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sexta-feira, 25 de março de 2016

ANÁLISE: FALLOUT 4 AUTOMATRON





















“Esse DLC tem tudo pra ser muito legal, se for feito do jeito certo...”

Ai, ai. Pra quê eu invento de soltar essas frases proféticas nos meus textos...

Pois bem, Automatron é o primeiro de um pacote de três DLCs anunciados pela Bethesda no começo do ano. Eu já fiz um post sobre isso no blog, então clique neste link para saber um pouco mais das minhas opiniões sobre o assunto.

Pra este post, eu vou assumir a mesma postura de escrita que a Bethesda assumiu para a confecção de seu conteúdo baixável, ou seja: SEREI DIRETO, APRESSADO E POUCO MINIMALISTA. E só por essa frase você já deve ter percebido que as notícias não são nada boas com relação ao Automatron.


O INÍCIO






















Eu comecei um novo jogo de Fallout 4 no mês de janeiro. Criei uma personagem feminina chamada Nora, o nome padrão da esposa do protagonista do game (que eu batizei de Albert). Alterei a dificuldade para Survival, mas decidi procrastinar a minha segunda incursão no vasto mundo do game para o momento no qual será lançado um patch que adicionará várias melhorias a esse nível de dificuldade (basicamente, as mesmas necessidades fisiológicas vistas no modo Hardcore do Fallout New Vegas).

Com o lançamento do DLC Automatron, eu decidi retomar meu save com Albert (que já vai na casa dos 8 dias, 19 horas e 21 minutos de duração) e ingressar no novo conteúdo gozando de todas as vantagens evolutivas que eu amealhei nesse save principal.

A ideia era fazer uma estimativa da duração de Automatron, subtraindo o tempo gasto com esse DLC do total do meu tempo de jogo. Isso me daria uma noção de tempo de jogo do novo conteúdo. Mas o descaso da Bethesda com este DLC foi tanto que eu nem cheguei a precisar realizar tal cálculo: Automatron é tão curto que eu consegui completá-lo NO MESMO DIA QUE REALIZEI O DOWNLOAD. Mas estou me adiantando um pouco. Vamos por partes.


E agora? Quem poderá nos defender dos abusos da Bethesda Game Studios?

Automatron conta a história do Mecanista, um maluco aficionado por máquinas que decide soltar um exército de robôs na Commonwealth para ajudar a melhorar um pouco a situação do lugar. O problema é que os robôs do Mecanista têm uma noção um pouco diferente do termo “ajudar” que nós, seres humanos, possuímos, e decidem que a melhor forma de ajudar o ser humano é abreviar o seu inevitável sofrimento.
E se você já leu qualquer livro de Isaac Asimov, sobre robôs, deve ter ficado com aquela sensação “gostosa” de Déjà vu típica de porcarias apressadas, feitas nas coxas, como parece ter sido o caso desse primeiro DLC do Fallout 4.

Pois bem, continuando a “história” de Automatron, nós somos inseridos na quest principal através de um pedido de socorro captado por uma frequência de rádio, um recurso narrativo nunca usado antes em outros DLCs dessa empresa. E sim, isso foi um sarcasmo da minha parte, caso o leitor não esteja familiarizado o suficiente com os jogos dessa desenvolvedora.


Eu confesso: esse capacete de Eyebot do Enclave é bem legal.

Até aqui nada de muito grave, visto que o jogo precisa de uma forma rápida, acessível e prática de apresentar o DLC ao jogador. Imagina se a Bethesda coloca um conteúdo extra no jogo que dependa de horas de exploração para ser encontrado? Simplesmente não ia funcionar, concorda?

O enredo continua e nos apresenta Ada, uma Assaultron que nos serve de anfitriã ao DLC e de ajudante nos momentos de peleja. Antes que eu me esqueça, Ada teve sua caravana atacada por um bando de robôs controlados pelos Rust Devils, uma gangue de Raiders que usa partes mecânicas como proteção de corpo, e se apossam de qualquer ser cibernético que encontrem pelo caminho, para fins de desmanche e/ou escambo.

Mas vá guardando a sua empolgação em cima de quaisquer elementos narrativos acerca desse DLC: NENHUM elemento “novo” apresentado em Automatron chega a ser mais bem desenvolvido durante a curta duração deste conteúdo. Nem mesmo a quest principal, que se resume a encontrar, junto com Ada, algumas peças que servirão para localizar o covil do Mecanista (algo mais ou menos como aquela parte da main quest do jogo principal, na qual temos que encontrar um chip para entrar no Instituto).


Prepare-se para combates explosivos no Covil do Mecanista.

Por falar no covil do Mecanista, ele não passa de uma fábrica qualquer de montagem de Robobrains, aqueles robôs pentelhos dos Fallout 2, 3 e Vegas, que usam um tipo de arma sônica contra você. Se você é fã doente desses inimigos (fico me perguntando quanto dano mental seu cérebro sofreu, ao longo dos anos), vai se deliciar com os arquivos de áudio e texto encontrados no lar do Mecanista, que abordam as origens desse controverso robô que funciona em conjunto com um cérebro humano.

Nesta dungeon não há nada de especial que não tenhamos visto em outras localidades muito melhores e mais bem desenvolvidas no restante do mapa. Mas se você acha que enfrentar uma horda interminável de robôs é uma experiência especial em um jogo, Automatron é a sua praia.



O QUE HÁ DE NOVO EM AUTOMATRON?






















Todo DLC dos jogos da Bethesda conta com uma gama de novos elementos, tomando a experiência principal de jogo como base de comparação.
Armas novas, novos inimigos, perks exclusivos, várias quests e sub-quests.
Esqueça tudo isso. Não é nada do que você vai encontrar neste DLC do Fallout 4.

Os inimigos “novos” se resumem a uma tonelada de robôs montados com pedaços de peças aleatórios. Bem, se você levar em conta que a ideia do DLC gira em torno do Robot Workbench (uma estação na qual você pode criar um ajudante robô ao seu bel prazer), esse detalhe não é de todo ruim.


A escrotidão sincera de Jezebel me rendeu boas gargalhadas.

Já as armas são um detalhe do qual eu tive que fazer um esforço para perceber que realmente estavam lá. A Assaultron Head, uma cabeça de Assaultron que pode ser usada como canhão laser, é divertida de usar, mas totalmente frustrante a curto prazo, visto que ela causa um enorme dano radioativo em você quando carregada.
A Tesla Rifle é a clássica arma de DLC que fica linda na sua estante, mas não serve de merda nenhuma contra a maioria dos inimigos que serão enfrentados no jogo, independente do seu nível de evolução (alguém aí se lembrou do Gauss Rifle, de Operation Anchorage?).


A cabeça do Assaultron tinha potencial pra ser ainda melhor que a medíocre Alien Blaster
no Fallout 4. Obrigado, Bethesda, por mais esse balde de água fria.

As outras se resumem a espadas montadas através de pedaços de outros robôs, como o Assaultron e o Mr. Handy. Tão empolgantes quanto jogar uma partida de damas contra si mesmo.

A ajudante Ada, além de ser totalmente customizável, possui uma personalidade bem agradável e passível de empatia, devido a sua culpa por não ter conseguido ajudar seus companheiros de caravana que foram mortos pelos Raiders. É incrível a capacidade da Bethesda de fazer o jogador se importar até mais com um NPC que não passa de um amontoado de peças e parafusos, que com outros, feitos de carne e osso.

Mas pelo menos os criadores acertaram em uma coisa: um novo DLC pede um novo minigame pra jogar no Pipboy, e com isso somos presenteados com o Automatron, um joguinho de ação que me lembra muito um excelente jogo de SNES, o Super Smash T.V.


ROBÔS, ROBÔS E MAIS ROBÔS...






















A frase que estampa a capa deste DLC é o melhor jeito de resumir a experiência com Automatron: uma grande batalha contra uma horda quase interminável de robôs (apesar de que o confronto com o Mecanista é bem empolgante e tenso), dividida em três momentos: uma quest preliminar pela busca do covil do Mecanista; a exploração do covil em si; e a sua cara de bobo ao perceber que gastou trinta reais em um conteúdo que pode ser finalizado em uma tarde apenas, ou até menos, se você colocar no nível easy e passar correndo pelos combates.

Automatron é tão curto que fiquei na dúvida se não tinha feito nada de errado que bugou a quest e me impediu de ver o resto do conteúdo planejado pela Bethesda.
Apesar do ótimo tema ambiente do covil do Mecanista, que me lembra o filme O Exterminador do Futuro, não tem nada em Automatron que vá perdurar na sua memória depois que o console for desligado.


Errata da frase acima: eu NUNCA vou me esquecer desses
robôs catando milho desesperadamente, no covil do Mecanista.

Com este DLC, parece que a Bethesda finalmente está se rendendo ao estilo Capcom de conteúdo, cobrando cada vez mais por cada vez menos em seus produtos. E eu me refiro apenas aos conteúdos extras, baixáveis. É bom deixar bem claro que Fallout 4 é um dos maiores jogos que você vai jogar na sua vida, e Automatron vem pra destoar completamente da magnífica experiência que tivemos com o jogo principal, nos deixando com a dúvida de que o DLC foi realmente desenvolvido pela mesma equipe do projeto principal.


VALE A PENA ADQUIRIR AUTOMATRON?

A resposta é bem simples, preguiçosa e direta, assim como o conteúdo em si lançado pela Bethesda: NÃO. NOTA FINAL: 2,5.


Nem a oficina de robôs mantém o interesse do jogador nesse DLC.
A Bethesda conseguiu criar um conteúdo extra ainda pior que o infame Operation Anchorage.

Não gaste seu dinheiro com este conteúdo. Automatron perde completamente aquele sentimento dos DLCs anteriores lançados pela Bethesda, o de tirar férias do jogo principal em uma aventura tão longeva e profunda que te fazia chegar ao cúmulo de esquecer do mundo principal do jogo.
É uma das maiores bolas-fora que eu já testemunhei com um conteúdo de DLC lançado por uma empresa. E olha que nessa conta eu estou levando em consideração publishers como Capcom e EA.

Automatron é uma piada de mau gosto. Um insulto ao histórico de ótimos e duradouros DLCs vistos em jogos como Fallout 3 e Vegas, Oblivion e etc.
É um sinal claro de começar com o pé esquerdo mostrado pela Bethesda, e eu temo pelos próximos conteúdos baixáveis do Fallout 4, assim como temo pelo futuro das franquias dessa desenvolvedora, caso essa seja filosofia de mercado adotada daqui pra frente.


Essa imagem fica de  lembrete, pois pelo jeito a Bethesda se
esqueceu como se faz um DLC de peso pra um jogo.

Se você ainda não jogou o Fallout 4, não fique com a má impressão causada por esse texto do DLC. Espere uma promoção na Steam, de preferência uma que agregue todos os conteúdos adicionais em um pacote só, e aproveite um dos melhores e vastos mundos já criados para um game nos últimos anos. Mas nem se preocupe com a existência de Automatron: ele nem é digno da sua atenção.



Au Revoir.

6 comentários:

  1. Esse é o segundo motivo pelo qual eu só compro o jogo dps q sai todas as dlc's rsrs dá uma tristeza de gastar dinheiro em algo q vai me decepcionar e eu já tive experiências assim, como eu não tenho certeza de nada prefiro esperar.
    Que vergonha essa dlc, é sério q vc zerou no mesmo dia q comprou?! Fiquei chocada agora. Essa corrida em busca de dinheiro tá foda, mas isso não me pega.

    Ps: vc vai fzr review de TES: Oblivion? Ainda tenho esperanças.

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  2. O pior é que tem gente que ainda tenta colocar panos quentes na atitude da Bethesda, arjumentando que ele tem pouca coisa porque é barato. Infelizmente é a pura verdade: eu baixei de tarde e concluí de noite. rsrsrsrsrs. É rir pra não chorar.

    Sobre o TESO, eu não prometo, mas provavelmente eu farei o review dele na ocasião em que a Bethesda anunciar o novo Elder, assim como eu fiz com os posts temáticos do Fallout no ano passado. Isso se eu tiver tempo, claro.

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  3. Vish, a Bethesda desaprendeu a fazer uma DLC bacana? Quero uma DLC igual o The Pitt ou Broken Steel, ficar só andando e atirando em robôs não parece uma boa idéia. Nah, agora minhas espectativas pra DLC tão perto do buraco... Faça uma coisa decente da próxima vez.

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  4. Fogo, cara. E o pior é que tem nego retardado na net defendendo uma merda dessas, dizendo que vale o preço de cinco dólares. A CD Projekt Red já lançou DLC gratuito mil vezes melhor que essa bosta, com uma quest e uma dungeon repetida pra "explorar". Uma piada de mau, como eu disse no texto. Uma ofensa a ótimos DLCs feitos no passado, como The Pitt, The Divide, Old World Blues e Point Lookout. Acho que até Operation Anchorage consegue ser melhor que Automatron, pois conta com uma área inédita pra jogar.

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  5. também me decepcionei muito com esse DLC, mesmo sendo assumidamente um pequeno DLC
    a expansão de maio, Far Harbor, é que é para ser a verdadeira "aventura longeva" com as quais estamos acostumados a ver com os games da bethesda

    Espero que Far Harbor suceda em me levar de volta à Commonwealth, pq Automatron não conseguiu

    Mais uma vez, blog sensacional
    Abraços

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  6. Mesmo sendo um DLC curto, baratinho, eu acho que a pisada de bola foi feia. Deviam ter liberado esse conteúdo de graça. É uma mancha no currículo de bons DLCs da Bethesda. Ainda lembro das mais de 20 horas que eu gastei com o Shivering Isles, do Oblvion. A jornada em The Pitt. Os bons momentos em Old World Blues (apesar de que esse é da Obsidian). Eram conteúdo que podiam, tranquilamente, contar como jogos à parte, de tão extensos e completos. Automatron eu vou fingir que foi um sonho ruim. E fiquemos na expectativa por Far Harbor mesmo...

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