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domingo, 24 de novembro de 2013

COMBINAÇÃO DEVERAS INTERESSANTE...

Só pra não deixar de citar um ótimo filme













O Mais Um Blog de Games dá uma pausa em seu coma induzido de postagens para falar não de um jogo, mas de um filme a que assisti há uns poucos meses mas que não sai da minha cabeça.


A FINA ARTE DO ARREMESSO DE BALDE DE ÁGUA FRIA

Acredite se quiser: pedi um anime do nível de Death Note e me indicaram este

















Eu considero essa coisa de indicar algo a um amigo ou conhecido um assunto muito sério. Desvios de rota podem acontecer quando tentamos indicar uma obra a uma pessoa que compartilha (mais ou menos) do mesmo gosto que a gente. E, na Shadowlândia, esses desvios podem ser punidos com as mais severas penas de mortes já criadas pela mente doentia do ser humano. Para livrar meus súditos desse terrível destino, gostaria de dar alguns conselhos na hora de indicar um game, banda, filme ou livro que você achou mó legal mas que outras pessoas, talvez, não vejam exatamente dessa mesma forma.

1- Contenha a sua empolgação: não há nada mais chato do que aquela pessoa que fala de um episódio de Cavaleiros do Zodíaco como se fosse o maior achado nerd desde a invenção de Matrix ou Akira. Se você exagera muito na hora de tentar convencer uma pessoa de que uma coisa é boa e vale a pena ser vista, o máximo que você vai conseguir são duas coisas: ficar parecendo um boboca deslumbrado e criar uma expectativa na cabeça de seu (sua) amigo (a) que dificilmente a obra será capaz de suprir.

2- Não seja insistente: ontem eu vinha no ônibus e dois caras conversavam ao meu lado. Um dos sujeitos estava super empolgado com a descoberta de uma banda nova e fazia de tudo para que seu amigo conferisse a novidade. O cara se utilizou de todas as ferramentas disponíveis no utility belt dos chatos de carteirinha insistentes: falou o nome da banda mais de 10 vezes durante a conversa (sério, não estou exagerando); SOLETROU o nome para que o cara pesquisasse no Google; pediu o Facebook do coitado para marcá-lo em um post sobre a banda; pediu que o cara entrasse no Youtube ASSIM que chegasse em casa para não correr o risco de esquecer dessa tarefa de suma importância. Ou seja: o cara praticamente matou quaisquer chances de seu colega desenvolver um interesse natural pela coisa, mesmo sem ter a intenção de fazê-lo.

3- Conheça a pessoa a quem você está indicando algo. Esse conselho pode parecer um tanto óbvio, mas eu sinto a necessidade de citá-lo devido à quantidade de vezes em que isso acontece comigo.
Eu adoro filmes de terror. Eu cresci assistindo a Alien, Tubarão, Terror em Amytiville, Sexta-Feira 13 e quase tudo de que sua memória seja capaz de se recordar. Eu também sou fã de carteirinha de histórias sombrias voltadas a esse gênero, como o Monstro do Pântano escrito pelo célebre Alan Moore. Pra me fisgar em uma obra, basta que um interessante elemento de terror seja acrescentado à trama de forma coesa que o resto é história.
Sendo assim, nada mais natural que amigos e familiares estejam cientes do tipo de coisa que vai me agradar em uma história, seja ela de um jogo, livro ou desenho animado. Infelizmente não é o que acontece, e às vezes o golpe pode vir de onde menos se espera.

25 episódios que podiam ser resumidos em 5...













Há uns dias estava eu, inocentemente assistindo a um dos episódios de uma série de anime de que gosto muito, The Lost Canvas. Dizer que gosto muito desse anime não expressa o quanto eu gosto desse anime. Para ter uma noção mais precisa dê uma olhada no texto que eu escrevi sobre os primeiros 26 episódios baseados no mangá japonês (alerta de redundância soando neste momento...).
Foi então que meu irmão, sangue do meu sangue, vociferou em alto e bom som: “tu tá perdendo tempo vendo um desenho que já viu mais de mil vezes. A gente podia assistir Shingeki no Kyojin (Ataque de Titãs), que é tão interessante quanto Lost Canvas”. Castigado por uma imensa curiosidade, me senti compelido a experimentar esse desenho sobre o qual todos falavam muito bem e que tinha uma boa chance de ser tão bom quanto Lost Canvas e Death Note, os dois melhores animes aos quais tive o prazer de assistir na última década.

Vinte cinco episódios depois e algumas críticas durante as sessões de três episódios diários (comentar sobre algo enquanto assisto é um claro sinal de que não estou gostando do que estou vendo) tiro a minha conclusão: Attack on Titans não chega aos pés dos primeiros cinco episódios de Lost Canvas. É deveras chato em alguns momentos, tem uma péssima direção de eventos e é dramático em exagero. E o pior é que meu irmão ainda se surpreendeu pela classificação de Drama de Ação que o desenho recebeu em um site de análises. Sangue do meu sangue...

4- Ninguém pode agradar a gregos e troianos. Tenha a ciência de que, por melhor que seja uma coisa, algumas pessoas simplesmente não sentirão o mesmo impacto que você. Os motivos são os mais variados: gosto pessoal; identificação com o gênero; falta de bagagem cultural e etc.
Para ser mais exato em meu exemplo eu vou citar um ocorrido entre mim e um amigo meu. Com historinha chata mas breve, claro, como não poderia deixar de ser no blog.

Damien e seu fiel companheiro, Cérberus













Ter cultura e ser inteligente neste país é um mal que pode te render vários efeitos colaterais. Um deles é que, dependendo do seu nível de intelectualidade, a maioria das pessoas não será capaz de entender o que você quer dizer e, provavelmente, não acharão a menor graça em piadas e brincadeiras feitas por você.
Certa vez ao começar a jogar uma nova partida de Fallout 3, decidi que interpretaria um personagem totalmente maléfico. Batizei o meliante de Damien. Esse meu amigo começou a rir quando soube. Questionei-o e ele me explicou que havia assistido ao remake de A Profecia, que conta a história de Damien e seu fardo em ser o filho do capeta. Deu pra entender onde eu quis chegar com esse exemplo?
Se faltasse o conhecimento do personagem do filme ao meu amigo, a referência passaria totalmente despercebida e eu seria considerado um retardado sem senso de humor. Tá bom, exagerei um pouco mas é mais ou menos isso que as pessoas pensam nessas situações quando não te conhecem direito.


RAZÃO DE SER DO POST (POIS EU SEMPRE ACABO FALANDO DEMAIS E ESQUECENDO O REAL MOTIVO DE SER DO POST): COMBINAÇÃO DEVERAS INTERESSANTE!

É ou não é a cara da Bjork?












Eu mantenho uma relação de amor e ódio com a seção de filmes das Lojas Americanas. Amor porque eu adoro comprar DVDs de filme. Ódio por causa das malditas filas da loja que, por diversas vezes, me fizeram desistir de uma possível compra por causa demora.
Essa relação de amor e ódio também aparece na hora de “folhear” as caixas de filmes em busca de velhos conhecidos ou desconhecidos possivelmente ilustres que estejam à espera de um desbravador de “ótimos filmes que ninguém assistiu”.

Sendo fã de filmes de terror, nada mais natural que eu sinta uma atração quase irresistível por filmes trash e lado b. E foi a minha experiência de décadas que me fez classificar (erroneamente) Splice: A Nova Espécie como um filme lado b e trash digno do lendário Cine Trash, programa que passava nas tardes da TV Bandeirantes e que era apresentado pelo eterno José Mojica Marins. Fica a lição de nunca julgar um DVD pelo box...

Uma breve sinopse do filme, sem spoilers é claro: Splice conta a história de um casal de cientistas que trabalha em um grande laboratório de pesquisas de combinação de genes. A técnica existe de verdade, sendo conhecida pela palavra inglesa “splicing”, que significa combinar, unir, juntar. Graças aos céus, é uma técnica que passa bem longe disso aqui:




A equipe do casal de cientistas trabalha em um projeto que tem a finalidade de construir uma criatura que combina o melhor do DNA de vários animais, acrescentado do DNA humano também. Isso é tudo que posso dizer sem estragar o filme, mas não precisa ser muito inteligente pra deduzir que quando o DNA do ser humano é adicionado a uma receita o resultado é o bolo desandar, não é mesmo?


POR QUE EU ACREDITO QUE SPLICE MERECE UM POUCO DA SUA ATENÇÃO

Pra atiçar ainda mais a sua curiosidade com o filme












Sejamos francos: depois de filmes como Alien, O Oitavo Passageiro poucas obras conseguiram acrescentar algo de criativo ao gênero ficção e terror. Se você conhece um exemplo melhor que esse, sinta-se à vontade para exteriorizar a sua indicação, mas peço que leve em consideração os quatro conselhos acima. Até filmes como E.T (péssimo exemplo) e O Enigma do Outro Mundo (ótimo exemplo, inclusive o prequel) acabaram sendo influenciados pelo clássico supremo de 1979, pois tentavam se distanciar da linha estabelecida e copiada à exaustão do terror espacial.

Splice: A Nova Espécie, já ganha um ponto por ter personalidade própria e (for god sake) NÃO TENTAR COPIAR UM FILME QUE FOI LANÇADO HÁ EXATOS 34 ANOS.
O começo do filme consegue prender o espectador e, graças aos deuses, este ótimo ritmo é mantido durante cada um dos 104 minutos de filme. Nenhuma, eu digo, NENHUMA cena de Splice está lá sem ter alguma razão de ser. Todas desempenham um excelente papel na construção e desenvolvimento do roteiro, que é bem conciso e bem executado por sinal.

Outro ponto positivo fica para os personagens principais, que fogem dos clichês impostos pelo gênero (heim, Prometheus?) e conseguem ser interessantes sem serem forçados. Um destaque em especial dou à personagem da doutora Elsa, interpretada pela excelente Sarah Polley. Um exemplo de como uma personagem feminina pode ser intrigante sem ser um clone da Ripley ou sem esfregar um par de melões gigantescos na cara de quem está assistindo.

Eu sempre soube que tinha algo de alienígena nesse DNA














Um destaque também para a cantora islandesa Bjork, que interpreta a personagem Dren. Sua atuação foi responsável por alguns dos principais momentos nos quais eu tive que segurar a respiração para conter a ansiedade de não saber o que aconteceria a seguir. Ok, sou um mentiroso compulsivo mas não posso deixar passar a informação de que quem “interpreta” a personagem Dren (ao meu ver, o personagem principal do filme) é a atriz Delphine Chanéac. Justiça seja feita, mesmo que a comparação seja inevitável.

De acordo com a Wikipedia, Splice é um filme canadense e francês de ficção científica dirigido por Vincenzo Natali. Talvez sua origem possa nos dar uma pista do porquê de tanta qualidade e de seu jeitão lado b de ser. Splice é um peixe fora d’água se comparado aos demais filmes (principalmente os ruins, como o sofrível Guerra Mundial Z) da indústria norte-americana. É justamente por fugir do senso comum que ele brilha de uma forma bastante competente por causa de seu mérito e esforços próprios.

É triste ver que algumas porcarias como Percy Jackson ou Transformers recebam tanta atenção da mídia e público e diamantes brutos como Splice fiquem mofando em um cantinho obscuro da seção de DVD de grandes lojas.
De qualquer forma, mesmo fugindo um pouco do tema do blog, ainda consigo manter a sua razão de ser e principal motivo que me levou a criá-lo: expressar minha opinião pessoal, recomendar obras de entretenimento relevantes e fazer um pouco de justiça nerd àqueles menos contemplados pelos veículos tradicionais da mídia.

E é isso. Espero ter indicado um filme do qual os leitores gostarão de assistir e deixo mais uma dica: é ótimo poder acompanhar um bom filme ou jogo do zero, sem saber muito a seu respeito e ter “aquela” deliciosa surpresa que tanto nos motiva a escrever posts enormes indicando algo que nos agradou. Então, procure comprar o DVD original do filme sem assistir a trailers ou ler mais a seu respeito. Confiem no paladar de filmes do titio Shadow que não vão se arrepender. Até a próxima.


Au Revoir!

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

CONSOLE DE BANANAS...













A Sony do Brasil resolveu finalmente revelar a sua estratégia de aumento de vendas do console da empresa concorrente, o Xbox One. Nesta quinta-feira, 17, a Sony do Brasil apresentou uma ferrenha campanha de marketing para alavancar as vendas do novo aparelho de nova geração da Microsoft, das quais podemos citar a sua principal carta na manga: ANUNCIAR O PREÇO DE R$4000,00 PARA O CONSOLE EM SEU LANÇAMENTO NO BRASIL.

Enquanto isso na internet, centenas de sites de notícias queimam exemplares e mais exemplares de seus melhores aparelhos de calcular, a fim de entender como um console que custa U$100,00 a menos pode chegar ao nosso país custando o dobro do seu concorrente, o Xbox One (te amo, Microsoft! PS2).



A melhor arma contra um idiota é sua própria língua...

Au Revoir...

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

ALÉM DA DEMO













videogame
(vídeo guêim) (ingl video game) sm Diversão eletrônica com base em imagens de fita cassete.

Dicionário Michaelis.

A gentileza de um camarada da PSN me permitiu estar entre um dos privilegiados a testar a demo de Beyond: Two Souls, antes da grande maioria dos mortais que anseiam pelo mais novo lançamento da Quantic Dream, que ganhará as prateleiras agora no início do mês de outubro.
Sobre a Quantic Dream você pode até desconhecer o fato de que, além de desenvolver jogos de videogame, ela é bem famosa pelo trabalho de captura de movimentos para filmes e animações. Mas com certeza você já ouviu falar em dois jogos muito conhecidos dessa empresa: Indigo Profecy (chamado de Farenheit, na Europa) e o mais recente, Heavy Rain, lançado em 2010 com exclusividade para Playstation 3.

Acredite: no PS2 essa expressão facial era incrível


As características desses dois jogos são bastante conhecidas no mundo dos games (e muitas vezes pelos motivos errados): roteiros complexos; clima de suspense; expertise gráfica que supera os limites de hardware do console (havia até comentários de que Heavy Rain seria o primeiro a utilizar mais de 75% da capacidade total do PS3, dados totalmente questionáveis depois de jogos como God of War 3 e o mais novo GTA, da desconhecida Rockstar); presença de QTEs para interação com o meio ambiente e a principal: múltiplos finais e desenrolares da trama.

Limpo a cena do crime ou ponho a culpa no cachorro?


Infelizmente eu estava muito ocupado com outros jogos, na época do PS2, para reservar um tempinho para conhecer Indigo Profecy. O motivo do “infelizmente” se dá pelo meu completo amor por histórias de ficção científica que envolvam robôs e inteligências artificiais determinadas à tão manjada dominação mundial.
Já Heavy Rain eu joguei do início ao fim, podendo provar um pouco do que “umas das mentes mais brilhantes do mundo” tem a oferecer aos jogadores de videogame no quesito enredo. Um breve resumo do jogo e da minha experiência geral com ele.

Um dos momentos "queixo caído" do game. A primeira vez em Marte ninguém esquece...


Heavy Rain conta a história do Origami Killer, um assassino serial que obriga pais a participarem de um tipo de “Jogos Mortais” que decidirá se eles estão dispostos a fazer de tudo por suas amadas crias. A vítima da vez é Ethan Mars, um arquiteto bem sucedido que vive os dramas de uma tragédia familiar ocorrida nos minutos iniciais do jogo.
O fato mais relevante (num primeiro momento) de HR são seus gráficos: o game apresenta modelos de personagens assustadoramente realistas e uma animação que só não consegue ser perfeita por causa do inevitável “olhar de peixe morto zumbificado” que personagens nesse nível de realismo gráfico estão fadados a ter.

Não quero nem saber o que esse QTE faz com a cueca de Ethan...


Pra piorar a situação, os controles do jogo não são lá um exemplo de precisão: mesmo em um jogo em que praticamente só fazemos andar e examinar coisas, por meio de QTEs, tarefas como “andar e examinar coisas” não são nada fáceis, tudo por causa de personagens que mais parecem carros desalinhados que serem humanos. É difícil conter o riso (ou a frustração, dependendo do desafio proposto no momento) quando o corpo do personagem vai pra uma direção e sua cabeça luta, teimosamente, para olhar para o lado completamente oposto. O Exorcista explica...

De fato, o excesso de QTEs (muitas vezes irrelevantes) e os controles ruins são dois dos três principais defeitos que encontrei no game. O terceiro diz respeito à fórmula adotada pela Quantic Dream em seus jogos: HEAVY RAIN, ASSIM COMO SEU ANTECESSOR, USA UM SISTEMA DE NOVELA INTERATIVA PARA DESENVOLVER A TRAMA DOS PERSONAGENS.
O resultado disso é que, depois de terminar HR e desvendar a identidade do assassino do Origami, fica difícil sentir vontade de jogar novamente. E esse é um relato pessoal que faço sobre o fator replay desse jogo: joguei pela primeira vez em 2010, com o disco emprestado de um amigo (se contorçam de raiva, Sony e Microsoft) e, mesmo tendo adquirido o game posteriormente, não me senti compelido a tentar assistir a novela novamente fingindo que desconhecia o segredo principal da trama. Seria como assistir ao filme Sexto Sentido novamente e conseguir se surpreender, genuinamente, com seu final. Não dá. Ao menos eu não consigo.

"Célebrooooooo..."


Para resumir, Heavy Rain é um título que dificilmente ganhará um post de Melhor Jogo que Ninguém Jogou aqui no meu blog, mas aconselho aos proprietários de PS3 que joguem o game ao menos uma vez, nem que seja para ficar por dentro das experiências propostas pela Quantic Dream. Se você pretende adquirir Beyond, ouso dizer que uma análise inicial de HR se faz mais que necessária para que suas expectativas não sejam totalmente frustradas. Mesmo porque Heavy Rain é um lindo game, com muitos momentos de tensão e drama que te farão refletir um pouco sobre algumas coisas da vida.


VOLTANDO AO TEMA...

Não esquenta, Helen: dessa vez você vai receber pela sua imagem













O tema do post é a demonstração de Beyond: Two Souls, então vamos ao que interessa.

-GRÁFICOS: acredite, ou melhor, desacredite quando David Cage afirma que Heavy Rain utiliza quase toda a capacidade de hardware do PS3. O trabalho mais recente da própria Quantic Dream serve como prova da “falsidade” da afirmação de Cage: Beyond é um dos jogos mais impressionantes, graficamente, que já foram feitos para consoles.
Os visuais são impressionantes. Logo no menu principal fica clara a intenção dos produtores em chocar o jogador com o que há de mais moderno e realista na confecção de modelos faciais digitais. Quando meu pai (que entende tanto de videogames quanto Stephen Hawkins entende de participar de maratonas) solta o comentário “esses bichos de videogame parecem gente de verdade, né”? é um indício de que o dever foi mais que cumprido pela desenvolvedora do jogo. Sem mais nada a declarar.

Se isso não é um QTE eu não me chamo Shadow














-SISTEMA E JOGABILIDADE: a boa notícia é que os desenvolvedores deram uma “humanizada” nos controles de Beyond. Agora não mais fica a impressão de que estamos controlando um enviado do cifrudinho prestes a vomitar uma torrente de líquido verde na nossa cara. Os comandos, ao menos na demo, respondem de forma satisfatória e menos problemática. Mudar de direção repentinamente com a personagem ainda causa gargalhadas aqui em casa, mas de uma forma bem mais controlada que jogando HR.

Um dos trailers do game mostrava a fatídica frase “No more QTEs” pululando na tela, ao mesmo tempo em que nos dava uma sensação de alívio. Bem, se por “nada de QTEs” a Quantic Dream entende "pressionar para cima ou para baixo nos momentos em que nos é indicado na tela”, sinto avisá-la de que ela precisa rever o conceito de QTEs nos games. O que eu quero dizer é: esqueça essa conversa ohariana de “nunca mais sofrerei com QTEs outra vez...” Beyond usa O MESMÍSSIMO SISTEMA APRESENTADO EM SEUS ANTECESSORES ESPIRITUAIS, SEM TIRAR NEM PÔR. Ele apenas nos apresenta aos comandos de uma forma UM POUCO diferente. Se você detesta games com esse tipo de interação, não se engane e passe bem longe da pequena notável e seu amigo invisível, Aiden.

Eu vejo gente morta a todo momento, e daí?


Pra você que voltou de marte agora, a mecânica de jogo funciona da seguinte forma: controlamos Jodie com a alavanca esquerda e a câmera com a alavanca direita. Cima, baixo, esquerda e direita servem para fazer a garota interagir com objetos e realizar ações, desde pular um tronco de árvore a dar um chute no saco de um infeliz que resolver ficar em seu caminho. Uma pequena bola de golfe (não consigo pensar em outra analogia) indica os objetos com os quais a menina pode interagir, o que pra mim já representa um balde de água fria na experiência não linear que esse tipo de narrativa deveria ter. Não há muitas opções de rota ou diálogos. Tentei não obedecer à ordem de meu tutor de “entre na sala para começarmos o teste” e o melhor que consegui com minha rebeldia foi a repetição ad nauseum da mensagem “venha por aqui Jodie, esse não é o caminho”.

Fora esse detalhe os QTEs de Beyond funcionam de forma mais agradável que nos outros games, nos presenteando com uma sensação um pouco mais palpável de que somos nós quem estamos no comando das ações, e não as mensagens que aparecem na tela.

Mas, já que abordei o quesito linearidade, gostaria de discorrer um pouco mais sobre esse assunto. Sim, os jogos da Quantic Dream são famosos por seus múltiplos finais e desenrolares de enredo. O problema é que parece que levaram muito ao pé da letra o dito popular “os fins justiçam os meios”.
Joguei a demo de Beyond duas vezes: uma pra tocar o terror durante o tutorial do game (a melhor parte da demo, sem sombra de dúvidas), no qual somos apresentados aos poderes sobrenaturais de Jodie (que os manifesta através da criatura conhecida por Aiden) e uma segunda vez com o intuito de fazer o exato oposto do que tinha feito na jogada anterior. Testar os limites de interação e variáveis presentes no sistema do jogo?  Claro!

Pronto, acertei. Posso assustar a gorducha agora?


Para a minha tristeza, o terror tocado por mim na sala de experiências foi completamente artificial: desejando fustigar a gordinha na outra sala ou não, a infeliz entra em total desespero diante dos poderes sobrenaturais de Jodie independente das minhas escolhas, bem debaixo da minha completa expressão de incredulidade e decepção com a linearidade dos eventos no enredo. Fica difícil chamar essa novela de jogo se nesse palco não há espaço para improvisação.

Antes de encerrar este tópico, gostaria de dar os parabéns aos produtores do game. No menu principal é possível mudar as preferências de idioma e legendas da forma mais prática e fácil possível. Se você curtiu ouvir a voz do Ray (Caça-Fantasmas, recomendo) no tutor da pequena Jodie, vá em frente e aproveite mais um ótimo trabalho de localização de game no país (só não se assuste com a quantidade de palavrões que vai ouvir durante a aventura). Esse é um ótimo indício de que os games no Brasil, assim como a indústria brasileira de games, caminham para um ponto no qual finalmente teremos em mãos produtos brasileiros com a mesma qualidade de acabamento comparável a seus originais estrangeiros.
Uma salva de palmas à Microsoft e sua iniciativa de acreditar no potencial de mercado brasileiro, quando lançou o Xbox 360 oficialmente no país. Vivi aquele momento e tenho certeza que foi decisivo para que outras empresas (Blizzard, Ubisoft) se dessem conta de que índios que convivem com gangues de chimpanzés no meio das ruas também sabem apreciar um bom pedaço de software de última geração.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vai ter que voltar pra caixa. Ainda não foi dessa vez, minha Kara.













A impressão que fica com esta demo é a de que os elementos de jogabilidade de Beyond: Two Souls ficariam melhor representados em um jogo nos moldes tradicionais. E isso até já aconteceu, no game para PS2 Psi Ops, da Midway, em que esse tema de poderes psíquicos foi muito bem retratado. Para os moldes de um game de ação em terceira pessoa, claro (com certeza Psi Ops merece a alcunha de “ótimo game que ninguém jogou”).

O trailer de Beyond, por exemplo, é bastante ambicioso mas deixa a sensação amarga de que estão nos oferecendo uma possibilidade narrativa que na verdade não são capazes de nos entregar no gameplay de fato. Não tenho a menor dúvida que a Quantic Dream tem guardado para os jogadores uma excelente história a ser contada (como em seus games anteriores). O que eu tenho dúvida é se seria justo enquadrar Beyond na definição de game encontrada nos dicionários (a real, não aquela hilariante do começo do texto):

“É um jogo eletrônico no qual o jogador interage com imagens enviadas a um dispositivo que as exibe, geralmente uma televisão ou um monitor. O Playstation é um tipo de videogame muito moderno”. (dic. Informal).


Cenas do próximo capítulo...



Au Revoir!

terça-feira, 17 de setembro de 2013

SE ENTREGANDO AO MAL SUPREMO...

Eu sou o tipo de pessoa que nunca devia prometer nada, ao menos não a mim mesmo.
Quando eu prometo algo a alguém faço o possível para cumprir com o prometido, mesmo que seguir esses preceitos morais de desenho animado me causem mais problemas que benefícios.

No último domingo, dia 15, prometi a mim mesmo (já sabendo que não ia cumprir) que daria uma folga ao meu dinheiro e só compraria o Diablo 3 quando os preços chegassem a um nível menos canibalístico com a minha carteira. O que eu não esperava, além da vontade absurda de jogar o game, era que a maldita Lojas Americanas se colocasse entre mim e minha promessa de economia com games, como aconteceu no caso do Darksiders II.

Eu sempre fui um cara muito azarado com sorteios, bingos e tudo que envolva porcentagens menores que 75% de chance de ganhar alguma coisa de graça. Que o diga a vez em que eu fui lançar um golpe com Orlandu, no FF Tactics, que mostrava uma chance de 98% e o maldito teve a pachorra de errar bem na minha cara, garantindo um belo L1 + L2 + R1 + R2 + Start + Select da minha parte.
Pois bem, o meu azar também se estende a brindes relacionados a games.

Engraçado como a calculadora de probabilidades do FF Tactics tá sempre no -


Para quem acompanha a saga, não é novidade que a edição de pré-venda do Diablo 3 vinha com uma camiseta e alguns itens in-game exclusivos desta edição.
Mesmo decidido a manter a minha promessa, resolvi dar apenas uma “pesquisada” se ainda era possível encontrar tal edição por aqui em minha terra.
Depois de muitas visitas a lojas especializadas e uma frustrante e patética ida ao sebo de games usados, fui totalmente convencido pelos vendedores de que “não dá mais pra encontrar a edição de pré-venda”, pois ela havia sido disponibilizada apenas... na pré-venda do game.

Já sem nenhuma esperança, decidi dar uma passada na mesma unidade das Lojas Americanas que tinha me proporcionado tanto uma raiva homérica com uma cópia defeituosa de God of War 3 (e uma visita ao procon da minha cidade) quanto a pechincha já citada do Darksiders II.
E qual não foi a minha surpresa ao encontrar não só o game em questão como a já citada edição de pré-venda pelo mesmo preço da versão normal, descansando na vitrine da loja sob os meus olhos incrédulos de azarado nato? Era a minha chance de “ganhar” um exclusivo e verdadeiro brinde nerd de colecionador de cacarecos relacionados a games...

Sonho meu... sonho meu...


Tendo comprado o jogo, a minha única dúvida era quanto ao tamanho da camiseta. Aliás, comprar camisetas pela internet pode ser uma armadilha das grandes.
Comprei apenas duas: uma com o logo da Atari, que quase não usei por causa da má qualidade do tecido; e uma outra com o logo da Weyland Yutani, que é feita de um bom tecido mas com um M na etiqueta que deve significar “mei gordinho” em vez do costumeiro “médio”. Então fica a dica: cuidado ao comprar roupas pela internet.
Mas voltando ao assunto: a camiseta do Diablo 3 não só é linda como pode ser usada em qualquer ocasião sem se configurar como um atestado de virgindade nerd por parte de quem a veste, muito diferente dessa aqui:

O punho de Megaman dá uma pista da sua chance de pegar mulher usando um camisa dessas


Sério, que tipo de pessoa que tenha passado dos 7 anos de idade, em sã consciência, vai ter a coragem de sair na rua com uma camiseta desse tipo?


JO SOY EL DIABLO EN PERSONA

Por muito pouco não traduziram "Witchdoctor" como "Macumbeiro"


Me perdi um pouco mas o caso é que, mesmo vindo no tamanho G (seria de gamer? Rsrsrs), a camisa ficou muito bem e com certeza vou poder usa-la em outras ocasiões que não seja na Super Hero Con ou em um daqueles eventos de mestres de RPG.

Depois de vestir a camisa do meu game preferido (literalmente), era chegada a hora de testar o jogo pra valer. E foi aí que eu quase tive um enfarto do miocárdio: DIABLO 3, MESMO ESTAMPANDO EM LETRAS GARRAFAIS VÁRIAS PALAVRAS EM PORTUGUÊS DO BRASIL EM SUA CAPA, VINHA COM SOM E LEGENDAS EM ESPANHOL. Sim, pois a Blizzard ainda não descobriu que falamos português em vez de espanhol.

Olha o Shadow aí, se exibindo com a camiseta do capeta


Desesperado, fui em opções de áudio. Nada. Opções de vídeo: nada sequer parecido com configuração de idioma. Teria eu gasto mais de uma centena de reais para jogar um jogo todo em espanhol por causa da xenofobia de uma empresa que só sabe onde o Brasil fica na hora de receber o lucro por seus produtos porcamente localizados?

Já na internet, pesquisei no próprio fórum da Blizzard do Brasil para saber se outros tinham passado pelo mesmo problema que eu. Sim, o caso nem chega a ser culpa da produtora do game, talvez. É que o maldito idioma do menu principal do PS3 influencia no idioma geral dos games e do sistema de troféus. Ou seja: se o idioma do seu console estiver em inglês, será preciso (em alguns casos, como o de Infamous) trocar o idioma do sistema para aproveitar o jogo em português (de Portugal. Argh!!!).

Fiz as devidas alterações e o melhor que consegui foi colocar o sistema do game em Português BR, o que já é bem melhor que aguentar Deckard Cain soltando um “ora, pois” a cada frase finalizada.


ESPERANDO PELO COLOSSO SANGRENTO

A minha foi de pós-venda, e daí?


Eu já tinha jogado Diablo 3 na casa de um amigo. E lá o game estava em português br também. Sim, jogar um game todo dublado e traduzido para o idioma local pode ser uma experiência bastante estranha, principalmente para um jogador que se orgulha de seu inglês fluente aprendido com muito Final Fantasy e Chrono Trigger.
Mas o trabalho de dublagem de D3 é tão competente que fica impossível tecer qualquer comentário negativo a esse respeito, a despeito das trapalhadas da Blizzard nas configurações do game.

Aliás, meu preconceito com jogos “abrasileirados” não se limita apenas à dublagem não. Sempre que leio os fatídicos dizeres “Produzido na Zona Franca de Manaus” eu tremo na base, já sabendo que darei de cara com uma caixa tosca de Blu-ray de filme ao invés de game e um manual pobretão em preto-e-branco que podia ser usado para limpar o meu traseiro se ele fosse menos exigente do que é.
Aí fica a pergunta: é pra isso que eu compro produtos originais? Pra receber um acabamento inferior ao item original? Assim fica difícil...

Felizmente, o trabalho de localização da Blizzard é dos melhores e mais atenciosos com a nossa cultura (não se empolgue achando que vai encontrar sacis ao invés de imps andando pelos mapas de Santuário), diferente do atendimento porco e descarado fornecido pelo 0800 da empresa, que nos deixa com uma impressão de total abandono e compra de um produto que flutua no limbo do direito do consumidor.

Diablo 3 conta com legendas em português, fator inclusivo para aqueles que não manjam nada do inglês e querem ficar por dentro de cada detalhe da história. Tudo é muito bem didático e bem feito nos menus e especificação de itens. E eu mal vejo a hora de encontrar um Colosso Sangrento e descobrir os seus atributos mágicos, seja lá o que raios um Colosso Sangrento seja...

"Essas daqui não estão à venda"


Um ponto alto também são as vozes dos narradores no game: dubladores profissionais bastante conhecidos de filmes clássicos da Sessão da Tarde, animes e seriados de TV. É impagável comprar um item com um mercador que tem a mesma voz que o Seu Madruga do Chavez. A vontade que dá é voltar lá e passear pelas opções de diálogo na esperança de ouvi-lo falar “tinha que ser o Chavez do oito...”


O COMBATE CONTRA O MAL SUPREMO CONTINUA

No 0800 da Blizzard é assim: disque 1 para Bárbaro, 2 para Caçadora de Demônios...


E é isso: apesar do despreparo da Blizzard e da sensação de como essa experiência toda podia ter dado terrivelmente errado, sigo na minha jornada no mundo de Santuário para derrotar o mal que nunca dorme, muito bem adornado pelo meu Elmo Infernal; minhas Luvas de Pele do Aprendiz; meu Machado de Duas Mãos Lendário; minhas Botas Encadeadas do Profissional...


Au Revoir!

domingo, 15 de setembro de 2013

DIABLO 3, A DEMO














Diablo 3 foi lançado para PCs em 2012. Em 2013 chegou a vez dos consoles conhecerem o final da saga do mal milenar que tenta dominar todos os planos de existência. E a principal dúvida que acometia a mente dos donos de PS3 e Xbox 360 era: como ficaria a jogabilidade do game fora do padrão mouse + teclado?
Sim, pois a Blizzard sempre fez o maior doce para lançar qualquer versão de Diablo nos consoles (teve uma para PSone, mas não foi desenvolvida pela Blizzard) por causa da adaptação que teria que ser feita para que a experiência nos consoles fosse tão fluída quanto nos PCs.

Quando questionada várias vezes sobre o porquê de não lançar o game para consoles, a empresa afirmava que uma equipe especialmente formada para esta tarefa seria necessária para o port do jogo. A Blizzard conseguiu alcançar o resultado desejado? Veremos...


DIABLO 3 DEMO (NADA DE TROCADILHOS DESSA VEZ...)

Custou muito pra ver essa cena se tornar realidade...













Como todos já sabem, Diablo 3 foi lançado pra PS3, 360 e sairá para PS4 também. A diferença é que a Blizzard não regulou mixaria e lançou uma demo do jogo pra quem quiser sentir o gostinho dos poderes das trevas que caminham livremente pelo mundo (não adianta: jogo com esse tipo de história sempre me deixa mais dramático que o normal.). E isso é o que eu posso chamar de uma senhora demonstração, viu?

A demo de Diablo 3 é monstruosa. Começamos do início do game mesmo, podendo escolher entre três níveis de dificuldade e duas das cinco classes presentes no game: Arcanista e Bárbaro.
Na primeira jogada, com a Arcanista, demorei mais de uma hora e meia para chegar ao ponto onde parei. Sim, coloquei no hard e note que eu não falei “chegar ao final da demo”, pois perdi a paciência e desliguei o videogame. E olha que a demo é tão completa que conta com sistema de autosave e tudo.

Não adianta, Demon Hunter, você vai ficar de fora da demo


Na segunda vez (ainda no mesmo dia, no caso hoje, pois fiquei com muita vontade de jogar de novo), com o Bárbaro, coloquei no nível easy para testar o tal “tanque de guerra humano” que a Blizzard havia prometido que essa classe seria. E posso concluir que o Bárbaro é bem mais que um tanque de guerra.
A fúria e violência dessa classe me lembra muito a de personagens como Kratos ou o famoso Incrível Hulk. Só pra ter uma noção da bagaceira: o ataque mais simples do Bárbaro é uma machadada que deixa uma explosão no ar e ele mata quase todos os inimigos com apenas um golpe. E olha que nem falei da sua habilidade especial, uma martelada no chão que faz os subchefes do game sentirem vontade de se recolherem aos seus aposentos mais cedo do que o previsto. Mas vamos organizar o texto por partes para facilitar a vida.


GRÁFICOS

Shazem, Shazem, Shazem...













Esse fato não é novidade nenhuma pra ninguém: muito antes do lançamento do game, a Blizzard inventou de lançar uma versão beta do game (fato corriqueiro para jogadores de PC mas não de consoles). Mas o mimimi dos fanboys foi tanto que fez a equipe artística do game alterar a paleta de cores original do game. A razão seria porque ela era muito colorida e não combinava com a atmosfera dos games anteriores, inclusive rendendo comparações com os games da série World of Warcraft.

Em minha opinião os gráficos ainda continuam bastante coloridos. Mas isso não é um problema, pois jogando dá pra sentir aquela velha sensação que os outros dois jogos nos passavam. Claro que não chega perto do terror que sentíamos ao andar, temerosamente, nas catacumbas do Diablo ou nos perdermos na imensidão desértica do Diablo 2, mas tudo está lá.
Pra resumir: Diablo 3 é um jogo que não vai fazer seu queixo despencar da cabeça, mas ele é muito bonito e cumpre o seu papel.

Tudo no game é muitíssimo bem detalhado. Os itens ficam no corpo do personagem, como é de costume na série; as magias e ataques especiais têm um acabamento pra lá de satisfatório e o nível de detalhes na destruição de mobília e objetos de cenário beira o surreal. Só achei duas falhas gráficas neste game: os cadáveres dos inimigos somem depois de um tempo e algumas magias não interagem muito bem com os objetos no cenário.
Mas quanto a isso não se preocupe: Diablo 3 não vai te fazer passar vergonha na frente daquele seu colega chato e ista que adora esfregar na sua cara que PCs geram games trocentas vezes mais bonitos e rápidos que os consoles.


NOVIDADES COM RELAÇÃO AOS JOGOS ANTERIORES

Acho que você não vai gostar das mudanças que eu planejo pra Terra













As mudanças no game são muitas. Infelizmente nem todas são pra melhor.
Começando por alguns elementos de gameplay:

-percebe-se que a Blizzard finalmente demonstra ter alguma piedade do nosso saquinho e colocou no game a coleta automática de dinheiro. Eu preciso dizer como era chato ficar segurando shift pra coletar moeda por moeda no Diablo II? Ou pior: ter que catar cada dobrão de ouro pessoalmente no primeiro game? Sacal, desnecessário e um total desperdício de tempo e vida dos jogadores;

O sistema gira em torno da roda de habilidades. Mas que Trocadalho...


-não há mais pontos de skill para customização de atributos. Sim, se você é um fã xiita da série pode começar a vomitar verde agora: quando evoluímos, além de aumento automático de HP e outras habilidades, ganhamos novas skills para equipar ao nosso leque de ataques. Nada de árvore de habilidades, customização direta de atributos ou algo que o valha.
Sim, isso é algo terrível para a série. Esse tipo de simplificação vem sendo cada vez mais comum e não combina muito com uma empresa que dá um belo “foda-se! Se eu achar que um game precisa ficar 10 anos em desenvolvimento para sair como nós queremos, é o que vai acontecer” toda vez que é questionada sobre datas de lançamento ou quantidade de títulos de suas franquias.
Realmente, a Blizzard não precisava se rebaixar a essa regra de idiotização dos games para que Diablo 3 fizesse sucesso. O lado bom dessa bosta toda é que nós nem nos lembramos desses pontos enquanto jogamos o game;

-o game conta com muitos lugares pra visitar, mas ainda não foi dessa vez que poderemos entrar em qualquer lugar nos cenários e explorar de maneira menos linear as dungeons e cidades. Sim, essa é uma falha que me incomoda desde o primeiro jogo e acho que devia ser corrigida;

-no game há regeneração de HP. Quando joguei no PC, na casa de um amigo e com a Arcanista, passei mais de duas horas sem conseguir ser atingido por nenhum inimigo sequer. Então fica a dica: DIABLO 3, JÁ NO NÍVEL HARD, É BASTANTE DESAFIADOR. Perdi a conta de quantas vezes morri jogando a demo neste nível então, se você é um daqueles sujeitos chatos que se acham o melhor e ficam reclamando de como os games estão mamão-com-açúcar hoje em dia, escolha o nível difícil e seja feliz.
Se por um lado certos recursos tornam o game bem fácil, alguns outros elementos o tornam bastante desafiador.
A escassez de poções de cura, em ambos os níveis, é um exemplo do que estou querendo dizer. E o já citado nível hard de dificuldade vem para acabar de vez com a mamata da regeneração de HP que tanto estraga a imersão de alguns jogadores;

-não sei se isso pode ser considerado como uma novidade, mas me parece que o famoso leilão de itens do game original foi removido da versão de consoles. Alguns afirmam que isso aumenta o desafio e a dificuldade. Se a ideia foi essa, um ponto para a Blizzard.


JOGABILIDADE ADAPTADA PARA CONSOLES

Esse estrago todo com apenas um toque no R2













Essa era a maior dúvida dos jogadores acerca deste jogo: será que a Blizzard conseguiria transpor a ótima e simples jogabilidade dos PCs para os consoles de mesa?
Bem, enquanto jogava a frase “foda-se mouse e teclado! Jogar Diablo no joystick é bom demais!” não parava de ressoar na minha cabeça. Acho que isso já diz tudo...

O sistema é bem simples: o botão xis é usado para ataques simples. O R2 lança magias. O direcional direito serve para esquivar (sim, esquivar, ao melhor estilo God of War). Quadrado é usado para uma segunda habilidade e L1 para poções de cura. Não sei se existem itens de reparar MP, visto que a Arcanista já vem com uma taxa de regeneração de MP de causar inveja a Sorceress com os mais altos níveis de Warmth no Diablo 2.

Lembra, no post sobre o Castlevania Lamento of Innocence, quando eu falei que a jogabilidade daquele game fazia parecer que Castlevania sempre havia sido 3D? O mesmo acontece com o excelente trabalho que a equipe de localização da Blizzard realizou com Diablo 3: mesmo sendo um fã antigo da série, a jogabilidade adaptada aos consoles flui tão bem que dificilmente você vai se lembrar das raízes do game enquanto joga no PS3 ou 360.

Tudo funciona muito bem, de forma ágil e sem muitos problemas para mirar e atingir os alvos. Pra ser mais exato, encontrei um problema com uma habilidade em especial da Arcanista, seu raio de gelo a la Ciclope dos X-Men que varre a tela toda: às vezes ele erra o alvo que estamos tentando acertar ou, mesmo atingindo, não causa dano. Mas isso é um problema do jogo em si, não da jogabilidade.

O menu do jogo está perfeito, bastante funcional e tranqüilo de se navegar. Um ponto a mais à Blizzard pela interface deliciosamente prática que nos permite ver os atributos dos equipamentos e fazer comparações de estatísticas sem precisar pressionar um botão sequer.


CONCLUSÃO SOBRE A DEMO

Separados no nascimento...













Quando joguei Diablo 3 pela primeira vez a sensação não foi das melhores. Mesmo com excelentes gráficos, som e dublagem, o game me pareceu muito fácil e simplificado. Não senti aquela vontade magnetizante que a série costumava me despertar.
Graças aos céus e ao ótimo trabalho da Blizzard, em especial o da equipe responsável pela adaptação do game aos consoles, essa primeira impressão não ficou: DIABLO 3 É VICIANTE. Não dá vontade de parar de jogar. Ou melhor: tenho que me obrigar a parar de jogar, lamentando amargamente o fato de estar jogando uma versãelhor: tenho que me obrigar a parar de jogar, lamentando amargamente o fato de estar jogando uma versla Ciclope dos X-Men que vo incompleta e lamentando também a ausência das outras três classes (bela sacada, Blizzard. Eu entendi o recado).

"Quer? Então faz o download"!


Geralmente, quando testo uma demo, tenho aquela sensação de que ela foi desenvolvida com aquela mentalidade do Quico do Chavez de “quer mais? Então compra!”.
Aqui acontece o contrário: a demo de Diablo 3 consegue esgotar a sua paciência, e digo isso no melhor dos sentidos.
Neste trecho do game podemos sentir toda aquela atmosfera presente nos games anteriores, seja pela solidão de calabouços frios e escuros ao frenesi de enfrentar hordas de inimigos simultaneamente.

Com essa demo, a minha impressão geral a respeito deste jogo mudou da água pro vinho, tanto a impressão externa causada pela falação que o game causou quanto a minha impressão pessoal com a versão de PC.
Diablo 3 é o game que eu gostaria de ganhar de presente de natal este ano. Como dezembro ainda está longe de chegar e eu sei que esse presente não vai acontecer, vou apagar a demo do meu HD para não gerar mais ansiedade de jogar e aguardar o preço do game baixar para poder desfrutar um pouco do calorzinho infernal que só a Blizzard sabe nos proporcionar, de dez em dez anos...

Eta calorzinho gostoso!


Au Revoir!