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domingo, 9 de fevereiro de 2014

MEU REVIEW SUPREMO DE KINGDOMS OF AMALUR

























PRE-SCRIPT: mesmo que não planeje ler o texto todo, se você for um acompanhante do blog leia ao menos o Momento Mi Mi Mi, no final.

É irônico que este texto esteja vendo a luz do dia depois de mais de dois anos de lançamento deste game, visto que minhas primeiras impressões com Kingdoms of Amalur não foram as melhores. Para não tornar o texto ainda maior do que o (não) planejado, deixo o link para o post sobre as tais impressões. 



HISTORINHA CHATA SOBRE O REINO DE AMALUR

"Foi mal cara, mas só vou clicar nas opções azuis".


Você já conhece as regras dos Reviews Supremos: sem historinhas chatas eles não são nem metade do que poderiam ser. E aqui vai a minha sobre alguns fatos curiosos a respeito da série, pra quem não conhece as origens do game.

Kingdoms of Amalur foi idealizado por um tal de Ken Rolston. Se, alguma vez na sua carreira gamer, um arquivo de save seu passou dos dois dígitos enquanto computava as horas de jogo, como certeza a culpa é do sujeito citado acima. Ele é responsável pela série The Elder Scrolls. E isso já diz tudo: no próprio gameplay de Amalur é possível reconhecer quase todos, se não todos, os elementos comuns aos jogos com a participação de Rolston, tais como destravar de trancas; comprar imóveis; centenas de itens (inúteis) pra coletar; um inventário limitado auxiliado por um baú de Resident Evil; opções de diálogos (que nunca mudam muita coisa no desenrolar do enredo) e tantos outros. Como eu já disse: se você conhece The Elder Scroolls se sentirá em casa no reino da Amarula.
O lado bom disso é que todos os elementos de Elder (apelido carinhoso) foram mais que aperfeiçoados em Amalur (falarei disto mais adiante, com riqueza Feliciana de detalhes. Entendedores entenderão...). O lado ruim é que não será vista muita coisa de nova, ou original, aqui.

Dá pra comprar uma dessa no Amalur. Sério.


O segundo nome desse dream team dos RPGs é uma figura que nunca teve muito a ver com RPGs, at all.
Se você curte quadrinhos, com certeza já ouviu falar no nome Todd McFarlane. Ele é o “criador” de Spawn. Eu adoraria poder explicar o motivo das aspas, mas este não é um blog de quadrinhos. Se fosse, teria uma multidão de fanboys xiitas xingando nos comentários pelo fato da cueca do novo Superman estar do lado certo de suas calças.
Aqui eu admito a minha preguiça e falta de profissionalismo: eu não tenho muita noção de quão abrangente foi a participação de Todd (pra não ter que escrever o outro nome, chato de digitar) no visual do game. Por sinal, o eterno camarada Aquino, em seu blog Retina Desgastada, fez um excelente artigo sobre os entraves e desventuras que foi o desenvolvimento desse game. Aqui vai o link para o texto, já pedindo autorização do camarada para indicar seu post e torcendo para ele não me processar, caso esteja lendo isto e não esteja em um de seus melhores dias (sabe como é: depois do Youtube, todo cuidado é pouco...).
Para finalizar este trecho preciso dizer que, se você não foi muito com a cara dos visuais semi-cartunescos de Amalur (mais detalhes no tópico Gráficos, com riqueza de detalhes Malafaiana dessa vez), posso te garantir que quando se trata do traço de McFarlane as coisas poderiam ser bem piores: 

Nem um Playstation 10 ia conseguir reproduzir esses faróis de caminhão em um game


O terceiro nome, e não menos importante, é o tal do R.A Salvatore. Se não me engano, esse carinha é responsável pelo roteiro dos games da série The Elder Scrolls. Sabe aquela quest estúpida que te pede pra recuperar batatas roubadas por um Troll, no Oblivion? A culpa é de Salvatore (teoricamente, pois não sei se é ele mesmo o responsável pelo enredo das quests). Sabe todo aquele maravilhoso enredo por trás da Dark Brotherhood neste mesmo game (que, fácil fácil daria um game à parte)? A “culpa” também é dele.
Sobre as quests de Amalur, falarei delas no tópico história. Mas o que eu posso adiantar é que elas são muitas, mas muitas mesmo (tanto que são divididas por categorias).

Não basta ser nerd: tem que humilhar com itens de colecionador


AINDA SOBRE A HISTORINHA CHATA DE AMALUR

Historinhas chatas nos Reviews Supremos servem para contar o meu caso de amor com os games em questão.
Com Amalur, o caso começou comigo baixando a demo do game pela PSN. Gostei muito do que vi e acabei comprando o jogo no lançamento. Mas me decepcionei tanto com o que joguei no começo que nem me senti motivado a fazer um texto descendo a lenha da forma que eu achava que o game merecia (mais ou menos o que aconteceu com Resident Evil 6, por exemplo). Dentre os motivos da minha decepção, cito o baixo volume dos diálogos e o começo meio moroso e confuso do game. Falarei melhor do som no tópico Influência de Kingoms of Amalur na Política de Países em Desenvolvimento nos Dias de Hoje... brincadeirinha! O tópico será Som mesmo...

A carta do Zé Ninguém, a mais melhor do jogo


É engraçado como a opinião de outras pessoas podem ajudar ou atrapalhar no nosso julgamento pessoal. Em geral mais atrapalham mesmo. Mas, às vezes, dar ouvidos a uma pessoa que tem gosto parecido com o seu pode ajudar a te colocar no caminho certo e dar uma chance a uma obra que estava morta e enterrada no seu conceito. Foi o que aconteceu neste caso.

No Blog do Ammer, o dono e mantenedor do site lançou recentemente um artigo listando as coisas boas e más com relação a essa geração de consoles. E vejam só a surpresa que eu tive: Amalur estava entre as coisas boas que ninguém havia dado a atenção merecida. Isso foi o bastante para ressuscitar a mesma pulguinha que havia fixado residência atrás da minha orelha e que tinha me convencido a dar uma segunda chance ao game, mesmo que sem muitos resultados.
Dois anos depois da compra e da decepção prematura, retornei ao reino de Amalur com tudo, dessa vez decidido a acabar com a ameaça dos Tuatha e descobrir os fatos misteriosos que envolveram a minha morte (a do personagem, só pra deixar claro que não é um zumbi que escreve).


HISTÓRIA

Não adianta insistir: já disse que só clicarei nas opções azuis!


Games como Fallout, The Elder Scrolls, Amalur e tantos outros de mundo aberto com centenas de quests a fazer geralmente sofrem de uma síndrome particular: algumas quests secundárias costumam ser melhores ou mais interessantes que a própria quest principal. Isso acontece em todos os exemplos citados acima, principalmente em Oblivion, Skyrim e Fallout 3.
E o que a main quest de Amalur nos entrega? Você é um soldado que foi morto em circunstâncias misteriosas, mas foi ressuscitado por um Well of Souls, uma máquina que mistura magia com tecnologia e que possui a capacidade de... ressuscitar pessoas.
O Poço das Almas é destruído logo no começo do game, você escapa com vida por um triz e a história começa. Um detalhe muito interessante é que, no universo de Amalur, todos os seres vivos e inteligentes têm suas vidas controladas por algo chamado Fate (destino, pra quem cabulou as aulas de inglês em um navio português rsrsrs).
Com a sua morte e ressurreição (menos de três dias, só pra se desvencilhar de quaisquer dogmas de crenças mirabolantes), os fios do destino que controlavam seu personagem são desfeitos. Isso quer dizer que você controla o único personagem que tem um real livre-arbítrio em todo o mundo, e isso é muito legal e fica muito evidenciado durante todas as quests do jogo.

É tanta liberdade que eu nem sei pra onde ir...


É irônico como o fato de jogar na pele do maior nobody joe do universo pode ser tão empolgante no game. É muito normal o sentimento de pena e de olhar de superioridade quando estamos lidando com meros fantoches, que te invejam pela sua liberdade. E o melhor é a forma como isso se reflete no sistema de jogo: no mundo existem os Fate Weavers (Tecelões de Destino). Eles são mais ou menos como aqueles carinhas que te ajudam a escolher uma profissão, quando você não tem certeza de porra nenhuma da vida e ainda está no ensino médio. Os Fate Weavers são responsáveis por mostrar qual será o seu destino e, em certos casos extremos, até alterar o que antes estava escrito nas estrelas. 

Como Zé Ninguém famoso que você é, lhe é dado o privilégio de não só ser dono das próprias escolhas como PODER RECONFIGURAR E REALOCAR TODOS OS SEUS PONTOS DE HABILIDADES ADQUIRIDOS COM LEVEL UP. Isso quer dizer que nenhuma escolha é definitiva no gameplay de Amalur. Gosta de jogar com magos mas quer dar uma desenjoada trotando como um valente cavaleiro? Visite um Fate Weaver e redistribua seus pontos na classe desejada. Isso é bom demais, poder jogar um game enorme sem o arrependimento de ter colocado aquele pontinho específico em uma habilidade que nem era tão legal assim.

Em Amalur nada é permanente, tudo passa. Até a uva passa...


Só pra concluir: o enredo de Amalur está longe de ser fantástico, ou sequer de fazer jus ao histórico de ótimas histórias vistas em games da série Elder, mas ele consegue te manter curioso a ponto de querer continuar avançando no game. E tem seus momentos altos também, mesmo que pareçam triviais. A conclusão a que chego sobre o enredo e o mundo de Amalur é: mesmo não sendo incrível (em alguns pontos) e tendo seus momentos de tédio, o reino de Amalur é um mundo que dá vontade de proteger, de interagir e de completar.

NARRATIVA EMBUTIDA
  
Neste jogo há uma quantidade absurda de quests a se resolver. Tanto é que elas são separadas por tipo: Main (da história principal. Avançar nelas concluirá o jogo); Faction (descrita abaixo); Side (missões secundárias. Aqui é que você mais vai ver quests do tipo: fulano sumiu, descubra seu paradeiro) e Tasks (tarefas de coleta do tipo: encontre x livros; roube x itens e etc.).

De longe, as melhores quests de Amalur são as quests de Facção. Sabe aquelas missões de guilda que você começa limpando o banheiro do arquemago do carajo a 4 e termina sentado no trono de chefe da guilda do carajo a 4 (às vezes em questão de dias. Ao menos em Amalur temos a desculpa de ser o Zé Ninguém mais famoso do reino)? É disso mesmo que estou falando. Abaixo um breve resumo de todas as quests de guilda, bem como uma descrição dos arquétipos de cada uma.





HOUSE OF BALADS- a melhor quest deste tipo. A Casa das Baladas se trata de uma guilda na qual todos os seus associados são seres imortais (falarei mais deles no tópico Raças) que estão diretamente ligados a uma balada, um tipo de canção que narra seus méritos de herói. O mais legal desse conceito é o recurso metalingüístico (e quase Shakespeariano) utilizado pelos roteiristas: durante essa campanha você deve acompanhar e ajudar certos personagens a completarem as suas baladas (eles são obrigados, magicamente, pela música em questão a realizar determinadas tarefas). Não quero entrar em detalhes para não dar spoiler, mas alguns dos momentos mais interessantes do enredo de Amalur se encontram na guilda House of Balads. Jogue e verá.



SCHOLIA ARCANA- é a quest da guilda dos magos. De longe essa é uma das maiores quests do game. Passei quase uma semana completa (jogando uma média de 2 horas por dia. Época de férias, sabe como é...) para terminá-la. Não tem nada de muito interessante, mas é bem legal. Ela passa aquela sensação de conspiração de criaturas muito poderosas e todo esse tipo de frescura que geralmente está presente em quests que envolvem escolas arcanas, com direito a chefinho que se achava invencível mas é derrotado da forma mais banal possível.

HOUSE OF VALOR- essa é uma quest legal, mesmo não sendo de guilda, pois nos é dada a possibilidade de escolher ajudantes para lutar ao nosso lado em uma espécie de coliseu. Esse recurso ficou faltando no restante do game, e fez falta pra mim (mesmo que em geral eu deteste andar com atrapalhantes do meu lado, gosto do poder de escolha). Ela é conteúdo de download, e vem como bônus com a compra do jogo. Nada de mais aqui, apenas umas batalhas em dificuldade crescente do tipo: mate todos os inimigos antes que o tempo acabe; termine a batalha sem ser atingido; mate x quantidade de inimigos...

TRAVELERS- não sei se o nome é esse mesmo, mas os Travelers são a guilda dos ladrões, que não podia faltar em um RPG de mundo aberto idealizado por Rolston. Essa guilda tem muitos momentos interessantes, mas seu desfecho ficou aquém das minhas expectativas. Ela nem se compara às excelentes Thief’s Guild de Oblivion e Skyrim.




WARSWORN- a guilda dos guerreiros. Guerreiros são a classe mais sem graça em games de rpg, ao menos em minha opinião. Mas esse nome eu acho interessante: war (guerra) e sworn (verbo swear, jurar). Não vou tentar me atrever a traduzir, mas é bem legal. Essa quest tem a ver com traições e um deus negro sedento de vingança. Se não fosse pela parte do “deus negro sedento de vingança” ela seria a quest mais chata do game, sem sombra de dúvidas.

HOUSE OF SORROWS- se você é como eu, um colecionador compulsivo em rpgs e ficou agoniado por não conseguir dar início a esse quest logo no começo do jogo (considerando que você não foi procurar no Google o motivo), não se preocupe: House of Sorrows é a última quest de facção do jogo, a qual você só terá acesso depois que avançar o bastante na main quest e alcançar o continente cristalino de Alabastra.
Assim como House of Balads, é bem demorada e complexa, multifacetada. É bem legal, mesmo eu não me recordando exatamente do porquê neste momento. Envolve os elfos negros do leste.



GRÁFICOS (ASSOPRANDO)

Fotos não fazem jus ao belo visual desse jogo


Um rápido lembrete pra quem conheceu o blog agora ou pra quem não se lembra mesmo: eu só falo de gráficos de um game no caso de haver algo de muito errado com ele, ao ponto de comprometer a diversão, ou no caso de um trabalho tão bem feito ter sido entregue ao jogador que seja digno de menção. Pode respirar aliviado, pois Amalur se enquadra no segundo caso.

O gráfico de Amalur é lindo. Disso, acho que poucas pessoas duvidam. Tudo é muito detalhado no game: seu personagem; efeitos de magia; inimigos; ambientes internos e externos; céu; a água é uma das mais bonitas que já nessa geração. De novo: o gráfico de Amalur, em vários momentos, pode (e deve) ser descrito como nada menos que impressionante.



A paleta de cores do game é uma das mais ricas em games desse gênero, com uma flora de fazer inveja a games muito competentes nessa área, como o insuperável Oblivion.
A primeira vez que chegamos à cidade vegetal de Ysa é o suficiente para conquistar até o mais rabugento dos jogadores. No fim do jogo, quando colocamos os pés no continente de cristal que abriga a cidade de Alabastra, fica clara a forma como os criadores conseguiram tirar leite de pedra de um sistema que fica divagando para gerar ícones em um menu (PS3, estou falando de você).



Os detalhes desse jogo chegam ao patamar do absurdo, com incríveis animações de (pasmem) portas muito complexas e detalhadas se abrindo e animações muito fluentes de pulo, movimentos de membros do protagonista e etc. E o melhor: tudo isso sem o custo de um load time que vai aumentando como desbravar de conteúdo, como acontece nas já citadas séries The Elder Scrolls e Fallout.

O acabamento visual não para por aí: a fauna de Amalur, por exemplo, quando não está ciente da presença de seu personagem, se comporta de forma extremamente natural e divertida, nos dando a total certeza de que está integrada ao resto da natureza (e não como zumbis de Resident Evil, te aguardando em silêncio na esquina de um dos corredores da mansão).
Humanos conversam ou dormem, enquanto cuidam de suas vidas; ursos rolam de barriga pra cima enquanto dormem; brownies cultuam seus deuses primitivos... O mundo de Amalur, quando distraído, se revela como uma bela esfera de natureza com vida própria, que não parece se importar muito com o Zé Ninguém destinado (o mais preciso seria não destinado) a salvar o dia.



Na parte da animação, o destaque fica para o ótimo e fluente movimento do protagonista (e antagonistas também) nos ataques e até mesmo em atos triviais, como o abaixar para pegar um item ou pular de uma ribanceira.
A animação dos Fateshifts, por exemplo, é soberba, com muitas variações de ataque nas finalizações. Nunca me canso da magia Meteor (ah, Meteoro... mais uma vez nos encontramos em um game...).

O melhor que pode ser dito a respeito do visual de Amalur foi dito (e pensado, durante os vários momentos de contemplação com o jogo) por este que vos escreve: PASSAR CORRENDO PELOS CENÁRIOS DE KINGDOMS OF AMALUR É UM CRIME. Uma coruja pousada em uma árvore, na cidade de Ettinmere, foi um dos detalhes decisivos que me fizeram chegar a essa conclusão.


GRÁFICOS (BATENDO)

E eu pensando que o carnaval só era em março. Ai meus olhos


O visual de Amalur é incrível. Mas, se você não curte ambientes de jogos de fantasia super coloridos, passe longe. O visual desse game é muito, mas muito exagerado às vezes. Pode ser o dedinho do Mr. Exagero, Todd McFarlane, na obra. Pode ser por causa do estilo cartunesco. Mas não dá pra negar que o visual de Amalur é muito poluído na maior parte do tempo.

Os ambientes desse jogo são abarrotados de vários elementos visuais (talvez isso explique o leve defeito de clipping que o game possui), tais quais: plantas; NPCs; baús (em uma quantidade bem exagerada de itens, só pra não deixar passar em branco) e detalhes de toda a sorte. De fato, alguns cenários do game têm tantos elementos que fica difícil segurar o botão de corrida (xis, no PS3) sem acionar acidentalmente um diálogo com um NPC, um baú ou a coleta de um ingrediente de planta.

O design de Amalur, no tocante à escolha das cores, me lembra uma outra obra de extremo mau gosto feita nos cinemas: 

calma que ainda fica pior...

roxo com estampa de onça...


Gotham City depois de ser atingida por uma bomba atômica gay (manufaturada pela Lady Gaga)


eu não disse que ficava pior?


Há tantas cores nesse jogo que acho que o intuito foi realizar um teste para descobrir quantas tonalidades o cérebro humano é capaz de reconhecer antes de fritar por completo.
E a melhor coisa que o meu lado shadow pode acusar sobre os gráficos de Amalur é: ESSE JOGO APRESENTA MAIS CORES DO QUE O OLHO HUMANO É CAPAZ DE RECONHECER.


SOM

Você consegue ouvir o som dos pássaros? Eu consigo


Como eu sempre digo, a experiência sonora com um jogo (música, dublagem e efeitos) representa 50% do total, para mim. Quem leu o outro artigo que escrevi viu que o baixo volume dos diálogos e a quase ausência de músicas foi o motivo principal para deixar Amalur de lado por quase dois anos.
O que mudou de lá pra cá? Nada, ou quase nada. Não retiro uma vírgula do que eu disse: o som desse game é muito baixo mesmo. O que mudou em minha opinião foi a qualidade da música: as faixas de Amalur são muito boas, isso quando é possível ouvi-las. Há uma boa variedade de temas, inclusive temas alternativos de batalha. E é isso: um patch de correção seria mais que bem-vindo a esse game.


GAMEPLAY, ELEMENTOS DO SISTEMA E COISAS A SE FAZER EM AMALUR

Muuuuuita coisa a se fazer...


A começar pelo gameplay: Amalur é um RPG, indiscutivelmente. As batalhas são de ação, e não por turnos. Além disso, o estilo da ação lembra muito a série God of War, o que lhe rendeu muitos comentários negativos a título de comparação. E sabe porque eu não acho que isso seja algo de ruim? Pelo simples fato de que KINGDOMS OF AMALUR PEGA O MELHOR DOS DOIS ESTILOS (RPG E AÇÃO) E OS ENTREGA NUM BELO PACOTE, BEM EMBRULHADO PRA PRESENTE AOS JOGADORES.
Sim, eu sei que eu mesmo fui um dos que criticaram o jogo por causa disso. Mas, depois de dezenas de horas com o game e de um texto enorme de catarse, fica difícil ver os elementos de ação de Amalur como algo de ruim. É só parar pra dar uma olhada nas magias e habilidades do game:




É incrível como as magias nesse jogo são empolgantes. Tudo é muito fácil, divertido e bom de se usar, desde uma magia fodástica que chama um meteoro pra acabar com a raça dos inimigos até uma simples magia de cura, com faixas de luz verde percorrendo o corpo do nosso personagem.

Modéstia à parte, nesse aqui sou craque


Se eu não falei isso ainda, falo agora: A EXPLORAÇÃO EM AMALUR É UMA DAS MAIS FLUENTES E AGRADÁVEIS EM UM RPG. E isso se deve a alguns elementos que facilitam bastante a vida do jogador: lugares determinados de pulo, que servem de atalho para não ter que voltar toda uma maldita dungeon depois de concluir uma missão. Um dos MELHORES MAPAS JÁ CRIADOS EM UM GAME, que mostra coisas como inimigos, baús, npcs, quest givers (aliás, não perca tempo interagindo muito com outros personagens: eles possuem toneladas de diálogos que não servem pra absolutamente nada, a não ser que você queira adicionar uma ou duas centenas no seu tempo de jogo...), localidades e suas funcionalidades (loja, curandeiro, mesa de ferraria, etc.) e outros detalhes mais específicos desta aventura em questão (Lorestones, é disso que eu falo, se você investiu o suficiente em Detect Hidden, a melhor habilidade para Ratos Coletores em um RPG...).

Abri tudo, na maciota


Um ponto que não posso deixar salientar é o ótimo sistema de quests ativas e inativas do game. Valendo-se de seu know how em games desse gênero, os criadores de Amalur foram mais que felizes em lapidar detalhes do gênero para tornar a experiência de completar quests a mais fluente possível.
Em Amalur, assim como em Skyrim, você pode escolher qual quest deseja ativar. Assim seu objetivo será indicado no mapa. Esse sistema é meio frustrante naquelas quests que pedem pra você “encontrar fulano” e apontam com uma seta a localização do fulano em questão. Mas no geral, é um bom modo de não deixar o jogador completamente perdido na avalanche de tarefas a serem cumpridas nesse tipo de jogo.

A diferença é que, enquanto no Skyrim você visualiza as informações apenas da quest marcada, em Amalur é possível visualizar no mapa TODOS OS OBJETIVOS DE OUTRAS QUESTS. Por exemplo: digamos que você tenha ativado a quest “mate fulano na Caverna do Luar Açucarado”. No mapa, ficará marcada a localização da caverna com um círculo amarelo. Mas, se antes você tinha aceitado a quest “colete 10 ml de esperma de golfinho na Floresta dos Biscoitos” (que fica a caminho da Caverna do Luar Açucarado...), um círculo branco marcará a localização da quest inativa, permitindo que você realize as duas com uma só viagem. Quem joga games desse tipo sabe o valor do que eu acabei de descrever...

Com esse upgrade posso carregar mais itens


Falando em interação, Amalur conta com um sistema inédito nos NPCs (pelo menos eu nunca vi em outro jogo): é possível ativar um modo de agressão, caso seja de seu interesse atacar NPCs dentro das cidades. Caso isso não seja ativado, você pode atacar “acidentalmente” qualquer NPC (inclusive guardas) que eles não vão interpretar seu ato como um convite pra brigar. Céus, preciso dizer como isso faz falta em outros games desse estilo? Quem nunca pegou uma briga com um guarda em Skyrim, Oblivion ou Fallout porque apertou um botão errado (Fus... Ro Dah!) e provocou a ira de toda uma cidade que não suporta a morte de uma inocente galinha?
Desnecessário dizer que este Recurso Anti-Cagadas colocado em Amalur me poupou de muitos carregamentos desnecessários de save.

Como eu já citei, Amalur pega muita coisa emprestada das outras séries: coleta de itens (atenção ao divertidíssimo detalhe dos Sets de Armaduras que, quando equipados por completo, te dão bônus cumulativos, além do visual bem legal dos equipamentos em si. Atenção também ao recurso de Junk, que possibilita o envio de itens indesejados a uma área na qual eles poderão ser vendidos de uma só vez, futuramente); destrancar baús (a novidade está nos selos mágicos, um maldito minigame com o potencial de comer o seu juízo com poucas garfadas, se você não investiu pontos suficientes na skill Dispelling); criação de itens (mais uma vez, não foi dessa vez...); compra de itens (que aqui não são absurdamente caros, como no Oblivion. Não se preocupe: nada de precisar vender um dos rins à Thief’s Guild pra comprar uma Iron Sword); toneladas de quests (como já foi dito, mas acho que batendo alguns recordes nessa área); Lorestones (pedras que contam histórias e fatos acerca dos mais variados assuntos).
O melhor de tudo é que, mesmo com uma vasta gama de elementos, Amalur não os desperdiça com áreas inúteis ou pouco recompensadoras: cada esquina, cada cantinho do mapa pode conter um baú escondido ou algo que valha a sua atenção, mesmo que seja uma reles plantas contendo um ingrediente de alquimia.

Ô seu Tonho, me veja um quilo de Narnroot, meio quilo de Prismere Dust...


De fato, adentrar em uma nova área do mapa de Amalur é como encontrar um novo continente a ser desbravado. E, caso as suas intenções não sejam das melhores para como os nativos da região, não há com que o que se preocupar: O SISTEMA DE CRIME E CASTIGO DE AMALUR É MUITO BEM EQUILIBRADO.
No game há o modo stealth (sorrateiro), ativado apertando R2. Nesse modo é possível roubar itens e esfaquear pelas costas (isso vale para monstros também). As vítimas da sua pilantragem são marcadas com um símbolo de olho acima de suas cabeças. Esse símbolo se enche para indicar o estado de alerta dos que estão a sua volta. Se ficar completamente cheio e você tentar roubar, uma porcentagem indicará que você será pego. Isso quebra, de uma vez por todas, a MALDITA ONISCIÊNCIA DOS NPCS DE ELDER OU FALLOUT. Sério, às vezes os carinhas parecem ter a Visão Além do Alcance de Lion, dos ThunderCats (te detectam roubando mesmo quando estão em outro cômodo da casa) ou serem mutantes com um olho no traseiro (te detectam mesmo estando de costas).
Esse tipo de coisa não acontece em Amalur (para o total alívio dos amantes da Finesse...) mas, caso você seja flagrado roubando e decida peitar os guardas, terá a grata surpresa de descobrir que eles não são invencíveis como no Elder Scrolls (mesmo jogando no nível Hard, que por sinal apresenta uma boa dificuldade).

Se gritar "pega ladrão", num fica um meu irmão...


O sistema do jogo, por sua vez, funciona perfeitamente, desde o autosave aos loading times, que permanecem os mesmos mesmo depois do marcador de tempo do save chegar aos três dígitos. Sem dúvida, um exemplo a ser seguido pelos games da Bethesda e outras desenvolvedoras.

Pra finalizar, um problema que não posso deixar de citar (a risco de comprometer a qualidade e profissionalismo do texto) é com a câmera. A câmera do game, em momentos normais, funciona muito bem. Mesmo quando ela decide filmar o ombro de um NPC com o qual estamos conversando, isso não chega a ser um incômodo. Mas, como eu disse anteriormente, em Amalur nós podemos correr (thank god!). O problema é que a câmera se fixa no último ângulo quando você começa a correr e só volta a acompanhar o seu personagem depois de uns dois ou três segundos. Isso é putamente irritante. Por mais estranho que isso possa soar, eu não preciso ver o meu personagem enquanto ele corre (afinal, deste eu tenho o controle). O que eu preciso enxergar é PRA ONDE O FDP TEM QUE IR. Deu pra entender? Acho que sim...

Acredite: você vai parar constantemente pra apreciar a paisagem


NOTA: um detalhe legal que eu descobri sobre a câmera é que dá pra olhar pra cima e depois começar a correr. Com isso, fica fácil apreciar os belos cenários e paisagens fantásticas dos cenários deste game.


RAÇAS

Acho melhor apagar tudo e começar do zero


O universo do game nos brinda com algumas das raças mais clichês do gênero. Felizmente, algumas dessas raças são retratadas de uma forma um pouco mais diferente e original. Breve lista das raças do jogo.

HUMANOS- não podiam faltar, não é mesmo? São bundões, gananciosos, fracotes e possuem a incrível capacidade de “poder morrer”. São chamados de Mortals, Dustlings, Child of Dust ou coisa que o valha, numa óbvia referência à frase “do pó ao pó”, ou “do pó vieste, ao pó voltarás” (viciados em drogas devem ficar com os olhinhos brilhando nessas horas). Uma coisa que me incomoda nesse jogo é que mesmo selecionando outra raça os NPCs ainda me chamam de mortal ou um dos nomes acima;








ELFOS- eles são chamados de vários nomes (Tuatha, Fae, etc.). mas são Elfos e ponto final. São imortais, mas passam um pouco longe do clichê da “raça de seres imortais e arrogantes que desprezam a fraqueza humana”. O sentimento dos elfos está mais para curiosidade e admiração que desprezo. Eles têm orelhas pontudas, são bons de mágica (melhor do que eu gostaria de admitir...) e estão presentes em alguns dos melhores momentos do jogo;




GNOMOS- sim, aqui eles são chamados de gnomos ao invés de anões ou duendes. Minha raça preferida. Dividem-se em três castas: Praetorians (guerreiros), Scholars (os literatos, estudiosos) e a outra eu esqueci (rsrsrs). Gosto muito deles, pois parecem humanos em miniaturas. O mais engraçado é que eles chamam os humanos “crescidos” de long legs ou algo assim. Hilário.







INIMIGOS

Qualquer semelhança com GOW... não é mera coincidência!



Kingdoms of Amalur tem um acabamento visual soberbo. De fato, se eu fosse criar uma lista de jogos mais bonitos que joguei nessa geração, certamente que Amalur ficaria entre os 10 mais (e você sabe que a beleza de um game não é medida apenas em gráficos ou visuais). Basta olhar para a tabela de habilidades destravadas, que nos presenteia com um belo mini-vídeo mostrando a habilidade sendo executada em tempo real. Mas faltou uma coisa que gosto muito em games: UM BESTIÁRIO.

As criaturas de Amalur são muito, mas muito bem feitinhas mesmo. A variedade delas, infelizmente, não é das melhores. Isso até gera uma incongruência no game, pois visitamos uma boa variedade de ambientes mas sempre nos deparamos com os mesmos tipos de inimigos, salvo raras exceções. Como não há um bestiário no game, faço aqui uma lista com os principais inimigos no jogo (Wikipedia, eu escolho você!).

BOOGART- são uma espécie de aborígine feitos de madeira. Me lembram a máscara Aku-Aku da série Crash Bandicoot. Só atacam em bando, e dão umas voadoras na medida pra cancelar aquela magia espetaculosa que você demorou três segundos pra carregar. São fracos contra... adivinhem: fogo!








BROWNIE- são uns molequezinhos narigudos que parecem ser feitos de cocô. Eu sei, é nojento, mas impressões são impressões. Se Amalur fosse um Resident Evil, os brownies seriam os zumbis basicões. Um detalhe interessante é que eles ficam cantando uma musiquinha quando ninguém está vendo. Assim como os boggarts, eles parecem cultuar algum tipo de deus primitivo.










VENONSPITTER- aranhas. O que se pode dizer delas em games? Pulam grandes distâncias, envenenam e atacam aos montes. Cuidado com a versão gigante.











BEAR- provavelmente o seu primeiro game over vai ser com um destes aqui. diferentes dos inimigos de pequeno porte, os ataques do seu personagem não interrompem os ataques dele. Grandes garras, grandes danos. O resto é história. NOTA: sou fanzaço do topete que eles usam.










HUMANOIDES- eles aparecem baseados nas três classes existentes no game: Guerreiro (Mighty), Ladrão (Finesse) e Mago (Sorcery). São representados pelas três raças, de modo que você não deve se surpreender ao vir um gnomo flutuando no ar e soltado (exclusivos) redemoinhos de ventos em sua direção.




BARGHEST- versões vitaminadas dos lobos comuns. Prepare-se pra defender quando vir um desses correndo em sua direção.













LEANASHE- lembra das prostituas vampíricas da série God of War? Se Amalur copia algumas coisas do combate de GOW, então elas não poderiam faltar. Pra variar, são um pé no saco de matar.












THRESH- campeão de telas de game over, esse bicho é um dos mais filhos da puta do jogo. É uma árvore turbinada que lança galhos na sua direção como se fosse mísseis. Alto dano, e tem o costume de ficar de longe. Nas primeiras horas de jogo, aconselho você a fugir deles como pastores de igreja fogem de argumentos lógicos. Não diga que não avisei.












SPRITE- não é de beber. São umas fadinhas escrotas. Lembram os gremlins quando comem depois da meia-noite. Não são muito perigosos. O problema é quando vêm acompanhados de um sprite champion: mais difícil de matar e ainda concede bônus aos seus companheiros de luta. Cuidado com estes aqui.











KOBOLD- eles são uma espécie de morcego humanoide feio pra caramba. Atacam em bando e são bem chatinhos. Me lembram o Chacal, dos Thundercats.











NISKARU- só pra constar: esse nome é o mais legal dentre os inimigos do game. Os Niskaru são as tropas de elite dos Tuatha Deon. Não entendeu? Então preste mais atenção ao enredo. São muito perigosos. Enfrentar mais de dois ao mesmo tempo é quase certeza de game over.







BANSHAEN- são um tipo de lagarto-peixe. São muito chatos de matar. Possuem uma magia em conjunto com uns inimigos menores que saem de dentro dele, os...













MURGHAN- os clássicos homens-peixe que aparecem em tudo que é lugar. Atacam com um trident, arma que também é usada para realizar uma magia de trovão em conjunto com a Banshaen.
Um detalhe que gostaria de desmembrar sobre o spawn de Murghan pelas Banshaen.
No desenvolvimento de games existe uma espécie de jurisprudência, de consenso quando se fala sobre “inimigos que geram outros inimigos menores”: é que os inimigos gerados nunca podem ser tão ou mais fortes que a sua matriz. Nesse caso acho que se esqueceram dessa regra. Quando a Banshaen sofre uma certa quantidade de dano ela vai cuspir umas bolsas verdes de catarro. Essas bolsas têm uma barra de HP. Se você não conseguir destruí-las, novos Murghan sairão de dentro prontos pra te atacar. O problema é que esses casulos são muito resistentes. Jogando com mago mesmo eu não consegui destruir nenhum, então sempre apareciam mais inimigos pra derrotar. E isso é um saco! Ponto.


ETTIN- gigantes de duas cabeças que carregam uma clava energizada. Lembra do comentário sobre tela de game over? O mesmo nesse caso...









JOTTUN- se você manja o mínimo de mitologia nórdica (tipo, Thor, Odin, Fenrir...) lembrará que Jottunheim é a terra dos gigantes, que o nosso salvador Thor jurou exterminar e parece ter obtido êxito, visto que do alto dos meus 31 anos de idade nunca vi um desses caminhando por aí (um exemplo a certas divindades que só sabem prometer que vão acabar com o mal mas até agora, necas... unbelievers entenderão.).
Mais telas de game over associados a esses aqui, com o detalhe de que esses FDPs jogam pedras de gelo gigantes em você com um movimento de sumô que me lembra muito a dominação de pedra do (ótimo) desenho Avatar.

Mas o pior ainda está por vir: quando te acertam, os Jottun soltam uma gargalhada de escárnio capaz de te fazer dar load o mais rápido possível só pra chutar a bunda do fdp. Só Quetzalcoatl sabe como é irritante quando um inimigo (ou suposto amigo, como no vídeo abaixo) ri da sua derrota em um game.





 TROLL- adoram rebater seus comentários da forma mais infantil e irracional só pra te irritar. Aliás, certa vez um sábio disse que discutir com um troll é como jogar xadrez com um pombo, pois não importa quão bem você jogue: se estiver perdendo ele vai derrubar as peças, cagar no tabuleiro e ainda sair cantando vitória.
O fato é que os Trolls de Amalur conseguem ser quase tão chatos quanto o exemplo do pombo enxadrista. Eles são muito fortes. No caso dos Prismere Trolls, te aconselho a fugir se não estiver com a barra de Fate no máximo.






NISKARU TYRANT- esqueça tudo que eu disse sobre telas de game over e pombos. Se você ainda não conhece o terror, o exemplar mais evoluído dos Niskaru vai te fazer as honras. Não vou falar nada. Um vídeo é melhor que mil palavras (ignore o fato de que esses gameplays de Youtube são feitos por robôs programados pelo governo para jogar bem qualquer coisa que seja):










CONCLUSÃO DO MEU REVIEW SUPREMO DE KINGDOMS OF AMALUR

You Shall Not Paaaaaaaassss!!!!


Por que KOA é tão bom? Simples: porque ele prospera em pequenos detalhes que séries maiores deixam passar em branco. Jogos como Amalur me fazem lembrar de jogos como God of War (exemplo bastante pertinente, visto que foi comparado a este), que têm seu ponto forte não na originalidade mas em sua quase perfeita execução, tocando em pontos cruciais para garantir a diversão dos amantes do gênero.

Amalur é grande. Em todos os sentidos. Para completá-lo, como castor obsessivo que sou, demorei mais de 90 horas (exploração completa de TODOS os lugares de todos os mapas). Completei mais de 150 quests e ficaram faltando ainda mais de 100. Então, se o seu medo for relação custo-benefício, SE JOGUE DE CABEÇA POIS AMALUR TEM CONTEÚDO PRA ACABAR COM VÁRIOS E VÁRIOS FINAIS DE SEMANA SEUS.

Às vezes a beleza de uma obra, quer jogo ou filme ou quadrinho, transcende proezas técnicas. É o caso de Amalur.
Infelizmente, nem todos acabam percebendo as qualidades de certas obras. Culpa da enxurrada de clones do mesmo gênero, culpa do hype exagerado da mídia (que acaba inflando nossas reais expectativas com um game) e culpa dos próprios jogadores, que muitas vezes preferem disparar headshots que adentrar em lindas cavernas cheias de plantas que reagem à presença de magia...

Lindo, mesmo em consoles


E aqui fica o meu conselho, aos espertinhos que pularam essas mais de dez páginas de Word e perderam muitas das tiradas interessantes que eu preparei pra este texto: JOGUE KINGDOMS OF AMALUR, SE VOCÊ GOSTA DE MUNDOS DE EXPLORAÇÃO. Não faça como eu que desprezei o game, ou melhor, faça como eu: reconheça o erro e retorne a este mundo maravilhoso tão digno da sua atenção.
Mas antes de terminar, um breve tópico que estava engasgado na minha garganta de blogueiro há um bom tempo...



MOMENTO MI MI MI DO MAIS UM BLOG DE GAMES



Qual é a sua? Sim, essa pergunta foi feita pra você que participa do meu blog. É pra você também que usa internet, curte games e vive reclamando que não tem opinião ou conteúdo de qualidade sobre jogos na net.

Manter um blog não é fácil. Só pra dar uma idéia, pra compor um texto deste nível e tamanho é necessário bastante tempo. Tempo esse que não tem início com meus dedinhos dedilhando nervosamente no teclado do meu notebook não. O trabalho pra escrever um texto como este começa jogando o jogo e tomando nota de todo e qualquer elemento que possa ficar interessante no texto, e acho que não preciso dizer que de uma forma ou de outra isso acaba afetando (negativamente) a minha experiência de gameplay com o jogo (trocando em miúdos: UM SACO TER QUE PARAR DE MINUTO EM MINUTO PRA TOMAR NOTA ENQUANTO JOGA. Pessoas “normais” podem se dar ao luxo de simplesmente jogar e curtir o que está passando na tela da tv). Depois de finalizado o jogo vem a fabricação do texto. Este texto, este mesmíssimo texto que você planta seus olhos agora, eu comecei a escrever às 9h desse mesmo dia e, salvo pausas pra alimentação e outras necessidades, só consegui terminá-lo às 15h. isso mesmo: um trabalho danado que quem está de fora e não faz ideia de como seja o processo (e isso porque não estou contando com as horas de edição, para colar fotos e revisão do texto).

Não preciso explicitar no que implica destinar tanto tempo a uma tarefa só: sacrifício de outras formas de lazer (sim,  eu enquadro escrever sobre games no campo "forma de lazer" pois me divirto puerilmente escrevendo essas bobagens que você está lendo.); tempo em si; muito poder de processamento por parte do meu pequeno cérebro de minhoca, que não pode ser comparado a nada melhor que um Pentium 133 (com o agravante da memória RAM estar danificada) e algo que não há grandeza matemática que calcule: EXPERIÊNCIA DE VIDA, um importante ingrediente que não pode ser copiado e colado direto do Google, como as fotos que uso no artigo.

Como eu disse, manter um blog não é fácil. E mais difícil ainda é fazê-lo sem visar a nenhum tipo de lucro, como um hobby mesmo. O único retorno que um blogueiro pode esperar, em um caso como estes, é a participação e interação dos usuários no site. Não é mendigando comentários do blogger não, mas acho muito egoísmo o camarada adorar um texto enorme, ficar cobrando uma maior freqüência de postagens e até promoções (juro. Já vi isso acontecer) e nem querer se dar ao trabalho de comentar ou mostrar o seu apreço pelo blog em questão.

No dia 31 de março deste ano começam as minhas aulas na faculdade. O que significa que terei ainda menos tempo de escrever do que já vinha tendo.
Até poucos momentos antes de começar a criar este texto, havia decidido que oficializaria o final do Mais Um Blog de Games, dada a sua baixa quantidade e freqüência de postagens. Mudei de ideia, pois do meu blog não é algo que eu queira me despedir. Até porque ainda jogarei grandes jogos que fizeram parte da minha trajetória gamer e adoraria fazer textos enormes explicando o porquê de eu gostar tanto deles.
Então, peço desculpas aos leitores se não tenho a mesma estrutura (quiçá maturidade) de alguns blogueiros mais bem preparados e experientes. Mas é assim que eu sei resolver as coisas, então, paciência.

Agradeço a todos que leram até aqui e também aos que pularam logo pro final por não estarem interessados em um texto sobre o Kingdoms of Amalur. O blog continua. Não sei como ou com qual formato mas continua. Assim como meu amor e vontade de falar sobre games.


Au Revoir!

domingo, 22 de dezembro de 2013

DESPEDIDA DO MAIS UM BLOG DE GAMES DE 2013

Hoje é dia 22 de dezembro de 2013, e pra mim o ano já acabou. Como de praxe, gostaria de fazer um post de despedida do ano de 2013, um misto de retrospectiva com balanço geral dos acontecimentos no mundo dos games e observações esparsas que eu achar relevantes.
E uma coisa que eu gosto em retrospectivas é que elas são uma ótima oportunidade de te fazer perceber como você foi bobo em planejar acontecimentos que não saíram exatamente como você queria. Bem, faz parte da vida. E, como embromar faz parte do Mais Um Blog de Games, eu precisava desta breve introdução para não partir direto ao assunto do post: os games que joguei (não necessariamente lançados neste ano) no ano que se encerra. Aviso, de antemão, que a quantidade de jogos deste ano é bem menor que a do ano de 2012. Talvez seja um reflexo do momento (gamer) pelo qual estou passando. Talvez seja apenas preguiça de escrever um texto quilométrico pro blog (ah, tá... Acho que nem eu mesmo acreditei nessa.). Talvez seja falta de recursos para comprar novos (e caros) jogos para servirem de base para reviews e textos diversos. Só o Shadow sabe a resposta...

Nota: segue um vídeo abaixo de cada texto, pra quem não conhece o game e tem curiosidade em conhecer.


RETROSPECTIVA 2013 DO MAIS UM BLOG DE GAMES (A ORDEM É A MINHA SATISFAÇÃO PESSOAL COM O JOGO)


ALPHA PROTOCOL

Se correr o bicho pega. Se ficar o bicho come...













Esse é um RPG tático de espionagem, produzido pela SEGA e criado pela Obisidian Entertainment. No game jogamos com um espião do governo americano (acredito eu) que conta com um bocado de opções de diálogo para acabar com a raça de seus inimigos. Tá certo, a coisa não é bem assim, mas o caso é que eu joguei tão pouco desse game que não sobrou muita coisa pra comentar além disso: gráficos medianos; jogabilidade esquisitona; linearidade nas opções de stealth e uma pilha de outros jogos esperando pra serem jogados, detalhe esse que resultou em uma (não tão) fina camada de poeira sobre a caixa de Alpha Protocol.
Comprei esse jogo por um valor quase irrisório (para os padrões dos consoles, só pra deixar claro aos usuários de maravilhas como Steam, Gog e afins) devido a uma recomendação de um leitor do blog. Ainda não sei o que pensar sobre Alpha Protocol, muito menos se darei uma segunda chance a esse título. Mas pelo menos ele tem o seu lugar ao sol na minha retrospectiva de games jogados em 2013.




GUITTAR HERO 3

Minha guitarra é dessa. Pena que eu não uso
















É incrível as coisas que um consumidor é capaz de fazer para satisfazer seus desejos desenfreados por quinquilharias.
Guittar Hero foi uma série que estreou no PS2 e, já nos primeiros dois anos de sua existência, computou a invejável marca de mais de cinco jogos. Usei o verbo ser no passado pois a franquia teve seu fim durante o desenvolvimento do sétimo episódio, após a visita de um dos produtores do jogo ao estúdio de desenvolvimento. A ideia: utilizar uma guitarra de verdade para poder jogar o jogo. E o produto final estava ficando tão ruim, com uma seleção de músicas tão sem graça, que o presidente da Activision Eric Hirshberg não pensou duas vezes em colocar uma pedra em cima da produção do game. O alto custo do periférico também foi fator decisivo para a extinção desse título.

Voltando ao tema, é incrível as coisas que um consumidor é capaz de fazer para satisfazer sua sede nerd de adquirir quinquilharias relacionadas a games. Uma certa pessoa, certa vez, chegou a pagar (acreditem) R$600,00 por um periférico de guitarra para poder desfrutar do prazer musical de se jogar Guittar Hero. Infelizmente, esse é um pré-requisito obrigatório para jogar quaisquer títulos posteriores ao terceiro episódio, visto que a partir da quarta edição o game já não dá mais suporte ao controle original do console (PS3 ou Xbox 360).

Bem, a boa notícia é que essa “corajosa” pessoa se trata de um amigo meu (que, sinceramente, espero que não esteja lendo isto) que ficou muito pê da vida quando lhe contei que comprei o game junto com a guitarra por aproximadamente 1/3 deste valor.
Mas o fato é que a resposta dos comandos inseridos não foi satisfatória o bastante pra manter meu interesse. Pra piorar, inventei de começar jogando no nível hard, que exige o uso de todas as “cordas”, detalhe que dificultou ainda mais minha experiência com o game. R.I.P, Guittar Hero.



CHRONICLES OF RIDDICK: ASSAULT ON DARK ATHENA

Medo de injeção é o cacete!













Sempre tive muita curiosidade a respeito deste jogo. Em parte por causa dos elementos de stealth presentes, em parte por causa da recomendação do camarada Aquino em seu blog Retina Desgastada. O problema é que, com tantos games de FPS com senha na mão, esperando na fila pra ser jogado, ficou meio difícil deixar de lado alguns outros jogos que chegaram primeiro. Confesso que minhas impressões não foram as melhores, mas ainda é muito cedo pra julgar este game em particular. Também não sei se darei uma segunda chance a este aqui. Apenas 2014 pode afirmar com mais certeza.



TOMB RAIDER TRILOGY

Corre que dá tempo














Esse game é uma coletânea de três jogos da musa Lara Croft. Todos são da era dos 128 bits, mas o motivo da compra foi Tomb Raider Anniversary, um remake do primeiro jogo da franquia.
Joguei muito pouco dele (falo da versão em HD), pelos já conhecidos motivos: falta de tempo e outros jogos na fila. Mas fica o conselho: Anniversary foi um dos melhores jogos para PS2 que tive o prazer de jogar, com gráficos belíssimos até os dias de hoje e com uma jogabilidade totalmente reformulada e adaptada ao ritmo dos games mais modernos.



GOD OF WAR ASCENSION

Nem experimentei o multiplayer...













Diferentemente dos títulos acima, GOW Ascension é um jogo que eu tenho certeza que voltarei a jogar em um futuro próximo. Primeiro porque sou fã de carteirinha da saga de Kratos. Segundo pela alta qualidade do título em questão: ASCENSION, JUNTO COM HEAVY RAIN, LBP E O PRÓPRIO GOD OF WAR 3, É UM DOS JOGOS MAIS BONITOS DESSA GERAÇÃO QUE SE VAI. E além de tudo ainda tem uma trilha sonora que supera muitos GOW já lançados.
Estranhei uma “leveza” na animação de Kratos e alguns elementos de jogabilidade que soaram meio esquisitos no game, mas com certeza quero jogar e terminar esse game futuramente.



GTA 4

Mais um dia na vidinha monótona de Niko Bellic













Sim, se você não tiver muita coisa pra fazer da vida e tiver uma boa memória, lembrará que esse jogo apareceu na retrospectiva de games que fiz no ano passado. E o motivo de GTA 4 voltar à lista neste ano é que foi apenas neste ano que joguei o jogo pra valer. A conclusão a que chego é que GTA 4 é um jogo muito bom, mesmo tendo a sua escala geral drasticamente reduzida com relação ao seu antecessor, o GTA San Andreas. Niko Belic, assim como toda a sua trupe, é um personagem inesquecível digno dos games da Rockstar. Fica o conselho: mesmo sendo assombrado por uma vontade avassaladora de jogar o título mais recente, dê uma chance a esse jogo que vale muito a pena. Só não tente ganhar de nenhum de seus amigos na sinuca. É impossível...



RED DEAD REDEMPTION

Vendo assim até parece fácil













Um jogo da Rockstar é pouco, dois é bom... Sim, pelo fato de ter sido absorvido pelo imersivo mundo de GTA 4, acabei comprando o Red Dead. Dizem que esse jogo é melhor que GTA em tudo, só que com cavalos no lugar dos carros. Deve ter sido por isso que eu não consegui sintonizar nenhuma rádio de música no game...
Bem, Red Dead Redemption é um grande jogo, sendo um dos dois jogos que estou jogando no momento. Falei dele em um post em particular, então não vou me prolongar muito. A dica é a seguinte: se você nunca jogou um game no estilo de GTA, tenha muita paciência ao jogar RDR, pois no começo é meio confuso mesmo. Mas é aquele tipo de mundo que, quanto mais você se familiariza, mais imersivo e agradável vai ficando. E peço desculpas por lhe iniciar nesse vicio que vai acabar com sua vida social.



FALLOUT NEW VEGAS ULTIMATE EDITION

Simplesmente-amo-esse-jogo!













Falar sobre Fallout é tarefa das mais difíceis pra mim. É como pedir a uma mãe descrever em detalhes o porquê de amar tanto um filho. Não dá. Meu desajeitado review supremo do Fallout 3 pode dar uma pista do quanto eu gosto desses dois games.
New Vegas é um dos melhores games que joguei nesta geração, junto com seu irmão mais velho. A Ultimate Edition compila quatro pacotes de expansão do game, dos quais só joguei dois: o dos cientistas e o do burning man. Sinceramente, espero que os leitores saibam do que eu estou falando, pois não consigo lembrar o nome das expansões. Mas o fato é que New Vegas é um jogo essencial para quem gosta deste estilo. O clima de Western é um dos melhores e várias falhas do Fallout 3 foram corrigidas. Está esperando o quê pra começar a jogar?



SKYRIM LEGENDARY EDITION

Que medo de alho que nada













A compilação de Skyrim é mais modesta: conta apenas com três expansões do game, sendo que se você não for muito fã de afazeres domésticos dificilmente tomará gosto por Hearthfire. A outra é dedicada aos que gostam de virar vampiro na série. E Dragonborn, a mais promissora das três, vem para jogar um balde de água fria na pretensão de quem achava que era o chosen one do game. Entendedores entenderão...



BIOSHOCK INFINITE

Acredite: é tão impressionante quanto parece













Sim, é como muito pesar que confesso que não cheguei a gostar tanto de Bioshock Infinite quanto achei que chegaria a gostar. E é com um imenso prazer que afirmo que isso não quer dizer absolutamente nada.
Bioshock Infinite é um dos melhores shooters lançados nesta geração: gráficos inacreditavelmente lindos, mesmo nos consoles (a cidade de Columbia é uma das coisas mais incríveis que minhas retinas já presenciaram em um jogo de videogame); a melhor trilha sonora do ano, sem sombra de dúvidas; dezenas de horas de exploração; dublagem magnífica de personagens e um excelente enredo. Claro que não acho que o fenômeno de Infinite se compare ao fenômeno do primeiro Bioshock, em parte por causa das limitadas opções de plasmids/vigors e um mais baixo fator replay, mas é um jogo que você se arrependerá sem nem saber caso não venha a jogá-lo. Deu pra entender o que eu quis dizer? Ótimo.



FARCRY 3

Legal é pouco pra esse jogo













É incrível como esse jogo consegue ser bom em tudo que faz: gráficos lindos; jogabilidade precisa e perfeita; boa duração; exploração de dar inveja a muitos games de mundo aberto; ótimo enredo (um dedo na ferida de quem não dava muito pelo game. Entendedores entenderão de novo.); multiplayer empolgante, mesmo pra quem não dá a mínima para multiplayer (como eu). E é isso: aproveite que o preço do game caiu bastante e dê adeus ao seu tempo livre.



DIABLO 3

Demon Huntress













A espera valeu a pena: despite of todo o mimimi de alguns jogadores eu, Shadow Geisel, afirmo que Diablo 3 é tão viciante e bom de jogar quanto seus outros dois títulos. Infelizmente, a Blizzard resolveu me trollar e colocou uma taxa baixíssima de aparição para o item Pedra dos Espíritos, fato esse que vem tirando meu ânimo em jogar com outras classes e platinar o game. Ah, antes que eu me esqueça: a dublagem em português BR desse game é muito boa. Deixe o preconceito de lado e verá que vale a pena.



NI NO KUNI

Se der tempo ainda vou salvar um mundo paralelo da destruição













Review Supremo é um tipo de texto que eu criei para estrear o blog. Ao longo desses dois anos, apenas alguns jogos foram alvo de Reviews Supremos: Street Fighter 4, Fallout 3, e Alien O Oitavo Passageiro (não é game mas dane-se: meu blog, meus textos), se não me foge algum da memória. Outros estavam no forno mas perdi os arquivos devido a um problema no notebook. Felizmente, Ni No Kuni não foi um deles.
Ni No Kuni é um RPG das antigas, aos moldes de Dragon Quest e com um visual tão bonito e estilizado que mais parece um desenho animado. Se fosse para escolher apenas um dos games acima para jogar de todo jeito esse ano, com certeza este seria o escolhido. Os motivos de gostar tanto deste game estão em dois posts no blog, o já citado review e um texto que fiz quando testei a demonstração da PSN, então não vou me prolongar muito.



E a lista de games foi essa, pessoal. Bem mais curta que a do ano passado, ainda que conte com uma quantidade maior de games mais relevantes.



MAIS UM BLOG E UMA SOMBRA

Mas eu não uso chapéu.












Neste ano não tive muitos motivos pra comemorar o aniversário de dois aninhos do blog, e acredito que muitos dos poucos leitores também se sentiram assim com relação à baixa quantidade de postagens (um total de 30, contando com esta, contra as 69 do ano passado). Menos jogos para jogar, menos reviews e menor vontade de escrever. Natural.
Parte desse desânimo foi por causa da nova geração de consoles, que não me agradou nem um pouco. Agradar nem um pouco é algo bem vago de se dizer, pois se eu fosse expressar a minha insatisfação com o rumo que a indústria vem tomando seria dizendo que, no exato momento, não sinto a menor vontade de adquirir um console de nova geração. Tampouco em adquirir um PC para jogos ou coisa que o valha. Mas uma das características mais marcantes neste meio de entretenimento é a imprevisibilidade, e muita coisa pode acontecer daqui pra frente e minha opinião mudar.

O ano foi de algumas vitórias e também de derrotas. Como uma grande vitória pessoal, posso citar a aquisição da minha tão sonhada CNH, cuja falta estava me tirando o sono e me fazendo duvidar da minha capacidade pessoal de superar obstáculos. Dentre as derrotas bem, esse não é um blog da Revista Capricho com a finalidade de esmiuçar a intimidade dos famosos, até porque eu nem sou tão famoso assim. Tá, eu sei que sou bastante conhecido mundo afora, mas não acho que esse seja o assunto de interesse dos leitores do blog rsrsrs. Só preciso ressaltar que passar um final de ano se recuperando de uma desilusão amorosa (e perda de fé nas pessoas) não é um dos melhores jeitos de passar o fim de ano, independente de você levar a sério o espírito natalino ou não.

E é isso, leitores do Mais Um Blog de Games. Como este ainda se trata de um blog destinado a jogos eletrônicos, gostaria de desejar uma melhor sorte a esta nova geração que aí está, dados todos os problemas que a mesma apresentou logo em sua estréia, e desejar sorte também a nós, jogadores, que somos as maiores vítimas dessa história toda.
Um bom final de ano a todos e nos vemos no ano que vem em alguma postagem perdida por aí no blog.


Au Revoir!

domingo, 24 de novembro de 2013

COMBINAÇÃO DEVERAS INTERESSANTE...

Só pra não deixar de citar um ótimo filme













O Mais Um Blog de Games dá uma pausa em seu coma induzido de postagens para falar não de um jogo, mas de um filme a que assisti há uns poucos meses mas que não sai da minha cabeça.


A FINA ARTE DO ARREMESSO DE BALDE DE ÁGUA FRIA

Acredite se quiser: pedi um anime do nível de Death Note e me indicaram este

















Eu considero essa coisa de indicar algo a um amigo ou conhecido um assunto muito sério. Desvios de rota podem acontecer quando tentamos indicar uma obra a uma pessoa que compartilha (mais ou menos) do mesmo gosto que a gente. E, na Shadowlândia, esses desvios podem ser punidos com as mais severas penas de mortes já criadas pela mente doentia do ser humano. Para livrar meus súditos desse terrível destino, gostaria de dar alguns conselhos na hora de indicar um game, banda, filme ou livro que você achou mó legal mas que outras pessoas, talvez, não vejam exatamente dessa mesma forma.

1- Contenha a sua empolgação: não há nada mais chato do que aquela pessoa que fala de um episódio de Cavaleiros do Zodíaco como se fosse o maior achado nerd desde a invenção de Matrix ou Akira. Se você exagera muito na hora de tentar convencer uma pessoa de que uma coisa é boa e vale a pena ser vista, o máximo que você vai conseguir são duas coisas: ficar parecendo um boboca deslumbrado e criar uma expectativa na cabeça de seu (sua) amigo (a) que dificilmente a obra será capaz de suprir.

2- Não seja insistente: ontem eu vinha no ônibus e dois caras conversavam ao meu lado. Um dos sujeitos estava super empolgado com a descoberta de uma banda nova e fazia de tudo para que seu amigo conferisse a novidade. O cara se utilizou de todas as ferramentas disponíveis no utility belt dos chatos de carteirinha insistentes: falou o nome da banda mais de 10 vezes durante a conversa (sério, não estou exagerando); SOLETROU o nome para que o cara pesquisasse no Google; pediu o Facebook do coitado para marcá-lo em um post sobre a banda; pediu que o cara entrasse no Youtube ASSIM que chegasse em casa para não correr o risco de esquecer dessa tarefa de suma importância. Ou seja: o cara praticamente matou quaisquer chances de seu colega desenvolver um interesse natural pela coisa, mesmo sem ter a intenção de fazê-lo.

3- Conheça a pessoa a quem você está indicando algo. Esse conselho pode parecer um tanto óbvio, mas eu sinto a necessidade de citá-lo devido à quantidade de vezes em que isso acontece comigo.
Eu adoro filmes de terror. Eu cresci assistindo a Alien, Tubarão, Terror em Amytiville, Sexta-Feira 13 e quase tudo de que sua memória seja capaz de se recordar. Eu também sou fã de carteirinha de histórias sombrias voltadas a esse gênero, como o Monstro do Pântano escrito pelo célebre Alan Moore. Pra me fisgar em uma obra, basta que um interessante elemento de terror seja acrescentado à trama de forma coesa que o resto é história.
Sendo assim, nada mais natural que amigos e familiares estejam cientes do tipo de coisa que vai me agradar em uma história, seja ela de um jogo, livro ou desenho animado. Infelizmente não é o que acontece, e às vezes o golpe pode vir de onde menos se espera.

25 episódios que podiam ser resumidos em 5...













Há uns dias estava eu, inocentemente assistindo a um dos episódios de uma série de anime de que gosto muito, The Lost Canvas. Dizer que gosto muito desse anime não expressa o quanto eu gosto desse anime. Para ter uma noção mais precisa dê uma olhada no texto que eu escrevi sobre os primeiros 26 episódios baseados no mangá japonês (alerta de redundância soando neste momento...).
Foi então que meu irmão, sangue do meu sangue, vociferou em alto e bom som: “tu tá perdendo tempo vendo um desenho que já viu mais de mil vezes. A gente podia assistir Shingeki no Kyojin (Ataque de Titãs), que é tão interessante quanto Lost Canvas”. Castigado por uma imensa curiosidade, me senti compelido a experimentar esse desenho sobre o qual todos falavam muito bem e que tinha uma boa chance de ser tão bom quanto Lost Canvas e Death Note, os dois melhores animes aos quais tive o prazer de assistir na última década.

Vinte cinco episódios depois e algumas críticas durante as sessões de três episódios diários (comentar sobre algo enquanto assisto é um claro sinal de que não estou gostando do que estou vendo) tiro a minha conclusão: Attack on Titans não chega aos pés dos primeiros cinco episódios de Lost Canvas. É deveras chato em alguns momentos, tem uma péssima direção de eventos e é dramático em exagero. E o pior é que meu irmão ainda se surpreendeu pela classificação de Drama de Ação que o desenho recebeu em um site de análises. Sangue do meu sangue...

4- Ninguém pode agradar a gregos e troianos. Tenha a ciência de que, por melhor que seja uma coisa, algumas pessoas simplesmente não sentirão o mesmo impacto que você. Os motivos são os mais variados: gosto pessoal; identificação com o gênero; falta de bagagem cultural e etc.
Para ser mais exato em meu exemplo eu vou citar um ocorrido entre mim e um amigo meu. Com historinha chata mas breve, claro, como não poderia deixar de ser no blog.

Damien e seu fiel companheiro, Cérberus













Ter cultura e ser inteligente neste país é um mal que pode te render vários efeitos colaterais. Um deles é que, dependendo do seu nível de intelectualidade, a maioria das pessoas não será capaz de entender o que você quer dizer e, provavelmente, não acharão a menor graça em piadas e brincadeiras feitas por você.
Certa vez ao começar a jogar uma nova partida de Fallout 3, decidi que interpretaria um personagem totalmente maléfico. Batizei o meliante de Damien. Esse meu amigo começou a rir quando soube. Questionei-o e ele me explicou que havia assistido ao remake de A Profecia, que conta a história de Damien e seu fardo em ser o filho do capeta. Deu pra entender onde eu quis chegar com esse exemplo?
Se faltasse o conhecimento do personagem do filme ao meu amigo, a referência passaria totalmente despercebida e eu seria considerado um retardado sem senso de humor. Tá bom, exagerei um pouco mas é mais ou menos isso que as pessoas pensam nessas situações quando não te conhecem direito.


RAZÃO DE SER DO POST (POIS EU SEMPRE ACABO FALANDO DEMAIS E ESQUECENDO O REAL MOTIVO DE SER DO POST): COMBINAÇÃO DEVERAS INTERESSANTE!

É ou não é a cara da Bjork?












Eu mantenho uma relação de amor e ódio com a seção de filmes das Lojas Americanas. Amor porque eu adoro comprar DVDs de filme. Ódio por causa das malditas filas da loja que, por diversas vezes, me fizeram desistir de uma possível compra por causa demora.
Essa relação de amor e ódio também aparece na hora de “folhear” as caixas de filmes em busca de velhos conhecidos ou desconhecidos possivelmente ilustres que estejam à espera de um desbravador de “ótimos filmes que ninguém assistiu”.

Sendo fã de filmes de terror, nada mais natural que eu sinta uma atração quase irresistível por filmes trash e lado b. E foi a minha experiência de décadas que me fez classificar (erroneamente) Splice: A Nova Espécie como um filme lado b e trash digno do lendário Cine Trash, programa que passava nas tardes da TV Bandeirantes e que era apresentado pelo eterno José Mojica Marins. Fica a lição de nunca julgar um DVD pelo box...

Uma breve sinopse do filme, sem spoilers é claro: Splice conta a história de um casal de cientistas que trabalha em um grande laboratório de pesquisas de combinação de genes. A técnica existe de verdade, sendo conhecida pela palavra inglesa “splicing”, que significa combinar, unir, juntar. Graças aos céus, é uma técnica que passa bem longe disso aqui:




A equipe do casal de cientistas trabalha em um projeto que tem a finalidade de construir uma criatura que combina o melhor do DNA de vários animais, acrescentado do DNA humano também. Isso é tudo que posso dizer sem estragar o filme, mas não precisa ser muito inteligente pra deduzir que quando o DNA do ser humano é adicionado a uma receita o resultado é o bolo desandar, não é mesmo?


POR QUE EU ACREDITO QUE SPLICE MERECE UM POUCO DA SUA ATENÇÃO

Pra atiçar ainda mais a sua curiosidade com o filme












Sejamos francos: depois de filmes como Alien, O Oitavo Passageiro poucas obras conseguiram acrescentar algo de criativo ao gênero ficção e terror. Se você conhece um exemplo melhor que esse, sinta-se à vontade para exteriorizar a sua indicação, mas peço que leve em consideração os quatro conselhos acima. Até filmes como E.T (péssimo exemplo) e O Enigma do Outro Mundo (ótimo exemplo, inclusive o prequel) acabaram sendo influenciados pelo clássico supremo de 1979, pois tentavam se distanciar da linha estabelecida e copiada à exaustão do terror espacial.

Splice: A Nova Espécie, já ganha um ponto por ter personalidade própria e (for god sake) NÃO TENTAR COPIAR UM FILME QUE FOI LANÇADO HÁ EXATOS 34 ANOS.
O começo do filme consegue prender o espectador e, graças aos deuses, este ótimo ritmo é mantido durante cada um dos 104 minutos de filme. Nenhuma, eu digo, NENHUMA cena de Splice está lá sem ter alguma razão de ser. Todas desempenham um excelente papel na construção e desenvolvimento do roteiro, que é bem conciso e bem executado por sinal.

Outro ponto positivo fica para os personagens principais, que fogem dos clichês impostos pelo gênero (heim, Prometheus?) e conseguem ser interessantes sem serem forçados. Um destaque em especial dou à personagem da doutora Elsa, interpretada pela excelente Sarah Polley. Um exemplo de como uma personagem feminina pode ser intrigante sem ser um clone da Ripley ou sem esfregar um par de melões gigantescos na cara de quem está assistindo.

Eu sempre soube que tinha algo de alienígena nesse DNA














Um destaque também para a cantora islandesa Bjork, que interpreta a personagem Dren. Sua atuação foi responsável por alguns dos principais momentos nos quais eu tive que segurar a respiração para conter a ansiedade de não saber o que aconteceria a seguir. Ok, sou um mentiroso compulsivo mas não posso deixar passar a informação de que quem “interpreta” a personagem Dren (ao meu ver, o personagem principal do filme) é a atriz Delphine Chanéac. Justiça seja feita, mesmo que a comparação seja inevitável.

De acordo com a Wikipedia, Splice é um filme canadense e francês de ficção científica dirigido por Vincenzo Natali. Talvez sua origem possa nos dar uma pista do porquê de tanta qualidade e de seu jeitão lado b de ser. Splice é um peixe fora d’água se comparado aos demais filmes (principalmente os ruins, como o sofrível Guerra Mundial Z) da indústria norte-americana. É justamente por fugir do senso comum que ele brilha de uma forma bastante competente por causa de seu mérito e esforços próprios.

É triste ver que algumas porcarias como Percy Jackson ou Transformers recebam tanta atenção da mídia e público e diamantes brutos como Splice fiquem mofando em um cantinho obscuro da seção de DVD de grandes lojas.
De qualquer forma, mesmo fugindo um pouco do tema do blog, ainda consigo manter a sua razão de ser e principal motivo que me levou a criá-lo: expressar minha opinião pessoal, recomendar obras de entretenimento relevantes e fazer um pouco de justiça nerd àqueles menos contemplados pelos veículos tradicionais da mídia.

E é isso. Espero ter indicado um filme do qual os leitores gostarão de assistir e deixo mais uma dica: é ótimo poder acompanhar um bom filme ou jogo do zero, sem saber muito a seu respeito e ter “aquela” deliciosa surpresa que tanto nos motiva a escrever posts enormes indicando algo que nos agradou. Então, procure comprar o DVD original do filme sem assistir a trailers ou ler mais a seu respeito. Confiem no paladar de filmes do titio Shadow que não vão se arrepender. Até a próxima.


Au Revoir!