Júlio Verne é um dos
meus escritores favoritos, mesmo não tendo lido absolutamente todos os seus
livros (li apenas Volta ao mundo em 80 dias, Viagem ao centro da Terra e 20.000
léguas submarinas).
O autor possuía uma
imaginação absurda, uma qualidade que casa perfeitamente com o ofício de
escritor: mesmo sem nunca ter saído de seu país de origem, a França, Júlio
Verne dava descrições detalhadíssimas da fauna, flora e geografia de diversos
países em suas obras.
Mas ele é mais conhecido
mesmo por antecipar coisas que só seriam inventadas muito tempo depois de sua
morte. Entre elas, podemos citar o submarino elétrico, o escafandro (sabe
aquela roupa de mergulho que o Big Daddy usa na série Bioshock?), os módulos
espaciais usados pra viajar ao espaço, entre outros.
Mesmo tendo chegado
bem perto de modernidades vistas apenas nos dias de hoje, como o computador e a
internet, tem uma coisa que o criativo autor nunca poderia imaginar, nem mesmo
do auto de sua mente borbulhante: a forma como as pessoas usariam esse tipo de
tecnologia para se relacionar de forma vergonhosa com outros seres humanos.
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Por mais difícil que seja segurar aquela resposta atravessada, não alimentá-los ainda é a melhor solução para o problema dos trolls. |
A internet, a dita “terra
sem lei” que não consta nos mapas do mundo real, é o palco perfeito para muitas pessoas colocarem pra fora o que há de
mais mesquinho, desrespeitoso e deselegante quando se trata de comportamento humano.
Psicólogos e
especialistas teorizam que o anonimato, a distância física e a
falta de regras de convívio nesse tipo de ambiente virtual é o que estimula
pessoas a agirem como verdadeiros primatas à frente do teclado.
Desejar câncer, mandar
tomar “naquele canto” ou xingar todas as gerações de familiares de uma pessoa
que nem conhece parece ser a regra de ouro da etiqueta encontrada em seções de
comentários de sites como Youtube, Twitter ou Facebook.
Sentenças virtuais de morte parecem ser o castigo padrão destinado àqueles que fogem do senso comum, ou tentam
argumentar contra uma ideia compartilhada publicamente, pra quem quiser ouvir
(ou ler).
Felizmente, mesmo
sofrendo esse tipo de contratempo nos meus perfis pessoais (ou você achava que
Shadow Geisel é meu nome de batismo?), eu nunca tive muitas dores de cabeça com
esse tipo de comportamento aqui, no Mais Um Blog de Games (uma das vantagens de ter um blog que está "abaixo dos radares"). O máximo de
infortúnio com o qual eu tenho que lidar é o de deletar os comentários de Spam,
ou um ou outro troll pingado que chega aqui rebatendo as minhas idéias, mas não aguenta
passar da segunda ou terceira réplica.
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A solitária vida de quem pensa que xingamento é uma forma de comunicação. |
Mas não deixa de ser
preocupante essa tendência que as pessoas vêm demonstrando, em agirem como
completas idiotas sem um pingo de educação ou trava moral, como se pudessem se
dar ao luxo de dizer a primeira coisa que lhes vêm a mente, como se o mundo não fosse passar
de amanhã.
Com isso, eu gostaria
de dar alguns toques pra quem ainda não se deu conta de que pode estar sendo
levado por essa onda de intolerância ao próximo e ódio gratuito contra qualquer coisa que dê o menor sinal de vida:
1- Mesmo que esteja falando com pessoas
desconhecidas, e PRINCIPALMENTE se estiver lidando com desconhecidos, pense um
pouco antes de escrever o primeiro despautério que vier a sua mente. Lembre-se
que as pessoas têm sentimentos (parece frase de livro de autoajuda, mas juro
que estou falando sério). Tente não
falar pelo teclado do computador algo que você pensaria duas vezes antes de falar, cara a cara, a uma
pessoa;
2- Ninguém tem culpa se
você não recebeu a devida atenção de seus pais quando era criança. Não use a
internet para descontar isso nos outros. Procure não se exaltar por qualquer
bobagem: se você está na quinta mensagem e não vê um desfecho positivo para uma
conversa, dificilmente você conseguirá tirar algo de bom dessa experiência. Desista. Vá embora. Desative as notificações de comentário desse post, para não cair em tentação de dar uma "resposta bem merecida" de troco. As
pessoas viram mulas teimosas, incapazes de dar o braço a torcer, quando estão
na frente do computador;
3- Jogos, filmes, games, livros ou HQs não
são seus parentes próximos, por mais que você goste deles. Obras de ficção não
possuem uma honra a ser defendida por você. Se alguém duvida da sua opinião,
aceita que dói menos: o mundo é feito de variedade, pro bem ou pro mal, e ele
não vai acabar só porque o seu vizinho acha O Senhor dos Anéis um livro chato
pra caralho;
4- “Opinião é que nem *, cada um tem a sua
e às vezes ela fede.” Aprenda a respeitar a opinião dos outros (mesmo que o
cheiro não seja muito bom) e considerar, nem que seja por um breve momento, que
você pode estar errado. Uma pessoa não é um agente Illuminati trabalhando pela
Nova Ordem Mundial só porque discorda de você. Existem milhares de pontos de
vista sobre um assunto, e nenhuma verdade absoluta para lhes servir de alicerce da
razão;
5- NÃO SEJA UM CHATO. Ter razão não
significa que as pessoas vão necessariamente gostar do que você tem pra dizer. Saiba
como verbalizar seus comentários e posições ideológicas da forma adequada. Essa conversa
de “eu perco o amigo, mas não perco a piada” é discurso de gente sem noção
tentando justificar a sua falta de tato pra lidar com as pessoas. E "Hue
hue Br", em terra de gente civilizada, é motivo de vergonha, não de orgulho. Tem certeza que é
essa a fama que você quer atribuir aos brasileiros mundo afora?
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Tenha a noção de perceber quando alguém só entrou na conversa pra causar confusão. |
6- Tenha um pouco mais de senso crítico sobre o que você vai compartilhar, comentar ou dar like (e dislike) na internet. Não prostitua seu critério por qualquer mixaria. Só pra dar um exemplo de como as pessoas parecem ser viciadas em curtir qualquer coisa que ofereça esse botão: uma vez eu estava instalando um programa no meu computador, e pra não esquecer a senha (eu já falei que tenho a memória do peixe Dory, de Procurando Nemo?) eu copiei e a colei na área de comentário de um post do Facebook. Por um ato-reflexo, eu acabei dando enter e publiquei a senha sem querer. Pois não é que teve gente caindo no ridículo de curtir um comentário que consistia de um típico KJ98-MHR5-BER2-RM34 de chave de acesso? Pois é... É disso que eu estou falando.
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Que filme que nada: isso é a minha biografia não-autorizada! |
Os extremos de likes e dislikes de canais como Pewdiepie e Justin Bieber são um indício da falta de senso crítico dos espectadores do Youtube, e da internet como um todo. São pessoas que curtem um vídeo que ainda nem começaram a assistir; compartilham qualquer coisa sem pensar um pouco antes na mensagem que estão propagando (ou sequer se não estão pagando mico de cair em mais um hoax de internet); e fazem juras de amor e ódio, com a mesma intensidade, a pessoas que nunca viram e provavelmente nunca verão pessoalmente.
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Você não ganha nada bancando o advogado de uma marca. Ao contrário: o seu dinheiro é que vai embora nos produtos de uma empresa. Ela é quem devia partir em sua defesa. |
Não é à toa que muitos internautas, especialmente Youtubers, têm se valido de ferramentas como desativação de comentários de um vídeo para se protegerem da torrente de cobras e lagartos que saltam dos dedos nervosos e da boca suja desse tipo de fanático de internet. Não é todo dia que um ser humano está com saco para lidar com a infantilidade virtual de algumas pessoas, principalmente aqueles que não ganham um níquel furado como recompensa do trabalho que disponibilizam na rede.
É aquele tipo de coisa
atemporal, que nunca sai de moda e parece estar em falta nas relações virtuais
de hoje: muito ajuda quem não atrapalha, e se você vai criticar algo, que o
faça com o mínimo de educação e construtividade. Está dado o recado. Pra quem quiser entender um pouco os mecanismos biológicos e sociais que fazem as pessoas se comportarem como idiotas na internet, deixo dois links do excelente canal Nerdologia, do Youtube, sobre este assunto:
Este link é de um vídeo sobre Discussões de Internet.
Este outro é sobre a necessidade do ser humano Formar Panelinhas.
Este link é de um vídeo sobre Discussões de Internet.
Este outro é sobre a necessidade do ser humano Formar Panelinhas.
Au Revoir.
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