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quarta-feira, 29 de março de 2017

ANÁLISE: ALIENS COLONIAL MARINES























falar mal de alguma coisa da qual você não gosta é uma arte. Eu posso afirmar que alguns dos textos mais divertidos que eu li sobre games foram sobre aqueles (games) realmente ruins, que despertam um tipo de inspiração para escrever diferente daquela sentida quando estamos diante de uma obra de indiscutível qualidade.

Depois do fracasso de vendas e crítica que foi Aliens Colonial Marines em seu lançamento (fevereiro de 2013), eu já havia decidido não bater palma pra xenomorfo dançar comprando (e analisando) um jogo ruim como este, um daqueles casos em que sabemos que nada de bom pode sair da nossa experiência com um produto.

Acontece que eu me dei conta de que estaria perdendo uma oportunidade de ouro ao ignorar a ruindade de um jogo como ACM. Sim, eu confesso que há um certo prazer sádico em jogar um game que você já sabe que é uma bela porcaria. Mas, se é pra infelicidade geral do Mais Um Blog de Games e para o desconforto de todos, diga ao povo da Shadowlândia que eu jogo essa bosta!


História (0,0)



Aliens Colonial Marines vinha com a pretensão de dar continuidade aos eventos do segundo filme da franquia Alien. Quem me conhece sabe que não morro de amores por esse filme, sendo o menos favorito da franquia (o que não quer dizer muita coisa e não me impediu de assisti-lo mais de 20 vezes desde que parei de contar, já que eu sou completamente apaixonado por essa série).

Claro que não vou entrar em detalhes explicando os pontos onde o jogo ACM erra desastrosamente na sua tarefa de fisgar a atenção dos fãs de Aliens. Pra ilustrar o quanto isso deu errado, eu deixo os leitores com a seguinte pergunta: qual foi a última vez que você viu uma obra paralela possuir um conteúdo que fizesse jus ao original, ou mesmo que o superasse?

Então... Enter the Matrix e o jogo dos Caça-Fantasmas são apenas dois exemplos que consigo lembrar de que esse tipo de iniciativa (uma obra complementar que vai dar continuidade à história principal) nunca termina em boa coisa, principalmente para os fãs.

Não acredito que fizeram a maldade de arrastar Lance Henriksen pra essa bomba.
Um momento que o ator vai querer deletar do seu currículo...

Uma vez que não vou me prolongar em detalhes de enredo, posso me dedicar a falar que os eventos do jogo simplesmente não fazem o menor sentido, sendo muitos deles súbitos e sem muita explicação. Logo nos primeiros minutos da campanha acontece um acidente no corredor da nossa nave... E eu sigo sem entender porque raios é permitido aos marines disparar armas de fogo dentro de uma espaçonave em órbita, mas tudo bem. Você vai aprender com ACM que algumas perguntas não devem ser feitas, pois alguém pode acabar te dando a resposta (e acredite: nesse caso você NÃO vai querer saber mais).

Passados os minutos torturantes de tutorial, quando finalmente chegamos ao planeta, a nossa primeira missão é “Encontre e mate o xenomorfo”. Acho que esse foi o primeiro jogo dessa franquia em que é VOCÊ quem vai atrás do Alien, e não o contrário (isso num planeta com centenas deles...). Com duas horas de gameplay você vai chegar à conclusão de que os eventos desse jogo, quando não são patéticos, são repetitivos. Já na primeira sequência de ação é possível perder as contas de quantas vezes precisamos derrubar uma multidão de Aliens enquanto um NPC destranca uma porta. Eu, particularmente, parei de contar na quinta vez, apenas pra rir de uma cena hilária com os Aliens esmurrando e dando cabeçadas (!?!) em um vidro, tentando invadir a sala onde você está.

"Adeus, mundo cruel..."

Sem lógica, patéticos e risíveis são os acontecimentos de ACM. Eventos risíveis para um jogo ainda mais risível: um marine joga uma granada EM CIMA da única nave que serviria para nossa fuga, com a justificativa de que tinha um Alien sobre ela. Um outro, quando um chestburster está saindo de sua barriga, explode uma granada e destrói a passarela em que você se encontra. A impressão que fica é que os marines desse jogo foram treinados pela Loucademia de Polícia. Não consigo achar outra explicação.

Mais à frente, nossa lanterna quebra do nada, somos abduzidos por um Alien e acordamos na presença de um xenomorfo cego (?!?). Sim, eu sei, essa foi uma das ideias mais sem lógica já ousadas na franquia, principalmente se você levar em conta que o Alien é o organismo perfeito de localização, captura e eliminação de presa. Com mais essa eu aprendi que, quando não está sapateando impiedosamente sobre o legado da série, ACM está tentando pôr em prática conceitos totalmente estúpidos que não fazem o menor sentido.

Continuando, mais tarde uma marine de nome Cruz se comunica com seu pelotão, informando que acordou com uma criatura parecida com uma aranha em seu rosto, mas afirma que a mesma já está morta. Alguns personagens da história se contradizem o tempo todo: em sua primeira comunicação ela afirma que acordou ao lado de uma “criatura aracnoide” morta. 

"Véi, que aranha esquisita. Que será que ela faz?"

Num segundo encontro, ela diz que acordou e tirou o bicho da cara, mas que está tudo bem (afinal: ela acordou e removeu a criatura ou acordou ao lado da criatura morta? Se decide, caramba!). Sério que a essa altura do campeonato, com toda a informação disponível sobre o organismo alienígena, os marines sequer desconfiam que acordar ao lado de uma “aranha” nesse planeta não é lá um dos melhores diagnósticos sobre a saúde de alguém?

O jogo tenta construir uma atmosfera de suspense com elementos que o jogador (ao menos os fãs da série) e os próprios marines já deviam estar carecas de saber. Será que a Marine Cruz não leu o relato da tenente Ripley sobre o encontro com o Alien no Nostromo? Pra piorar, as observações feitas pela soldado acontecem em uma sala na qual podemos observar VÁRIAS radiografias de um facehugger expostas em um painel. Será que os personagens desse jogo são tão tapados quanto os roteiristas que escreveram seus diálogos?

O “enredo” de ACM não é apenas ruim. Se fosse só isso, os fãs da franquia estariam no lucro e eu não precisaria dar a ele uma nota inédita aqui no blog. Ele é ultrajante mesmo. Quer um exemplo de leve, pra não danificar demais seu cérebro? Quando pousamos no planeta, Bishop relata que um reator atmosférico de 40 megatons explodiu a colônia (a mesma que aparece no filme Aliens). Aí alguém, meio que pra justificar a possibilidade dos personagens explorarem o lugar, solta a seguinte pérola: “Essa explosão não me parece tão forte assim...”

"-Senhor, mas eu achei que esse marine estivesse morto..."
"-Não, não está. Ele está vivo."

PORRA! O lugar foi completamente DESTRUÍDO no segundo filme. Como a explosão não foi tão forte assim, minha caralha? Mas arrocha a mão no encosto da poltrona que tem mais: quando o segredo do Manifesto for finalmente revelado, você vai sentir o ímpeto de rir alto pra si mesmo:

-“Mas senhor, todos os marines da Sulaco foram mortos em combate! ”.
-“Não, não foram. Um deles está vivo”.

Por que, você se pergunta? Porque o enredo quer e ponto! Esse foi o melhor plot twist que o jogo tinha guardado na manga pra insultar o jogador fã do Aliens O Resgate. E quando não consegue despejar os quilos de fezes almejados em cima da franquia, ACM inventa coisas ainda mais absurdas pra tentar te surpreender: a teoria da placenta cancerígena é uma das baboseiras mais absurdas que eu tive que aturar desde aquela história do clone da Ripley, no Alien Resurrection (Só explicando pra quem teve o bom senso de não jogar: o jogo afirma que o embrião de Alien cria uma placenta que se une aos órgãos vitais do hospedeiro, lhe causando uma espécie de câncer generalizado...).

"Força, companheiros! Ainda faltam muitas cenas do filme pra gente copiar!"

Se você é um fã de Aliens e vai jogar apenas pra conferir como ficou a parte da colônia Hadley’s Hope, sinto estragar a sua diversão: os momentos em que exploramos os cenários do filme não passam de uma reprise do que já foi visto em Aliens. Há uma reunião sob uma blueprint em volta de uma mesa (porque no filme tinha); há sentinelas com zero de munição nos corredores (porque no filme tinha); e há facehuggers em vidros (porque, adivinha só...). Parece que o jogo espera ser perdoado de seus pecados ao evocar cenas clássicas dos mesmos filmes nos quais ele cospe em cima da mitologia. Sem dúvida, um dos piores fan services que eu testemunhei nos últimos tempos.

No final, depois de uma “luta” sem graça nenhuma contra a Alien rainha (que está lá só porque a Gearbox fez as contas e acabou percebendo que em todo jogo de Alien ela aparece), o jogador é obrigado a presenciar um bate-boca patético entre O’neal (o marine estereótipo de sul-americano que tem uma Smartgun infinita, mas só vive levando a maior surra dos Aliens), Hicks e um sintético (que leva um tiro na cabeça e “morre”). Como não sabe o que fazer com o cabo Hicks ressuscitado (ESSA era a surpresa do tal Manifesto...), a história acaba e o jogador é torturado por um rolar de créditos de mais de VINTE MINUTOS (!!!), sem cena adicional, listando todos os cúmplices do crime que foi a criação de Aliens Colonial Marines.


APRESENTAÇÃO (4,1)




Pra acalmar um pouco o leitor, preciso dizer que não vou me prolongar no fato de que ACM foi palco de toda sorte de trailers falsos e disputas judiciais para decidir de qual pai era o filho feio que é esse jogo (se da Gearbox ou da Timegate Studios). Eu já falei melhor, na ocasião do lançamento, neste post AQUI. Sendo assim, não me faça reviver mais esse pesadelo.

Graficamente falando, as texturas são tão ruins que conseguem a façanha de descaracterizar o estilo visual de Alien, uma obra-prima da arte plástica idealizada pelo mestre do bizarro H.R Giger. Acho que foi a primeira vez que eu entrei num “corredor Alien” que não parecia nem um pouco com o maravilhoso trabalho do artista suíço. Estou certo de que Giger teria adiantado a sua morte, que aconteceu em 2014 (depois do lançamento de ACM), se soubesse a aberração que seria feita em seu nome (caso já estivesse morto, creio que ele rodaria como uma beyblade no caixão, de tanto desapontamento...).

Como se um design pobre não fosse ruim o bastante, os cenários ainda apresentam defeito de clipping e atraso no carregamento de texturas (um feature já esperado de jogos mal-acabados, feitos nas coxas). Aliás, tem um jeito mais fácil de descrever os problemas gráficos de ACM: pense em um defeito técnico e, muito provavelmente, ele estará presente neste jogo.

Se alguém conseguir entender que surumbamba da porra é essa que tá
rolando, me manda um email avisando...

Os Aliens em si possuem a desenvoltura de uma animadora de torcida em final de partida. Em combate, são mais fracos que o gato Jonesy, mais burros que uma Powerloader e conhecem apenas uma direção: a linha reta, que os leva direto a você e a uma saraivada de balas na fuça. O pior é que os programadores não se decidem: numa hora os bichos partem pra cima de você como uma bola de boliche que não tem pra onde ir, senão em linha reta. Numa outra, dão pulinhos de lado pra esquivar de seus tiros, como se fossem um agente da Matrix cobertos em dois litros de Royal Jelly (acho que esqueci de avisar que esse texto era mais indicados pros literatos da franquia...).

Mesmo com o gama no máximo (configuração essa que eu raramente utilizo), os cenários são tão mal iluminados que parecem mosaicos mergulhados em poças de escuridão (nossa, agora eu fui mais poético do que esse jogo horrível merece...). Em outros momentos, como na parte das instalações da Weyland-Yutani (que é chamada carinhosamente pelos marines de “Wey-Yu”...), houve um visível erro no contraste do jogo, o que resultou em cenários claros demais a ponto de fustigar as suas retinas.

Ninguém acendeu um flare por acidente não. A iluminação é tosca assim mesmo.

Como se não bastasse a confusão visual causada pelo escuro ou pelo excesso de iluminação, os ambientes são totalmente estáticos, sem vida ou qualquer coisa que possa ser chamada de “física” pelos mais entusiasmados. Corpos de soldados não reagem a tiros, e até mesmo o prazer de destruir ovos de facehuggers já abertos nos é negado, em algumas partes da aventura. É inacreditável como um jogo com um background riquíssimo como esse consegue ser tão vazio e sem alma.

Sobre o design de fases, há quem tenha conseguido ver graça na sequência dos esgotos, onde os Aliens resolveram brincar de estátua de cera ao invés de te atacar (contrariando a natureza da criatura). Quem achou essa parte razoavelmente aceitável nunca deve ter visto um filme de Alien na vida, ou foi o primeiro FPS que pegou pra jogar. Ao invés de medo, a intenção dos criadores, eu senti vontade de rir ao ver um Alien que parecia estar coberto de gesso, com uma bolsa nas costas e que anda como se estivesse cagado. Desculpe se não consegui ficar assustado com a cena abaixo:




Se você se rebaixar puxando da memória que tem dos filmes, verá que não existe nada no lore da franquia que justifique um exemplar da espécie do Alien tão ridículo e limitado como esse.

Da parte sonora não tem muito o que falar. Às vezes a OST tira férias e te deixa no mais absoluto vácuo, e às vezes trará de volta as lembranças de bons momentos presenciados nos filmes, apenas pra não te deixar esquecer do tempo que você poderia gastar fazendo coisa melhor da vida (no caso, reassistindo às películas).

Ah, a expectativa de esperar a vitamina ficar pronta...

O silêncio constrangedor das partes de tédio só é interrompido pelos guinchados repetitivos dos Aliens (parece que simplesmente copiaram e colaram os sons dos filmes, sem a menor preocupação de acrescentar nada de novo ao jogo).

E pra não dizer que o ridículo evitou de contaminar esse aspecto técnico do jogo (o sonoro), algumas portas nos cenários fazem um som de liquidificador batendo uma vitamina de banana. Eu sei, a comparação parece ilógica, mas quem jogou vai entender sua razão de ser.


SISTEMA (4,5)



O jogo do qual estamos falando aqui é um FPS, ou tiro em primeira pessoa, então não espere nada diferente do que o gênero permite: tiros com armas de fogo, granadas e um golpe desajeitado com o cabo de sua arma.

Como ACM é um jogo baseado em Alien, não poderia faltar o tracker, aquele aparelho improvisado feito pra detectar alterações na densidade do ar (mais conhecido como movimento). Em um jogo de steath ou terror, tal equipamento faria (e fará, no próximo) todo o sentido. Mas em um jogo onde os inimigos possuem a imprevisibilidade de um campeonato de “zerinho ou um”, é melhor você esquecer o botão R2 do seu controle. Ele não serve pra merda nenhuma nesse caso.

E a parte boa dos FPSs, a de atirar em tudo que se mexe? Como ficou? A Gearbox trabalhou com Half-Life, Brothers in Arms e Counter Strike. Só podemos esperar coisa boa vindo dela, não é mesmo? Aí é que você se engana. Os combates de ACM se resumem a um tiroteio genérico contra inimigos humanos (que resolveram do nada mandar bala na cara dos marines porque sim e ponto. Aliás, vá se acostumando com essa expressão ao longo do texto). 

O combate na PL é tão preciso quanto o enquadramento dessa imagem, ou pior.

Tiroteio esses que só são interrompidos por momentos clássicos e super empolgantes da franquia, como quando ganhamos a nossa primeira Powerloader de natal. Um “momento empolgante” que dura 10 segundos, o tempo necessário pra usá-la pra abrir e escorar uma comporta de aço... Foi nesse ponto, logo no início, que eu me dei conta do talento desse jogo em puxar o tapete do jogador.

E se o primeiro encontro com a PL foi praticamente nulo, o segundo vai te fazer soltar palavrões de ira em frente à T.V, não importa o nível de dificuldade escolhida (eu joguei no normal e me arrependo até hoje. Se tivesse jogado no easy teria menos dor de cabeça). O Alien grande que estava em seu encalço (grande porque sim, não faça perguntas e vá matar xenomorfos!) aparece do nada, assim como a razão de sua existência, e você precisa vestir a PL para sobreviver.

E sobre essa parte, totalmente desnecessária, eu só posso acrescentar que a Gearbox deve pensar que uma câmera tremida é sinônimo de boa animação em primeira pessoa.

"Vejam! Um Alien brincando de tourada!"

A Powerloader balança como um prato em cima da vara de um malabarista, e é totalmente destrambelhada nos controles. Seu melhor ataque é um golpe desajeitado de lado (ataque esse que o Alien de ossos grandes consegue esquivar), que te deixa aberto a dano. Se você ousar sair da PL pra recuperar vida com um kit médico, é morto na mesma hora por uma cena automática.

Os “ajudantes”, que deviam cuidar dos Aliens pequenos, simplesmente não conseguem cumprir com a parte deles no acordo (lembre-se que um deles leva uma Smartgun com munição infinita à tiracolo...). Resultado: várias telas desnecessárias de game over dentro de um jogo tedioso que nem é digno de sua atenção. Hooray \0/ !!!

Como se não bastassem os combates genéricos e militarizados ao extremo, o jogo insiste em repetir os erros já cometidos em todos os outros títulos da franquia. Ao que parece, todos os marines vêm de fábrica com um braço extra equipado na cara, visto que nenhum facehugger consegue grudar neles, a não ser que o jogador erre propositalmente a complexa tarefa de esmagar loucamente o botão quadrado pra jogar o bicho no chão...

O organismo perfeito derrotado pelo esmagamento perfeito do botão quadrado...

E já que falei de Powerloader, por que não falar da Smartgun? Então, esse era um recurso com potencial pra te salvar um pouco da falta de criatividade dos combates e situações. O problema é que ela fica em nossas mãos em apenas dois momentos do jogo, e dura o suficiente pra cruzarmos um corredor de 20 metros com respawn infinito de Aliens (o que não adianta de PORRA nenhuma, já que você não vai conseguir aproveitar a arma direito). E quando sua munição acabar, não se acanhe: use e abuse do combo coronhada + shotgun, segura na mão de deus e vai! Não se dê ao trabalho de tentar qualquer coisa diferente disso. Seu esforço não será recompensado.

O gameplay, ao menos no normal, vai do completo tédio (onde você sai matando geral com a shotgun sem sequer ser incomodado pelos inimigos) ao extremo de ser morto com três tiros adversários de uma tacada só. Aliás, alguém me explique pra que raios serve a nossa barra de armadura, visto que muitos golpes dos Aliens te matam em menos de 2 segundos, mesmo com armadura cheia.

Um detalhe deprimente desse jogo reside justamente no plural enganoso em seu título: Aliens Colonial Marines traz apenas 3 de suas 11 fases totalmente dedicadas ao combate de xenomorfos. No resto do tempo temos uma salada mista de tiroteios contra humanos, não me pergunte por quê, e uma mistureba das duas coisas numa fase só. Parece que a Gearbox não conseguiu se desvencilhar de seu histórico de jogos de tiro genéricos e achou uma boa ideia trazer esse “diferencial” pra franquia Alien, como se ela precisasse de mais essa...

Você fica em dúvida se é um glitch ou se o jogo saiu cagado de propósito.

E como não podia faltar em uma análise desse jogo, chegou a hora de falar dos Bugs. Falar de bugs nesse jogo é o mesmo que chutar cachorro morto: ovos da Alien Rainha que se recusam a abrir; facehuggers que encaram o jogador sem esboçar qualquer preocupação de realizar sua tarefa biológica; Aliens que brincam de estátua no meio do combate; Aliens que atravessam uma porta que você acabou de soldar (sim, eu presenciei esse glitch clássico). Acredite nos relatos e vídeos internet afora: eles são a mais pura e infeliz verdade...

Depois de completar a campanha principal foi que eu me dei conta da burrada que tinha feito: se eu não tivesse baixado as atualizações do game (que com certeza devem conter quilos de correção de bugs, o mínimo esperado pelas normas da decência humana) teria me deparado com bem mais bugs, glitches e problemas que com certeza foram varridos pra debaixo do tapete pelas muletas modernas dos patches via download. Esse simples ato resultaria em um texto com bem mais coisas divertidas pra relatar do que as gotas de um oceano de tropeços que eu descrevi nas linhas acima.

Como você acha que acabou a cena acima? Com uma morte ou um "plim" de troféu?

A tempo, e a título de exemplificar como as coisas nesse jogo não possuem nenhum compromisso com a lógica: há um troféu/conquista no jogo chamado “Eat This”. Esse desafio é o testemunho da falta de respeito dos criadores com a mitologia da série. Ele pede simplesmente que você mate um Alien à queima-roupa com uma shotgun. Sim, foi isso mesmo que você leu. Juro que não estou mentindo. Sendo assim, que tal a gente pedir ao professor Hicks, de anatomia humana, pra nos explicar o porquê dessa não ser lá uma das ideias mais inteligentes do mundo?


Já no Aliens VS Predator pra PCs, PS3 e Xbox 360 (de 2010), um jogo três anos mais velho que Colonial Marines, você morria na hora se tentasse uma estupidez dessa magnitude. Isso é pra ver que a mentalidade dos caras (ir) responsáveis pelo jogo mais recente regrediu, ao invés de fazer a lição de casa e continuar de onde havia dado certo nos games anteriores.

Como eu já havia adiantado, em essência, ACM é um jogo bastante tedioso. Há várias sequências em que não há absolutamente nada pra fazer a não ser andar e chegar o mais perto possível do indicador de objetivos, até que uma mensagem em seu comunicador te indique a nova direção a seguir. Depois é só ouvir mais um diálogo irrelevante de seus parceiros de pelotão, esperar os gritos recomeçarem e se afundar em mais um tiroteio genérico. Quando chegar mais ou menos na sétima missão, você vai estar implorando pra ser sacrificado com um lança-chamas, tamanha a sua empolgação...

Essa arma é tão foda que nem esse jogo merda conseguiu nos tirar o prazer de usá-la.

Pra não forçar a barra e dizer que tudo em ACM está errado, as armas presentes na campanha principal (você acha mesmo que eu vou me rebaixar a jogar esse jogo online? Acha mesmo???) são bastante variadas e impactantes, muito embora que não haja uma justificativa para você trocá-las uma vez que tenha descoberto as que se encaixam melhor na sua estratégia. Os checkpoints do jogo também funcionam a contento, na maior parte do tempo. 

Mas esse jogo é tão medíocre que até quando acerta, ACM erra: alguns pontos de salvamento são tão mal posicionados que você vai ficar se perguntando se não escolheu a opção de recomeçar o capítulo por engano, no lugar de continue. E isso é culpa inteiramente sua: quem mandou insistir em jogar um jogo que foi massacrado por toda a internet na época de seu lançamento?


UMA GORFADA DE ÁCIDO MOLECULAR NA CARA DOS FÃS...


Os leitores do blog devem ter percebido que, ao longo deste texto, eu decidi não fazer comparações entre Aliens Colonial Marines e “aquele” outro jogo fabuloso de Alien que saiu logo em seguida (pois jamais ousaria cometer tamanha blasfêmia). Você SABE a qual jogo me refiro. Aliás, falando no jogo perfeito de Alien, acho que a Creative Assembly deve estar mandando e-mails de agradecimento à Gearbox até hoje, por ter facilitado bastante seu trabalho: pra que a CA criasse um bom jogo de Alien, bastou olhar pra Colonial Marines e seguir na direção EXATAMENTE OPOSTA...

NOTA FINAL: 4,6

Aliens Colonial Marines é tão ruim quanto dizem? A resposta é SIM, muito embora que não seja o pior jogo de todos os tempos ou sequer o pior FPS que eu já joguei na vida (parando pra pensar a respeito, nem sei qual jogo de tiro merece esse título...). O que mais chama a atenção nesse jogo é sua capacidade de desperdiçar um excelente material fonte, ao passo que consegue reunir um vasto leque de características técnicas e criativas tão negativas de uma vez só.

Pra falar a verdade, desde seu anúncio (em 2008) eu já sabia que ele não conseguiria ser nada além de um jogo de tiro competente, na melhor das hipóteses (pelo histórico da Gearbox). Um jogo de terror ou stealth? Dificilmente. Mas o mínimo que eu esperava dessa empresa (que até hoje não sabemos qual foi sua real contribuição nesse desastre de game) é que ela entregasse uma experiência de mata-mata de xenomorfos minimamente interessante de se acompanhar (mais uma vez, pelo seu histórico). Não foi isso que aconteceu.

Nem se empolgue: esse gráficos são da demo falsa da E3 2012.

Pra terminar o texto, eu queria pedir sinceras desculpas ao canhão de leitura do meu PS3, que foi obrigado a tatear com seus dedos luminosos mais de 10 horas do jogo terrivelmente sem graça que é ACM. Também queria pedir desculpas aos meus globos oculares, que mereciam presenciar coisa melhor depois de tantas alegrias com títulos excelentes ao longo desses anos jogando videogame.

Aos meus ouvidos fica a tentativa de retratação, por tê-los feito suportar com a bravura e firmeza de um veterano de guerra os rosnados e sons repetitivos encontrados no jogo. Fica também o pedido de desculpas ao meu saco, que deve ter sido diagnosticado com falência múltipla de espermatozoides depois de aguentar um jogo tão sonífero e maçante nesse nível.

E é isso gente. Aliens Colonial Marines é como aquele seu vizinho chato que não percebe que está incomodando: quanto mais você fala, mais ele demora pra ir embora. Portanto, nem perca tempo pensando nesse jogo. Vá jogar o pinball do Alien. Vá ASSISTIR ao filme Aliens, se não tem nada melhor pra fazer. Prefira jogar o Alien 3, do SNES, um excelente jogo (apesar da quantidade irreal de Aliens que destoa do enredo do filme). Vá correr atrás de se redimir de seus pecados gamers e jogar AQUELE jogo maravilhoso de Alien que saiu depois de ACM, se ainda não o fez. Mas não perca seu tempo com Alien Colonial Marines. Jamais.


Au Revoir.

2 comentários:

  1. Talentosa a análise, como sempre! Incrivelmente hilária, como poucas! Valeu o sacrifício, camarada Shadow! :D

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    1. Tá vendo que os piores jogos rendem os melhores textos, Aquino? Desejo a todos nós blogueiros jogos horríveis e textos maravilhosos no futuro. :)

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