus jogos, eu reitero a minha afirmação após passar mais de 115 horas jogando o arrasa-quarteirões Multiplayer online da empresa criadora de Diablo, World of Warcraft e Rock and Roll Racing (aposto que você não viu essa chegando, não é mesmo?). Infelizmente, Overwatch é um fenômeno bem mais complexo de se avaliar do que um “reles” jogo off-line com uma experiência fechada, planejada pra ter um começo, meio e fim.

Não sei o que é mais tenso: quando não encontra partida ou quando ela finalmente começa...

Pra quem caiu de jetpack aqui no blog, Overwatch é um jogo cooperativo online no qual você deve realizar tarefas típicas de modos online vistos em centenas de outros jogos de tiro por aí: capturar a bandeira (escoltar a carga), conquista de território (capturar o ponto) e o clássico e sempre divertido mata-mata (em grupo ou você contra Deus e o mundo).

Nesse ponto estrutural, Overwatch seria mais um jogo da cena online sem muito de diferente a oferecer aos seus jogadores. Isso se não fosse pelo genial acréscimo do modo Competitivo, uma categoria de jogo em que você ganha níveis e vai ascendendo em ranks de acordo com a quantidade de vitórias conquistadas.

Pra participar dessa empolgante peneira que separa o joio do trigo na comunidade de jogadores, alguns requisitos serão exigidos de você: é preciso estar no nível 25, não ter sido banido do game e contar com uma quantidade de pontos de alguma coisa que eu, sinceramente, não me lembro agora do que se trata.

Uma boa escolha pros iniciantes no Competitivo. Aliás, uma boa escolha em qualquer ocasião.

Ainda me lembro da primeira partida de Competitivo que participei: eu estava tão tenso que mal conseguia raciocinar direito, sendo Reinhardt a escolha de personagem mais segura para um jogador que achava que seria atropelado por uma avalanche de jogadores super compenetrados, que levavam o modo muito a sério e realizavam Jogadas da Partida como quem troca de roupa. Ledo engano...

Jesus Cristo é maravilhoso. O problema são seus seguidores.” É incrível como o sentido dessa frase continua inalterado caso você substitua o nome “Jesus Cristo” por “Overwatch”. Se você alcançou o nível exigido pra começar a jogar no Competitivo, então você já sabe mais ou menos o que esperar daí pra frente: jogadores egoístas que teimam em jogar com o mesmo herói a partida inteira, ao custo da derrota do time; bufões suicidas que seguem correndo em linha reta pra cima do objetivo (ignorando que metade do time foi abatido); e aqueles caras que simplesmente não entendem o porquê de uma personagem que precisa fixar moradia num ponto, decorar o ambiente com webcams e esperar o inimigo vir ao seu encontro pra ter alguma chance de causar dano não ser uma boa escolha na hora de atacar o objetivo.

A surpresa do dia: descobrir que o diretor do game sabe que o fórum de Overwatch existe...

Mas calma que do pior eu ainda nem falei. Como todo jogo online que se preze, acredito eu, Overwatch conta com um sistema de Report, uma opção pra “denunciar” o comportamento pouco amigável daqueles jogadores que não levam o jogo a sério e fazem de tudo pra se comportar da forma mais agressiva e daninha possível, seja porque decidiram trolar com seu personagem (se recusando a não fazer o que sua função demanda), seja porque simplesmente decidiram sair do jogo e deixar o time na mão. Mesmo com uma visível carência de opções óbvias pra enquadrar precisamente o “crime” que o delinquente cometeu, o sistema de Report seria mais que bem-vindo a esse tipo de jogo. Isso se a Blizzard fizesse alguma coisa a respeito...

No Competitivo a coisa funciona assim: se você sair da partida ficará impossibilitado de jogar nesse modo por “absurdos” SETE MINUTOS (esse número é uma média. Eu sei disso porque também já saí de duas partidas, quando não entendia a seriedade desse modo no início). Mas espere um pouco: uma partida no Jogo Rápido dura mais ou menos uns 10 minutos, não é mesmo? O que impede o jogador mal-intencionado de trolar a partida no Competitivo, sair pra “praticar” seu escárnio contra a humanidade no Jogo Rápido e depois voltar pra estragar a partida de outros 5 jogadores no Competitivo? Eu respondo: NADA, muito menos a atitude da Blizzard em face do problema.

Fico imaginando que tipo de satanagem um troll deve cometer pra ser banido desse jogo...

Diante da falta de punições severas, não é surpresa encontrar no site oficial do jogo vários tópicos de pessoas que estão desistindo de jogar Overwatch por causa da inércia da Blizzard em punir com mais rigor os ditos jogadores tóxicos. E confesso que eu estou caminhando pra essa mesma triste conclusão no meu relacionamento estável de quase dois meses com o game.

Vem temporada, vai temporada, Copas Mundiais são travadas a suor e sangue e a Blizzard simplesmente ignora as queixas de uma comunidade inteira descontente com o resultado de seu produto. Mas o que ela perde com isso, uma vez que você já tenha comprado o jogo e o dinheiro tenha partido pra engordar os cofres da milionária casa dos MOBAS? Seriedade e comprometimento, é isso que a Blizzard vai perder a longo prazo. Isso sem falar em dinheiro vivo propriamente dito.

Como todo jogo online, Overwatch conta com um sistema de micro-transações para Caixas de Itens, roupas e outras quinquilharias mais. Entretanto, fica difícil investir (ainda mais do que eu já investi com o disco do jogo) em uma experiência que me traz frustração e sensação de impunidade, quando devia me proporcionar apenas diversão e entretenimento. Diante dessa atitude de indiferença da desenvolvedora, não exagero ao dizer que vou pensar duas vezes antes de mergulhar numa experiência semelhante no futuro.

Se o objetivo é atacar, vai todo mundo de DPS!!! Acredite: tem gente com essa mentalidade jogando no Competitivo...

O mais triste é constatar, enquanto reles mortal e jogador de videogames, que os problemas do modo Competitivo poderiam ser resolvidos com simples decisões in-game nas quais qualquer iniciante no jogo poderia pensar por conta própria. Pra começo de conversa: por que existe, afinal de contas, o comando de sair da partida no modo Competitivo? Sim, eu sempre defendo a ideia de que uma desenvolvedora jamais deve tolher o direito de escolha do jogador, e que a tendência sempre devia ser aumentar suas opções, não as limitar. Mas estamos falando de um jogo no qual a diversão alheia está fortemente atrelada à forma como as outras pessoas se comportarão ao jogar.

Mas aí você pode argumentar que o jogador estaria comprometido de uma forma quase matrimonial, uma vez que cometesse o “erro” de clicar na opção de Competitivo. É aí que eu mando um belo FODA-SE a quem entrar nesse modo sem saber do que se trata: nessas horas a Blizzard devia usar o seu poder de influência para mandar o recado, mesmo às centenas de crianças chatas que jogam Overwatch, de que TUDO NA VIDA POSSUI UMA CONSEQUÊNCIA. Quer brincar de spamar bombas ao léu com Junkrat? Tudo bem, seja feliz em sua falta de perícia e retardo mental, mas vá fazer isso no Jogo Rápido, um modo ideal pra jogadores egoístas que não trocam de herói por nada ou que desejam apenas treinar um pouco com o personagem que almejam aprender a jogar.

Mas também tem os leleques espertões que acham que dá pra vencer sem curandeiros no time.

Nós vivemos em uma época na qual um mero clique num banner desconhecido já abre portas pra empresas de marketing esmiuçarem a sua vida e passarem a te infernizar diariamente com e-mails sobre aumento peniano ou planos de saúde. Mas, aparentemente, os magos da Blizzard (os mesmo que manjam de algoritmos matemáticos de programação super avançados) não conseguem diferenciar um jogador que perdeu a conexão com a internet (seja pela queda da rede ou da energia) daquele que, deliberadamente, selecionou o comando “sair da partida” ou pressionou o botão de home do console,  decidindo desligar o aparelho sem dar a mínima pros outros 11 seres humanos que dependiam dele pra ter alguma diversão.

Enfim, meu descontentamento com o jogo, atualmente, é avassalador. Pra piorar a situação, eu nem posso oficializar meus queixumes de consumidor que pagou caro pelo jogo no site da Blizzard, visto que “contas de iniciante não podem comentar nesta postagem”. Não que eu ache que a Blizzard fosse dar a mínima pro que eu tenho a dizer. Claro que não. Ela sabe exatamente o que desagrada os jogadores na cena atual de Overwatch. Ela só não se importa.

Au Revoir...

quarta-feira, 26 de abril de 2017

NO ESPAÇO NINGUÉM VAI...






















Eu não escondo de ninguém, nem no trabalho, que sou um fã apaixonado pela franquia Alien, seja em filmes ou em games. Falando de filmes, eu simplesmente tenho todos em DVD/Blu-ray e já assisti a todos, mais de vinte vezes cada um...

Com games a situação é um pouco diferente: mesmo os jogos da franquia que possuem alguma qualidade técnica geralmente são mais voltados ao segundo capítulo da saga de Ellen Ripley, descaradamente mais puxado pra ação do que à sobrevivência (praticamente sem armas) em uma espaçonave gigantesca, onde um bicho assustador te mata ao menor sinal de contato.

Eu já joguei alguns jogos dessa marca que podem ser considerados bons, mesmo com ressalvas. É o caso de Aliens VS Predator Extinction (um RTS pra PS2), Alien 3 (do SNES) e o mais recente Aliens VS Predator (de 2010, pra PS3 e 360). E foi justamente por causa desse teor de ação que eu sempre fiquei com aquela certeza na mente de que seria impossível fazer um jogo de Alien que se aproximasse o máximo possível do contexto do primeiro filme (um/a protagonista praticamente indefeso/a em uma instalação enorme fugindo de um, e apenas 1, Alien). Isso até janeiro de 2015, quando comprei Alien Isolation pra PS3 e descobri do que é feito um verdadeiro jogo de terror...

Tente não borrar as calças numa atmosfera dessas...
Claro que não vou me prolongar muito explicando os porquês do meu amor por esse jogo. Eu já fiz isso no Meu Review Supremo de Alien Isolation, que pode ser conferido AQUI. Mas, de uma forma torturantemente resumida, quais as qualidades do jogo lançado em 2014? Lindos gráficos; um dos melhores designs já realizados em uma obra digital; atmosfera REAL de medo e suspense; trilha sonora competente; e um enredo e eventos na medida, que respeitam os elementos clássicos da franquia sem se limitar a eles.

Com o desesperador e angustiante final de Isolation (não se preocupe, spoiler free), nada mais natural que o jogador quisesse descobrir o que aconteceria com Amanda Ripley em uma continuação de Isolation. E eu também já falei sobre as probabilidades de tal projeto se concretizar no triste post Eternamente à Deriva, que pode ser lido AQUI.

Pois bem, depois de praticamente ter abandonado quaisquer esperanças de ver uma sequência de um dos meus jogos favoritos (de todos os tempos) ganhar a luz do dia, ontem, 25 de abril de 2017, foi um dia de fortes emoções pra mim. Enquanto checava meus vídeos de notícias de games no Youtube, me deparei com um título que me fez dar um salto de onde quer que eu estivesse no momento: ALIEN ISOLATION 2!

Todas as promessas do terrível Colonial Marines foram cumpridas em Isolation.
O rumor apontava que a Creative Assembly, criadora do primeiro jogo, começaria a trabalhar na continuação assim que se desvencilhasse de seu mais recente projeto, Halo Wars 2. Foi uma noite empolgante e bastante animadora: não é todo dia que vemos um sonho se confirmar assim, do nada, depois de termos jogado um game mais de 10 vezes (quase seguidas) e ansiar por sua sequência.

Mas, como alegria de pobre dura pouco, hoje mesmo o rumor foi desmentido por uma fonte jornalística da revista Eurogamer. Se você é fã como eu, e quer sofrer com seus próprios olhos, AQUI está o link desmentindo o boato. Apesar de cair como uma bomba, a negação do rumor em si nem é a pior parte dessa curta história de vã esperança: além de a SEGA não ter planos de endossar tal projeto (apesar de não descartá-lo completamente), ficamos sabendo que uma boa parte da equipe original do primeiro jogo NEM TRABALHA MAIS NA CREATIVE ASSEMBLY...

Gamer over, man. Game over...
Eu sei, bordão nada original em texto de Alien. Mas acho que não há forma mais apropriada de descrever o desfecho da novela por trás da suposta sequência de Isolation. Você ainda não percebeu a gravidade da situação, não é mesmo? Eu explico.

Um dos jogos mais detalhistas já criados.
A ocasião era mais que convidativa para anunciar Alien Isolation: mês que vem estreia nos cinemas a continuação de Prometheus, Alien Covenant, e com o passar de mais dois meses teremos o evento da E3, um acontecimento mais que apropriado para revelações bombásticas de novos projetos e promessas futuras no mundo dos videogames.

Mas, dado o balde de Royal Jelly fria arremessado na cabeça dos fãs, só ficamos com duas possíveis conjunturas para o futuro da franquia Isolation: ou o jogo não sai ou é feito por pessoas que, muito-provavelmente-e-quase-com-certeza, não terão o mesmo know-how/cacife/feeling pra entregar um jogo com qualidade à altura do original. Ou seja: game over, man. Game over...

Como crueldade pouca é bobagem, a notícia nos é dada hoje, dia 26 de abril, o dia oficial do Alien em todo o mundo. É... já vi que no espaço ninguém vai ouvir você se lamentar, e nunca saberemos o que aconteceu com a corajosa Amanda Ripley em busca de respostas pelo paradeiro de sua mãe. Shadow signing out...

O que dói mais: nunca ser confirmado ou a certeza de sua não existência?


   Au Revoir...

sábado, 2 de março de 2013

HORIZONTE NEGRO












Eu sou e sempre fui um jogador de consoles. Sempre que eu admito este fato uso o adjetivo “incorrigível” depois de “jogador”. Isso acontece pelo fato de que, assim como muitas escolhas em nossas vidas, essa é uma delas que traz algumas vantagens e desvantagens. É como em um daqueles jogos de RPG em que temos que escolher um lado para apoiar: cria-se um inimigo e um aliado ao mesmo tempo, com benefícios e privações.

O parágrafo acima não vem em tom de reclamação. Serve apenas para reiterar a minha posição diante deste meio de entretenimento. E também para abrir caminho para um pedido que eu gostaria de fazer, com relação aos (possíveis) comentários do post: POR FAVOR, NÃO ME VENHAM COM AQUELA VELHA CONVERSA DE “POR QUE VOCÊ NÃO MUDA DE VEZ PARA O PC”?
Tendo esclarecido este pequeno detalhe, agora posso seguir com o desenrolar das ideias que me levaram a escrever este texto.

Não entrei porque esqueci o convite na outra calça

No dia 20 de fevereiro do corrente ano aconteceu o Playstation Meeting, um evento exclusivo da Sony feito com o intuito de causar frenesi em nerds fã boys que não percebem que as coisas não são mais como eram antes. Ops! Essa era a definição não oficial do evento. Acabei “digitando sem pensar”...
O fato é que nesse evento foi anunciado oficialmente o novo console da Sony, o Playstation 4. Também foi mostrado o “novo” controle e alguns demonstrações de jogos do novo aparelho rodando em tempo real. E sabe por que eu não coloquei as palavras “em tempo real” entre aspas? Por que, dessa vez, eu acredito totalmente que esses jogos mostrados na feira retratam a realidade dos títulos iniciais do console.

Se impressionou com isso? É sério?

De fato, exceto por um jogo da Capcom (que aparece um dragão cuspindo fogo), não fiquei nem um pouco impressionado com o que vi da “nova” geração. O motivo das aspas, espero, ficará claro com o decorrer do texto. E, antes que alguém perca tempo tentando salientar para este fato, sim, o post vem da ótica de UM JOGADOR DE CONSOLES ABORDANDO OS “PROBLEMAS” ATRELADOS À PRÓXIMA LEVA DE APARELHOS.
Tendo esclarecido isso, dividi-lo-ei em alguns problemas ou detalhes que não me agradaram nada nesse novo capítulo do incipiente entretenimento de games.

E aí, tio: dá pra fazer 2 por 1?











1-BLOQUEIO CONTRA JOGOS USADOS

A ideia está longe de ser nova: há forte rumores de que os aparelhos da nova geração não aceitarão o uso de um mesmo jogo em mais de um aparelho. Como será feito esse controle pergunta você, que ficou em cativeiro pelos últimos dez anos?
O procedimento é simples: através da conexão de seu aparelho com a internet a empresa registrará a cópia de seu jogo no sistema. Uma vez que isto aconteça, quaisquer tentativas de usar o disco em outro aparelho resultaria em uma mensagem de aviso dizendo o seguinte: “NOT SO FAST, PILGRIM: YOU DON’T OWN THE GAME. YOU OWN THE RIGHT TO USE THE SOFTWARE INSIDE THE DISC. FUCK YOU AND HAVE A NICE DAY”.

Certo, eu admito que viajei um pouco na minha paráfrase, até pelo fato de que empresas como Sony e Microsoft costumam usar palavras mais polidas e menos diretas quando querem mandar o consumidor à merda. Mas isso não muda o fato.
Com a possibilidade de tal prática virar padrão surgem alguns inevitáveis questionamentos: “e se meu console pifar e eu precisar trocar de aparelho”? “Pelo quê estou pagando afinal”? “Será que a relação mais básica do sistema capitalista (troca de mercadorias por algum tipo de moeda) finalmente foi derrubado?” Tá, com esta última só os estudantes de Administração devem se preocupar, confesso.

Claro, há diversos meios de garantir que o usuário possa usufruir de seu “bem” mesmo que o console queime, como atrelar a licença do jogo à conta do jogador e não ao aparelho (coisa que já acontece na atualidade). Mas novos sistemas sempre trazem dúvidas e um certo nível de insegurança, além de muito dinheiro para o bolso de multinacionais inescrupulosas...

Bem, o fato é que os rumores apontam que a Sony não adotará esta prática, ao menos não por enquanto. Já a Microsoft não confirmou nada mas alguns desenvolvedores e pessoas envolvidas com a mídia afirmam que a empresa adotará essa medida já com o novo Xbox.
Eu, particularmente, acho tal postura das empresas algo abominável e ganancioso. É querer tolher as possibilidades e os direitos dos consumidores honestos que escolheram dar suporte a uma determinada empresa no lugar de outra.
Também vejo neste detalhe uma boa oportunidade àquela empresa que estiver interessada em (ao menos parecer) mostrar que se importa com a opinião daqueles que colocam o pão em suas mesas, fazendo justamento o contrário do que a gananciosa tendência manda.

Depois de tudo isso você pergunta: “mas Shadow, e se eu quiser jogar apenas offline, sem me conectar a internet”? É a deixa que eu esperava para o próximo tópico.

Pros diablos essa obrigação online!











2-OFFLINE ONLINE?

Imagine a cena (o clichê vem junto. Não consegui evitar!): você chega em casa, cansado do trabalho. Depois de tomar banho, jantar, socializar um pouco com sua família e ouvir meia dúzia de reclamações da sua esposa chata que não suporta games (espero que a coisa aconteça nessa ordem mesmo, caso contrário rezarei pela sua alma) você se prepara para jogar.
Liga o videogame, coloca o disco no aparelho e dá de cara com uma estranha mensagem em inglês te avisando que o jogo não rodará por falta de conexão com a internet. Algo mais ou menos assim: “YOU LOSE IT, PLAYBOY! AN ETHERNET CABLE IS DISCONNECTED. NO LEVELING UP FOR YOUR FALLOUT’S 4 CHARACTER TODAY…”

Algo bem parecido já foi testado com sucesso por uma tal de Blizzard e sua criatura do inferno, Diablo 3: para jogar, mesmo na campanha solo, o jogador precisa estar conectado todo o tempo com a internet. Uma medida para inibir a pirataria e garantir que o investimento terá o retorno que garantirá a vinda de um Diablo 4? Talvez, mas, E EU COM ISSO? Será que eu tenho que pagar, mais do que já pago, por causa da incompetência das empresas em garantir que um jogo não seja pirateado? CLARO QUE NÃO! Eu só quero gastar meu suado dinheirinho com games e poder desfrutá-los da maneira que meu bedelho decidir que é a melhor.

Ao menos com o Playstation 4 isso ainda está longe de acontecer, já que a Sony jura de pés juntos que o novo console não terá este tipo de exigência para funcionar. Palavra do próprio Jack Tretton, presidente da SCEA. Questionado a esse respeito por Michael Pachter do site Game Trailers, o sujeito garantiu que os jogos do console não demandarão tal conexão. Ele garante também que o PS4 virá com um leitor de discos. Discos em blu-ray, pra ser mais exato, que descartam os rumores de que o console abandonaria o uso de mídias físicas de armazenamento para dar lugar, de forma prioritária, aos jogos digitais. E isso abre espaço para o próximo tópico.

Tudo eu, tudo eu...














3-NUVEM DE ILUSÕES

Durante todo o mês de fevereiro várias notícias a respeito do PS4 e do novo Xbox surgiram na imprensa de games. Uma delas me chamou muita atenção: a de que TODOS os jogos do PS4 serão lançados em suas versões digitais, por download.
E digo que isso é muito bom. Não só é algo bom como é uma tendência impossível de se esquivar.
Mesmo o mais ferrenho colecionador de jogos antigos (ou novos), se quiser continuar a jogar videogames, terá que se acostumar com o fato de que OS DISCOS DE JOGOS ESTÃO COM SEUS DIAS CONTADOS. E o que eu acho disso? Bem...

Minhas experiências com essa relação de jogos digitais foram bastante tranquilas. É muito bom poder jogar um jogo que está armazenado no HD do seu aparelho sem precisar se levantar para trocar ou guardar o disco no final da partida.  Só preciso dizer que, se todos os meus jogos de PS3 fossem digitais, não teria passado pelo problema que tive no final do ano passado. O problema, como sempre, reside em tirar do consumidor a opção de optar por um outro modelo de distribuição.

Vejamos o que acontece, atualmente, com quem adquire jogos digitais pela rede PSN: você escolhe um jogo; adiciona créditos a sua carteira virtual na loja da PSN; compra o jogo e inicia o download. O problema, a meu ver, começa justamente aqui: qual deveria ser a vantagem, para o consumidor, de adquirir um game sem manual, disco ou todas as outras coisas que são padrão na aquisição física de um jogo? Um prêmio para quem respondeu “preço beeeeeem mais baixo que o de costume”. E é isso que acontece? Claro que não...

Um jogo digital de lançamento costuma custar U$59,00, ao passo que o mesmo jogo em mídia física custa em torno de... U$59,00? O que raios acontece neste caso? Onde está toda aquela conversa de “menos custo com transporte; zero de custo com impressão de manual e fabricação de discos”? Será que é justo eu pagar o mesmo valor por algo que nem vou possuir de verdade? E outra: ESTOU USANDO A CONEXÃO QUE EU PAGO PARA FAZER O DOWNLOAD. Por que a empresa não dá um jeito de compensar o comprador por causa disso? Para tentar responder estas perguntas vou fazer um resumo da relação compra e venda de um jogo digital pela PSN. Você:

Se sentindo um completo otário?












1-paga caro por algo que nem vai possuir;
2-gasta recursos próprios apenas para anular os gastos da empresa com transporte;
3-utiliza o próprio espaço em HD para armazenar o jogo baixado (sim filhinho: a ideia de armazenamento em nuvem do PS3 é uma ilusão, visto que quem arca com a questão do espaço de armazenamento é VOCÊ, não a fornecedora do game);
4-não pode usar o jogo no aparelho que bem entender (eu não comprei a licença do software? Por que não tenho o direito de usá-lo onde desejar?);
5-e ainda sai se achando na crista da onda cibernética, pois discos são coisa de gente velha e insegura que gosta de amontoar porcarias em casa.


Em que planeta pagar mais é melhor?












4- IS THE WORLD MY OYSTER?


A Microsft, uma experiente empresa do ramo de sistemas operacionais para PCs, saiu muito na frente do PS3 com seu Xbox 360. E como ela fez isso? Usando o know-how que possuía com PCs e trazendo isso para o seu segundo console, visto que o primeiro foi apenas um teste de mercado para analisar os consumidores (sim, amigo xboxista: o seu primeiro Xbox foi o questionário de pesquisas mais caro pelo qual você já teve que pagar. Duvida disso? Então é só se lembrar do abandono que a empresa demonstrou aos compradores da primeira caixa preta depois do anúncio do novo aparelho).

A Xbox Live, rede do console que liga os jogadores ao redor do mundo, foi um completo sucesso, principalmente entre os usuários americanos. Exceto por um pequeno detalhe: ela é paga.
A Sony demonstrou seu talento nato em “se inspirar no que deu certo” e lançou a PSN, uma rede totalmente gratuita que permite aos jogadores baixarem demos de games, trailers, acompanhar notícias e aproveitar o conteúdo online de todos os títulos do console. Tudo isso e ainda participar de uma rede social entre jogadores sem desembolsar um tostão sequer. Isso até o final de 2013...

Com o PS4 a Sony ataca de PSWorld: o mesmo serviço ruim. As mesmas desvantagens. As mesmas vantagens, só que agora pago.
O diferencial do qual a Sony tanto se gabava vai por água abaixo. O que acontecerá aos usuários da PSN gratuita após o lançamento do PS4? Só japoneses engravatados sabem a resposta

A Sony já tentou implementar o sistema pago na PSN, com a sua infame PSN Plus: um serviço pago que dá direito a descontos (risíveis) e certas regalias a usuários dispostos a pagar um certo valor de mensalidade. O problema é que agora, mais uma vez, a escolha é retirada do consumidor. E essa postura nunca é sinal de coisa boa vindo de uma empresa.


MOTIVOS PELOS QUAIS NÃO ESTOU NEM UM POUCO ANSIOSO PARA TER UM NOVO CONSOLE

Humph! Eu esperava rugas mais enrugadas...











Eu já vi isso antes, há uns oito anos com o lançamento do Xbox 360: jogos portados de uma geração atrás; lançamento premeditado; falso hype por parte da imprensa e de alguns consumidores; jogos aquém do esperado; curto espaço de tempo entre o anúncio e o lançamento...
Tudo isso, a meu ver, são indícios de que a Sony não tem a mínima ideia do que está fazendo com o seu novo console.
As promessas são muitas, mas acho que empresas de videogame não são lá muito famosas por conseguirem manter as suas promessas. É só se lembrar qual era o discurso da Sony no lançamento do PS3: o de que o console teria uma vida-útil de 10 anos. Corrija-me se eu estiver errado mas, na minha cabeça, 2006 + 10 anos deveria ser igual a 2016, não 2013...

Claro, diante de um panorama completamente diferente, seria um suicídio mercadológico manter uma promessa apenas para não quebra-la, mas esse é mais um indício de que a empresa não sabia do que estava falando na época e, provavelmente, não tem a mínima ideia do que está dizendo agora. Esse PS4, ao meu ver, não passa de um console intermediário (como os da Nintendo) que só vem para testar a reação dos consumidores. Que tal fazer uma pesquisa de VOx Populi antes de torrar milhões no lançamento de um console?

Tomara que esse não quebre tão fácil...

No mundo dos games, principalmente no dos consoles, nem tudo são um mar de rosas. Mas nem tudo são espinhos também.
As promessas da Sony (com relação aos jogos usados e jogatina offline) seriam pra valer ou ela está apenas dizendo o que os consumidores querem ouvir no momento? Por enquanto não podemos afirmar nada, mas acho que em algumas coisas a empresa acertou:

1-o controle do PS4 não será muito diferente do anterior. Para aqueles que não aguentam mais um joystick de quase vinte anos de idade isso não chega a ser uma sentença de morte. Mas a maioria dos jogadores têm o controle criado pela Sony como o joystick definitivo para jogar videogame. Eu fico com o meio-termo: ele é ótimo para algumas coisas (empunhadura; design; peso; duração da bateria) e horrendo para outras (alavancas analógicas; botões de gatilho chupados da Microsoft; botões pequenos e ruins de pressionar; durabilidade geral);

2-o PS4 não será tão mais potente que o seu antecessor. E sim, eu acho que isso é uma coisa boa.
A Sony vem demonstrando uma postura arrogante ao achar que basta chegar arrotando com um hardware de ponta e vários recursos os quais ninguém usa que as desenvolvedoras (e os gamers) virão abanando o rabo e se curvando diante da superioridade do seu console.
Os jogos casuais estão aí para provar isto: jogador de videogame só quer se divertir com bons jogos. Ele não se importa muito se o novo modelo poligonal da Lara Croft contará com 10 milhões a mais de polígonos que nas outras versões do jogo.

As especificações do PS4 eu desconheço. O que li, por alto, é que ele não terá um processador tão superior ao do PS3, mas contará com bem mais memória que o PS3 e até com mais memória que o apelidado de Xbox 720. E isso é muito bom.
Durante toda essa geração os jogadores de PS3 sofreram com conversões de jogos que rodavam com maior fluência nos PCs (claro, o PS3 tem hardware de 2005. Não tem como comparar) e apresentavam tempos de carregamento bem maiores no console preto da Sony.
Jogar um Fallout New Vegas com gráficos de um God of War 3 e zero de telas de load é um sonho cada vez mais próximo...


3-o PS4 ainda contará com um leitor de discos.
Mesmo anunciando que os jogos de PS3 não funcionarão no PS4 (sejam físicos ou digitais), a existência de um leitor de Blu-ray é um indício de que a Sony tem ciência de que nem todos os consumidores estão preparados para a total extinção de meios físicos de armazenamento de jogos. Se isto é uma tendência, que venha de forma comedida e respeitando os direitos e desejos daqueles que mantém a engrenagem da indústria girando. Edições de colecionador são uma boa alternativa para quem ainda não está disposto a abrir mão da sua coleção de jogos...

4-a PSN será paga.
Sim, isso é algo que não vejo com bons olhos. Mas é fato: quem consegue algo de graça vai resistir à ideia de ter que pagar por esta mesma coisa, mesmo que o valor seja justo. É só ver o caso de jogos pirateados e originais.
Então, se a PSN passar a ser paga mas o resultado final estiver a contento, posso dizer que pagarei de bom grado pelo serviço.

Desculpa  mas ainda não bateu AQUELA vontade de vender um rim pra comprar o console...

Por que será que eu não estou nem um pouco empolgado com o lançamento de novos consoles? Será que é porque estou cansado de ouvir a mesma coisa toda vez? Ou será que são as promessas nunca cumpridas? Deve ser um misto de tudo isso e mais um pouco que não consigo me lembrar no exato momento, aliados ao fator “friozinho na barriga” que toda mudança costuma causar...

A impressão que tenho é que estamos diante de uma indústria imatura, gananciosa e prepotente que não se contenta com os lucros exorbitantes que obtém a cada ano. Também não se contenta em estar à frente de vários outros meios de entretenimento (em lucro) e faz o que pode para tirar direitos do consumidor em prol de maiores ganhos. 
Mas isso é fato: os meios de negócio mudaram. A idade dos jogadores também mudou e algumas coisas não poderão mais ser como eram antes.
Ao menos não vou ter mais tanto trabalho para sacudir a poeira dos meus jogos...

Au Revoir!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

PLEA$E, WAIT...

A indústria de games não se cansa de incitar a minha ira. Ontem à tarde, quando já tinha me dado por satisfeito por ter cumprido a cota de uma postagem por semana, me dirigi ao site Game Trailers para assistir a mais um episódio da coluna Pach Attack. Pra quem não conhece, a coluna semanal publicada aos domingos (na verdade eu acho que sai um episódio novo sempre aos sábados, mas como só posso assistir aos domingos...) mostra o jornalista de games Michael Pachter respondendo a diversas perguntas dos leitores a respeito da indústria de games e tendências mercadológicas.

A quem não conhece, fica a dica, caso seu inglês “ouvido” esteja em dia, claro. Ao blog Neogamer fica a dica também, para que algum corajoso colaborador aceite o desafio de traduzir e legendar os episódios toda semana.
Aliás, gostaria de aproveitar o espaço para elogiar o ótimo trabalho dos colaboradores e mantenedores do blog, que prestam um excelente serviço àqueles que não dominam o idioma inglês, traduzindo e legendando os episódios do Angry Videogame Nerd e outros.

Bem apropriada essa imagem...











Bem, o fato é que assistia ao vídeo de ontem quando uma pergunta do Twitter me chamou muito a atenção. Nela, questionavam ao Michael Pachter sobre a tendência das empresas, pasmem, COLOCAREM PROPAGANDAS NAS TELAS DE LOAD DOS JOGOS. Isso mesmo que você entendeu: a indústria de games não cansa de achacar os jogadores e consumidores que colocam o pão em suas mesas e agora pretendem criar uma nova tendência de propaganda, violando os nossos momentos de reflexão sobre como completar aquela quest que fica no outro lado do continente de Tamriel ou o nosso medo de topar com um furioso Deathclaw assim que a tela de carregamento terminar. A coisa ficaria mais ou menos assim, por exemplo...

BIOSHOCK

“Por que idolatrar uma bandeira ou deuses, quando podemos idolatrar o que há de melhor em nós mesmos: nossa vontade de grandeza”.

E aproveite para idolatrar Borderlands, o novo jogo de tiro da 2K por apenas U$49,99

“Mire na cabeça para causar mais dano”.

E onde você está com a cabeça que ainda baixou o novo DLC Mechromancer, do Borderlands 2?

Aqui a coisa ainda era levada na brincadeira...











A minha brincadeira está longe de englobar todas as funestas possibilidades que este precedente pode trazer. Michael Pachter, no vídeo, faz uma comparação entre o cinema e os games: estamos mais do que acostumados a consumir propaganda não solicitada, quando vamos ao cinema e conferimos os trailers de próximos lançamentos da telona. Mas o bom senso que inspira o jornalista a nos lembrar dessa tradição arraigada no cinema é o mesmíssimo bom senso que frisa justamente isso, que essa é uma tradição do cinema, não dos games. E digo mais: no cinema temos a alternativa de chegar no momento exato em que o filme começa ou ir ao banheiro ou comprar pipoca, tudo isso sem correr o risco de voltarmos e nos deparar com a cena do nosso herói morto no chão por causa da nossa ausência de reação.

Toda essa especulação teria uma razão de ser: com a inserção de propagandas nas telas de load dos games, o preço dos mesmos seriam reduzidos ao consumidor final. Sinceramente, nem quero me dar ao trabalho de tentar entender a linha de raciocínio que dá fundamento a tamanho absurdo. Queria apenas concordar com a opinião de Michael Pachter, a de que a tal redução de preços não chegaria de fato a se tornar realidade. Se chegasse, dificilmente transbordaria do campo do irrisório para o do significativo.
E fico imaginando que a tentativa de implementação dessa nova estratégia de propaganda abusiva seria uma total admissão de que os desenvolvedores nem tem nem nunca tiveram a menor intenção de acabar com um inconveniente para 9 entre 10 jogadores de videogame, que são justamente os famigerados loading times.

A indústria de videogames é bilionária. Há muito já ultrapassou, em lucro, outras grandes indústrias do entretenimento como cinema e música. E eu fico aqui pensando, com meus botões de joystick, o quanto softhouses como a Bethesda lucraria com jogos como The Elder Scrolls ou Fallout, que nos consoles chegam a torturar o jogador com loads de mais de um minuto de duração. Some a isso o risco do logo de algum futuro blockbuster dessa gigante dos games ficar cauterizado em nossas retinas por causa de tanta espera...

O mercado atual de games, se não está completamente dominado, está sendo bastante influenciado pelo modelo americano de linha de produção exagerada. Vemos, atualmente, grandes empresas japonesas que antes ditavam rumos tentando se adequar ao modelo de "mais para mais lucro" e destruindo, no processo, grandes nomes de franquias outrora consagradas nos games. Franquias essas que alcançaram o estrelato com uma mentalidade extremamente oposta, a de criar com qualidade sem colocar o dinheiro na frente dos bois.
A mentalidade extremamente capitalista do modelo americano não é nenhuma surpresa, visto que foi justamente ela que possibilitou que uma ex-colônia inglesa alcançasse o status de principal potência econômica do mundo através de dívidas de guerra com grandes países europeus.
E menos novidade ainda é o resultado do modelo de negócio americano na pré-adolescente indústria de games. Na década de 80 os americanos conseguiram destruir o mercado de videogames na América do norte com o Atari e seus clones de baixíssima qualidade. Foi necessário o esforço heroico de um encanador bigodudo para recuperar a vontade dos jogadores americanos por jogos de videogames. Ao menos jogos de console, pois a indústria de games de PC deve ter dado graças aos céus pelo crash da indústria e pela autodestruição acelerada do Atari e seus clones.

Nem olha pra mim! Eu só quero voltar pra casa!















O fato é que, pela primeira vez em trinta anos, eu estou temeroso com relação a minha relação de gamer-consumidor. Nunca o jogador e comprador de videogames foi tão testado, insultado, acuado e ao mesmo tempo negligenciado por uma indústria que deveria dar o mínimo de valor à mão que a alimenta.
A solução é evitar ao máximo de morrer em um jogo, e ficar dando voltas no mesmo cenário para evitar de ser bombardeado com uma avalanche de comerciais sobre o quadragésimo oitavo DLC do COD, a roupa nova da Chun-Li no Marvel VS Capcom, a ferradura reforçada pro Pé-de-Pano no The Elder Scrolls 6: Elsweyr...


Au Revoir...

domingo, 6 de janeiro de 2013

PRISÃO SEM MUROS



Jogos de videogame, volta e meia, são alvo de toda sorte de acusações por parte daqueles que (em geral) não compartilham do mesmo amor que nós por esse meio de entretenimento.

Jogos fazem apologia à violência. Jogos alienam. Jogos servem como cano de escape da realidade. E jogos desestimulam as interações sociais entre crianças e jovens.
Alguns desses fatores podem até se confirmar como verdade, mesmo com a palavra “jogos” podendo ser substituída por “filmes” ou até mesmo, em uma comparação mais radical, “drogas”.
Mas, dessa última acusação eu discordo veementemente.

De forma alguma não me atenho ao argumento da facilidade de interação devido a modernidades como conexão de banda larga e internet em geral. Me atenho às interações mais básicas mesmo, que eram fundamentadas ao mesmo tempo em que a nossa própria personalidade vai sendo construído durante a infância e pré-adolescência.
 Traduzindo para o português: posso afirmar, com plena certeza, que uma boa parte das minhas amizades aconteceu por causa de games, ou tendo os mesmos como intermediário. A maioria masculinas, confesso, pois jogos ainda são, infelizmente, um tabu para as mulheres. A prática assídua de jogar games, pelo menos, ainda é.

Mas o que quero dizer é que muitas das pessoas (algumas conheço há uns dez anos, no mínimo) com as quais mantenho uma séria e duradoura relação de amizade, eu conheci por causa de jogos eletrônicos, por meio de antigos e divertidíssimos rituais: levar uma “fita” de SNES para a casa de um conhecido; organizar campeonatos de jogos, com preferência para o “multiplayer” (como Super Mario Kart, Street Fighter ou Mortal Kombat); praticar muito bulling aos perdedores (no sentido “saudável” da palavra, se é que existe) e voltar para casa com a “fita” em questão e um grande sentimento de vitória ou derrota, além da pavimentação de boas amizades.
E olha que aos rituais não estou incluindo as freqüentes visitas às casas de jogos, ambiente mais que perfeito para interagir socialmente e discursar sobre qual arma evolui mais rápido as matérias do Cloud.

Sinto muito, Liara: vai ter que comprar seus próprios games de Playstation 14...

(não) Deixando o saudosismo de lado, posso dizer que gostava muito dessa época. Época essa que, se depender de uma certa empresa multinacional cheia de cifras nos olhos, está para acabar.
Isso porque a toda-poderosa Sony anunciou o desenvolvimento e patente de uma “nova” tecnologia que impede o uso de jogos usados em diferentes consoles. Nova entre aspas mesmo, pois a ideia é mais do que antiga. A de tentar tolher a liberdade do ser humano, pelo menos, é.

E esse tipo de prática não só vem dando muito certo como parece estar sendo aceita sem muita resistência por aqueles que veneram a liberdade de desbravar extensos mundos digitais no cantinho de seus quartos. É só parar e se lembrar do exemplo não muito distante do jogo Diablo 3, lançado no ano passado: a campanha principal, mesmo sendo offline, só pode ser aproveitada se o jogador dispor de uma conexão de banda larga. Seria essa uma medida para garantir uma espécie de controle de qualidade ou suporte aos jogadores? Ou uma espécie de “trava ideológica” para assegurar que os gamers conheçam o jogo da forma que seus criadores o idealizaram? Ou seria, ainda, uma medida própria da empresa para burlar práticas de pirataria com seus produtos visando o benefício próprio? Eu fico com a terceira opção.

A Sony tenta se justificar, afirmando que o objetivo é “restringir de forma confiável o mercado de jogos de segunda mão. Como resultado, o comércio de jogos usados será suprimido, o que por sua vez reforçará o retorno de parte do lucro das vendas de volta para os desenvolvedores”.
Diante de tamanho despautério, adoraria que me explicassem o sentido do trecho “forma confiável” e também me traduzissem o sentido da parte final da declaração.
Mas traduzir algo tão óbvio é tarefa das mais fáceis, então eu mesmo faço: A LIBERDADE DO JOGADOR EM USUFRUIR DE UM OBJETO DA FORMA QUE LHE CONVIER EM TROCA DE MAI$ LUCRO$ PARA UMA INDÚ$TRIA BILIONÁRIA QUE (MESMO SE CANIBALIZANDO) VAI MUITO BEM DA$ PERNA$.

Provavelmente tal medida não causará muito impacto em países mais desenvolvidos culturalmente, onde games podem ser comprados ao equivalente que o brasileiro costuma pagar em uma entrada de cinema. Jogadores de PC, acostumados às maravilhas do Steam, dificilmente tomarão conhecimento da proporção e do perigo que este precedente abre. Mas, como eu mesmo acabei de dizer, tudo isso pode ser mesmo apenas uma questão de precedentes. É só se lembrar o que estavam tentando fazer com o Steam aqui no Brasil e o leque de (preocupantes) possibilidades se abre como uma planta carnívora faminta prestes a acabar com o livre-arbítrio que todo possuidor deve ter sobre um bem possuído.


A SONY QUER FALIR

Um minuto de silêncio...












O título acima foi um comentário que li no mesmo site onde tomei conhecimento da notícia (como sempre, Omelete.com.br). E não acho exagero por parte de seu autor não.
Se a Nintendo se acha gabaritada a decidir pelo consumidor e a Microsoft tenta (e consegue) ganhar mercado da maneira que pode, a Sony vem apresentando uma clara postura de arrogância e autoritarismo, dignos de uma empresa de ego inflado por ter subido ao pódio durante duas gerações seguidas (PS1 e PS2, só pra deixar claro) e que ainda não percebeu que não é mais assim que a banda toca.

Munida de super computadores abarrotados de recursos natimortos e reconhecimento de mídias irrelevantes, a empresa parece não ter consciência da realidade nos tempos atuais.
O consumidor seja de games, música ou qualquer outro meio de entretenimento, está cada vez mais "promíscuo" quando se trata de dar suporte à empresa X ou fabricante Y. E quer saber? É assim que a roda do capitalismo gira: a procura é o que dita as leis, e não a oferta de empresas prepotentes que não levam em consideração o fator mais importante quando se lida com seres humanos: a imprevisibilidade.

É essa a forma que a indústria (generalizando mesmo, pois se os jogadores não abominarem a ideia, certamente a prática será o padrão) tem de combater a pirataria e proteger os direitos de seus produtos? Tolhendo os direitos de quem, justamente, sustenta e dá suporte à indústria?
É certo que fatores como pirataria e mercado de usados contribuem para o surgimento de tais artifícios, mas investir em tecnologias com o propósito de encarcerar os consumidores que “andam na linha” não me parece ser uma das melhores formas de lidar com o problema.
Ah, e vale lembrar que a nova tecnologia da empresa também se alastra a filmes, músicas e aplicativos de toda espécie... Fica a oportunidade de reflexão no ar...

terça-feira, 20 de novembro de 2012

UM HOMEM ESCOLHE. UM ESCRAVO OBEDECE


A notícia abaixo me fez "perder" alguns preciosos minutos da minha volta ao trabalho para escrever este post.

"Mass Effect 4
 BioWare pergunta o que os fãs esperam
Produtor usa o Twitter para conhecer os jogadores

O produtor executivo da BioWare, Casey Hudson, perguntou em seu Twitter qual o período histórico que os fãs gostariam que Mass Effect 4 se passasse: antes os depois dos acontecimentos da primeira trilogia da série.
Não é a primeira vez que Hudson faz uma pequena pesquisa com os jogadores. Se você é fã da franquia, vale a pena seguir o produtor e deixar a sua opinião. A versãoExtended Cut de Mass Effect 3 foi lançada como um DLCgratuito."

O texto acima foi retirado do site Omelete. E aí eu pergunto: O QUE DIABOS ESTÁ ACONTECENDO COM A INDÚSTRIA DOS VIDEOGAMES?

Onde foi parar aquela época em que os desenvolvedores SABIAM o que estavam fazendo, pois passavam anos trabalhando para entregar um produto e davam um belo PHODH@CI para jogadores mimados por ferramentas como Twitter e Facebook, quando estes vinham com o típico mimimi de pessoas desocupadas que foram mimadas pelo Twitter e Facebook?
Cadê AQUELA certeza de que estava indo no caminho certo, mesmo "against all odds", como nos casos clássicos de Resident Evil 4; Metroid Prime; Tomb Raider (aquele que a Lara Croft morre) e etc.?
Aonde foram parar os colhões de fazer um jogo totalmente em 2D, voltado para um público 101% hardcore e nem se importar se as vendas alcançariam menor ou maior público (como no Valkyrie Profile, o melhor exemplo que me vem à cabeça no momento)?

 O que seria da morte de Crono se os fanboys de RPG decretassem que ele era legal demais pra ficar fora do jogo (mesmo que brevemente)? Onde estaria a criatividade da série Final Fantasy se os chorões de plantão não conseguissem se adaptar à mudança de universo a cada título lançado (ok. péssimo exemplo)? O que seriam dos fãs do Netherworld se maioria ditasse que nenhum jogo de luta seria melhor que Street Fighter 4?

Sinceramente, fico cada vez mais preocupado com o rumo que o meu entretenimento predileto vem tomando. 
Vendas, mais do que nunca, ditando decisões que nunca deviam sair do âmbito do criativo. Jogos se travestindo de outros gêneros pelo puro receio de não agradar a gregos e troianos. Jogadores decretando que não gostaram de determinado final da franquia x, obrigando os criadores a sair correndo para preparar um DLC de encerramento de enredo. Só falta alguém me dizer que, daqui a algum tempo, seremos obrigados a comprar um jogo incompleto que só poderá ser plenamente aproveitado mediante o pagamento de quantias futuras, por meio de download. Ops! Acho que agora é tarde...

Au Revoir!