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sábado, 23 de fevereiro de 2013

FUGINDO DE ALIEN COLONIAL MARINES


Não é à toa que o Marine está tentando se matar...
























Hoje eu estou triste. Muito triste. É que depois de quase seis anos de espera, fica quase impossível não se deixar abater por uma notícia dessas: Aliens Colonial Marines, ao que tudo indica, é um completo lixo.

Já com os ânimos meio que arrefecidos pelos duros golpes que a indústria de games vêm aplicando com precisão cirúrgica na própria mão que a alimenta, decidi dar um tempo na compra de jogos em lançamento.
Talvez este tenha sido o momento mais que oportuno pois, de acordo com os reviews que li e dos vídeos que vi, Alien Colonial Marines não cumpre nem metade do prometido durante toda a novela que foi o seu desenvolvimento.


CARTÃO DE VISITA

Permita que eu me apresente...



























Antes de continuar, gostaria de colocar os pingos nos is para esclarecer aqueles que não são fãs da série ou não estavam acompanhando as notícias sobre o título: Alien Colonial Marines é um jogo de tiro em primeira pessoa lançado pela Gearbox Software e produzido pela Sega, atual detentora dos direitos da franquia Alien no mundo dos games.
A desenvolvedora do game é muito famosa pelos jogos da série Brothers in Arms e por alguns mods oficiais da série Half-Life. E é justamente aí que está o problema: se ACM fosse feito por uma total desconhecida, talvez as expectativas em torno do título não fossem tão altas. Vindo de uma empresa com um vasto know-how em FPSs, o mínimo que esperávamos era um jogo de tiro razoavelmente competente. Infelizmente, ao que parece, não foi o que aconteceu.


Fan service de mau gosto


O segundo principal problema de ACM é o peso que carrega nas costas: o jogo tem a pretensão de dar continuidade a um dos filmes de maior sucesso dos cinemas, um criador de paradigmas (pro bem ou pro mal) da indústria: Aliens, O Resgate.
No jogo, controlaríamos um pelotão com a tarefa de investigar os eventos ocorridos durante o filme e descobrir o que aconteceu com os possíveis sobreviventes da catástrofe. Parece estranho? Sim, muito estranho para quem conhece o roteiro de Aliens de trás para frente. Os motivos são auto-explicativos.


MEU PRIMEIRO CONTATO COM ACM

Sou eu que tô viajando ou era pra esse cara estar em coma, no chão?



























Como este não é um texto profissional ou jornalístico, posso concluir que nove entre dez leitores do blog devem estar mais interessados em saber das minhas experiências com o jogo do que ler maçantes descrições sobre a desenvolvedora ou produtora do game. Então lá vai.

Tomei conhecimento da existência de ACM em uma revista de games, no ano de 2009. Nesse mesmo ano fui ao Youtube caçar vídeos do jogo, mesmo estando longe de comprar um videogame de nova geração (alguns meses de lonjura apenas). Dei uma olhada no teaser de anúncio do jogo e fiquei espantado com a qualidade da cena, que parecia ser “mais realista que o próprio filme”, de acordo com minhas palavras. E não era pra menos: dê uma olhada no vídeo abaixo e veja se um fã da série não tinha motivos suficientes para molhar as calças de empolgação (com o perdão da baixa qualidade da imagem. Foi o único vídeo que consegui encontrar):





Para essa nova geração de games, dois títulos da franquia Alien haviam sido anunciados: um FPS pela Gearbox e um RPG (!?) pela Obsidian, se não me engano. Do segundo não esperava muito, pois ainda não conhecia o trabalho da empresa com RPGs. Minhas expectativas eram com o FPS mesmo, pois minhas experiências passadas com os jogos desse gênero na franquia Alien tinham sido mais que satisfatórias.

O fato é que Alien Colonial Marines passou uma boa parte da atual geração de molho, sofrendo atrasos e deixando uma pulga atrás da orelha dos jogadores com relação as suas reais chances de chegar a ver a luz do dia. Isso até o ano de 2011, quando mais um teaser foi lançado para reacender a chama da esperança naqueles (tolinhos) que nunca perdem a esperança:





12 DE FEVEREIRO DE 2013

Essa foi a data de lançamento do jogo. Usando o motor gráfico Unreal 3 e sendo lançado para PS3, 360 e PCs, Alien Colonial Marines chegou fazendo muito, mas muito barulho...pelos motivos errados.


A PRIMEIRA (E ÚLTIMA) MEIA  HORA

Gostaria de esclarecer um detalhe: AINDA NÃO JOGUEI ACM. Não, o post não se trata de um review. Não dá pra analisar algo que não joguei. A sua razão de ser vem das impressões causadas em mim por aqueles que já jogaram o game e não têm muita coisa boa a falar a seu respeito.

O primeiro deles foi o Zangado. Infelizmente não posso colocar a janela com o vídeo, mas deixarei o link para quem quiser assistir:


Apesar do comentário inicial do autor do vídeo, de que “gráficos não fazem um game”, durante quase toda a primeira meia hora com o jogo essa foi a principal queixa do Zangado a respeito do game. E sabe por quê? Porque comprar Alien Colonial Marines é levar o maior gato por lebre que eu vi na atual geração de games. Mais uma janela de vídeo vai explicitar o meu ponto de vista (e de outros milhares):




A impressão que eu tive assistindo ao vídeo foi a de que ACM se utiliza do mesmo motor gráfico de Aliens VS Predator, de 2010. E, pode acreditar, isso não é um elogio...
O jogo citado não chega a ser ruim. Um pouco das minhas impressões acerca desse título podem ser encontradas no post Nono Passageiro, então não vou me prolongar nesse tópico.

Para que não fique a impressão de que ACM foi vítima de pura Ad Hominem, passarei para o segundo review que li sobre ele e que acabou servindo como o tiro de misericórdia na minha vontade em adquirir o jogo.


NO ESPAÇO, NINGUÉM VAI OUVIR VOCÊ GRITAR (DE RAIVA)

"Esta é uma história longa demais pra explicar. Vamos matar xenomorfos!"

























O título é uma alusão ao tragicômico texto da jornalista de games, Flávia Gasi, do eterno site Omelete.
No texto, Flávia deixa claro de uma forma bem competente os quês e porquês de ACM não dever ser comprado por quem procura uma experiência à altura da série nos cinemas. A seguir, comentarei alguns trechos do review.

Alien Colonial Marines, de acordo com o texto, sofre de sérios problemas de física e de I.A por parte dos inimigos e ajudantes do seu pelotão.
Os atrapalhantes nem me preocupam muito, pois detesto npcs metidos a expertos que te roubam aquele planejado headshot que levou vários segundos para realizar. O que mais me chamou atenção foi a descrição da I.A dos Aliens, estrelas principais do espetáculo: nesse e em outros textos, os aliens são comparados a “zumbis de Resident Evil”, que só sabem saltar de dutos de ventilação e vir correndo em linha reta pra cima do jogador. Um triste rebaixamento às criaturas que já davam aulas de stealth quando Snake e Sam Fischer ainda usavam fraldas.

O que afeta o jogador, em todo caso, é que a obra foi vendida como um jogo que não existe. Foram seis anos de desenvolvimento, muitos vídeos, e nada disso é encontrado no produto final”.


Um xenomorfo sendo photoshopado

Isso foi o que mais me irritou ao ler o texto de Flávia Gasi: a tentativa infantil e ingênua dos desenvolvedores de passar gato por lebre a jogadores com anos de bagagem com a franquia Alien. E o pior: de acordo com o texto a Gearbox teria terceirizado o desenvolvimento do game à infame Timegate, sendo que a parte de responsabilidade da Gearbox seria apenas no tocante ao multiplayer.

Muito triste e revoltante constatar o tipo de tratamento que as detentoras dos direitos de uma franquia dão a sua galinha dos ovos de ouro, não demonstrando o mínimo de cuidado em garantir que a sua propriedade intelectual será representada a contento.


Um jogo desses só levando na brincadeira mesmo...





















Ah, antes que eu me esqueça: Alien Colonial Marines levou apenas uma “ovada” por parte da escritora, sendo classificado como ruim de acordo com os critérios de avaliação do site.


GAME OVER, MAN. GAME OVER...

Nem com Gameshark...























Infelizmente, todos os indícios levam a crer que ACM parece ter caído na maldição dos jogos que tentam superar suas obras originais, seja em conteúdo ou continuidade de enredo, sem ao menos sequer chegar perto de alcançar o sucesso.
Gráficos medíocres (na melhor das hipóteses). Trailers e screenshots falsos... Como disse antes, a impressão que tive foi que o game usa o motor gráfico do AVP de 2010, de três anos atrás, sendo que ACM já sai perdendo para seu antepassado pois, logo de cara, descarta o controle das outras duas raças em prol de uma campanha puramente “humanitária”, se é que deu pra entender...

Foi pra isso que o jogo foi adiado tantas vezes? Infelizmente, minhas dúvidas sobre o jogo não param por aqui. De fato, alguns detalhes em games dessa franquia sempre me causaram certa irritação:

-por que raios os criadores de games acham que dá pra um humano sair no tapa com um Alien?


Acabou a bala? Senta-lhe o braço!

-por que os marines, tendo plena noção da ameaça que irão enfrentar, partem para as missões de peito aberto e trajando tecnologias obsoletas que não fazem jus à ameaça enfrentada (leia-se: trajes que não protegem contra queimadura por ácido; capacetes abertos e convidativos a um abraço de facehugger; armas de impacto e de explosão para lidar com verdadeiras bombas de ácido molecular; detectores do tipo “micro alterações na densidade do ar o meu rabo” em pleno século 22...)?
























-por qual motivo os diretores e roteiristas dos jogos não se desapegam de certos momentos “crássicos” da série, como a batalha de Ripley contra a Alien rainha na empilhadeira? Ao menos para mim, ficou claro no filme que Ripley estava apenas se valendo de seu aguçado senso de sobrevivência e improvisando um pouco diante da situação de desespero. Ainda na cena do filme fica clara a falha lógica no uso da empilhadeira: ela deixa o torso da heroína COMPLETAMENTE DESPROTEGIDO contra óbvios e esperadas estocadas com a calda por parte da matriarca enfurecida.
Mas em games de toda a sorte e momentos cronológicos diversos os marines teimam em usar o mesmo artifício que a tenente Ripley. Vai entender...


A arma definitiva

Depois de alguns vídeos desanimadores, um metascore de 46 no site Metacritic e uma nota 5,9 no Game Trailers, fica difícil até para o mais ferrenho dos fãs depositar alguma esperança na qualidade do game.
É difícil, também, partir em defesa de uma produtora que idealiza a cena da criatura mais letal do universo de bumbum para cima, pendurada pelo rabo. Infelizmente não achei nenhuma foto com o flagra da cena, mas é fácil assistir a esse hilariante momento em qualquer um dos vídeos citados neste post.

A Gearbox parece não ter conseguido escapar de cair no erro do qual todos esperávamos que ela justamente NÃO caísse: o de fazer um jogo genérico e americanóide de atirar em Aliens. O mínimo que esperávamos é que ela apresentasse o mesmo padrão de qualidade dos jogos da série na qual parece ter alguma expertise.  Claramente não foi o que aconteceu...


Não dá pra comprar só o boneco não? Jura que o jogo tem que vir junto?

Lembram do que eu costumo dizer sobre detalhes dando pistas da real qualidade de um produto? Até a edição de colecionador do game dá uma pista do “esmero” com que o jogo foi feito: ela vem com um boneco de um marine e um Alien retratando o clássico (e engessado) momento da luta de Ripley na empilhadeira. É isso mesmo que você leu: a Sega e suas comparsas querem te convencer que vale a pena pagar R$379,00 em um boneco e, de quebra, ganhar um jogo ruim e mal-acabado como bônus.
Nada de livro de artes; DVD com making off; CD com trilha sonora.
Mas, pensando bem, de que vale o conteúdo extra de um conteúdo de baixa qualidade?

Não joguei ACM e provavelmente nem vou chegar a fazê-lo. Talvez... E sabe por quê? Pelo mesmo motivo que não comprei o DVD de AVP 2: porque sou fã absoluto da série e acho, além de uma indignidade, um desserviço comprar um exemplar tão ruim e de baixa qualidade de uma das séries que mais gosto. É o tipo de recado que uma iniciativa porca como a deste game merece ser dado aos produtores: GAMERS, PRINCIPALMENTE FÃS DE FRANQUIAS CONSAGRADAS, SÃO MUITO EXIGENTES. NÃO SÃO LATAS DE LIXO COM DINHEIRO NA CARTEIRA ESPERANDO PARA ENALTECER O TRABALHO DE EMPRESAS PREGUIÇOSAS QUE QUEREM GANHAR DINHEIRO DA MANEIRA MAIS FÁCIL.


Esse filme joga a cronologia de AVP no lixo

É bom saber que ainda existem pessoas que se preocupam em criar de forma competente, como no caso do filme Prometheus.
Esse tipo de desastre com uma franquia deixa claro que o tempo passa para algumas séries. Os interesses vão diminuindo, ao mesmo tempo que o suposto potencial de marketing de um produto vai arrefecendo diante de produtoras gananciosas que só enxergam através de cifras.
Nem todas as séries clássicas têm a mesma sorte de casos como o de Batman Arkham Asylum, em que pessoas novas com boas idéias na cabeça decidem fazer verdadeiras declarações de amor a franquias as quais acreditam que nunca devem morrer. ATUALIZADO: o dia fatídico chegou, e se quiser ler a minha análise do jogo, cliquei AQUI.


Já na hora de pôr os pingos nos is com nessa franquia

Para não concluir o post em total clima de abandono e desilusão, gostaria de deixar um hilário vídeo que tem um pouco a ver com a paixão que descrevi no parágrafo acima.





Au Revoir!

13 comentários:

  1. Olha, eu vi este jogo, esta deprimente, nunca vi algo tão mal feito, totalmente ridículo.

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    1. o engraçado é as empresas acharem que podem enganar os consumidores dessa forma, lançando um produto defeituoso. e é bom se preparar porque mais uma (forçada) geração de consoles vem aí...

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  2. A Gearbox não é aquela que lançou Duke Nukem Forever? É meu amigo...

    Mas não desanime, pois logo virão os DLCs que melhorarão e muito o jogo, por um preço módico. Pacotes de mapas, novas armas, e talvez até novas raças, não há como dar errado. :)

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  3. sim, a Gearbox foi produtora do Duke Nukem Forever. ela também cuidava da série Brothers in Arms. daí o meu descontentamento com a parte FPS do jogo. mas eu duvido que ainda sai algo de bom desse jogo. vou comprar quando estiver bem baratinho (na casa dos 60) pra ver no que dá. quem sabe eu não consiga tirar umas boas risadas dele (tanto do ato de jogar quanto do texto que escreverei para meter o pau).

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  4. Na casa dos 60? Dou dez reais nele já em 2014. Ou não, uma vez que Duke Nukem Forever já baixou pra esse valor e eu hesitei.

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  5. é que o "baratinho" a que me refiro é para os padrões de jogos originais de PS3, Aquino. se eu usasse o Steam não pagaria mais que sete ou oito reais por ele...

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  6. depois desse vídeo (em especial a sequência final) acho que a Sega vai ter que me pagar R$60,00 para que eu jogue...

    http://www.youtube.com/watch?v=ELixO4oOlyY

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    1. De SEGA, só TOTAL WAR, Empire 2, Napoleon, Shogun 2 e o próximo Rome 2. Estes são indispensáveis para jogar em PC, fantásticos.

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    2. o problema é o jogo nem chegou a ser feito pela Sega, Rodrigo. ela apenas detém os direitos da franquia Alien para Games. a peteca tinha sido jogada para a Gearbox, que por sua vez estava muito ocupada com Borderlands 2 e passou a batata quente para uma tal de Timegate, se bem me lembro o nome. no final uma acusa a outra de lançar trailers falsos e cachorrada continua. e os jogadores ficaram com esse osso para roer... eu não compro, como forma de protesto a todas as empresas envolvidas.

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    3. A sim, a SEGA "apenas" produziu a bagaça, mas cara, a Gear Box e a TimeGate estão em processo constante, foi muita falta de caráter lançar um demo de um jogo falso!!! Como podem fazer algo assim? Pois sou viciado no universo Alien, fiquei doido vendo a DEMO da E3, ai vem esta droga de gráficos horríveis e todo bugado?!?! Incrível né.

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    4. pois é, camarada. pegue a sus frustração e multiplique por 1000. aí vc começará a ter uma ideia do que eu senti com relação a esse jogo.

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    5. Não era o colonial marines que teria "iluminação next gen",tipo um ray tracing melhorado,não ?

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    6. ah, Agusto, acho que pra esse game só não prometeram a cura do câncer. mas veja só resultado...

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