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segunda-feira, 8 de junho de 2015

FALOUT 4 E MAIS UMA "POLÊMICA"


Mal foi anunciado e já tem um bocado de gente viajando na maionese por causa do jogo Fallout 4. E a primeira a embarcar no expresso foi a própria Bethesda, que agora quer cobrar vinte dólares a mais na pré-venda "só" porque seu jogo demora de quatro a cinco anos pra ser feito, com uma equipe de centenas de pessoas e tem uma duração de dez a vinte vezes a de um jogo comum. Vê se pode uma coisa dessas...

Fiquem com meu vídeo sobre o incidente, mas antes respondam à seguinte questão: você vai no mercado e paga R$60,00 por dez quilos de arroz. Se o dono do mercado te cobrar R$80,00 porque você está levando duzentos quilos, será que você deixaria de comprar no mercado dele? Fica a oportunidade de reflexão.




Au Revoir

sábado, 6 de junho de 2015

AD HOMINEM PÓS-APOCALÍPTICO

























Fallout 4 mal foi anunciado e já começou a levantar algumas discussões na comunidade gamer da internet. Em qual contexto político o game se passa? É mesmo Boston a cidade onde se desenrola o enredo? O quarto jogo continuará os eventos do terceiro, ou se trata de um tipo de mundo alternativo paralelo? Não, nada disso. As dúvidas dos jogadores sobre o arrasa-quarteirão da gigante Bethesda são seus gráficos.

No trailer, lançado pela empresa ainda nesta semana, foram exibidos visuais em tempo real, ou seja, “filmados” com o próprio motor gráfico do game, capazes de deixar qualquer fã da série babando. Eu mesmo fui um deles, apesar de ter achado alguns trechos coloridos demais pra uma temática de hecatombe nuclear. Aqui vai o vídeo novamente, pra quem acabou de sair de um coma profundo e ainda não viu:




Só consigo imaginar dois perfis entre as pessoas que reclamaram dos gráficos mostrados nesse trailer: um é o do jogador de PC amargurado que coloca a culpa nos jogadores de console pela nivelação nos gráficos das diversas versões de um jogo.
Vale lembrar a esse tipo que os mesmos jogadores de PC não ficariam nada satisfeitos se o novo Fallout tivesse gráficos de saltar arco-íris dos seus olhos, mas só PCs ultra turbinados pudessem rodar o jogo (com todas as chaves de efeitos no máximo) no lançamento, como foi o caso do Doom 3, em 2003. Também vale lembrar que a decisão de fazer uma versão equivalente a todos os sistemas é uma decisão puramente COMERCIAL. Deixem de ser mimados e parem de achar que a Bethesda está lançando um jogo inferior ao que poderia ser feito apenas por que ela não vai com a cara dos donos de PC. Vale lembrar que, antes da estreia nos consoles, franquias como Fallout, Elder Scrolls e XCOM ocupavam um nicho perigosamente restrito que praticamente os excluía do interesse dos jogadores da geração atual.


O Sr. Utilidade pegando no pesado antes do cogumelo


Pare pra pensar: qual a faixa de pessoas que possuem PC em casa? Em determinados países, acredito que chegue bem perto dos 90% (deixando bem claro que são apenas especulações, sem nenhum embasamento de dados estatísticos oficiais). Quantos desses consumidores DE FATO jogam videogame? Novamente, em certos países, acredito que uma média de 60 a 70% (exclua desse cálculo perfis como o daquela sua vovó que sempre pede a sua ajuda pra abrir a janela do Chrome; daquele executivo super ocupado que só usa o laptop pra checar emails e enviar relatórios; ou aquela dona de casa que só usa o Facebook ou o Google pra descobrir novas receitas). Desse percentual, quantos desses jogadores conhecem a franquia Fallout e jogam os jogos? Acredito que a taxa caia vertiginosamente agora, ficando em torno dos 30 a 40% (estou sendo bastante generoso, mas, novamente, são apenas especulações a título de argumentação).


DogMeat mais bonitão do que nunca, procurando um petisco


Então, viu como seria dar um tiro no próprio pé (tiro esse que a Firaxis parece ter escolhido dar, com seu XCOM 2) a Bethesda lançar um game bem mais bonito pra PCs e ignorar (ou lançar um jogo muito destoante) os jogadores de console? O que estou querendo dizer é o óbvio: nem todo mundo que tem um PC joga videogame, mas todo mundo que tem um console joga. É apenas uma questão de base instalada. E isso sem levar em conta que, como os três principais pólos da indústria são Sony, Microsoft e PCs (como eu disse no vídeo, desculpe Nintendo, mas seu console anacrônico te deixa fora da brincadeira), ignorando as plataformas caseiras a Bethesda estaria abrindo mão de um terço dos lucros com as vendas de seu jogo. Um verdadeiro tiro no próprio pé, com direito a câmera lenta e taxa de acerto de 100% no Pipboy 4000...


"Droga, nada de petisco aqui também..."


Às pessoas com esse jeito de encarar as coisas, só me resta dar o seguinte conselho: cresçam! Eu passei a geração passada vendo jogos de PS3 sendo nivelados por baixo para se adequarem às especificações do Xbox 360 (que era um pouco inferior ao PS3) e nem por isso meu ânus caiu da minha bunda por causa disso. Todas as vias de se jogar videogame (consoles, PCs, celulares, Tablets...) têm seu valor, pois contribuem para a democratização de franquias que talvez nem vissem a luz do dia se permanecessem presas a um hardware só. E eu não vejo nenhum jogador de PC reclamando do serviço prestado pela Steam em trazer jogos que antes só davam as caras nos consoles...


À procura de seu dono ou de um novo petisco?


Só pra finalizar esse tópico, os PC gamers deviam se contentar com o fato de que a versão de Fallout 4, mesmo que não seja muito diferente (pra melhor) das versões de consoles, já vai sair ganhando muito em questões de resolução, efeitos, tempo de carregamento e suporte da comunidade modder. É só comparar as versões de PC e consoles do Skyrim e saberá a que me refiro.
O segundo perfil é daqueles jogadores que caíram de paraquedas no fenômeno Fallout 4, desconhecem a franquia, mas ainda se acham gabaritados a postar comentários na internet criticando os visuais do jogo (hoje em dia todo mundo acha que tem algo de relevante a dizer na internet. É incrível como a arte de dar pitacos foi acentuada nos últimos anos...).

A essas pessoas, além do conselho óbvio de procurar saber do que está falando antes de falar merda, posso explicar as coisas da seguinte maneira: é fácil um jogo linear, com dez horas de duração e localidades modestas (como God of War 3) apresentar gráficos derrubadores de mandíbulas. Outra coisa é um jogo ter mais de 200 horas de duração (para completar 100%), se passar em cenários GIGANTESCOS que apresentam escalas quase reais de distâncias e ter várias quests que muitas vezes podem ser resolvidas de mais de uma forma.


Colorido demais? Resta saber se participaremos desses flashes pré-holocausto


Eu aceitaria que jogadores de PC amargurados reclamassem dos gráficos inferiores ao que se tem visto, desde que fossem conhecedores da série. Se eles não colocassem a culpa nos donos de console, até que o queixume faria sentido. Mas uma pessoa que não tem noção da proporção que o jogo apresenta, e que o mesmo não poderia ter gráficos acima da média (sendo grandioso como é) sem torturar o jogador com telas de load intermináveis, vir falar bobagem por causa de um trailer de três minutos que não quer dizer ABSOLUTAMENTE NADA sobre o universo de Fallout? Aí eu sinto a necessidade de deixar a educação um pouco de lado e mandar esse tipo de gente tomar naquele canto, onde a radiação não alcança...


Mermão, feio é o teu *


A esse perfil de jogador “crítico”, deixo meu recado: tenham em mente que a Bethesda e a Obsidian não criam “joguinhos de videogame”. Elas criam UNIVERSOS COMPLETOS, que absorvem o jogador de uma forma que NENHUMA outra franquia vem conseguindo absorver (quiçá The Witcher 3. Veremos...). Skyrim é um dos melhores jogos que eu já joguei na minha vida, mesmo que ele tenha sofrido uma simplificação para agradar jogadores mais puxados pra ação (dado o combate sofrível de seu antecessor, Oblivion, nem de longe isso é uma falha imperdoável). É um jogo com excelente enredo, atmosfera medieval de fantasia maravilhosa e ambientes únicos em todo o jogo (simplesmente não há uma caverna igual a outra naquele jogo, diferente da repetição de cenários que víamos em Oblivion).


Será que esse misterioso cidadão nos ajudará a explodir uma cidade também?


Fallout 3, apesar de sistema de RPG mais simples que o posterior, New Vegas, e apesar também de contar com um excesso de localidades sem razão de ser, é o melhor game que eu já joguei com temática de mundo pós-apocaliptico.
Falar de um jogo da série Fallout é narrar um acontecimento que não se vê todo dia na indústria de games, então parem de falar merda sobre o que não conhecem, ok?
Quando estreei na série Fallout, no terceiro jogo, também cometi o erro de julgar o livro pela capa, ao invés de julgar o seu conteúdo. Não cometam o mesmo erro.

Mas já que não deixa de ser importante falar de aspectos técnicos (desde que se saiba o que está criticando e que se faça uso de bom senso), convém lembrar que os jogos anteriores da série Fallout não eram perfeitos em muitos aspectos.
O primeiro jogo, de 1997, eu ainda estou jogando, com o uso de um patch que aumenta a resolução do game. Estou longe de finalizar, e por se tratar de uma lacuna temporal de quase vinte anos, falar dos gráficos dele não faz sentido algum.


A Irmandade do Aço, sempre a postos pra "proteger" a humanidade...


Fallout 2 ficou famoso por seus problemas com bugs, inclusive em missões (que em casos extremos não eram passíveis de serem finalizadas). Este também ainda não joguei, apenas assisti à introdução, então vai ficar pra um futuro post.

Fallout 3 foi minha estreia na série, como eu já cansei de falar, e esse aqui estava repleto de bugs, loads abusivos e quedas de frame absurdas. Ao menos nos consoles. Os visuais do game quase me fizeram desistir de jogar e devolver o disco, mas resolvi dar uma chance ao deserto radioativo, em uma das melhores e mais acertadas decisões que já tomei em minha carreira gamer. De fato, com a lacuna deixada em minha trajetória de jogador pela ausência da série de JRPGs Final Fantasy, deixar de conhecer a franquia Fallout seria praticamente o abandono de um dos meus gêneros favoritos.


Só um saco na cara mesmo pra dar jeito nesses ghouls


Fallout New Vegas, como eu sempre digo, é melhor que o terceiro game em quase tudo. E esse “quase” a que me refiro é no tocante à atmosfera do game, que é uma das melhores que já vi em um jogo (mesmo sem ter a pretensão, FNV consegue desbancar concorrentes sérios no estilo Western, como Red Dead Redemption), mas que simplesmente tira um pouco do impacto que o holocausto nuclear causava no terceiro episódio da série.

Em New Vegas, o assunto do holocausto parece ter sido esmagado por uma enorme pedra que pôs fim ao assunto, nos dando mais tempo para nos preocuparmos com outros aspectos da sobrevivência no pós-guerra nuclear. O que faz todo sentido, claro, mas que não deixa de “colorir” demais um mundo que é caracterizado pela desolação do agente atômico invisível.


Nem se anime: essa aqui só com treinamento especial


De todos os jogos, de longe Fallout New Vegas foi o que mais me deixou jogar em paz, com relatos quase inexistentes de bugs ou travamentos. Mesmo com o velho problema do acúmulo de progresso (quanto mais você avança, mais demorados ficam os loads e mais bugs acontecem), New Vegas nem parece que “sofria” do mesmo Gamebryo que os surrados Elder Scrolls Oblivion, Fallout 3 e Skyrim. Exceto quando você para pra reparar na tosca linha horizontal que separa troncos de pescoços em seu personagem e nos NPCs (corpo de jovem, cabeça de velho. Já vi muito isso entre os personagens...) ou nas expressões de “tá na hora desse motor gráfico pendurar as chuteiras” nas ilustres carinhas do deserto de Mojave...


Lindas paisagens como sempre


E é isso pessoal. Mais uma vez, gostaria de salientar o quanto eu fiquei feliz com o anúncio (principalmente pelos rumores de que o game sai ainda este ano) e espero que o game seja criticado por fatores que realmente façam diferença na qualidade do produto final.


"Finalmente te encontrei, meu petisco"!


Vault one one one? Adorei!


Tomara que saia ainda em 2015 mesmo. Contando os milésimos de segundo...

Claro que ele não poderia faltar. Que meda!


Au Revoir!

sexta-feira, 5 de junho de 2015

ÓDIO GENOCIDA

























Um passeio pelas randômicas playlists do Youtube foi o bastante pra conhecer Hatred, um jogo que chamará a sua atenção logo de cara pela sua premissa nada sutil: jogamos com um cidadão revoltado contra deus e o mundo que decide resolver seus problemas com o dedo no gatilho, ao invés de usar os meios que todas as outras pessoas utilizam para desestressar. Tudo isso em um estilo que deixaria o personagem de Michael Douglas, no filme Um dia de fúria, se sentindo o maior incompetente da história dos serial killers circunstanciais.





Essa espécie de protagonista kamikaze quer se vingar dos problemas do mundo levando o máximo de pessoas com ele antes de ser abatido. Sinceramente, eu não pretendo jogar pra conhecer mais a fundo, até porque você não precisa tomar um caldeirão inteiro de uma sopa pra saber que gosto ela tem (uma colher já basta), mas fico me perguntado de que forma esse ponto de vista do personagem é justificado (se houvesse uma justificativa para tais atos). Será que o antagonista é vitimizado pela teatrização de seus dramas pessoais? Ou será que o enredo simplesmente chuta o balde (sem dar a mínima para explicações) e já coloca uma metralhadora na mão do jogador, sem mais nem menos?





A Destructive Creations, um estúdio polaco com uma equipe modesta de funcionários, parece já ter entrado com o pé esquerdo na indústria dos jogos, e propositalmente. Hatred é o primeiro jogo do estúdio, que em seu site oficial responde às críticas da mídia especializada com algumas desculpas esfarrapadas que simplesmente não conseguem disfarçar a estratégia escolhida para conquistar um pouco de atenção . Pra você não achar que eu estou inventado isso, aqui vai um trecho da nota de esclarecimento no site. A tradução é cortesia da casa:

“Hatred é um shooter de perspectiva isométrica com uma atmosfera perturbadora de assassinatos em massa, onde o jogador assume o papel de um antagonista de sangue frio, repleto de ÓDIO PELA HUMANIDADE. É um horror, mas VOCÊ é o vilão. Vagueie pelas redondezas de Nova Iorque à procura de suas vítimas em sete níveis de exploração livre. ‘Lute’ contra as forças da lei e embarque em uma viagem rumo à mente de puro ódio do antagonista do jogo. Colete equipamento de ‘escudos humanos mortos’ para trazer o armagedom à sociedade. Destrua tudo pela frente em sua trajetória de caçada e dê o troco quando for provocado...

... só não tente isso em casa e não leve tão a sério. É apenas um game”.





Ao que parece a Destructive Creations tentou se antecipar ao furdunço que um jogo como Hatred causaria e colocou um tipo de explicação das razões por trás de um jogo como esses. Entre os motivos, a DC (diante de uma terrível e alarmante “onda de jogos com preocupação artística ou politicamente corretos”, sarcasmo OFF) cita a vontade de criar um jogo que possibilite um puro “prazer gamer” aos jogadores...

Se com essa tentativa de “fugir das tendências”, a DC se refere a games sem muito enredo e focados basicamente no gameplay descompromissado, sinto avisar que muitos dos jogos que joguei nesses últimos anos se enquadram nessa descrição (como Flower, Dying Light, Cut the Rope, Limbo) sem precisarem recorrer a apologia ao genocídio gratuito ou misantropia.

A afirmação que surge é mais que natural: a polêmica de Hatred já não é mais novidade desde Mortal Kombat, Doom, Carmaggedon e vários outros em uma (não tão) longa lista de jogos banidos ou perseguidos pela extrema violência que mostravam. E, dados os seus visuais e perspectiva escolhida (isométrica ao invés de visão em primeira pessoa), Hatred perde feio para outros jogos bem mais violentos que ele.





Como exemplo, posso citar o recente Mortal Kombat X, que dispensa apresentações ao exibir Fatalities cada vez mais “precisos em demonstrar ângulos variados da anatomia interna humana”; o God of War 3, um jogo que nos deixava no controle de um protagonista que literalmente arrancava a cabeça de outro ser vivo do pescoço (com uma riqueza de detalhes digna de deixar um anatomista salivando); os jogos da série GTA, que não perdem tempo em mostrar a ótica violenta de quem nasceu no berço errado do conto de fadas; e por que não Man Hunt, um jogo que incentivava o jogador a matar seus adversários da forma mais cruel e “criativa” que as mecânicas de jogo permitissem. Mas há um abismo que separa as obras citadas de um título pitoresco como Hatred: a motivação do personagem principal.



Acredite: o que Kratos faz antes do ato em si é ainda mais chocante


A violência de Mortal Kombat pode ser perturbadora à luz dos avançados gráficos de hoje, mas na época do lançamento do jogo original causava mais risos que náuseas. E a série sempre deixou claras as motivações dos participantes do torneio. Kratos, assim como o protagonista de Hatred, passa longe de ser um bom moço, mas seu motivo para massacrar um deus após o outro era a clara e linear necessidade de vingança. E no final da saga, o ato derradeiro de Kratos pode até ser classificado como algo altruísta. GTA não obriga o jogador a matar inocentes. A violência da série geralmente se vê restrita ao universo do submundo criminoso, dando liberdade ao jogador de massacrar civis apenas por uma mera questão de possibilidades de motor gráfico. Em Man Hunt você é obrigado a participar de uma espécie de reality show se quiser prosseguir com vida. Nada além da pura sobrevivência.



É mais engraçado que perturbador


Em Hatred impera uma mensagem nada subliminar de que talvez a humanidade seja algo tão execrável que não resta outra alternativa a não ser apelar à forma mais extrema de censura conhecida pelo homem, o assassinato. Qual a real intenção de uma desenvolvedora que resolve se dedicar a “criações destrutivas” que tentam botar pra fora um dos aspectos mais repreensíveis do ser humano?

Para conquistar seus quinze minutos de fama, a DC se arrisca a travestir sua primeira cria com um subgênero obscuro, o tal do “jogo de genocídio”. E a imagem da equipe de desenvolvedores, que consta no site, parece contribuir muito em alcançar o status almejado pelos jovens responsáveis pelo projeto:


Só faltou o turista ajoelhado no chão, com uma faca no pescoço...


Seja sincero: se não fosse pelo logo do game estampado nas camisas (e a ausência de máscaras), a foto acima poderia ser facilmente confundida com uma imagem de uma facção do Hamas ou algo que o valha. Eu, como jogador consciente e experiente de games não consigo obrigar meu cérebro a dissociar a imagem da impressão que ela carrega; imagine um pai cristão fervoroso que entrou no site já com a certeza de que enviados de Satã estão obrigando seu filho a matar pessoas em um jogo advindo das trevas? O game é classificado como "Adults Only", mas é lógico que ele vai ser jogado por todas as faixas etárias possíveis e imagináveis.

Hatred tenta tornar corriqueira uma prática que abre um precedente que me incomoda demais. Se a intolerância contra um grupo é assustadora, o que dizer da intolerância contra a sua própria espécie como um todo? Não estou querendo dizer com isso que o jogo devia ser censurado, mas esse tipo de ação gera polêmica barata e deixa, aos poucos, o consumidor insensível à ideia de que matar pra resolver talvez não seja tãããão abominável assim.
É chato ter que bancar o advogado do diabo (o "diabo", nesse caso, são os puristas que acusam o jogo), mas fica difícil partir em defesa de um jogo com uma premissa como essa.



Trevor: nem te conheço e já sou seu fã


Logo após seu lançamento, Hatred foi removido da Steam, em um episódio que culminou com um pedido de desculpas do criador da loja virtual e o retorno do jogo ao site. A notícia na íntegra, do site Bonus Stage, pode ser conferida aqui.

E a polêmica vem se mostrando um excelente garoto-propaganda, já que o game bateu recordes de download da versão digital, passando na frente de arrasa-quarteirões já consagrados na indústria, como GTA 5 e (pasmem!) The Witcher 3.

Aos jogadores conscientes, que sabem que um jogo como esse não precisa de um patch que adicione criancinhas à lista de NPCs assassináveis pra chamar ainda mais atenção, fica o aviso: prepare os tapa-ouvidos de papel higiênico que certamente as emissoras de TV brasileiras vão se manifestar, assim que a falta de notícias se abater e uma chacina cometida por um jogador de games se realizar.



Boa pergunta...


Mas será que o simples ato de falar de um jogo como Hatred é propagandear aquilo que deveria permanecer inaudito? Ou é algo que serve de alerta aos games menos politizados? Fica a pergunta no ar, mas meu recado pessoal é este: não acho nem um pouco saudável consumir esse tipo de produto, pois existem vários e melhores jogos no mercado dispostos a sanar a sanha assassina (digital) dos jogadores, e sem um pano de fundo tão funesto quanto esse.

 A certeza que obras como essa me dão é que, se a violência precisa ser mostrada em um jogo, com fins narrativos, Hatred deixa a certeza que está cumprindo a tarefa com o pano de fundo errado.

Au Revoir...

1 SAMURAI COMEDOR DE CRÂNIOS, XCOM 2, E3 E FALLOUT 4 (CONTAGEM PROGRESSIVA)


Um apurado dos eventos dessa semana, um pouco sobre a minha expectativa com a E3 2015, um samurai com um paladar bastante incomum e o anúncio mais esperado do ano.



Au Revoir!

quarta-feira, 3 de junho de 2015

O OITAVO ENGENHEIRO

























Alien Isolation é um dos melhores jogos que joguei nos últimos dez anos. Se houvesse uma forma de colocá-lo em uma categoria superior à de Review Supremo aqui no blog, com certeza eu o faria (mesmo que na parte técnica ele não seja 100% perfeito). Talvez ele não seja o melhor FPS que eu já joguei, mas levando em conta que ele nem é um FPS, e que faz mais pelo gênero de stealth (s suspense) que qualquer outro jogo que eu já tenha visto, eu posso afirmar sem sombra de dúvidas que ele é o melhor jogo da franquia Alien de todos os tempos (como eu já havia afirmado no meu texto definitivo sobre o game). Apesar de ter uma imaginação pra lá de fértil (e das especulações sobre futuros jogos da franquia que eu fiz no Review Supremo), não consigo imaginar Alien Isolation de uma forma diferente que o jogo criado pela Creative Assembly. E esse é o melhor elogio que eu poderia tecer sobre alguma coisa...

Depois de terminá-lo pela quarta vez e fazer simplesmente tudo que havia pra se fazer (isso inclui lista de troféus e uma bela platina com a imagem do clássico ovo da série), a vontade de revisitar os corredores apertados da Sevastopol ainda me "assombra". E isso acontece pelo simples fato de que Alien Isolation é O jogo de videogame com o melhor design de fases e atmosfera que eu já joguei ao longo dos meus 33 aninhos de vida. De fato, ao passear pelos cenários do game, meu cérebro se recusa a aceitar o fato de que aquelas construções tão sólidas e cheias de detalhes não passam de meros zeros e uns. A impressão que fica é que a Sevastopol existe de verdade, na forma de uma casinha de bonecas que se encaixa perfeitamente nas dimensões da minha TV.

Diante de milhares de jogos finalizados e de tantos favoritos, ter a certeza de poder escolher O melhor de uma categoria é algo que não acontece com muita frequência, e é com muita felicidade que eu atesto que o game em questão é mais do que merecedor do título. Aos futuros jogos que jogarei, está lançado o desafio de me surpreender nesses quesitos (design de fases e atmosfera) e superar um difícil oponente.

Tenso...


Mas para não embromar mais do que o de costume, gostaria de deixar os leitores com dois vídeos bem especiais para mim. O primeiro foi um achado que chegou as minhas retinas através do site Neogamer (que faz parte da minha lista de blogs; é só olhar no final da página): um post mostrando como seria a versão de Alien Isolation em terceira pessoa.

Sobre essa questão, se a minha opinião importa, eu posso afirmar que qualquer alternativa escolhida pelos criadores teria me deixado tão satisfeito com o jogo quanto eu estou até agora, visto que o gameplay em terceira pessoa parecia ser tão bom e bem-acabado quanto a versão final, em primeira pessoa (meu gênero preferido de jogo, só pra não deixar passar). Inclusive, essa versão parecia estar em um estágio bastante avançado de desenvolvimento, pois o visual do Alien, dos cenários e dos efeitos de iluminação é muito próximo do que vemos na versão em FPS.

Aqui vai o link para o post original do Neogamer, pra quem quiser (eu recomendo) ler a matéria na íntegra. Abaixo segue apenas o vídeo, pra quem não quiser fazer as honras e pular direto "pro que interessa".



O segundo vídeo é mais uma declaração de amor feita por esse que vos escreve, mostrando (em ordem de aparição) todas as armas, traquitanas e localidades interessantes e surpreendentes que me fazem pensam em dar mais algumas voltinhas pela Sevastopol, mesmo com tantos outros jogos esperando na fila para serem desbravados.
O vídeo foi feito com muito carinho, por mim mesmo, com várias capturas do meu gameplay no PS4. Deu um trabalhão mas me diverti horrores editando e fazendo as legendas. E, antes que eu me esqueça, o vídeo contém spoilers (de progressão e um pouquinho de história), então cuidado ao assistir.



Au Revoir!