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domingo, 14 de dezembro de 2014

ALGO DE MUITO ERRADO...


Volta e meia eu paro a programação do blog para dar avisos, choramingar ou simplesmente fazer um desvio no tipo de conteúdo que normalmente se vê aqui.
O lado bom é que eu faço esse tipo de coisa para indicar algum conteúdo de entretenimento que não se encaixa na proposta do site, como livros (apesar de que, ainda, estou devendo o post sobre grandes livros que marcaram a minha vida) e filmes, mas que têm certa importância na minha trajetória como pessoa no geral. 

Isso aconteceu algumas vezes nos últimos meses, e fico mais que feliz com a certeza de que indiquei grandes obras nos posts que escrevi.
Ontem, em mais uma das minhas andanças pelas tímidas prateleiras das Lojas Americanas, seção de DVDs, não resisti ao impulso de levar pra casa um filme que já me paquerava há muito tempo, talvez até mais tempo que o meu romance indireto com Splicer, alvo de outro post de indicação aqui no blog.

Antes de continuar, quero deixar bem claro que minhas opiniões são minhas opiniões, e uma coisa que é a maior festa de fim de ano na minha cabeça pode ser uma maçante confraternização entre colegas de trabalho, na sua.
Outro aviso: ESTE TEXTO NÃO CONTÉM NENHUM SPOILER. Dar spoiler com esse filme, principalmente os seus 30 minutos finais, seria uma atitude passível de pena de morte na Shadowlândia. E eu, mesmo sendo o soberano destes vastos campos verdejantes, sou young demais pra morrer.


A ÓRFÃ?


Segundo a Wikipedia, A Órfã (Orphan, no original) é um filme feito nos EUA e lançado no ano de 2009. Foi dirigido por Jaume Colete Serra e lançado pelo Dark Castle Entertainment, um estúdio que eu aprecio deveras. De acordo com a página, ele foi orçado em 20 milhões de dólares e foi um grande sucesso de bilheteria e crítica (gerando uma receita de mais de 70 milhões, se pagando completamente e ainda dando muito lucro). E é aí que eu me pergunto: o que raios eu estava fazendo em 2009 que não percebi um filme desses passando no cinema? Bem, deixa pra lá.

A Órfã conta a história de um casal tipicamente americano (mas sem os clichês tão comumente ruminados no gênero suspense) que resolve adotar um filho crescido depois que a esposa perdeu a gravidez.
Eles vão a um orfanato e acabam trazendo pra casa Esther, uma garota de 9 anos de idade muito madura e inteligente. Esther exala uma aura sombria de que “há algo de errado nessa garota”. E a graça do filme é ele justamente transcender os clichês de filme de suspense, no qual um casal adota uma criança visivelmente perturbada mas são tapados o suficiente pra só perceberem o real problema quando já é tarde demais.

Aliás, o maior mérito de A Órfã é justamente este: o telespectador, assim como os protagonistas, só consegue se dar conta da real dimensão do problema que a perturbada Esther representa quando já é desesperadoramente tarde demais.


O QUE MAIS ME AGRADOU EM A ÓRFÃ


Primeiramente foi a capa. Antes de comprar o DVD eu achava a capa desse filme bem tosca, típica de filmes B que saem diretamente em DVD por que ninguém se daria ao trabalho de ir assisti-los no cinema. Depois de comprar e prestar mais atenção, e principalmente depois de descobrir o segredo principal do filme, passei a gostar bem mais da capa do título, inclusive tendo a certeza de que a personagem Esther é a garota-propaganda perfeita de um filme com temas tão pesados e cenas chocantes. Falando nisso, como são fortes as cenas desse filme.

Não vou dar spoiler do enredo, e posso citar uma cena do começo pra dar uma noção do que eu falo: a cena do pombo, e você sabe de que cena eu estou falando, me fez virar o resto pro outro lado de uma forma tão abrupta que eu não esperava que fosse acontecer com um filme de suspense. 
Uma outra parte, também no começo, mostra a perspectiva do mundo encarado por uma pessoa com surdez. De uma forma completamente delicada e emocionante, o filme nos apresenta um elemento que, num momento desperta ternura e sentimentos fortes de empatia pelo próximo, para num outro nos aterrorizar com esse mesmo ponto de vista, evocando sensação de impotência e aflição.

As cenas desse filme, principalmente as de violência, são tão bem encaixadas que passam aquela sensação que toda cena devia passar: a de que elas estão ali porque não tem outro jeito de contar a história, e de que não estão colocadas de forma que banalize a violência ou para causar choques baratos no telespectador. Você vai se impressionar com alguns momentos nesse filme. Você vai duvidar das motivações da personagem e duvidar da veracidade dessas cenas... até o ponto em que você descobre o terrível segredo que faz Esther ser uma das mais (se não a mais) aterrorizantes personagens infantis já criadas no cinema.


Essa personagem é assustadora. Claro, durante todo o filme cenas de senso-comum dos filmes de suspense (como aparições súbitas nas costas de alguém ou no espelho) vão te enganar e pensar que A Órfã se trata de mais um filme sem cérebro recheado de jump scares baratos. Mas não se engane: esse filme se parece muito com o caso que eu descrevi no post sobre Splice, com cada cena sendo posicionada muito bem no enredo e com uma exata razão de ser. Essa razão, mais uma vez, vai fazer todo o sentido com o final surpreendente que vai te assombrar por alguns minutos mesmo depois que os (lindos) créditos rolarem.

Eu não faço o tipo bebê chorão que não está acostumado a sangue e violência em filmes. Muito pelo contrário: minha infância foi regada a muito gore e filmes lado B de terror, assim como filmes totalmente lado A como Alien, Tubarão e milhares outros mais. Mas ao terminar de assistir A Órfã, confesso que fiquei bastante apreensivo de ter que dormir com a porta do quarto aberta e totalmente na escuridão. Isso porque esse filme aborda um tipo de horror dos mais cabulosos que existem, que é o psicológico.
Ter um estranho invasor em casa, uma pessoa que você pensava que conhecia mas que na verdade não é exatamente quem você pensava que era, é uma das sensações mais terríveis de insegurança que uma pessoa pode sentir. Adicione uma mente totalmente manipuladora, uma faca peixeira e um 38 à receita e você tem um dos melhores filmes de suspense já feitos desde O silêncio dos inocentes.

Só pra concluir, gostaria de deixar um grande elogio à atuação das crianças desse filme. É incrível como as crianças americanas conseguem estar a anos-luz das de outras nacionalidades quando o assunto é interpretar.


HÁ ALGUMA DE MUITO ERRADO COM VOCÊ... SE NÃO INTERESSOU EM ASSISTIR A ESSE FILME.


A Órfã foi uma grata surpresa. Eu queria poder viver em um mundo fictício onde pudéssemos simplesmente pagar uma quantia de R$14,99 por algo, não importando o contexto e o objeto da compra, e contar com uma experiência de entretenimento igual à que este filme se propõe a oferecer.

A Órfã é um filme perturbador, assustador e muito impactante, que te faz sentir um medo e desconforto reais pela figura da personagem principal, Esther. É impossível evitar a sensação de desconforto, revolta, apreensão e medo que os minutos finais desse filme conseguem passar ao telespectador.

E é isso. Fico por aqui, sem querer me prolongar demais, e com a certeza de que indiquei mais uma ótima obra que possa ter passado despercebida por você mas que, sem sombra de dúvidas, vai te dar aquela sensação deliciosa de “eu devia ter visto esse filme antes...”
Fiquem na paz e tenham sempre algo em mente: há algo de muito, mas muito errado com essa garota...


Au Revoir

domingo, 24 de agosto de 2014

UMA MENTE BRILHANTE



Preconceito é algo complicado de se lidar. Em alguns casos, mudar um ponto de vista é quase como mudar o seu próprio jeito de ser. É como pedir pra uma águia sentir medo de altura, ou como esperar que um demônio se sinta culpado por se deleitar com o som de gritos alheios e carne sendo dilacerada, com um belo pôr-do-sol de sangue de fundo (obrigado, Hellblazer e Garth Ennis. Eu sempre soube que conseguiria encaixar essa paráfrase em algum lugar...).

Eu tenho um par de chifres, cara. Me dá um desconto...


Não quero entrar no assunto de preconceito com opção sexual, com cor de pele (lembre-se: não é preconceito racial. A raça continua a mesma, independente da cor) ou com crença religiosa (ou a falta dela), visto que tais assuntos tendem a gerar um tom dramático que simplesmente não combina com o foco do blog (além de recair em temas que, honestamente, já encheram o meu saquinho).
E, como faz um bom tempo que eu não o atualizo, gostaria de me valer de uma definição de dicionário (todos que acompanham o Mais Um sabem da minha paixão não tão secreta por livros com a pretensão de explicar a tudo e a todos governar. Deve ser por isso que eu estou fazendo faculdade de biologia, uma ciência nada pretensiosa que tem a “simples” missão de explicar a vida em si):

(pré+conceito) sm 1 Conceito ou opinião formados antes de ter os conhecimentos adequados.



O excelente dicionário Michaellis traz outros significados para esse verbete. Mas o que citei acima é mais que suficiente para expressar o que eu quero dizer.

Eu nunca fui muito fã dos desenhos da Disney. Vim assistir a Hércules depois de velho, quando já não tinha nem mais graça. Os musicais sempre me afastaram destas animações, mesmo que a ótima qualidade visual dos desenhos exercesse efeito oposto.
Aliás, acho que eu nunca fui muito fã de animações hollywoodianas em geral, visto que outras como A Era do Gelo ou Os Incríveis demoraram bastante pra conseguir chamar um pouco da minha atenção.

"Humph! O que vai ser da minha reputação de cowboy se me virem com um urso cor-de-rosa"?


O lado bom de aproveitar algumas coisas com certo atraso é que podemos fazê-lo por uma perspectiva mais amadurecida do que na idade que foi planejada para o público-alvo de algo. E nesse ponto, posso dizer que comecei a quebrar meus preconceitos com as animações com o pé direito, com Toy Story (uma animação muitíssimo menosprezada e enaltecida pelos motivos errados).

Bom, o fato é que, assim como os posts de Breaking Bad e Splice, este aqui tem a modesta missão de indicar uma obra do cinema que eu acho que merece um pouco da atenção de quem acompanha o blog. E antes que meu escasso público cometa harakiri de tanta curiosidade e expectativa, a estrela da vez a brilhar nesta constelação chamada Mais Um Blog de Games Animações é Megamind, da Dreamworks.


UMA MENTE BRILHANTE (SQN)

"Querida, vamos mandá-lo pra um planeta onde não confundam ele com o Brainiac"


Megamind, ou Megamente (sim, eu assisti a essa animação hoje, na Temperatura Máxima. Não é coincidência. E sim, eu pretendo comprar o DVD original pra tirar o gosto ruim da dublagem brasileira e todos aqueles nomes substitutos e cafonas que estragam o clima do desenho original), é uma animação em computação gráfica que conta a história de dois personagens icônicos das histórias em quadrinhos. O exato começo do enredo eu ficarei devendo, visto que quando liguei meu holotubo de teleapreciação espacial em 3D o filme já tinha começado. Mas pelo que eu entendi, o enredo se foca em dois personagens que vieram de outro planeta em orbes espaciais distintos (não, não é impressão sua. Toda a animação está cheia de referências diretas ao Super-Homem e seus filmes antigos. Se duvida, preste um pouco mais de atenção no detalhe peculiar do queixo do “pai espacial” e, se conseguir somar um mais um, entenderá a piada): um teve a sorte de cair em uma residência da burguesia e contar com o melhor que a vida pode oferecer (tanto na questão do dinheiro quanto na supremacia genética). O outro personagem, um simpático bebê cabeçudo de grandes olhos verdes, deu o azar de cair na porta de um presídio e foi criado... digamos... com certos valores de certo e errado um pouco distantes do senso comum. A natureza foi sábia em não trocar os lugares, mais uma vez.
Claro que eu não vou gastar um resto de domingo meu contando cada detalhe do enredo do filme, até porque o post é pra indicar, não pra dar spoiler. Mas o que eu gostaria de salientar é como nós podemos nos surpreender quando paramos pra dar atenção a algo que julgávamos ser totalmente indigno de nosso tempo.

Não dá pra negar: ele é chato mas é bonitão


Todos sabem que eu adoro escrever. A extensão de alguns posts do meu blog jamais me deixaria mentir. E é por isso mesmo que eu dou tanto valor a um bom enredo quando eu encontro um.
Veja bem, não estou dizendo que Megamind é a reinvenção da roda quando o assunto é tirar sarro com super-heróis. O tema é clichê desde Os Incríveis (mesmo que a real intenção ali fosse plagiar, não satirizar) e Kickass. O que estou ressaltando, mais uma vez, é a FORMA como isso é feito na aventura.

O enredo de Megamind consegue ser muito bom, com um humor inteligente claramente feito não só para crianças e com um ótimo toque de suspense e originalidade que vão te prender do começo do “desenho” ao fim. É interessante, com diversas referências (inteligentes e engraçadas) sobre o mundo dos quadrinhos. Além de todas essas qualidades, Megamind passa uma mensagem educativa de forma nada tediosa sobre como é importante você não abandonar as suas raízes, ou como você deve fazer justamente isso quando nada mais estiver dando certo na sua vida.

A teoria do bom selvagem sendo posta à prova


Hoje em dia é muito difícil aparecer conteúdo de boa qualidade, voltado a um nicho de mercado específico e que cumpra o seu papel com personalidade e estilo próprios. Numa fase da cultura humana em que as coisas precisam ser fabricadas em larga escala (e isso inclui o próprio consumo de cultura, como games, filmes e quadrinhos podem muito bem atestar), é de encher os olhos ver uma animação voltada às crianças (mesmo só podendo ser aproveitada em sua plenitude por aqueles que já passaram dessa fase) que não as trata como retardadas e, de quebra, adianta a seus pequenos universos temas relevantes a sua puberdade (como rejeição, relacionamentos e valorização pessoal).

Mau até os ossos? Nada que vitamina B não resolva


MEGAMIND ESTÁ VALENDO A COMPRA? A resposta é óbvia: NÃO, pois ainda não comprei o DVD original (pegadinha do Malandro. Ié, ié). Mas pretendo fazer isso em breve para prestigiar os criadores desse excelente desenho que me fez soltar diversas gargalhadas durante os seus breves minutos. E, pra encerrar o texto, deixo os leitores com uma pergunta que já vem acompanhada da resposta: sabe como um roteirista tem a certeza de que conseguiu escrever uma coisa de qualidade voltada ao público infantil? É quando ele, com a exata mesma obra, consegue arrancar sinceras gargalhadas de um marmanjo que passou já dos seus trinta anos de idade.


Au Revoir!

domingo, 24 de novembro de 2013

COMBINAÇÃO DEVERAS INTERESSANTE...

Só pra não deixar de citar um ótimo filme













O Mais Um Blog de Games dá uma pausa em seu coma induzido de postagens para falar não de um jogo, mas de um filme a que assisti há uns poucos meses mas que não sai da minha cabeça.


A FINA ARTE DO ARREMESSO DE BALDE DE ÁGUA FRIA

Acredite se quiser: pedi um anime do nível de Death Note e me indicaram este

















Eu considero essa coisa de indicar algo a um amigo ou conhecido um assunto muito sério. Desvios de rota podem acontecer quando tentamos indicar uma obra a uma pessoa que compartilha (mais ou menos) do mesmo gosto que a gente. E, na Shadowlândia, esses desvios podem ser punidos com as mais severas penas de mortes já criadas pela mente doentia do ser humano. Para livrar meus súditos desse terrível destino, gostaria de dar alguns conselhos na hora de indicar um game, banda, filme ou livro que você achou mó legal mas que outras pessoas, talvez, não vejam exatamente dessa mesma forma.

1- Contenha a sua empolgação: não há nada mais chato do que aquela pessoa que fala de um episódio de Cavaleiros do Zodíaco como se fosse o maior achado nerd desde a invenção de Matrix ou Akira. Se você exagera muito na hora de tentar convencer uma pessoa de que uma coisa é boa e vale a pena ser vista, o máximo que você vai conseguir são duas coisas: ficar parecendo um boboca deslumbrado e criar uma expectativa na cabeça de seu (sua) amigo (a) que dificilmente a obra será capaz de suprir.

2- Não seja insistente: ontem eu vinha no ônibus e dois caras conversavam ao meu lado. Um dos sujeitos estava super empolgado com a descoberta de uma banda nova e fazia de tudo para que seu amigo conferisse a novidade. O cara se utilizou de todas as ferramentas disponíveis no utility belt dos chatos de carteirinha insistentes: falou o nome da banda mais de 10 vezes durante a conversa (sério, não estou exagerando); SOLETROU o nome para que o cara pesquisasse no Google; pediu o Facebook do coitado para marcá-lo em um post sobre a banda; pediu que o cara entrasse no Youtube ASSIM que chegasse em casa para não correr o risco de esquecer dessa tarefa de suma importância. Ou seja: o cara praticamente matou quaisquer chances de seu colega desenvolver um interesse natural pela coisa, mesmo sem ter a intenção de fazê-lo.

3- Conheça a pessoa a quem você está indicando algo. Esse conselho pode parecer um tanto óbvio, mas eu sinto a necessidade de citá-lo devido à quantidade de vezes em que isso acontece comigo.
Eu adoro filmes de terror. Eu cresci assistindo a Alien, Tubarão, Terror em Amytiville, Sexta-Feira 13 e quase tudo de que sua memória seja capaz de se recordar. Eu também sou fã de carteirinha de histórias sombrias voltadas a esse gênero, como o Monstro do Pântano escrito pelo célebre Alan Moore. Pra me fisgar em uma obra, basta que um interessante elemento de terror seja acrescentado à trama de forma coesa que o resto é história.
Sendo assim, nada mais natural que amigos e familiares estejam cientes do tipo de coisa que vai me agradar em uma história, seja ela de um jogo, livro ou desenho animado. Infelizmente não é o que acontece, e às vezes o golpe pode vir de onde menos se espera.

25 episódios que podiam ser resumidos em 5...













Há uns dias estava eu, inocentemente assistindo a um dos episódios de uma série de anime de que gosto muito, The Lost Canvas. Dizer que gosto muito desse anime não expressa o quanto eu gosto desse anime. Para ter uma noção mais precisa dê uma olhada no texto que eu escrevi sobre os primeiros 26 episódios baseados no mangá japonês (alerta de redundância soando neste momento...).
Foi então que meu irmão, sangue do meu sangue, vociferou em alto e bom som: “tu tá perdendo tempo vendo um desenho que já viu mais de mil vezes. A gente podia assistir Shingeki no Kyojin (Ataque de Titãs), que é tão interessante quanto Lost Canvas”. Castigado por uma imensa curiosidade, me senti compelido a experimentar esse desenho sobre o qual todos falavam muito bem e que tinha uma boa chance de ser tão bom quanto Lost Canvas e Death Note, os dois melhores animes aos quais tive o prazer de assistir na última década.

Vinte cinco episódios depois e algumas críticas durante as sessões de três episódios diários (comentar sobre algo enquanto assisto é um claro sinal de que não estou gostando do que estou vendo) tiro a minha conclusão: Attack on Titans não chega aos pés dos primeiros cinco episódios de Lost Canvas. É deveras chato em alguns momentos, tem uma péssima direção de eventos e é dramático em exagero. E o pior é que meu irmão ainda se surpreendeu pela classificação de Drama de Ação que o desenho recebeu em um site de análises. Sangue do meu sangue...

4- Ninguém pode agradar a gregos e troianos. Tenha a ciência de que, por melhor que seja uma coisa, algumas pessoas simplesmente não sentirão o mesmo impacto que você. Os motivos são os mais variados: gosto pessoal; identificação com o gênero; falta de bagagem cultural e etc.
Para ser mais exato em meu exemplo eu vou citar um ocorrido entre mim e um amigo meu. Com historinha chata mas breve, claro, como não poderia deixar de ser no blog.

Damien e seu fiel companheiro, Cérberus













Ter cultura e ser inteligente neste país é um mal que pode te render vários efeitos colaterais. Um deles é que, dependendo do seu nível de intelectualidade, a maioria das pessoas não será capaz de entender o que você quer dizer e, provavelmente, não acharão a menor graça em piadas e brincadeiras feitas por você.
Certa vez ao começar a jogar uma nova partida de Fallout 3, decidi que interpretaria um personagem totalmente maléfico. Batizei o meliante de Damien. Esse meu amigo começou a rir quando soube. Questionei-o e ele me explicou que havia assistido ao remake de A Profecia, que conta a história de Damien e seu fardo em ser o filho do capeta. Deu pra entender onde eu quis chegar com esse exemplo?
Se faltasse o conhecimento do personagem do filme ao meu amigo, a referência passaria totalmente despercebida e eu seria considerado um retardado sem senso de humor. Tá bom, exagerei um pouco mas é mais ou menos isso que as pessoas pensam nessas situações quando não te conhecem direito.


RAZÃO DE SER DO POST (POIS EU SEMPRE ACABO FALANDO DEMAIS E ESQUECENDO O REAL MOTIVO DE SER DO POST): COMBINAÇÃO DEVERAS INTERESSANTE!

É ou não é a cara da Bjork?












Eu mantenho uma relação de amor e ódio com a seção de filmes das Lojas Americanas. Amor porque eu adoro comprar DVDs de filme. Ódio por causa das malditas filas da loja que, por diversas vezes, me fizeram desistir de uma possível compra por causa demora.
Essa relação de amor e ódio também aparece na hora de “folhear” as caixas de filmes em busca de velhos conhecidos ou desconhecidos possivelmente ilustres que estejam à espera de um desbravador de “ótimos filmes que ninguém assistiu”.

Sendo fã de filmes de terror, nada mais natural que eu sinta uma atração quase irresistível por filmes trash e lado b. E foi a minha experiência de décadas que me fez classificar (erroneamente) Splice: A Nova Espécie como um filme lado b e trash digno do lendário Cine Trash, programa que passava nas tardes da TV Bandeirantes e que era apresentado pelo eterno José Mojica Marins. Fica a lição de nunca julgar um DVD pelo box...

Uma breve sinopse do filme, sem spoilers é claro: Splice conta a história de um casal de cientistas que trabalha em um grande laboratório de pesquisas de combinação de genes. A técnica existe de verdade, sendo conhecida pela palavra inglesa “splicing”, que significa combinar, unir, juntar. Graças aos céus, é uma técnica que passa bem longe disso aqui:




A equipe do casal de cientistas trabalha em um projeto que tem a finalidade de construir uma criatura que combina o melhor do DNA de vários animais, acrescentado do DNA humano também. Isso é tudo que posso dizer sem estragar o filme, mas não precisa ser muito inteligente pra deduzir que quando o DNA do ser humano é adicionado a uma receita o resultado é o bolo desandar, não é mesmo?


POR QUE EU ACREDITO QUE SPLICE MERECE UM POUCO DA SUA ATENÇÃO

Pra atiçar ainda mais a sua curiosidade com o filme












Sejamos francos: depois de filmes como Alien, O Oitavo Passageiro poucas obras conseguiram acrescentar algo de criativo ao gênero ficção e terror. Se você conhece um exemplo melhor que esse, sinta-se à vontade para exteriorizar a sua indicação, mas peço que leve em consideração os quatro conselhos acima. Até filmes como E.T (péssimo exemplo) e O Enigma do Outro Mundo (ótimo exemplo, inclusive o prequel) acabaram sendo influenciados pelo clássico supremo de 1979, pois tentavam se distanciar da linha estabelecida e copiada à exaustão do terror espacial.

Splice: A Nova Espécie, já ganha um ponto por ter personalidade própria e (for god sake) NÃO TENTAR COPIAR UM FILME QUE FOI LANÇADO HÁ EXATOS 34 ANOS.
O começo do filme consegue prender o espectador e, graças aos deuses, este ótimo ritmo é mantido durante cada um dos 104 minutos de filme. Nenhuma, eu digo, NENHUMA cena de Splice está lá sem ter alguma razão de ser. Todas desempenham um excelente papel na construção e desenvolvimento do roteiro, que é bem conciso e bem executado por sinal.

Outro ponto positivo fica para os personagens principais, que fogem dos clichês impostos pelo gênero (heim, Prometheus?) e conseguem ser interessantes sem serem forçados. Um destaque em especial dou à personagem da doutora Elsa, interpretada pela excelente Sarah Polley. Um exemplo de como uma personagem feminina pode ser intrigante sem ser um clone da Ripley ou sem esfregar um par de melões gigantescos na cara de quem está assistindo.

Eu sempre soube que tinha algo de alienígena nesse DNA














Um destaque também para a cantora islandesa Bjork, que interpreta a personagem Dren. Sua atuação foi responsável por alguns dos principais momentos nos quais eu tive que segurar a respiração para conter a ansiedade de não saber o que aconteceria a seguir. Ok, sou um mentiroso compulsivo mas não posso deixar passar a informação de que quem “interpreta” a personagem Dren (ao meu ver, o personagem principal do filme) é a atriz Delphine Chanéac. Justiça seja feita, mesmo que a comparação seja inevitável.

De acordo com a Wikipedia, Splice é um filme canadense e francês de ficção científica dirigido por Vincenzo Natali. Talvez sua origem possa nos dar uma pista do porquê de tanta qualidade e de seu jeitão lado b de ser. Splice é um peixe fora d’água se comparado aos demais filmes (principalmente os ruins, como o sofrível Guerra Mundial Z) da indústria norte-americana. É justamente por fugir do senso comum que ele brilha de uma forma bastante competente por causa de seu mérito e esforços próprios.

É triste ver que algumas porcarias como Percy Jackson ou Transformers recebam tanta atenção da mídia e público e diamantes brutos como Splice fiquem mofando em um cantinho obscuro da seção de DVD de grandes lojas.
De qualquer forma, mesmo fugindo um pouco do tema do blog, ainda consigo manter a sua razão de ser e principal motivo que me levou a criá-lo: expressar minha opinião pessoal, recomendar obras de entretenimento relevantes e fazer um pouco de justiça nerd àqueles menos contemplados pelos veículos tradicionais da mídia.

E é isso. Espero ter indicado um filme do qual os leitores gostarão de assistir e deixo mais uma dica: é ótimo poder acompanhar um bom filme ou jogo do zero, sem saber muito a seu respeito e ter “aquela” deliciosa surpresa que tanto nos motiva a escrever posts enormes indicando algo que nos agradou. Então, procure comprar o DVD original do filme sem assistir a trailers ou ler mais a seu respeito. Confiem no paladar de filmes do titio Shadow que não vão se arrepender. Até a próxima.


Au Revoir!