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terça-feira, 5 de abril de 2016

ANÁLISE: DRAGON AGE INQUISITION






















De todas as séries que joguei nos últimos dez anos, posso afirmar com segurança que Dragon Age foi uma das mais conturbadas de todas.

Minha jornada em Thedas começou em 2010, um ano após a compra do PS3.
Sentindo uma carência enorme por um jogo de RPG tradicional naquele console, e depois de quebrar a cara com Demon’s Souls, finalmente eu dei uma chance ao RPG da Bioware do qual todo mundo estava falando. Afinal, um excelente trailer de jogabilidade e os jogos anteriores no currículo dessa desenvolvedora só poderiam ser um sinal de qualidade, não é mesmo?

Ainda não vou responder essa pergunta, até porque ainda não finalizei a minha aventura no primeiro jogo, e a vez dele vai chegar.
Mas o fato de eu ter trocado esse jogo pelo Little Big Planet (e não ter me arrependido nem um pouco desse ato) pode dar um sinal das minhas primeiras impressões acerca de Dragon Age Origins, o primeiro jogo de um universo medieval que parecia já existir e respirar por conta própria antes mesmo do lançamento do primeiro jogo. E essa sensação ainda persiste com os jogos atuais, até mesmo quando você desliga o videogame e vai dormir. Sim, tamanha é a capacidade narrativa da Bioware e a qualidade do lore dessa série.


Ah se o restante dos gráficos acompanhasse a beleza dessa tela...

Depois de uma pausa de cinco anos, pra me recuperar do trauma, masoquista que sou eu resolvi dar uma segunda chance ao jogo, aproveitando uma promoção do disco completo com todos os DLCs. Pra oficializar de vez o meu hastear de bandeira branca com a franquia, eu adquiri de quebra o segundo jogo também nesse pacote. Vai que, né?

A minha honra gamer de seguir a ordem natural das coisas me impediu de passar da introdução desse segundo capítulo (aquela mesma onde Varric é interrogado), mas não se engane: quem termina o Inquisition no nível Nightmare supera qualquer coisa. Eu sou brasileiro, não desisto nunca, e a hora de Dragon Age 2 ainda vai chegar. Assim que eu completar o primeiro...


DA2 faz muito mais bonito que o primeiro,  ao menos no quesito gráficos.

Também em 2015 chegou a hora de aproveitar uma baixa de preços (parecendo antever a crise econômica que está assolando o país) para adquirir o PS4, e dar continuidade a minha jornada gamer pelos mais variados estilos. E quer estilo melhor que um RPG de mais de cem horas de duração pra fazer valer a compra de um novo console?

Dragon Age Inquisition foi o very first game que eu joguei no Playstation 4, e agora você confere a minha análise sobre ele.


História
























Como eu falei na introdução do texto, a franquia Dragon Age conta com um lore tão absurdo que parece que as histórias e dramas pessoais dos personagens continuam a se desenrolar por conta própria, mesmo depois que você já desligou o console e foi dormir.

E um conselho que eu preciso dar ao leitor e interessado pelo jogo é o seguinte: vá ao Youtube, assista ao vídeo de saga do Zangado sobre a série, e só depois comece a jogar algum jogo dessa franquia. Não me entenda mal: eu não estou mandando o leitor cometer uma espécie de suicídio narrativo com os jogos dessa série. Longe disso.

O universo construído de Dragon Age é absurdamente rico. E a história, ao menos nos dois jogos que eu joguei (estou quase no final do Origins), é das melhores que eu já acompanhei em uma série. 
Mas Dragon Age em geral conta com um problema de excesso de textos e narrativa em todos os jogos. Aliás, QUALQUER jogo da Bioware apresenta essa falha. Dessa forma, fica bastante fácil se perder na enxurrada de textos e entradas de Codex que serão vistas durante o jogo.


-Varric: "Boa noite, Inquisi... MAS QUE PORRA DE ROUPA É ESSA"?

E mais uma vez: não me leve a mal. Não estou dizendo que não gosto de universos ricamente detalhados em um jogo. A questão é que a história da franquia fica muito mais suave de acompanhar se você fizer algum tipo de pesquisa pré-jogo a respeito dos eventos principais da história.

Eu não vou me prolongar muito neste tópico, até por causa da quantidade absurda de conteúdo. Mas cabem algumas observações acerca do contexto narrativo de Dragon Age Inquistion, que podem ajudar os marinheiros de primeira viagem na série, e sempre lembrando que tudo vai sair da minha parca memória, então não se horrorize se eu falar alguma coisa imprecisa.


-RESUMÃO DA SAGA DRAGON AGE PARA INICIANTES






















Dragon Age conta a história de Thedas, um mundo medieval típico lotado de raças diversas: anões; elfos; magos; criaturas mitológicas; orcs; e etc.
Quase todas essas raças acreditam no mito da criação que narra a história do Maker (Criador), um ser de pura luz e purpurina que deu origem a tudo que há. \0/

Existem pelo menos dois planos de existência em Dragon Age: o terreno, com criaturas boas e más que, às vezes, desejam se encontrar com o Maker em toda sua glória; e o Fade, uma espécie de plano espiritual onírico que abriga os nossos maiores pesadelos, demônios que personificam sentimentos humanos (como Ira e Compaixão), e os espíritos. Quando um espírito consegue tomar conta do corpo de um mago, temos uma Abominação. Para controlar os magos e impedir que Abominações apareçam, temos os Templários, um grupo de cavaleiros e guerreiros que seguram a coleira do Circle of Magi, uma instituição especializada no treinamento de... magos.


O Ammer tinha razão: a deliciosidade ESTÁ na barba...

Depois da criação, alguns seres humanos decidiram ir atrás do Criador. Foi aí que a merda começou a atingir o ventilador: os grandes “sábios” conseguiram alcançar a Cidade Dourada (me perdoem se o nome não for esse mesmo. Lembram do “parca memória”?), um lugar de pureza e perfeição existente em um dos planos do Fade e que serve de moradia para o Maker.

O problema é que eles o fizeram em sua forma física, corrompendo suas próprias formas e dando origem aos chamados Darkspawns, uma raça de orcs que vive nos subterrâneos e que participam, de tempos em tempos, dos Blights.
Os Blights são uma espécie de guerra civil entre humanos e criaturas do submundo, na qual estas tentam, com o auxílio de tudo que não presta (Magistrados, arquidemônios, dragões e etc.), tomar o controle de tudo e currar o máximo de pais de família que conseguirem no processo.


"Eu vou acabar com essa putaria de Ferrugem é agora"!

Para combater o mal trazido com os Blights (uma palavra inglesa que significa “ferrugem”, mas pode ser entendida como “podridão”) foram criados os Grey Wardens, uma companhia de guerreiros que se submetem a um ritual capaz de lhes conferir habilidades úteis em sua tarefa, como sentir a presença do inimigo e outras vantagens mais.

De resto, espere encontrar no lore de Dragon Age todos aqueles temas já vistos em sagas como O Senhor dos Anéis e etc.: grandes confrontos entre os exércitos do bem e do mal; criaturas mitológicas poderosas; conspirações entre nações e seus reis; um carinha do mal que deseja destruir tudo pra depois conquistar; e por aí vai...


A SANTA INQUISIÇÃO






















Eu sei que o tópico já está ficando maior do que devia, mas um bom jogo de RPG deve ter como uma de suas maiores qualidades a história, concorda? É por essa razão que esse quesito do jogo deve receber um pouco mais de atenção do que eu costumo dar nos outros textos do blog.

E pode ficar certo de uma coisa: um dos grandes méritos de Dragon Age Inquistion é a sua história.

Inquisition começa com a destruição do Chantry, uma organização de magos que eu não lembro exatamente pra que serve no lore da saga (mais uma vez: parca memória...).
A tragédia ocorrida no Chantry deixou apenas um sobrevivente. No meu caso, Mahanon, um mago élfico de orelhas pontudas que lembra o vampiro Nosferatu.

O Escolhido, ou herdeiro de Andraste (Andraste, pelo que eu entendi do enredo, é a esposa do Maker, um tipo de santa), acorda da explosão que causou todo o miserê no Chantry com uma marca misteriosa em sua mão direita: a Âncora, uma runa de grande poder capaz de selar rupturas no Véu, a fina camada que separa o nosso mundo do mundo espiritual.


Advinha só: Corypheus quer dominar o mundo. Que novidade...

A missão do protagonista de Inquistion é derrotar Corypheus, um magistrado que havia sido derrotado no segundo jogo por Hawke e Cia., mas que voltou a vida de alguma forma. O objetivo de Corypheus é o de todo vilão unidimensional típico de grandes sagas medievais: reunir um exército de orcs (aqui chamados de Darkspawns), retornar à Cidade de Ouro e obter os poderes de um deus.

Cabe a você impedir Corypheus e descobrir o porquê de Andraste ter escolhido justo você, um mago apóstata (magos sofrem um ostracismo terrível nessa série), para carregar o futuro de Thedas nas costas. Ou seria não palma da mão?

Pra finalizar o tópico enredo, preciso atestar que Inquisition conta com algumas das escolhas mais tensas que eu já tive que fazer em um RPG. Só pra dar dois exemplos, sem entrar em spoiler, os dramas pessoais de Blackwall e Cole foram duas situações nas quais eu suei frio na hora de escolher um dos lados na roda de diálogos.


"E aí orelhudo, o que vai ser"?

E o final do game é do tipo Fallout, com o destino das principais “facções” sendo exibido por slides, com o impacto das decisões que você tomou ao longo do jogo.
A Bioware deixa bem claro que a história de Dragon Age não acaba por aqui. Ela segue em frente. Uma história rica como essa DEVE seguir em frente, pois o mundo de Thedas ainda tem muito o que contar. Mesmo que você não esteja lá para ouvir...


APRESENTAÇÃO






















Como este não se trata de um Review Supremo, farei uso do tópico Apresentação, ao invés de listar pontos como Gráficos e Som em separado.

Pois bem, o primeiro Dragon Age, o Origins, conta com um dos piores visuais e design de fases que eu tive o desprazer de jogar na geração passada. As texturas são sem vida, sem cor, totalmente lavadas. Nem parece um jogo finalizado, em certos momentos.

Pra piorar, o design das fases é repetitivo ao extremo, com localidades cinza e marrom que se parecem umas com as outras. Das expressões dos personagens nem se fala: vão do “mas que porra é essa” ao “vou desligar o console antes que esse manequim crie vida e salte da tela da TV pra me matar”.


Belos gráficos.

Veja bem. Eu não sou um jogador volúvel que acha que o sucesso de um jogo depende majoritariamente dos gráficos. Mas quando você tem um console que lança jogos do nível técnico de Resident Evil 5, Dead Space, Fallout 3 e Bioshock praticamente no mesmo ano que Dragon Age, fica difícil engolir um trabalho tão porco e mal-executado como o visto com esse jogo. Sem contar que gráficos ruins podem sim estragar a imersão de um jogador com um jogo, principalmente com relação à precisão na retratação de itens e situações.

Prosseguindo, Dragon Age 2 eu ainda não joguei. Na verdade, comecei um novo jogo nesses dias, mas não vou continuar até ter finalizado o primeiro. De loucura, já basta ter começado em uma franquia pelo terceiro jogo. Mas o que eu pude perceber em uma hora de jogo é que o visual mudou da água pro vinho. Não só o visual: o combate do segundo jogo parece ter sido acelerado em pelo menos 2X em movimentação e execução de golpes, um sinal de que a Bioware ouviu as críticas ao jogo anterior e tratou de corrigi-las.


Tem momentos que a vontade é só parar e curtir a paisagem...

Já no Inquisition, antes que você se esqueça do que se trata o texto, eu fico aliviado em dizer que o terceiro jogo da série, de longe, é o mais caprichado de todos.

Inquisition foi o primeiro jogo de nova geração que eu joguei. Quer dizer, nova entre aspas, pois ele também foi lançado pros consoles passados. E eu tremo na base só de imaginar como esse jogo deve ser nos hardwares mais antigos.

Aqui foi feito um trabalho realmente satisfatório. Não, Inquisition não é o jogo mais bonito que você vai jogar no PC, Xone ou PS4, mas nem de longe ele deixa aquele gosto amargo de trabalho de estagiário (com o perdão do clichê) que o primeiro jogo deixava em sua boca.


"Mas que porra de gráficos são esses, estagiária? Explique-se já!"

Como você pode constatar pelas minhas capturas no PS4, os gráficos de Inquisition não só estão a contento, como, vejam só, são capazes de GERAR PERSONAGENS BONITOS! Isso mesmo que você leu: existem pessoas bonitas no Dragon Age Inquistion, e se você contar com o mínimo de paciência e criatividade na criação de seu personagem, conseguirá jogar com um (a) personagem bastante agradável aos olhos.

Os efeitos em geral são bem legais, e volta e meia eu me pegava hipnotizado por um efeito de aço nas armaduras, ou texturas de pedra e vegetação encontrados nos cenários. Do design, infelizmente, não posso dizer o mesmo.

Gráficos bonitos não significam necessariamente um design criativo, inspirado. O fato de você ter ótimos ingredientes pra fazer um bolo (leia-se: hardware de nova geração) não quer dizer que o produto final seguirá essa mesma qualidade.


Isso é o que eu chamo de falha de design...

Mais uma vez, não me entenda mal. Não estou dizendo que o design de Inquisition é ruim. Apenas que ele não é muito inspirado. Os artistas da série possuem uma avalanche de material pra se inspirar. É só ler os textos espalhados no jogo que você verá isso. Mas as localidades são meio artificiais. Não possuem a alma de jogos como Skyrim, Fallout ou God of War no quesito design.

Nem sei como explicar. É uma sensação que eu tenho, a de que estou andando por cenários e ambientes deliberadamente montados por uma equipe de artistas 3D, ao invés de realmente me sentir mergulhado em um ambiente único, pitoresco e cheio de vida (como nos exemplos acima).


ATMOSFERA E AMBIENTAÇÃO






















Pelo tópico acima você já deve ter uma noção da minha opinião. Mas eu quero confessar que fui um pouco ranzinza ao julgar esse terceiro jogo.

A atmosfera de Inquisition é bem convincente, e faz um trabalho mil vezes melhor que as ruínas sem graça e as cidades acinzentadas do primeiro episódio.
A vegetação de Inquisition é belíssima. O jogo conta com uma variedade enorme de ambientes, com florestas; desertos; campos nevados; planícies; cidades destruídas; regiões costeiras com ondas gigantescas; e por aí vai.
A última coisa que você vai sentir com relação às locações deste jogo é a sensação de repetição.

Já no quesito exploração, que eu não sabia se devia encaixar neste tópico ou no de sistema, eu preciso fazer umas queixas que não me deixariam dormir à noite se eu não conseguisse colocá-las pra fora.


Prepare-se pra penar e vagar em alguns cenários do jogo

Os ambientes e cenários de Inquisition são chatos pra caramba de explorar. Não há incentivo à facilidade de exploração no jogo, muito embora que exista uma variedade interessante de coisas pra se fazer nas cerca de onze localidades abertas na aventura. O que eu quero dizer é que parece que o design foi planejado pra te atrapalhar de chegar aos lugares que você deseja (o jogo se utiliza do velho recurso de colocar uma montanha tapando a passagem, isso quando não coloca parede invisível mesmo pra barrar seu avanço).

Mesmo com a novidade do pulo e da varredura de área, executada com o botão L3, às vezes fica cansativo dar longas voltas em torno de um lugar, apenas porque os designers resolveram ser uns babacas que querem dar mais trabalho sem razão ao jogador. E não estou dizendo que o jogo devia ser linear nesse quesito. Apenas que muita coisa em Dragon Age Inquisition é desnecessariamente difícil, quando podia facilitar a nossa vida. E olha que nem estou me queixando do modo Nightmare de dificuldade, pois inventei de jogar um jogo que eu não conhecia nesse alto nível por minha conta e risco.


"Você é um guerreiro? Preciso de alguém capaz de dar um chute em uma parede."

Também há uma necessidade patética de ter em sua party um Rogue ou Warrior pra abrir portas e quebrar paredes, durante as dungeons. Se você joga com um time de magos, como no meu caso, terá que voltar todo o caminho pra trocar os membros da sua party, só pra ver um Rogue mexendo em uma fechadura, ou um guerreiro dando um chute em uma parede, coisa que QUALQUER personagem do time devia ser capaz de fazer.


SISTEMA






















Pra começar, o sistema de Inquisition gira em torno da War Table, uma mesa enorme de RPG na qual os nossos ajudantes planejam suas estratégias, levando sempre em consideração a sua ordem. Cada objetivo no mapa (que lembra muito o jogo War, de tabuleiro) deve ser completado com uma das três opções de aliados: Connections, liderada por Josephine, uma espécie de diplomata; Secrets, comandada por Leiliana, uma guerreira das sombras que usa furtividade e agentes infiltrados; e Forces, liderada pelo galã Cullen, encarregado de investidas de força bruta, com seus exércitos.

Tudo no jogo gira em torno da War Table: itens; materiais para fabricar itens; áreas novas no mapa-múndi; missões de julgamento de criminosos (as que eu mais gosto); ajuda a aliados; pesquisas de novos recursos para ajudar na causa da Inquisição; e tantas outras que não lembro no momento.


Preparando-se para a guerra... de pijamas!

E é aqui que reside, a meu ver, o maior problema com relação a esse jogo: NADA em Dragon Age Inquisition é bem sinalizado, ou fácil de entender. O sistema de craft, por exemplo, é confuso e pouco intuitivo. Ele demora demais pra gerar bons frutos de armas e armaduras. E muito provavelmente você já vai estar no final do jogo quando colocar as mãos nos melhores materiais para fabricação de runas, armas e acessórios. E tudo isso para, na maioria das vezes, gerar itens que aumentam apenas 2% em algum atributo.

Falando em atributo, não existe mais a possibilidade de customizar diretamente habilidades como força, mágica, destreza e etc.
As árvores de habilidades são as mesmas vistas nos jogos anteriores, com pouca coisa nova entre elas. Mas o problema é que tudo pode ser desbloqueado com todo mundo. Então, aquela graça de evoluir um mago para que ele se torne um especialista em magias de gelo simplesmente não existe aqui.


Os enigmas do Astrarium:, uma das coisas mais divertidas do jogo.

De fato, se me fosse incumbida a tarefa de resumir Dragon Age Inquisition em apenas um verbete, este seria “inconstância”. Você nunca sabe ao certo o que ativou determinado evento, ou o que deve fazer para alcançar o resultado x na jogabilidade. O problema é que acontece muita coisa sem que você se dê conta do porquê. Leva literalmente dezenas de horas pra matar a charada do funcionamento do jogo. Ao menos, quando isso finalmente acontece ele fica consideravelmente mais divertido.

O combate é um misto do que vimos nos outros jogos da série: nem é letárgico como no primeiro jogo e não é tão frenético como no segundo. Acredito que se eu não tivesse inventado de jogar no nível Nightmare eu teria conseguido me divertir muito mais com os entraves de Inquisition, que são bem dinâmicos e divertidos.
Na série Dragon Age como um todo os magos são uma espécie de metralhadora de magias. E como eu adoro jogar com magos em RPGs, só posso agradecer à Bioware por isso.


Gigante na área! Salve-se quem puder!

O que eu não posso agradecer é pelo sistema de MP e Cooldown de habilidades: demora muito pra poder lançar um feitiço especial novamente, e dificilmente você vai conseguir lançar mais que dois deles em sequência, visto que uma reles magia de gelo consome MAIS DA METADE DA SUA BARRA DE MP.
Ou seja: o combate de Inquisition, em vários momentos, se resume a uma eterna e maçante vigília a sua barra de MP e ao carregamento de habilidades.

De resto, tudo que pode ser feito em um típico jogo de mundo aberto (apesar de que este aqui não é totalmente de mundo aberto) pode ser feito em Inquisition: coleta de plantas para criar poções; itens inúteis aos borbotões, espalhados pelos cenários; realização de toneladas de quests; caça de inimigos maiores e mais poderosos, na forma de dragões; andar de cavalo pelos cenários; e etc.


PERSONAGENS






















Um enredo não seria grandioso e bem construído sem personagens à altura.
Se Inquisition manda muito bem na história, no elenco de personagens (controláveis ou não) ele manda ainda melhor.

O elenco de personagens de Inquisition segue a já altíssima qualidade dos outros jogos da Bioware. É composto por personagens tão sólidos e bem desenvolvidos que nos dão a impressão de que eles existem de verdade, e que seus temores, desejos e lamentações são o reflexo de uma personalidade que existe fora do mundo limitado pela mídia que comporta o game.

Sendo assim, nada mais justo que fazer uma pequena lista de todos os personagens controláveis disponíveis no jogo, bem como citar algumas ilustres participações de NPCs que vêm pra engrandecer a já rica experiência com Inquisition.

-O PROTAGONISTA






















Não importa a raça ou classe que você escolha: seu personagem será o chosen one, o escolhido, o Neo, encarregado de acabar com as rupturas do Fade e deter Corypheus.
Só você possui a Âncora, uma habilidade mágica na sua mão que permite selar brechas no Fade e realizar alguns truques mais, como materializar objetos e acender tochas de chamas espirituais.

Não há muito o que falar sobre Mahanon, meu personagem no Inquisition, até porque eu não utilizei o recurso de importação de personagem do jogo anterior, então não tem como eu perceber as nuances das decisões tomadas na aventura anterior.

O protagonista carrega o peso de ser o Inquisidor, o “herdeiro de Andraste” destinado a salvar o mundo. Eu nem sei se temos a alternativa de realizar um governo tirânico e ditatorial, por meio de nossas escolhas de diálogo, mas eu escolhi ser um soberano bonzinho e amante da justiça.

Apenas finalizando, eu gostei muito do peso e da responsabilidade de carregar nas costas a formação de uma nova facção e da tarefa de salvar o mundo. Inquisition conta essa história meio que evitando alguns dos clichês vistos em outros jogos/filmes, como excesso de militarismo, uma coisa que eu detesto em obras de cunho medieval.

-CASSANDRA






















Cassandra é uma templária. É ela que te encontra, depois da destruição do Chantry.
Cassandra é bastante rígida e durona, sendo que a sua estreia acontece no Dragon Age 2.

Ela é uma guerreira, e seus dramas pessoais envolvem uma peleja contra magos e um dilema se deve ou não aceitar o compromisso de se tornar a nova Divine da sua ordem.

Cassandra é muito gata, mas infelizmente não consegui desenvolver meu romance com ela. Provavelmente ela não curte elfos magricelos de orelhas pontudas, então acabei levando um fora. Talvez isso tenha mais a ver com o sistema de relacionamentos do jogo, que separa as preferências dos NPCs de acordo com certos critérios (raça, gênero, classe, suas respostas na roda de diálogos), do que com o nível de qualidade das cantadas baratas que eu joguei pra conquistá-la.

Uma das quests mais engraçadas do jogo envolve essa personagem, quando descobrimos sua predileção literária. Não posso entrar em mais detalhes pra evitar spoiler, mas essa quest do livro com Cassandra me fez rir copiosamente. É uma prova do poder da Bioware de criar personagens incrivelmente carismáticos e bem construídos.

-VARRIC






















Assim como Cassandra, Varric é uma gata. Brincadeirinha. Assim como Cassandra, Varric participou mais ativamente do enredo do segundo jogo, sendo que no primeiro ele é um NPC inexpressivo em Ostagar (se não me falha a memória).

Varric é um anão, especialista em arcos e atende pela classe de Rogue, aquela mesma que você vai precisar pra destrancar uma fechadura (baús não aparecem mais trancados, e tampouco existe o atributo Cunning pra encher o seu saco).
O anão transante, segundo o Zangado, é bastante útil em combate, sendo um dos personagens jogáveis que eu mais selecionei, quando não estava controlando meu mago orelhudo de pernas finas.

Além de exímio arqueiro e mentiroso compulsivo, nas horas vagas Varric exerce seu hobby de escritor de livros baratos de romance. E aposto que nesse exato momento as engrenagenzinhas do seu cérebro estão começando a funcionar para juntar os pontos. Cassandra... quest hilária envolvendo um livro... Varric é um escritor...

Os dramas pessoais do baixinho peludo envolvem quantidades massivas de Red Lyrium e uma tal de Bianca, que leva o nome da besta preferida dele e só sabe fazer besteira.
E não. Não consegui levar Varric pra cama. Nem tentei.

-SOLAS






















Solas é um mago: confere. Solas é um elfo: confere. Solas é careca, tem orelhas pontudas e parece com o vampiro Nosferatu: confere. Conclusão: eu criei um personagem principal, sem saber, que é uma cópia em carbono de um NPC que já existe no jogo. Parabéns pra mim mesmo, por essa prova de extrema criatividade em ferramentas de criação de personagens.

Passado o trauma, continuo. Solas é um mago estudioso do Fade. Ele tem uma enorme afinidade com espíritos, assuntos do mundo sobrenatural e artefatos da nossa raça, os Daelish. Ele é um mago, como eu falei, e esse simples detalhe já garantiu que ele participasse do time em 90% do tempo de jogo.

Solas sofre, junto comigo, todos os preconceitos atribuídos aos magos e elfos que existem no mundo de Thedas. Seus dramas pessoais envolvem uma busca por vingança e a tentativa de ajudar um espírito brother dele.

Esse foi outro que resistiu as minhas cantadas baratas. Confesso que eu sou um fracasso quando o assunto é levar pra cama NPCs mal-humorados em jogos de RPG.

-IRON BULL






















É um ser de chifres da raça quinari, ou algo assim. É uma raça misturada com dragão, especialista em combate bruto e bebedeiras sem fim noite afora.

Visualmente falando, Iron Bull é um personagem bem interessante. E confesso que me flagrei jogando com ele em alguns momentos da minha visita a Storm Coast. Tirando isso, ele é apenas um guerreiro genérico com habilidades de influenciar os atributos da party, por meio de suas habilidades de soprar um chifre.

Iron Bull é o mais próximo de um Kratos, ou Wolverine, que você vai encontrar em Dragon Age Inquisition. Ele dá muito valor a uma companhia de guerreiros que age sob seu comando, e seus dramas pessoais envolvem justamente isso.

Eu até que tentei dar umas polidas nos belos chifres ornamentados do grandalhão, mas ele deixou bem claro que o negócio dele é outro. Malditos NPCs puritanos da Idade Média...

-VIVIENNE






















É um membro da nobreza de Vaux Royal. Ela é uma maga, se é que esse termo existe.
Eu confesso que não gostei nem um pouco dessa personagem. Ela é preconceituosa, cheia de pompa e dá poucas razões ao jogador de se interessar por ela.

A maioria das decisões (corretas) que eu tomava no jogo eram acompanhadas por mensagens como “Vivienne desaprova isso”, e era assim que eu sabia que estava no caminho moralmente correto.

Ela é sarcástica de um jeito desagradável, parecendo aquelas pessoas metidas a chiques, da vida real, que não foram com a sua cara por nenhum motivo aparente, e sequer têm a pretensão de disfarçar isso.

Não sei se foi por falta de investimento no relacionamento com ela, mas os dramas pessoais de Vivienne não fizeram o menor sentido para mim. E eu tampouco me importei com isso. Tentei conquistar a deusa de ébano da aristocracia de Orlais, mas advinha qual foi a resposta dela? “Se existe alguma possibilidade de você e eu... Claro que não”!

Dane-se, sua vaca esnobe. Prefiro cortejar um High Dragon de eletricidade que tentar alguma coisa com você.

-DORIAN






















Pegue todas as más qualidades de Vivienne, inverta a polaridade e o resultado é Dorian, um mago aristocrata de Tevinter com extremo senso de humor (mesmo que muitas vezes a única pessoa rindo no aposento seja ele...).

Dorian é um homossexual confesso. E isso em uma época em que as pessoas eram queimadas na fogueira por terem pensamentos impuros. Com isso você tem uma noção de quanto ele se garante em combate, seja em campo ou nos longos e cansativos bailes da nobre sociedade de Thedas.

Dorian é ardiloso, levanta as maiores suspeitas em todos os aliados (por ser de Tevinter) e adora corromper as pessoas a sua volta. E ele foi o único personagem que conseguiu integrar a questão de sua sexualidade com os demais eventos do enredo, dando uma lição a empresas como a Bethesda, de que um elemento não deve ser colocado apenas para gerar marketing gratuito a um jogo.


A Bioware ainda lidera em maturidade com as questões de homoputaria nos games.

Os dramas de Dorian envolvem provar pra todo mundo que nem todo Tevinter é um mau caráter, ao passo que lida com os problemas afetivos envolvendo seu pai.
Dorian foi meu par romântico em Dragon Age Inquisition, e por isso só tenho a agradecer à Bioware por tratar de um assunto espinhoso com bastante maturidade e naturalidade no jogo.

-BLACK WALL






















Qual a utilidade de um Belmont depois que o Drácula já foi derrotado? Se a sua resposta é FAZER MERDA, como Richter no Castlevania Simphony of the Night, você ganhou um doce.

O drama de Richter é o drama de Black Wall, um Grey Warden que ficou desempregado depois que o Blight foi impedido, durante os acontecimentos do segundo jogo.

Black Wall é um guerreiro, mas ele passa longe de ser genérico. De longe foi o personagem controlável com quem eu mais joguei, quando não estava controlando o personagem principal. Ele tem uma aparência bem distinta, e suas armaduras e posturas de luta figuram entre as mais bonitas do game.

O drama pessoal de Black Wall é o melhor de todos os personagens. Não posso entrar em detalhes, pra não estragar a surpresa, mas a história de Black Wall me deixou verdadeiramente sem saber que decisão tomar, quando me foi cobrado um desfecho em seu caso.

Se dá pra conquistá-lo em um romance, eu só posso especular que não é com a raça/classe/gênero escolhidos por mim.

-COLE






















Cole é o personagem mais sem graça de todo o grupo. Ele é da classe Rogue, e é um espírito personificado que busca entender como funcionam os sentimentos humanos.

Sua história não tem graça, sua motivação é clichê e sua aparência é desagradável, diferente de personagens como Cassandra e Vivienne, que nos despertam a vontade de interagir nem que seja só pela beleza que exibem.

Apesar de tudo, sua história não é de toda ruim, e eu até que me vi interessado por ela em alguns momentos. No campo de batalha, quase não escolhi ele para jogar. E não me arrependo disso nem por um segundo.

-CULLEN






















É o bonitão que era monstruoso no Dragon Age Origins. Não que fosse culpa dele, claro: qualquer pessoa é monstruosa quando é representada pelo motor gráfico daquele jogo. Até a delícia da Morrigan. Pensando bem, acho que é impossível Morrigan ser uma baranga, não importa se estamos falando de um hardware de PS3 ou de Nintendinho.

De longe um dos personagens mais boa-pinta do jogo. Cullen é um cavaleiro viciado em Red Lyrium, e infelizmente não podemos jogar com ele. Ele também é o general encarregado dos seus exércitos, e sempre vai tentar resolver as missões na War Table da maneira mais truculenta e cheia de testosterona possível.


Conselho de amigo: se for beber, não aposte suas roupas!

Dá pra levar o bonitão de madeixas douradas pra cama, mas esse filho da pu$@ fez questão de me dar um belo fora logo nas primeiras horas de jogo, quando eu ainda nem estava familiarizado com o sistema de paquera do game. Provavelmente por causa da minha raça e gênero. Ou das minhas orelhas pontudas, que fazem cócegas durante o beijo...


CONSIDERAÇÕES FINAIS SOBRE DRAGON AGE INQUISITION






















Por muito tempo, Inquisition foi um fenômeno difícil de analisar. Por causa da bobeira de começar jogando no nível de dificuldade mais alto, acabei pegando um ranço não natural com alguns aspectos do gameplay desse jogo (como o fato de levar um trilhão de ataques pra matar um reles coelho). Mas depois que esfriei a cabeça e me familiarizei mais com a bagunça generalizada que é o sistema dele, minha impressão geral mudou da água pro vinho, a ponto de me sentir ansioso pela próxima incursão da série nos games.

NOTA FINAL: 7,9

Dragon Age Inquisition levaria uma nota bem mais alta, se não fosse pela sua autossabotagem: ele dificulta demais a própria vida e o entendimento do jogador com alguns aspectos, ora com explicações desnecessárias, ora omitindo informações vitais de gameplay que tornariam a experiência com o jogo muito mais fluente e agradável.


Muitas águas ainda vão rolar no universo de Dragon Age...

É fato que a Bioware aprendeu muito com seus erros dos jogos passados. A única coisa que a série precisa para deslanchar definitivamente como uma franquia referencial de seu gênero é corrigir as falhas de Inquisition e seguir em frente, replicando os pontos onde acertou.

Mesmo que pelo texto não pareça, eu me diverti muito em várias ocasiões com esse jogo. Ele possui cenários belíssimos, com um senso de grandiosidade e variedade de ambientes que me fazem esperar por mais, muito embora que eu não vá adquirir os DLCs que já existem para ele.

Espero ter notícias da série em um futuro não muito distante, e que a Bioware continue contribuindo para o gênero RPG medieval, com seus enredos fantásticos e com uma construção de mundo poucas vezes vistas em outras obras.


Au Revoir.

6 comentários:

  1. Cara! Pq vc jogou nesse nível de dificuldade? Toda vez eu começo um jogo no normal, ainda mais se eu não conheço. Essa Cassandra parece o Kakashi em relação a gosto literário kkkk
    Eu tava pensando em jogar Dragon Age desde o primeiro jogo, agora é mais uma motivação pra mim o/

    Off topic: resgatei um mangá do cavaleiros do Zodíaco G q iria pro lixo, esse mangá é bom? (Não, eu não curto CDZ).

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  2. É sempre bom entrar no blog e encontrar texto novo :)

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  3. Káh, respondendo suas perguntas: 1- porque eu sou louco; 2- nunca li nenhum mangá de CDZ. Os animes só recomendo a série original, até as doze casas, e todo o Lost Canvas.

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  4. Carlos Wilson, se eu não precisasse trabalhar e estudar, a ideia de frequência do blog seria de um post de dois em dois dias (claro que nem todos seriam gigantescos, lógico). Mas quando começam as provas da faculdade, já viu...

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  5. Analise incompleta , faltou falar sobre a Sera ,e sobre o jogo tem sim a opção de vc ser especialista em alguma skill , jogue e zere o jogo antes de fazer uma análise
    abcs

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    Respostas
    1. Se você acha que a análise está incompleta, meu amigo, escreva uma completa e melhor que a minha que eu terei o prazer de publicá-la aqui no blog. As fotos do post foram tiradas do meu PS4. Se você zerou o jogo deve ter reconhecido fotos da cutscene final, a da derrota de Corypheus. Minhas análises não têm pretensão nenhuma de serem completas, e sim relatar a minha experiência com o game. Não posso falar de um personagem que não desbloqueei. Abraços.

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